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"A Herdeira Que Voltou do Inferno" Capítulo 2 — Meu Irmão Não Será o Próximo

正文开头

Capítulo 2 — Meu Irmão Não Será o Próximo

Não demonstrei medo.

Homens como Marcelo reconheciam o pânico como cães reconheciam sangue.

"Se Dante morrer", respondi, "Bianca morre antes de você terminar de comemorar."

Ela estava caída junto ao sofá, consciente, mas incapaz de mover os braços. Seus olhos se encheram de lágrimas.

"Marcelo, não deixe que ela faça isso comigo."

A voz frágil ainda funcionava. Bianca podia estar paralisada, mas nunca perdia a oportunidade de representar.

"Isadora, escute", Marcelo disse. "Solte-a e talvez eu consiga cancelar a operação."

"Talvez?"

Abri o arquivo de Bruno e encaminhei para o endereço particular do advogado-geral do Grupo Aurora.

"Você receberá em dez segundos a ordem de transferência que assinou. Há também uma mensagem de Bianca confirmando que meus olhos deveriam ser retirados. Se eu não enviar um código a cada vinte minutos, tudo será encaminhado à Polícia Federal, ao Ministério Público e a seis redações."

Era um blefe parcial.

Eu havia programado o envio apenas para três jornalistas e uma promotora que meu pai conhecera. Mas Marcelo não tinha como saber.

"O que você quer?" ele perguntou.

"Primeiro, a suspensão formal da ordem interna contra mim. Segundo, acesso livre às instalações do Grupo Aurora enquanto a acusação estiver sob revisão. Terceiro, nenhuma equipe perto de Dante."

"Você foi acusada de matar seis pessoas."

"Com relatórios que você falsificou."

"Não pode provar."

"Ainda."

Coloquei o telefone sobre a mesa e comecei a preparar outra seringa.

Bianca acompanhou meus movimentos.

"O que é isso?"

"Uma garantia."

"Marcelo!"

Ele cedeu.

Quinze minutos depois, recebi um documento assinado pelo departamento jurídico. A ordem contra mim estava suspensa por setenta e duas horas, até que uma comissão independente revisasse os arquivos.

Não era liberdade.

Era uma brecha.

Brechas bastavam para quem sabia onde enfiar a lâmina.

"Retire seus homens da pedreira", ordenei.

"Eles não respondem diretamente a mim."

"Então descubra a quem respondem."

Enfiei a segunda agulha no braço de Bianca.

Uma linha escura apareceu sob sua pele e subiu até o ombro.

Ela gritou.

"O que você fez?"

"O composto reage à descarga etérea. Se tentar usar seus poderes, as marcas chegarão ao rosto. Se forçar demais, alcançarão o coração."

Não contei que o efeito desapareceria em três dias.

O medo era mais eficiente quando o inimigo não conhecia o prazo.

Marcelo chegou à cobertura com Rafael e dois advogados. Deixou os seguranças no corredor, como eu exigira.

Rafael entrou primeiro.

O homem que quase fora meu marido parou ao ver meus olhos intactos. Durante um segundo, a máscara de segurança impecável se partiu.

"Isso é impossível."

"Minha sobrevivência sempre foi um problema para vocês."

Ele olhou para Bianca no chão e imediatamente levou a mão à arma.

Apontei a pistola de Bruno para o coração dela.

"Tente."

Rafael parou.

"Você enlouqueceu", disse ele.

"Você abriu a porta da Caldeira para Bruno."

Seu maxilar se contraiu.

正文1

"Eu acreditava que você seria interrogada. Não sabia que fariam aquilo."

"Você nunca sabia. Nunca perguntava. Bastava Bianca chorar e eu automaticamente me tornava culpada."

"As provas estavam no seu computador."

"Um computador ao qual você tinha acesso."

Rafael ficou em silêncio.

Marcelo avançou apenas depois de os advogados confirmarem que o documento em meu celular era o mesmo que haviam assinado.

"A ordem da pedreira foi cancelada", afirmou.

O Corvo Zero analisou a frequência cardíaca, a dilatação de suas pupilas e as microcontrações em seu rosto.

"Probabilidade de mentira: noventa e dois por cento."

"Você continua mentindo mal, Marcelo."

Ele empalideceu.

Empurrei Bianca em sua direção e corri para a saída.

Rafael tentou me seguir, mas fechei a porta corta-fogo entre nós e bloqueei o elevador. Desci pela escada de serviço enquanto o sistema calculava a rota mais rápida até o helicóptero executivo estacionado no Campo de Marte.

Usei o código de voo de Bruno e parti antes que Marcelo pudesse revogá-lo.

A pedreira ficava a pouco mais de uma hora de Belo Horizonte, escondida entre paredões de pedra e mata fechada. Cheguei quando as primeiras luzes da madrugada cortavam o horizonte.

Ouvi os tiros antes de pousar.

Dante estava cercado por doze homens junto à borda de uma cava profunda. A camisa preta estava coberta de sangue, mas ele ainda mantinha três atacantes afastados com uma lâmina etérea.

"Dante!"

Ele levantou o rosto.

Mesmo à distância, vi o instante em que me reconheceu.

"Isa?"

Um homem tentou golpeá-lo pelas costas.

Atirei do helicóptero. A bala atingiu o ombro do agressor e o lançou contra as pedras.

Saltei antes de o aparelho tocar completamente o solo.

"A ordem foi cancelada!" gritei, mostrando o documento no celular. "Qualquer ação contra nós será registrada como operação ilegal."

O líder do grupo riu.

"A ordem que recebemos não veio do jurídico."

Eles avançaram.

Meu Núcleo Etéreo ainda estava instável. A viagem abrira novamente os cortes em meus pulsos, e cada batimento parecia empurrar vidro através das minhas veias.

Mesmo assim, espalhei no chão as cápsulas que roubara da Caldeira.

"Dante, prenda a respiração!"

Ele obedeceu sem perguntar.

As cápsulas explodiram em uma nuvem esverdeada. Dois homens caíram imediatamente. Outros recuaram usando máscaras.

Dante aproveitou a abertura, derrubou um atacante e tomou sua arma.

Lutamos costas com costas, como fazíamos nos treinamentos antes de nosso pai desaparecer.

"Você estava morta", ele disse entre dois disparos.

"Melhorei."

"Seus olhos..."

"Depois explico. À esquerda."

Ele girou e interceptou uma lâmina que buscava minhas costelas.

Os homens restantes mudaram de formação. Quatro seguiram para o helicóptero. Cinco nos empurraram em direção ao precipício.

O Corvo Zero calculou nossas chances.

"Sobrevivência estimada sem intervenção: onze por cento. Recurso disponível: Colônia Voraz. Custo: todos os créditos de ruptura acumulados."

"Use."

"Confirmação necessária."

"Eu disse use!"

Uma esfera negra apareceu em minha mão.

Joguei-a contra o paredão.

O invólucro se rompeu e milhares de insetos etéreos saíram das fissuras da pedra. Besouros, vespas e formigas negras cobriram as armas e invadiram as máscaras dos atacantes.

Os gritos tomaram a pedreira.

Dante me encarou.

"Desde quando você carrega um inferno no bolso?"

"Desde que saí de um."

Os sobreviventes fugiram para a mata. Eu quis persegui-los, mas minhas pernas cederam.

Dante me segurou antes que eu atingisse o chão.

"Você veio até aqui nesse estado?"

"Você esperava que eu deixasse meu único irmão morrer?"

"Eu sou o mais velho."

"Por quatro minutos. Não abuse."

Ele riu, embora seus olhos estivessem molhados.

Foi então que ouvimos passos entre as pedras.

Dante ergueu a arma. Eu procurei outra cápsula, mas meus bolsos estavam vazios.

Um homem alto surgiu por trás da névoa química. Usava camisa branca sob um sobretudo escuro, como se tivesse saído de uma reunião em São Paulo e atravessado um massacre sem sujar os sapatos.

Caio Montenegro.

Herdeiro de uma família rival. Advogado especializado em crimes empresariais. Um homem conhecido por nunca oferecer nada sem cobrar o dobro.

"Chegou tarde", eu disse.

"Não vim salvar você."

Caio olhou para os corpos, depois para meus olhos recém-formados.

"Vim impedir que eles a encontrem primeiro."

"Quem?"

Ele tirou do bolso um contrato dobrado e uma pequena lâmina de prata.

"As quatro famílias que mataram sua mãe."

Caio cortou a própria palma e deixou o sangue cair sobre sua assinatura.

As letras se acenderam em vermelho.

"A partir de hoje, se eu mentir, ferir ou entregar Isadora Ferraz, perco meu patrimônio, meu nome e minha vida."

Ele estendeu o contrato para mim.

"Agora podemos conversar."

 

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