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"A Menina que Salvou o Don" Capítulo 6

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Os documentos deslizaram até as mãos dos capitães.

Rogério encontrou uma transferência de quinze milhões de reais para uma empresa ligada ao explosivo de 2023.

— O que é isso, Victor?

— Uma montagem.

Adrian colocou um gravador no centro da mesa. A voz de Victor preencheu o salão: "Isabella pegou o carro. Deixe seguir."

Ninguém se moveu.

O áudio seguinte registrava a compra do veneno e a ordem para adulterar a garrafa. Kaplan admitia ter sido coagida depois que Victor descobriu receitas emitidas irregularmente em sua clínica.

— Eu considerei você irmão — disse Adrian. — Meu pai pagou sua faculdade e lhe entregou parte do porto.

Victor recuou.

— Você ia acabar com tudo que construímos. Queria transformar homens fortes em empregados de escritório.

— Você matou uma mulher e um menino por propina.

Dois capitães sacaram armas.

Victor retirou do paletó um detonador prateado. Seu polegar cobriu o botão vermelho.

— Quatro cargas nos pilares. Se minha mão abrir, a casa cai.

As cadeiras arrastaram.

Adrian permaneceu diante dele.

— Hannah e Ellie estão aqui — disse Victor. — A criança corajosa morre primeiro.

No monitor da sala segura, Hannah ouviu. Ellie acordou e abraçou Rosie.

Beatriz abriu o mapa de manutenção. Após a ameaça contra Isabella, instalara compartimentos nos pilares e sabia onde cabos externos poderiam passar.

— Há um disjuntor independente no túnel da lavanderia — disse. — Se as cargas usam o sistema da casa, corto o receptor.

— E se tiverem bateria?

— Então rezamos baixo.

Hannah pegou uma lanterna.

O túnel coberto de poeira mal permitia levantar a cabeça. Hannah avançou enquanto Victor contava segundos no alto-falante.

Beatriz guiava pelo mapa.

— Depois do cano vermelho, esquerda.

— Há dois.

— O enferrujado.

Ellie percebeu que a rota desenhada por Isabella passava atrás do piano.

— Mamãe vai errado.

Beatriz aproximou o mapa da câmera.

— Como sabe?

— O túnel faz volta.

Hannah corrigiu a direção e evitou uma área sem saída.

No salão, Victor caminhava até a porta. Exigia que Rogério entregasse a chave do carro sem se aproximar.

Adrian perguntou sobre a bomba para mantê-lo falando.

— Você perdeu o controle quando decidiu virar empresário — disse Victor.

— Matou Davi por controle?

— O garoto entrou no carro depois.

— Você viu.

O polegar dele tremeu.

— Tive segundos.

— Teve três anos para contar.

Os capitães afastaram-se de Victor. Até Franco percebeu que ele confessava.

Davi posicionou agentes na galeria. A granada fora calculada para atingir o traidor sem derrubar o lustre.

Hannah alcançou o painel. Um fio alimentava receptores; outro seguia para baterias.

Ela prendeu os cabos numa braçadeira e cortou ambos. Uma faísca queimou sua mão.

— Circuito cortado.

Beatriz viu quatro sinais apagarem.

— Confirmado.

Adrian recebeu a palavra no ponto eletrônico.

— Eu vou.

— Você fica com Ellie.

— Conheço a lavanderia melhor.

Ellie segurou o avental da mãe.

— Eu fico com dona Bia.

Hannah entrou no túnel e rastejou entre canos. A voz de Victor chegava pelos alto-falantes.

No salão, ele exigia a pasta, chaves de um carro blindado e passagem livre.

— Você sempre precisou que outra pessoa abrisse a porta — disse Adrian.

— Mais uma frase e solto o botão.

Adrian olhou para o lustre. Davi aguardava num corredor superior com uma granada de luz fixada ao cabo.

Faltava desligar o receptor.

Hannah encontrou o painel sob poeira. Dois fios recentes saíam em direção aos pilares.

Ela desligou o primeiro circuito. Nada aconteceu.

O segundo produziu um estalo e uma luz vermelha apagou.

Beatriz confirmou pelo rádio:

— Sinal interrompido.

No salão, Adrian ergueu a mão esquerda.

— Victor, Isabella dizia que notícia ruim odeia ser ignorada.

— Que merda está dizendo?

Adrian estalou os dedos.

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