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"O Chefe da Máfia Me Contratou Para Ser Sua Esposa" Capítulo 2 — O Primeiro Dia

正文开头

Isabela descobriu, antes das nove da manhã, que Gabriel Montenegro levava ameaças a sério.

Principalmente as próprias.

Ela havia acabado de guardar algumas roupas no armário do quarto que Teresa lhe mostrara quando percebeu que o celular não estava mais sobre a cômoda.

Parou.

Olhou para a cama.

Para a bolsa.

Para o chão.

Nada.

Abriu a bolsa de novo.

Vazia.

Exceto pela carteira e pelas chaves.

Isabela saiu para o corredor.

Gabriel estava sentado no chão, encostado na parede, jogando no tablet.

Nem levantou a cabeça quando ela se aproximou.

— Gabriel.

— Hm?

— Você viu meu celular?

Ele continuou jogando.

— Não.

— Tem certeza?

— Tenho.

Isabela cruzou os braços.

— Interessante.

Gabriel ergueu os olhos.

— O quê?

— Porque eu deixei no meu quarto.

— Então deve estar lá.

— Não está.

Ele deu de ombros.

— Que pena.

Isabela ficou olhando para ele por alguns segundos.

Gabriel voltou ao jogo.

O som do tablet preenchia o corredor.

Ela não discutiu.

Não insistiu.

Apenas estendeu a mão.

— Me dá.

Gabriel puxou o aparelho contra o peito.

— O quê?

— O tablet.

— Por quê?

— Porque eu quero.

— Não.

Isabela pegou o tablet da mão dele antes que pudesse reagir.

Gabriel levantou num salto.

— EI!

Ela virou o aparelho.

— Que pena.

Gabriel ficou indignado.

— Você não pode fazer isso!

— Posso.

— É meu!

— E o celular é meu.

O menino apertou a mandíbula.

— Eu não peguei.

— Então quando meu celular aparecer, seu tablet também aparece.

Gabriel encarou Isabela com uma expressão que provavelmente já tinha assustado muita gente.

Não funcionou.

— Eu vou contar pro meu pai.

— Conta.

— Ele vai mandar você embora.

— Talvez.

Gabriel hesitou.

Era quase sempre assim.

Ele jogava a mesma carta.

E Isabela simplesmente se recusava a ter medo dela.

— Me devolve.

— Meu celular primeiro.

— Eu não sei onde está.

— Tudo bem.

Isabela se virou.

— Até mais.

— Espera!

Ela parou.

Gabriel olhou para os lados.

Depois caminhou até um vaso decorativo numa mesa do corredor.

Enfiou a mão atrás dele.

Tirou o celular.

Estendeu para Isabela.

— Caiu ali.

Isabela pegou.

— Claro.

Devolveu o tablet.

Gabriel o arrancou da mão dela.

— Você é muito irritante.

— Você já disse isso ontem.

— E continuo achando.

— Consistência é uma qualidade.

Ele franziu a testa.

— O que isso quer dizer?

— Que pelo menos você sabe manter uma opinião.

Gabriel pareceu não saber se aquilo era elogio ou provocação.

Isabela entrou no quarto.

Antes de fechar a porta, acrescentou:

— E da próxima vez, escolhe um esconderijo melhor.

Gabriel ficou olhando para ela.

A porta se fechou.

Alguns segundos depois, ele sorriu sozinho.

Só um pouco.

No café da manhã, o clima mudou de novo.

Gabriel sentou diante de um prato com ovos, pão, frutas e uma pequena tigela de mamão.

正文1

Isabela se acomodou na cadeira ao lado.

Teresa servia café mais adiante.

Gabriel olhou para o prato.

— Não quero.

Isabela pegou a própria xícara.

— Tudo bem.

Gabriel olhou para ela.

— Tudo bem?

— Sim.

— Você não vai mandar eu comer?

— Não.

Ele ficou desconfiado.

— Então me dá chocolate.

Isabela virou para Teresa.

— Teresa, pode tirar o café da manhã dele.

Teresa quase sorriu.

— Claro.

Gabriel segurou o prato.

— Eu não falei pra tirar!

Isabela olhou para ele.

— Você disse que não queria.

— Eu quero chocolate.

— Não tem chocolate no café da manhã.

— Meu pai deixa.

— Seu pai está aqui?

Gabriel abriu a boca.

Fechou.

— Ele deixa.

— Quando ele disser pra mim, eu acredito.

Gabriel cruzou os braços.

— Eu odeio mamão.

— Então não come o mamão.

— E ovo.

— Não come o ovo.

— E pão.

— Não come o pão.

Gabriel estreitou os olhos.

— Então eu não como nada.

— Escolha sua.

Teresa começou a retirar o prato.

Gabriel puxou de volta.

— Espera.

Isabela tomou um gole de café.

Gabriel pegou um pedaço de pão.

Mordeu.

Depois olhou para ela como se estivesse fazendo aquilo apenas para provar que a decisão era dele.

Isabela não comentou.

O silêncio pareceu incomodá-lo mais do que qualquer bronca.

Depois do café, chegou a hora da escola.

Gabriel apareceu na sala ainda de tênis desamarrado.

— Hoje não tem aula.

Isabela olhou para o relógio.

— Tem.

— Meu pai falou que eu não preciso ir.

— Quando?

— Ontem.

— Que horas?

Gabriel pensou.

— De noite.

— Onde?

— No escritório.

— Interessante.

— Por quê?

— Porque ontem à noite seu pai estava numa reunião fora de casa.

Gabriel congelou.

Teresa, que organizava algumas correspondências, levantou os olhos.

Isabela continuou:

— E antes que pergunte, foi a Teresa que comentou.

Gabriel virou para a governanta.

— Teresa!

— Eu só disse que o senhor Dante chegaria tarde.

Gabriel voltou a encarar Isabela.

— Eu não vou.

— Vai.

— Você falou que não manda em mim.

— Eu falei que você pode escolher não comer.

— Então eu escolho não ir pra escola.

— Isso não é a mesma coisa.

— Pra mim é.

Isabela se levantou.

— Tudo bem.

Gabriel pareceu surpreso.

— Tudo bem?

— Sim.

— Eu posso ficar?

— Pode.

O rosto dele se iluminou.

Isabela pegou o celular.

— Só preciso ligar pra escola e avisar que você decidiu faltar.

O sorriso sumiu.

— Pra quê?

— Porque alguém precisa explicar.

— Você fala que estou doente.

— Você está?

— Não.

— Então não vou mentir.

Gabriel apertou os lábios.

— Todo mundo mente.

Isabela parou.

A resposta veio rápida demais.

Séria demais.

Ela não fez nenhuma pergunta.

Apenas disse:

— Eu não.

Gabriel desviou o olhar.

正文2

Por alguns segundos, o menino de oito anos pareceu muito mais velho.

Isabela apontou para o tênis.

— Amarra isso.

— Eu sei amarrar.

— Ótimo.

Gabriel se abaixou e começou a fazer o nó com força exagerada.

— Eu não gosto de você.

— Sobreviverei.

— Você acha engraçado?

— Um pouco.

Ele terminou.

Levantou.

— Quando eu voltar, vou fazer você pedir demissão.

— Então presta atenção na aula. Vai precisar de criatividade.

Gabriel passou por ela.

Na porta, porém, parou.

— Você vai estar aqui quando eu voltar?

Isabela demorou meio segundo para responder.

— Onde mais eu estaria?

Gabriel deu de ombros.

— Não sei.

Saiu antes que ela pudesse acrescentar qualquer coisa.

Isabela ficou olhando para a porta.

A pergunta parecia simples.

Mas não soava como uma provocação.

Parecia outra coisa.

Teresa se aproximou.

— Ele gostou de você.

Isabela soltou uma risada curta.

— Se isso é gostar, tenho medo de descobrir como ele trata quem odeia.

Teresa sorriu.

— Gabriel não pergunta a ninguém se vai estar aqui quando ele voltar.

Isabela virou o rosto.

— Por quê?

Teresa hesitou.

Foi pouco.

Mas Isabela percebeu.

— Porque não.

A resposta foi claramente escolhida.

Isabela não insistiu.

Ainda.

Gabriel voltou da escola pouco depois das quatro.

Entrou na sala jogando a mochila no sofá.

Isabela estava sentada lendo um livro.

Ele parou.

Olhou para ela.

— Você ainda está aqui.

Ela levantou os olhos.

— Infelizmente.

Gabriel tentou esconder a reação.

— Eu sabia.

— Claro que sabia.

— Eu só estava testando.

— Você testa muita coisa.

Ele pegou a mochila.

— Porque as pessoas falham.

Isabela fechou o livro.

— E você?

Gabriel parou.

— O quê?

— Você nunca falha?

— Não.

— Impressionante.

Ele percebeu o sarcasmo.

— Você fala demais.

— E você mente demais.

Gabriel virou de costas.

— Meu pai disse que posso jogar até o jantar.

— Seu pai disse?

Gabriel parou de novo.

Lentamente.

Isabela sorriu.

— Cuidado. Essa mentira já está ficando repetitiva.

Ele soltou um som irritado.

— Você é impossível.

— Obrigada.

Gabriel correu escada acima.

Isabela ouviu a porta bater.

Dessa vez, ela sorriu.

À noite, Dante voltou pouco depois das oito.

A casa mudava quando ele entrava.

Os seguranças ficavam mais atentos.

Funcionários falavam mais baixo.

Até os passos de Teresa pareciam ganhar outro ritmo.

Isabela estava na sala quando Gabriel desceu correndo.

— Pai!

Dante tirou o relógio enquanto caminhava.

— O que foi?

Gabriel apontou diretamente para Isabela.

— Demite ela.

Dante parou.

Olhou primeiro para o filho.

Depois para Isabela.

— Primeiro dia.

— Ela roubou meu tablet.

Isabela ergueu uma sobrancelha.

— Depois que meu celular desapareceu.

Dante olhou para Gabriel.

O menino desviou o olhar.

— Ela não deixa eu comer chocolate.

— No café da manhã — completou Isabela.

— Ela me obrigou a ir pra escola.

正文3

Dante ficou alguns segundos em silêncio.

— Você tinha aula.

Gabriel bufou.

— Ela é horrível.

Isabela fechou o livro.

— Eu também pensei em pedir demissão.

Gabriel virou para ela imediatamente.

A reação foi pequena.

Mas clara.

Os ombros ficaram tensos.

Os olhos arregalaram só um pouco.

— Então pede.

A voz saiu rápida.

Isabela percebeu.

Dante também.

Ela se levantou.

— Mas ainda não.

Gabriel relaxou antes de conseguir impedir.

Depois colocou a máscara de indiferença de volta.

— Tanto faz.

Isabela passou por ele.

— Claro.

Gabriel virou.

— Você não dura uma semana.

Isabela parou na escada.

Olhou por cima do ombro.

— Quer apostar?

Gabriel cruzou os braços.

— Quero.

— O que eu ganho?

Ele pensou.

— Nada.

— Péssima aposta.

— Porque você vai perder.

Isabela sorriu.

— Veremos.

Subiu.

Gabriel permaneceu no meio da sala.

Dante observava o filho.

— Você escondeu o celular dela?

Gabriel olhou para o pai.

— Talvez.

— Por quê?

O menino deu de ombros.

— Porque sim.

Dante conhecia aquela resposta.

Era a resposta para tudo que Gabriel não queria explicar.

— E por que perguntou se ela estaria aqui quando voltasse da escola?

Gabriel congelou.

Isabela havia mencionado isso a Teresa.

Teresa provavelmente havia comentado com Dante.

Ele baixou os olhos.

— Não perguntei.

— Gabriel.

— Eu disse que não perguntei.

Dante não pressionou.

Era assim que os dois sempre funcionavam.

Um escondia.

O outro deixava esconder.

Gabriel começou a subir a escada.

No terceiro degrau, parou.

— Pai?

— Sim?

— Ela vai ficar mesmo?

Dante ergueu os olhos.

Gabriel imediatamente completou:

— É só porque eu quero saber quanto tempo tenho pra fazer ela desistir.

Dante ficou alguns segundos olhando para o filho.

— Boa noite, Gabriel.

O menino revirou os olhos.

— Boa noite.

Subiu.

Dante permaneceu sozinho na sala.

No andar de cima, ouviu duas portas se fecharem.

Uma mais forte.

Outra mais calma.

Pela primeira vez em muito tempo, alguém naquela casa parecia disposto a jogar o jogo de Gabriel sem fugir dele.

O problema era que Dante ainda não sabia se aquilo tornaria tudo mais fácil.

Ou muito mais complicado.

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