"O Chefe da Máfia Me Contratou Para Ser Sua Esposa" Capítulo 5 — À Mesa
Às cinco e quarenta da tarde, Teresa colocou três pratos sobre a mesa da sala de jantar.
Isabela percebeu imediatamente.
— Três?
Teresa continuou organizando os talheres.
— Você, Gabriel e o senhor Dante.
Isabela olhou para a terceira cadeira.
— Ele confirmou?
Teresa parou por um segundo.
— Não.
— Então são dois pratos e uma esperança.
A governanta sorriu.
— Gabriel pediu.
Isabela virou o rosto.
Gabriel estava na sala ao lado, deitado no sofá com um livro aberto sobre o peito.
Parecia concentrado.
Mas já havia perguntado três vezes que horas eram.
— Ele acha que o pai vem?
— Ele nunca diz que acha.
Teresa ajeitou um copo.
— Mas sempre espera.
Isabela ficou em silêncio.
Desde a manhã em que Dante se sentara por dez minutos para tomar café, Gabriel havia começado a observar a porta principal de outra maneira.
Não falava sobre isso.
Não perguntava diretamente.
Só sabia exatamente a hora em que o pai normalmente voltava.
Naquela noite, às seis em ponto, Gabriel apareceu na sala de jantar.
Sentou-se.
Olhou para o terceiro prato.
Depois para Isabela.
— Por que tem três?
— Porque somos três.
— Meu pai não janta aqui.
— Hoje talvez jante.
Gabriel pegou o garfo.
— Ele falou isso?
Isabela hesitou.
— Não exatamente.
O menino soltou uma risada curta.
— Então não vem.
— Pode vir.
— Não vem.
— Como sabe?
Gabriel deu de ombros.
— Eu sei.
Às seis e dez, Teresa trouxe a comida.
Gabriel não começou a comer.
Às seis e vinte, olhou para o relógio.
Isabela percebeu.
— Está com fome?
— Não.
— Seu estômago acabou de discordar.
— Eu posso esperar.
Ela ergueu uma sobrancelha.
— Esperar o quê?
Gabriel imediatamente pegou o garfo.
— Nada.
Às seis e meia, a porta principal continuava fechada.
Isabela olhou para Teresa.
A governanta evitou seus olhos.
Gabriel começou a mexer no arroz.
Não comia.
Apenas empurrava de um lado para o outro.
— Vamos jantar — disse Isabela.
— Espera mais cinco minutos.
Ela não perguntou por quê.
Cinco minutos passaram.
Depois mais cinco.
Gabriel pegou o copo.
Bebeu água.
Olhou para a porta.
Às seis e quarenta e três, ouviu-se o motor de um carro do lado de fora.
Gabriel levantou a cabeça tão rápido que quase derrubou o copo.
Passos atravessaram o hall.
Dante entrou na sala de jantar.
Ainda usava o terno escuro.
Bruno vinha atrás dele com uma pasta na mão.
— O pessoal já está esperando na ligação — disse Bruno. — Ricardo também entrou.
Dante assentiu.
Pegou a xícara de café que Teresa havia deixado sobre o aparador.
Gabriel tentou esconder o sorriso.
— Você veio.
Dante olhou para ele.
— Vim buscar alguns documentos.
O sorriso desapareceu.
Isabela viu.
Dante já estava virando em direção ao escritório.
Ela falou:
— Sente.
Bruno parou.
Teresa ficou imóvel.
Dante virou lentamente.
— Como?
Isabela apontou para a cadeira vazia.
— Sente.
O silêncio na sala pareceu aumentar.
Gabriel baixou imediatamente os olhos para o prato.
Dante olhou para Isabela.
— Tenho uma reunião.
— Eu sei.
— Então por que está me mandando sentar?
— Porque seu filho está esperando você jantar.
Gabriel reagiu na mesma hora.
— Eu não estou esperando.
Isabela olhou para ele.
— Você está sentado há quarenta minutos.
— Eu não estava esperando ele.
— Claro.
Gabriel ficou vermelho.
— Eu nem ligo.
Dante desviou os olhos para o filho.
A frase atingiu de um jeito estranho.
Eu nem ligo.
Era uma frase que Gabriel usava muito.
Quando uma babá ia embora.
Quando Dante cancelava alguma coisa.
Quando alguém perguntava sobre a mãe.
Quando alguma coisa doía mais do que ele queria admitir.
Isabela cruzou os braços.
— Você pode ir para sua reunião.
Dante voltou a olhar para ela.
— Mas não finja que ele não está esperando.
Gabriel empurrou a cadeira para trás.
— Eu falei que não estou!
— Gabriel—
— Eu não ligo!
Ele se levantou.
Dante falou:
— Senta.
O menino congelou.
A voz não foi alta.
Mas era a voz que fazia homens adultos obedecerem.
Gabriel voltou a sentar.
Sem olhar para ninguém.
Dante permaneceu de pé.
Isabela observou os dois.
Era sempre assim.
Gabriel fingia não precisar.
Dante fingia acreditar.
E os dois continuavam no mesmo lugar.
— Quanto tempo dura essa reunião? — perguntou Isabela.
Bruno respondeu antes de Dante:
— Uma hora, talvez duas.
Dante lançou um olhar para ele.
Bruno imediatamente ficou em silêncio.
Isabela:
— E o jantar?
— Dez minutos.
— Então você consegue.
Dante soltou um suspiro baixo.
— Você sempre fala assim com seu chefe?
— Não.
— Não?
— Normalmente meus chefes não precisam que eu explique por que deveriam jantar com os próprios filhos.
Teresa fechou os olhos por um instante.
Bruno olhou para o chão.
Gabriel levantou os olhos, claramente interessado.
Dante ficou completamente imóvel.
— Senhorita Oliveira.
— Senhor Montenegro.
Gabriel quase sorriu.
Dante olhou para o relógio.
Depois para a cadeira.
Finalmente colocou a xícara sobre o aparador.
Entregou a pasta a Bruno.
— Avise que começo em vinte minutos.
Bruno assentiu.
— Sim, senhor.
Saiu.
Dante puxou a cadeira.
Sentou.
Gabriel tentou continuar parecendo indiferente.
Falhou.
— Você vai comer?
Dante olhou para o prato.
— Parece que sim.
Gabriel pegou o garfo.
— A comida já está fria.
Teresa:
— Posso aquecer.
— Não precisa — respondeu Dante.
Isabela sentou.
Por alguns segundos, ninguém falou.
Então Gabriel apontou para a carne no prato do pai.
— Essa parte é melhor.
Dante olhou.
— Qual?
Gabriel inclinou o corpo.
— Essa.
— Por quê?
— Tem mais molho.
Dante cortou um pedaço.
— Você presta muita atenção nisso.
— Porque eu como aqui todo dia.
A frase saiu sem intenção.
Mas Dante ficou quieto.
Isabela também.
Gabriel percebeu.
— O quê?
— Nada — respondeu Dante.
Gabriel revirou os olhos.
— Todo mundo nessa casa fala “nada”.
Isabela riu.
— Finalmente alguém percebeu.
Gabriel apontou o garfo para ela.
— Você também.
— Eu nunca disse isso.
— Disse ontem.
— Provas?
— Eu tenho memória.
Dante observou os dois discutindo.
Era estranho estar ali.
Mais estranho ainda era perceber que não sabia qual era o assunto mais comum na mesa do próprio filho.
— Como foi a escola? — perguntou.
Gabriel parou.
— Normal.
— Isso significa?
— Escola.
Dante olhou para Isabela.
Ela deu de ombros.
— Ele teve matemática.
Gabriel:
— Traidora.
— E educação física.
— Você não precisa contar tudo.
Dante:
— Jogou futebol?
Gabriel fez uma careta.
— Não.
— Por quê?
— Porque o professor me colocou no gol.
— E?
— Eu odeio ficar no gol.
— Por quê?
Gabriel pensou.
— Porque todo mundo culpa o goleiro quando perde.
Dante quase sorriu.
— Isso é verdade.
Gabriel olhou para ele.
— Você jogava?
— Quando tinha sua idade.
— Você?
— Eu tinha oito anos também.
Gabriel pareceu genuinamente surpreso.
— Difícil imaginar.
Isabela soltou uma risada.
Dante olhou para ela.
— Algum problema?
— Nenhum.
— Está rindo.
— Foi sem querer.
Gabriel começou a rir também.
Dante tentou manter a expressão séria.
Não conseguiu completamente.
A reunião começou vinte e sete minutos atrasada.
Foi a primeira vez em anos que Dante Montenegro chegou atrasado a uma reunião importante porque estava terminando o jantar com o filho.
Na manhã seguinte, porém, ele voltou ao velho hábito.
Pegou café.
Respondeu mensagens.
Saiu antes que Gabriel terminasse de comer.
Dois dias depois, também.
No terceiro, Gabriel já não comentou.
Isabela percebeu.
À tarde, entrou no escritório sem marcar horário.
Dante estava lendo documentos.
— Não.
Ela parou.
— Eu ainda nem falei.
— Vai falar sobre Gabriel.
— Impressionante.
Dante levantou os olhos.
— O que aconteceu?
— Nada.
Ele esperou.
Isabela sorriu.
— Agora entende como é irritante?
— Isabela.
Era a primeira vez que ele usava apenas o primeiro nome.
Ela percebeu.
Não comentou.
— Você jantou com ele uma vez.
— Sim.
— E ele falou disso durante três dias.
Dante fechou a pasta.
— Tenho trabalho.
— Ele também tem oito anos.
— E?
— Ele não vai ter oito para sempre.
Dante ficou em silêncio.
Isabela se aproximou da mesa.
— Você acha que ele precisa do seu dinheiro.
— Precisa.
— Da casa.
— Precisa.
— Dos seguranças.
— Principalmente.
Ela assentiu.
— Mas ele também precisa saber que você vai aparecer.
A mandíbula de Dante ficou tensa.
— Eu apareço quando importa.
— Para você.
Ele olhou diretamente para ela.
Isabela continuou:
— Para Gabriel, jantar importa.
Dante não respondeu.
— Fazer brigadeiro importa.
Nada.
— Ouvir ele reclamar da escola importa.
— Você terminou?
— Quase.
Ela respirou.
— Você protege seu filho como se o mundo inteiro estivesse tentando tirá-lo de você.
Dante ficou completamente imóvel.
Isabela percebeu que havia tocado em alguma coisa.
Mas não recuou.
— Só não percebe que, enquanto protege, também fica longe.
A voz dele baixou.
— Você não sabe nada sobre a minha família.
— Então me prove que estou errada.
Dante sustentou o olhar dela.
— Saia do meu escritório.
Isabela assentiu.
— Às seis.
— O quê?
Ela abriu a porta.
— Jantar.
Dante quase riu de incredulidade.
— Não me dê ordens.
Isabela olhou por cima do ombro.
— Não é uma ordem.
Pausa.
— É um convite do seu filho. Só que ele tem orgulho demais para fazer.
Ela saiu.
Às cinco e cinquenta e oito daquela noite, Gabriel já estava sentado à mesa.
Não perguntou nada.
Nem olhou para a porta.
Às cinco e cinquenta e nove, ouviu passos no corredor.
Dante apareceu.
Sem pasta.
Sem telefone na mão.
Sem Bruno atrás dele.
Gabriel levantou os olhos.
— Você veio cedo.
Dante puxou a cadeira.
— Estou atrasado?
Gabriel olhou para o relógio.
Depois para o pai.
Um sorriso apareceu.
— Um minuto adiantado.
Dante sentou.
Isabela, do outro lado da mesa, não disse nada.
Não precisava.
Gabriel começou a contar uma história sobre um menino da escola.
Dante ouviu.
Dessa vez, sem olhar para o relógio.
E naquela noite, pela primeira vez, ninguém naquela mesa parecia estar esperando alguém ir embora.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4