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"O Chefe da Máfia Me Contratou Para Ser Sua Esposa" Capítulo 6 — Uma Foto de Família

正文开头

Gabriel odiava eventos da Fundação Montenegro.

Isabela descobriu isso numa quinta-feira à tarde.

Teresa havia acabado de colocar um terno azul-marinho sobre a cama quando Gabriel entrou no quarto.

Parou.

Olhou para a roupa.

Depois para Teresa.

— Não.

Teresa continuou dobrando a camisa.

— Seu pai avisou que saímos às sete.

— Eu não vou.

— Gabriel.

— Eu falei que não vou.

Ele pegou o paletó e jogou de volta sobre a cama.

Isabela, encostada perto da porta, observou.

— O que tem hoje?

Teresa respondeu:

— Evento beneficente da Fundação Montenegro.

Gabriel bufou.

— É chato.

— Você nunca foi a um evento chato comigo — disse Isabela.

— Todos são iguais.

— Tem comida?

Gabriel olhou para ela.

— Tem.

— Então já melhora.

Ele não sorriu.

— Eu não vou.

Dessa vez, Isabela percebeu que não era apenas birra.

— Por quê?

— Porque eu não quero.

— Essa parte eu entendi.

Gabriel abriu o armário.

— Então pronto.

Isabela entrou no quarto.

— Tem muita gente?

— Tem.

— Câmeras?

Gabriel fechou uma gaveta com força.

— Muitas.

— Então é isso?

— Não.

— O terno?

— Não.

— Seu pai?

Gabriel virou.

— Não é nada!

A frase saiu mais forte.

Isabela parou.

Já conhecia aquele tom.

Era o mesmo usado quando alguma coisa deixava de ser irritação e virava defesa.

Ela não insistiu.

— Tudo bem.

Gabriel franziu a testa.

— Você não vai mandar eu ir?

— Não.

— Meu pai vai.

— Eu não sou seu pai.

— Ainda bem.

Isabela arqueou uma sobrancelha.

— Essa foi gratuita.

Gabriel se jogou na cama.

— Eu só não quero ir.

Teresa pegou o paletó novamente.

— O senhor Dante pediu que esteja pronto às sete.

Gabriel virou o rosto.

— Ele nunca pergunta.

Isabela olhou para Teresa.

A governanta não respondeu.

Gabriel continuou:

— Ele só fala.

— Fala o quê? — perguntou Isabela.

— “Vista isso.” “Vai pra escola.” “Entra no carro.” “Fica perto do segurança.”

Ele imitou a voz grave do pai.

Isabela tentou não rir.

Gabriel percebeu.

— Não é engraçado.

— Um pouco.

— Isabela.

— Está bem.

Ela sentou na ponta da cama.

— E se eu for?

Gabriel virou o rosto imediatamente.

— Você?

— Sim.

— Você não foi convidada.

— Que falta de educação.

— Estou falando sério.

— Eu também.

Teresa ficou em silêncio.

Gabriel sentou.

— Você iria?

— Se seu pai deixar.

— Por quê?

Isabela deu de ombros.

— Porque você não quer ir sozinho.

Gabriel desviou o olhar.

— Eu não ligo.

— Claro.

Ele ficou mexendo numa costura do lençol.

— Você vai ficar perto?

— Se eu for, sim.

Gabriel levantou.

Pegou o paletó.

— Então pergunta.

Isabela sorriu.

— Isso foi um “por favor”?

— Não exagera.

Dante estava no escritório.

Dois homens de terno haviam acabado de sair quando Isabela entrou.

正文1

Ele nem levantou os olhos dos papéis.

— O que aconteceu?

— Gabriel não quer ir ao evento.

— Ele vai.

— Eu sei.

Dante assinou uma folha.

— Então?

— Eu vou com ele.

Agora Dante levantou os olhos.

— Não.

— Que conversa produtiva.

— Não é um evento para funcionários.

— Eu não quero ir como funcionária.

Ele ficou em silêncio.

Isabela percebeu como aquilo soou.

— Quero dizer que vou para acompanhar Gabriel.

— Isso ainda é trabalhar.

— Ótimo. Então considere hora extra.

Dante recostou-se na cadeira.

— Isabela.

— Ele está nervoso.

— Gabriel odeia eventos.

— Eu percebi.

— E mesmo assim vai.

Ela cruzou os braços.

— Você sabe por que ele odeia?

Dante não respondeu imediatamente.

— Muita gente. Câmeras. Perguntas.

— Que perguntas?

A expressão dele fechou um pouco.

— Perguntas idiotas.

— Sobre você?

— Sobre a família.

Isabela entendeu.

— Sobre a mãe dele.

Dante desviou os olhos.

Confirmação suficiente.

— Crianças também perguntam na escola — continuou Isabela.

Dante ficou imóvel.

— Ele contou?

— Não diretamente.

Isabela se aproximou.

— Se ele estiver lá comigo, talvez seja mais fácil.

— Há segurança suficiente.

— Não estou falando de segurança.

Dante soltou o ar.

— Você fala isso bastante.

— Porque você usa segurança como resposta para tudo.

Ele ignorou.

— Você não tem vestido apropriado.

Isabela sorriu.

— Isso significa sim?

— Significa que Teresa terá quinze minutos para resolver.

— Para quem disse não, você mudou rápido.

Dante voltou aos papéis.

— Saia antes que eu mude de ideia.

Às sete e vinte, Gabriel estava no hall.

Terno azul-marinho.

Cabelo penteado.

Sapatos brilhando.

Tinha a expressão de alguém sendo levado para uma audiência judicial.

Dante apareceu alguns minutos depois.

Terno preto.

Camisa branca.

Sem gravata.

Gabriel olhou para ele.

Depois para a escada.

— Cadê ela?

Dante ajustou o relógio.

— Descendo.

Gabriel fingiu indiferença.

— Eu nem estava perguntando por isso.

Dante ergueu os olhos.

— Claro.

Isabela apareceu no topo da escada.

Teresa havia escolhido um vestido verde-escuro de corte simples.

Elegante o suficiente para o evento.

Sem transformar Isabela em outra pessoa.

Ela desceu.

Gabriel abriu um sorriso.

— Você parece rica.

Isabela parou.

— Esse foi seu melhor elogio?

— Foi.

— Precisa praticar.

Dante olhou para ela por alguns segundos a mais do que deveria.

Isabela percebeu.

— O quê?

— Nada.

Gabriel soltou um suspiro.

— Todo mundo nessa casa fala “nada”.

A Fundação Montenegro ocupava um edifício moderno nos Jardins.

Naquela noite, o salão estava cheio.

Empresários.

Políticos.

Médicos.

Jornalistas.

Pessoas que pareciam conhecer Dante antes mesmo de se aproximarem.

Isabela percebeu rapidamente algo que já imaginava:

Dante não entrava num ambiente.

O ambiente mudava quando ele entrava.

Conversas diminuíam.

Olhares se voltavam.

Homens se aproximavam para cumprimentá-lo.

Mulheres observavam.

Seguranças abriam espaço.

Gabriel caminhava ao lado do pai.

正文2

Isabela do outro lado.

No começo, tudo correu bem.

Até uma mulher de vestido prateado se aproximar.

— Dante!

Ela o cumprimentou com dois beijos.

Depois olhou para Gabriel.

— Como cresceu.

Gabriel ficou rígido.

— Oi.

— Você está cada vez mais parecido com seu pai.

Ela sorriu.

— E sua mãe? Continua morando fora?

Gabriel abaixou os olhos.

Dante respondeu imediatamente:

— Não é assunto seu.

A mulher perdeu o sorriso.

— Claro. Desculpa.

Saiu.

Gabriel ficou quieto.

Isabela olhou para ele.

— Quer água?

— Não.

— Quer ir lá fora?

— Não.

— Quer fingir que eu não perguntei nada?

Gabriel finalmente levantou os olhos.

— Sim.

— Essa opção eu consigo.

Continuaram andando.

Mas depois da terceira câmera, Gabriel começou a apertar os dedos.

Isabela percebeu.

— Ei.

Ele olhou.

— Segura minha mão.

— Eu não sou criança.

— Ótimo. Então faz de conta que sou eu que preciso.

Gabriel hesitou.

Depois segurou.

Forte.

Dante viu.

Não comentou.

Mais adiante, um fotógrafo chamou:

— Senhor Montenegro!

Dante virou.

O homem levantou a câmera.

— Uma foto, por favor.

Dante fez um gesto curto.

Gabriel já sabia o que fazer.

Ficou ao lado do pai.

Isabela deu um passo para trás.

O fotógrafo olhou para ela.

— A senhora também.

Isabela apontou para si.

— Eu?

— Sim. Mais perto.

Dante franziu a testa.

— Ela não—

O fotógrafo sorriu.

— Uma foto da família, senhor Montenegro.

Gabriel apertou a mão de Isabela.

Ela olhou para ele.

O menino não soltou.

Dante percebeu.

Houve um segundo estranho.

Longo.

Depois Dante colocou-se do outro lado de Gabriel.

O fotógrafo ajustou o enquadramento.

— Mais perto.

Isabela quase riu.

Dante lançou um olhar que dizia que aquele homem estava abusando da sorte.

Gabriel, porém, puxou Isabela um pouco.

Ela ficou ao lado dele.

Dante do outro.

O menino no meio.

— Perfeito — disse o fotógrafo.

Gabriel segurava a mão de Isabela.

Dante apoiou uma mão no ombro do filho.

Flash.

Por um segundo, a imagem congelou.

Dante Montenegro.

Gabriel.

Isabela.

Pareciam uma família.

O fotógrafo baixou a câmera.

— Ficou ótima.

Dante respondeu:

— Não publique nada sem autorização da assessoria.

— Claro.

Isabela olhou para Gabriel.

Ele ainda segurava sua mão.

— Já pode soltar.

Gabriel soltou imediatamente.

— Eu esqueci.

— Claro.

Mas estava sorrindo.

Na volta para casa, Gabriel dormiu no carro.

A cabeça caiu primeiro para o lado.

Depois encostou no braço de Isabela.

Ela tentou ajeitá-lo.

Dante, sentado do outro lado, observou.

— Pode deixar.

Isabela olhou para ele.

— Vai acordar com dor no pescoço.

— Acontece.

— Ótima filosofia paterna.

Dante quase sorriu.

— Ele ficou melhor depois que você chegou.

Isabela não esperava aquilo.

— Isso foi um elogio?

— Não se acostume.

— Pena. Eu ia anotar a data.

Dante olhou para Gabriel.

— Ele não segurava a mão de ninguém em eventos.

正文3

Isabela abaixou os olhos para o menino.

— Talvez ele só precisasse saber que alguém estava ali por ele.

Dante ficou em silêncio.

No dia seguinte, a fotografia estava em todos os sites de entretenimento.

DANTE MONTENEGRO SURPREENDE EM EVENTO AO LADO DO FILHO E DE MISTERIOSA MORENA.

Alguns chamavam Isabela de acompanhante.

Outros de nova namorada.

Um site foi mais longe:

A NOVA FAMÍLIA MONTENEGRO?

Isabela encontrou Gabriel na sala olhando a foto no tablet.

— O que está fazendo?

Ele virou a tela.

— Nada.

— Você estava olhando a notícia.

— Apareceu sozinho.

— Há cinco minutos?

— Talvez.

Isabela sentou ao lado.

Na foto, Gabriel estava no centro.

Ela segurava uma mão.

Dante estava do outro lado.

Pareciam confortáveis demais.

— Ficou boa — disse Gabriel.

— Meu cabelo está estranho.

— Está normal.

— Obrigada.

Gabriel aumentou a imagem.

— Você parece minha...

Parou.

Isabela virou o rosto.

— Pareço o quê?

— Nada.

Ela não pressionou.

Gabriel salvou a imagem.

Mais tarde naquela noite, ele entrou no escritório do pai sem bater.

Dante estava ao telefone.

Fez um gesto para que esperasse.

Gabriel ficou parado.

Quando a ligação terminou, Dante colocou o celular sobre a mesa.

— O que foi?

Gabriel mostrou o tablet.

A fotografia estava aberta.

— Você viu?

— Vi.

— As pessoas acham que a Isabela é sua namorada.

— Pessoas gostam de inventar coisas.

Gabriel aproximou-se.

— Ela ficou bonita.

Dante olhou para a tela.

— Ficou.

Gabriel percebeu a resposta.

— Você acha?

Dante levantou os olhos.

— Qual é o ponto?

Gabriel sentou na cadeira em frente à mesa.

Ficou alguns segundos balançando os pés.

— Pai?

— Hm?

— Por que a Isabela não pode ficar com a gente sempre?

Dante parou.

A pergunta não tinha provocação.

Nem ironia.

Era simples.

Por isso era mais difícil.

— Ela trabalha aqui.

— Eu sei.

— Então fica enquanto trabalhar.

Gabriel franziu a testa.

— Não é isso.

Dante sabia.

— O que quer dizer?

Gabriel olhou para a fotografia.

— Tipo...

Demorou.

— Sempre.

Dante não respondeu.

Gabriel esperou.

— Esquece.

Levantou.

— Gabriel.

O menino parou.

Dante quase disse alguma coisa.

Mas não encontrou a resposta.

— Boa noite.

Gabriel assentiu.

— Boa noite.

Saiu.

Dante permaneceu olhando para a porta.

Depois pegou o tablet que Gabriel havia deixado momentaneamente sobre a mesa.

A fotografia ainda estava aberta.

Ele olhou para os três.

Gabriel parecia feliz.

Isabela também.

E ele próprio parecia diferente.

Mais leve.

Dante bloqueou a tela.

Não gostou da sensação.

Porque fotos podiam mentir.

Podiam fazer três pessoas parecerem algo que não eram.

A centenas de quilômetros de São Paulo, outra pessoa viu a mesma imagem.

Valentina Ferraz estava sentada sozinha à mesa de um apartamento silencioso quando uma mensagem chegou ao celular.

Um link.

Sem texto.

Ela abriu.

A fotografia ocupou a tela.

Dante.

Mais velho.

Mais duro.

Ainda imediatamente reconhecível.

Ao lado dele estava uma mulher que Valentina nunca tinha visto.

E entre os dois...

Gabriel.

Ela parou de respirar por um instante.

Aumentou a fotografia.

O menino não era mais o bebê que existia em suas lembranças.

Tinha oito anos.

Cabelos escuros.

O rosto mais fino.

Os olhos de Dante.

Valentina levou uma mão à boca.

Leu o título.

A NOVA FAMÍLIA MONTENEGRO.

Olhou para Isabela segurando a mão de Gabriel.

Depois voltou aos olhos do filho.

Fazia anos que não o via tão de perto.

Mesmo que fosse apenas numa tela.

O celular começou a tremer entre seus dedos.

Valentina fechou a notícia.

Abriu de novo.

Como se a imagem pudesse desaparecer.

Não desapareceu.

Gabriel continuava ali.

Entre o pai e uma mulher que o mundo já começava a chamar de família.

Valentina apoiou o telefone sobre a mesa.

Fechou os olhos.

Durante anos, repetira a si mesma que ficar longe era a única maneira de mantê-lo seguro.

Naquela noite, pela primeira vez, aquela justificativa já não pareceu suficiente.

Ela abriu os olhos.

Pegou o celular novamente.

E ficou olhando para o rosto do filho que havia deixado para trás.

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