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"O Filho Que Nasceu no Casamento do Meu Ex" Parte 3

正文开头

Vitória demorou dois segundos para responder.

Dois segundos longos demais.

Henrique continuou olhando para ela.

"Sabe o quê?"

Vitória respirou fundo e forçou um sorriso.

"Se Isabela sabe que você vai se casar hoje."

Henrique não respondeu.

Ela se aproximou.

"Foi isso que eu quis dizer."

Ele continuou em silêncio.

Vitória conhecia aquele olhar.

Era o mesmo que Henrique usava nas reuniões do conselho quando alguém apresentava um número que não fechava.

Ela odiava quando aquele olhar era dirigido a ela.

"Você está nervoso."

"Estou pensando."

"Então pensa depois."

Vitória colocou a taça sobre uma mesa lateral.

"Daqui a pouco nós vamos entrar naquela igreja. Tem mais de quatrocentos convidados, imprensa, investidores, metade do conselho do Grupo Vasconcelos e gente que atravessou o país para estar aqui."

Henrique desviou os olhos.

"Isabela teve um filho."

"Eu ouvi."

"E você não parece surpresa."

Vitória endureceu por um instante.

"Eu estou surpresa."

"Não parece."

"Talvez porque hoje seja o meu casamento e eu esteja tentando não entrar em pânico por causa de mais um problema criado pela sua ex-mulher."

Henrique voltou a olhar para ela.

"Ela não criou isso."

"Henrique, ela teve um bebê seis meses depois do divórcio e resolveu contar justamente hoje."

"Eu liguei para ela."

Vitória fechou a boca.

Henrique se aproximou.

"Ela não me procurou."

"Isso não muda nada."

"Muda."

"Não muda."

Vitória pegou a taça de novo, mas não bebeu.

"Você está deixando Isabela fazer exatamente o que sempre fez."

"O quê?"

"Colocar você contra todo mundo."

Henrique soltou uma risada sem humor.

"Curioso."

"Curioso o quê?"

"Você dizia a mesma coisa antes."

Vitória sustentou o olhar dele.

"Porque era verdade."

Henrique não respondeu.

Uma memória surgiu sem aviso.

Isabela sentada à mesa de jantar em Jardim Europa, empurrando um prato quase intocado.

Ele havia perguntado por que ela não estava comendo.

Ela dissera que o cheiro da carne a deixava enjoada.

Vitória estava ali naquela noite.

Tinha levado documentos para uma reunião.

"Ela está fazendo isso para chamar sua atenção."

Henrique ouviu a frase de novo na própria cabeça.

Na época, parecera plausível.

Agora não.

Outra lembrança.

Um jantar beneficente no Fasano.

Isabela recusando vinho.

Henrique perguntando se ela estava doente.

Vitória rindo.

"Ela quer que você pergunte se está grávida. Não entra nessa."

Henrique fechou os olhos por um segundo.

Mais uma lembrança.

Isabela dormindo no sofá às quatro da tarde.

Ele voltando irritado de uma reunião.

Vitória mandando uma mensagem logo depois.

"Ela está dramatizando tudo. Você precisa impor limites."

Henrique abriu os olhos.

Vitória estava falando alguma coisa.

Ele não ouviu.

"Henrique."

"O advogado do divórcio."

Ela parou.

"O quê?"

"Foi você quem conseguiu o contato."

Vitória piscou.

"Você pediu ajuda."

"Eu pedi?"

"Claro que pediu."

"E a assessoria de imprensa?"

Vitória ficou mais rígida.

"Também."

"Você montou a equipe."

"Eu era diretora de comunicação do grupo."

"Você preparou respostas para a imprensa."

正文1

"Era o meu trabalho."

"Você filtrava a agenda da Isabela."

"Ela não fazia mais parte das decisões importantes."

Henrique apertou a mandíbula.

"Quem decidiu isso?"

Vitória respirou fundo.

"Você."

A resposta veio rápida.

Precisa.

Henrique ficou em silêncio.

Vitória deu um passo em direção a ele.

"Olha para mim."

Ele não olhou.

"Não faz isso hoje."

"Isso o quê?"

"Não pega seis meses de um casamento fracassado e transforma tudo numa conspiração porque Isabela apareceu com um bebê."

Henrique virou o rosto lentamente.

"Ela não apareceu."

Vitória perdeu a paciência.

"Tanto faz."

"Não. Não tanto faz."

Ele apontou para a porta.

"Ela não veio atrás de mim. Não ligou. Não falou com a imprensa. Não fez nada."

"Então por que isso está mexendo tanto com você?"

Henrique ficou calado.

Vitória percebeu a resposta antes que ele dissesse.

E aquilo a assustou.

"Você acha que o menino é seu."

Henrique não negou.

Vitória empalideceu.

"Você não pode estar falando sério."

"Ele nasceu com quarenta semanas."

"Segundo ela."

"Ela não teria motivo para mentir sobre isso."

Vitória soltou uma risada nervosa.

"É a Isabela."

Henrique estreitou os olhos.

"Você sempre fala dela como se soubesse exatamente do que ela é capaz."

"Porque eu vi."

"Ou porque você precisava que eu acreditasse nisso?"

Vitória ficou imóvel.

Antes que respondesse, bateram à porta.

"Senhor Henrique, faltam oito minutos."

Vitória respirou fundo.

"Chega."

Ela segurou o braço dele.

"Você vai entrar naquela igreja."

Henrique olhou para a mão dela.

"Você vai casar comigo."

Ele levantou os olhos.

"E depois nós resolvemos isso."

Vitória apertou mais forte.

"Não hoje."

Henrique retirou o braço devagar.

"Você está com medo de quê?"

"De você destruir tudo."

"Por causa de um bebê?"

"Por causa da Isabela."

A resposta saiu rápida demais outra vez.

Henrique abriu a porta.

"Vamos."

A cerimônia aconteceu.

As câmeras registraram um casamento impecável.

Vitória entrou pela nave central da Catedral da Sé sob centenas de olhares.

Seu vestido de renda branca ocupava quase toda a passagem.

Henrique esperava diante do altar.

Bonito.

Controlado.

Distante.

Quando Vitória chegou até ele, segurou sua mão.

Henrique apertou os dedos dela.

Mas sua mente estava em outro lugar.

Durante os votos, ouviu a voz de Isabela.

"Você deveria ter me respeitado."

Durante a troca das alianças, lembrou do prato que ela não conseguira terminar.

Do vinho recusado.

Dos cochilos.

Do rosto mais pálido.

Do dia em que ela levara a mão à boca e correra para o banheiro.

Na época, Vitória estava na sala.

"Ela está fazendo isso para chamar sua atenção."

O padre terminou a cerimônia.

Os convidados aplaudiram.

Henrique beijou Vitória.

Os flashes explodiram.

Ela sorriu para as câmeras.

Ele também.

Pareciam felizes.

Não estavam.

Uma hora depois, o casal saiu da catedral sob guarda-chuvas e fotógrafos.

O motorista abriu a porta do carro.

"Palácio Tangará, senhor?"

Henrique entrou.

Vitória foi para o carro seguinte com as madrinhas.

正文2

"Não."

O motorista olhou pelo retrovisor.

"Senhor?"

"Hospital Albert Einstein."

O homem hesitou.

"O Palácio Tangará está esperando..."

"Eu sei."

Henrique olhou pela janela.

"Vai para o hospital."

O carro arrancou.

Vitória descobriu doze minutos depois.

Ligou uma vez.

Henrique não atendeu.

Ligou de novo.

Nada.

Na terceira, ele bloqueou a tela.

Quando o carro chegou ao Morumbi, Henrique já havia falado com a direção do hospital.

O sobrenome Vasconcelos abria portas com facilidade.

Quase todas.

No andar da maternidade, porém, uma enfermeira o barrou.

"O senhor não está na lista de visitantes."

Henrique respirou fundo.

"Eu preciso falar com Isabela Montenegro."

"Ela acabou de dar à luz."

"Eu sei."

A enfermeira manteve a posição.

"Então o senhor também sabe que ela precisa de descanso."

Henrique tirou o celular do bolso.

"Chame a administração."

A enfermeira arqueou uma sobrancelha.

"Pode chamar quem quiser. Sem autorização da paciente, o senhor não entra."

Henrique estava prestes a responder quando Mariana apareceu no corredor.

Ela parou.

O rosto mudou imediatamente.

"Você só pode estar de brincadeira."

"Mariana."

"Não fala meu nome."

Ela caminhou até ele.

"Você se casou hoje."

"Eu sei."

"Então por que está aqui?"

"Eu quero ver o bebê."

Mariana riu.

"Claro que quer."

"Eu preciso saber."

"Saber o quê?"

Henrique ficou em silêncio.

Mariana entendeu.

"Não."

"Mariana..."

"Não."

Ela apontou para o elevador.

"Vai embora."

Henrique deu um passo à frente.

"Se existe uma chance de esse menino ser meu filho..."

"Você já perdeu o direito de chegar aqui falando em chance."

A porta do quarto se abriu.

Isabela estava sentada na cama.

Gabriel dormia em seus braços.

Henrique viu primeiro o rosto dela.

Depois o bebê.

E parou.

Gabriel se mexeu.

Abriu os olhos por alguns segundos.

Cinza-esverdeados.

Henrique sentiu o estômago apertar.

A mesma cor dos olhos dele quando criança.

A mesma cor que Augusto Vasconcelos ainda tinha.

Depois o bebê virou levemente a cabeça.

Henrique notou o formato da orelha esquerda.

A pequena curva superior dobrada para dentro.

Ele tinha igual.

Seu pai também.

Henrique ficou pálido.

Isabela percebeu.

"Você não deveria estar aqui."

Ele entrou um passo.

Ela imediatamente estendeu a mão até o botão ao lado da cama.

"Você não tem autorização para estar aqui."

"Isabela, eu só quero..."

"Eu já chamei a enfermagem."

"Eu preciso de um teste de DNA."

Mariana soltou uma risada incrédula.

Isabela ficou imóvel.

"Não."

"Isso não é só sobre você."

"É sobre o meu filho."

"Se ele for meu, também é meu."

"Você entrou aqui vinte minutos depois de casar com outra mulher e a primeira coisa que fez foi pedir DNA."

Henrique apertou a mandíbula.

"Eu preciso ter certeza."

"Então continue sem certeza."

A porta abriu.

Duas enfermeiras entraram.

Antes que elas se aproximassem, o elevador soou no corredor.

Vitória apareceu.

Ainda de vestido de noiva.

A barra branca arrastava pelo piso claro do hospital.

Todos olharam para ela.

Vitória viu Henrique.

Depois Isabela.

Depois Gabriel.

Seu rosto perdeu a cor.

Mariana observou aquilo.

Então pegou o celular.

"Já que todo mundo resolveu aparecer hoje, talvez seja a hora certa."

Henrique olhou para ela.

"Hora de quê?"

Mariana desbloqueou a tela.

Abriu uma mensagem antiga.

Depois virou o aparelho para Henrique.

No topo havia uma data de seis meses antes.

Abaixo, o endereço de e-mail de quem havia enviado a mensagem.

Henrique leu uma vez.

Depois outra.

Vitória Ferraz.

Ele ergueu os olhos lentamente.

"Vitória... por que você mandou isso para Isabela?"

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