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"A Mãe do Último Herdeiro" Capítulo 5 — Sete Dias de Vida

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Capítulo 5 — Sete Dias de Vida

Acordei sem meu filho e com soldados diante da porta.

Por um instante, procurei com a mão a curva de meu ventre. Meus dedos encontraram apenas pele plana sob a camisola.

A lembrança da capela voltou inteira.

Tentei me levantar, mas o Fogo do Sol atravessou meu peito. O grito morreu preso em minha garganta.

Gaspar correu até a cama.

"Não se mova. Seu corpo perdeu sangue e alguma coisa continua consumindo sua energia."

Do outro lado do quarto, Dom Afonso observava-me com uma expressão indecifrável.

"O herdeiro está seguro no Palácio do Príncipe", disse. "Lívia será mantida sob vigilância até entendermos o que ocorreu."

"Entender? Todos estavam lá."

"As estátuas dos fundadores se iluminaram para ela."

"Depois que ela usou três tipos de sangue e um círculo escondido."

Ele desviou o olhar.

Não era ignorância. Era medo de admitir que o milagre desejado pelo império nascera de um crime cometido por seu próprio filho.

Gaspar colocou dois dedos sobre meu pulso e ficou tenso.

"Majestade, ela não pode ser afastada nem executada."

"Eu não ordenei sua execução."

"Mas alguém pode tentar. O fogo dentro dela pulsa no mesmo ritmo da criança. Se Isadora morrer, não sei o que acontecerá com o herdeiro."

Aquilo bastou para me manter viva.

Não por justiça.

Por utilidade.

Fui transferida para um aposento isolado na extremidade da Ala das Palmeiras. Os guardas diziam estar ali para me proteger, mas a chave girava pelo lado de fora.

Tomás apareceu ao anoitecer, com o ombro imobilizado e o rosto sem cor.

"Você deveria estar deitado."

"E a senhora deveria estar grávida. Nenhum de nós teve um bom dia."

Ele colocou um pequeno espelho de prata em minha mão.

"Abra a camisola e olhe para o centro do peito."

Uma linha dourada, fina como um fio de seda, nascia acima de meu coração e atravessava a parede na direção do Palácio do Príncipe.

"O que é isso?"

"O vínculo original. Lívia roubou o corpo e a aparência da gestação, mas não conseguiu obrigar a criança a reconhecê-la."

"Então ainda posso trazê-lo de volta."

"Durante sete dias."

Tomás explicou que Lívia seria investida como Mãe Imperial no fim daquele prazo. Quando o Grande Selo tocasse sua testa, a força da coroa substituiria o vínculo natural por um vínculo legal e mágico.

"E eu?"

"A senhora ficará com a dívida do ritual. Quando a linha se romper, ele levará o restante de sua vida."

Sete dias.

Ou eu recuperava meu filho, ou morreria para que Lívia usasse meu corpo como preço de sua coroação.

Não me permiti chorar.

"Os fragmentos da pulseira?"

"A imperatriz recolheu dois. O sangue que escondi também sobreviveu."

"Divida tudo. Um fragmento com Beatriz, outro no cofre do Tribunal Imperial. Leve a amostra ao observatório e registre a entrega com duas testemunhas. Nenhuma pessoa pode guardar a prova inteira."

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Tomás assentiu.

"E os escrivães da capela?"

"Um deles desapareceu. O outro entregou seu relato à imperatriz antes de ser detido pelos homens de Rafael."

"Diga a Beatriz para não exigir minha libertação. Ainda não."

Ele me encarou, surpreso.

"Quer continuar presa?"

"Quero que Lívia acredite que venceu. Peça à imperatriz que reconheça publicamente a investidura e use isso para colocar suas próprias damas, médicos e guardas perto dela."

"Para observar o herdeiro?"

"Para recolher tudo o que Lívia fizer quando descobrir que ser mãe dói."

Tomás saiu antes da troca da guarda.

Na manhã seguinte, Beatriz entrou em meus aposentos acompanhada apenas de uma dama idosa. A imperatriz fechou a porta e colocou sobre a mesa um embrulho de veludo.

Dentro estavam os dois fragmentos da pulseira e o relato do escrivão que escapara.

"Lívia exigiu as rendas dos dez territórios", contou. "Disse que os bens deveriam acompanhar a criança."

"E Afonso?"

"Quase cedeu. O tesoureiro explicou que os contratos exigem três selos. O seu, o meu e o do Tribunal. Foi a cláusula que você mandou inserir."

Pela primeira vez desde a capela, senti que ainda controlava alguma coisa.

"Não entregue seu selo, mesmo que o imperador ordene."

"Ele pode anular minha recusa."

"Pode. Mas terá de fazê-lo por escrito, diante do tribunal, depois de assistir à nora abrir minha mão e roubar a criança. Obrigue-o a escolher à luz do dia."

Beatriz cobriu minha mão com a dela.

"Eu deveria ter protegido você três anos atrás."

"Então me proteja agora sem transformar culpa em pressa. Lívia espera que a senhora grite, ameace e seja afastada. Sorria durante a investidura. Coloque suas damas ao redor dela. Faça cada pessoa acreditar que aceitou a nova mãe do herdeiro."

"E enquanto ela comemora?"

"Nós contamos guardas, seguimos Baltasar e descobrimos onde Rafael escondeu os arquivos de meu pai."

Beatriz recolheu os fragmentos, mas deixou comigo a declaração do escrivão. Li cada linha, memorizei os nomes das testemunhas e queimei a folha na chama da lamparina.

O original já estava no tribunal. Se revistassem meu quarto, encontrariam apenas cinzas.

Pouco depois da meia-noite, um rugido abafado atravessou os jardins. A linha sobre meu peito se acendeu.

Senti uma pontada de pânico que não me pertencia.

Meu filho estava acordado.

O Palácio do Príncipe mergulhou em agitação. Pelas janelas, vi criados correndo com bacias, toalhas e caixas de remédios.

Uma das damas de Beatriz voltou ao amanhecer e conseguiu aproximar-se de minha porta.

"A princesa consorte passou a noite com dores", cochichou. "Gritava que não aceitava sofrer por uma criança que não desejou."

"Quem está tratando dela?"

"Gaspar foi chamado, mas um homem de manto preto chegou antes. Lívia o chamou de Baltasar."

O nome foi guardado em minha memória.

Um antigo ritual sempre precisava de mãos que soubessem executá-lo.

"A imperatriz ouviu?"

"Cada palavra. E colocou dois de seus guardas na cozinha e um no corredor de Lívia."

Minha armadilha começava a fechar.

Ao entardecer, a linha dourada queimou de novo.

Desta vez, não trouxe apenas medo.

Trouxe dor.

Uma chama invisível atravessou meus ossos. Caí ao lado da cama, incapaz de respirar. Ao mesmo tempo, do outro lado dos jardins, os gritos de Lívia cessaram.

Eles haviam encontrado uma forma de devolver o Fogo do Sol para mim.

Pressionei a mão contra o peito.

"Escute meu coração", sussurrei. "Uma batida. Duas. Três."

Nenhuma resposta.

O fogo aumentou.

"Sou eu. A mulher que ficou quando você quis ir embora."

A linha quase desapareceu. Por um segundo, pensei que Baltasar já a tivesse cortado.

Então uma pulsação minúscula tocou a minha.

Uma.

Duas.

Três.

E, através de camadas de sangue roubado e magia, ouvi um choro fraco.

"Mamãe... eu não encontro você."

Fechei os olhos, segurando a linha sobre o peito.

"Você acabou de encontrar."

 

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