"A Menina que Salvou o Don" Capítulo 4
A sombra desapareceu quando Adrian abriu a porta.
Victor já caminhava pelo corredor com um telefone no ouvido. Virou-se sem surpresa.
— Os homens do porto confirmaram presença amanhã.
— Você escutava?
— Procurava você.
Adrian fechou a porta da suíte atrás de si.
— Encontrou.
Victor informou que havia movimentação junto aos portões. Um carro da agência de empregados tentara buscar Hannah antes do fim do turno.
— Quem chamou? — perguntou Adrian.
— A supervisora diz que recebeu pedido dela.
Dentro do quarto, Hannah negou. Beatriz abriu o livro na página daquela tarde.
Às sete e vinte, Victor pedira o telefone da copa e permanecera sozinho por seis minutos.
— Esse caderno não prova ligação — disse ele.
Ellie sentou no tapete com lápis de cor. Desenhava um homem alto, um copo e uma mão com círculo azul.
— O que é isso? — perguntou Hannah.
— A pedra do anel.
Victor olhou para o desenho. A mesma contração surgiu em sua mandíbula.
Adrian recolheu a folha.
— Beatriz, leve-as para a sala segura.
— Está exagerando — disse Victor.
— Espero que sim.
Quando o painel fechou, um alarme discreto acendeu no monitor. A pressão do sistema de ventilação caiu.
Hannah levou Ellie ao canto mais distante.
O sistema indicava doze minutos de ar antes dos cilindros. Beatriz entregou uma máscara a Ellie.
— E a senhora?
— Fecho a válvula manual.
Hannah recusou deixá-la. As duas moveram um armário e localizaram o mecanismo.
Ellie apontou para o duto.
— Tem alguém respirando.
Beatriz apagou as luzes. Passos passaram sobre o teto, seguidos pelo arranhão de uma ferramenta.
Hannah pegou um extintor. Quando a grade caiu, atingiu o braço que surgiu.
O invasor gritou. Beatriz acionou a trava e selou a passagem.
Adrian chamou pelo comunicador.
— Hannah, responda.
— Estamos bem.
— Ellie?
— Rosie bateu no homem.
— Agradeça a ela.
Davi capturou o invasor no corredor técnico. Ele carregava abraçadeiras, sedativo e uma foto de Ellie tirada durante o exame.
Alguém da enfermaria enviara a imagem. No telefone de Kaplan havia uma mensagem apagada: "A menina viu V.V."
— Contei apenas a Victor — admitiu a médica.
Adrian colocou-a sob vigilância. Ainda precisava de seus conhecimentos, mas a confiança acabara.
Hannah saiu da sala e encontrou Adrian com sangue no nariz.
— Está piorando.
— Ainda fico de pé.
— Seu único critério.
Ela verificou o pulso dele. Adrian permitiu o toque.
— Rápido.
— Você entrou num duto com um extintor.
— Era isso ou esperar.
— Ellie aprendeu com você.
— Espero que aprenda quando fugir.
Adrian olhou a mão dela em seu pulso.
— Eu aprendi a ficar.
— O ar está acabando?
— Temos cilindros — respondeu Beatriz.
No corredor técnico, Adrian e dois seguranças localizaram um homem cortando a alimentação elétrica. Ele usava uniforme de manutenção e carregava credencial emitida pelo escritório de Victor.
O invasor tentou engolir uma cápsula. Adrian segurou sua mandíbula e Davi, chefe da segurança, retirou o veneno.
— Quem mandou você?
O homem ficou em silêncio.
No bolso havia uma fotografia de Hannah saindo do alojamento e um bilhete:
PEGAR A CRIANÇA PRIMEIRO.
Adrian voltou à suíte com o papel.
Hannah leu e apertou Rosie contra o peito da filha.
— Quero sair daqui.
— Eles esperam isso.
— Quero minha filha longe de homens com armas.
— Fora do portão há mais deles.
Ela se aproximou até que o suéter de Adrian ocupasse toda a sua visão.
— Você vive assim porque escolheu. Ellie não escolheu nada.
Ele recebeu a frase sem responder. Retirou a arma da cintura e entregou-a a Beatriz.
— Dentro deste quarto, não haverá armas visíveis.
Hannah respirou fundo.
Adrian levou o livro de turnos ao escritório. As páginas registravam visitas de Victor à adega nas noites anteriores à explosão de 2023, quando Isabella organizava um jantar.
Beatriz guardara também notas de combustível e placas de veículos. Uma delas pertencia à empresa que comprou o explosivo.
Kaplan cruzou os dados com extratos encontrados nos servidores. O dinheiro saiu de uma conta de Victor para uma intermediária no Panamá e chegou a uma quadrilha de Santos.
— Temos a bomba — disse a médica.
— Ainda falta a ordem.
O invasor aceitou falar quando Davi mostrou o bilhete sobre a criança. Chamava-se César Lopes e recebia pagamentos de Victor havia seis anos.
— Ele manda por telefone satelital — disse César. — Grava todas as chamadas para chantagear quem executa.
— Onde ficam?
— Cofre na casa de barcos.
Adrian foi até o cais com Davi. O cofre tinha uma fechadura acionada pelo anel de Victor.
Ellie desenhara a chave sem saber.
Davi usou uma impressão obtida numa taça. Dentro encontraram gravações, transferências e a compra do composto.
Uma voz dizia: "Isabella pegou o carro. Deixe seguir."
Adrian reconheceu Victor.
O arquivo seguinte trazia a ordem para envenená-lo durante a noite.
Ele fechou o notebook.
— Amanhã todos vão ouvir.
No monitor da casa de barcos, Victor aparecia diante do painel elétrico da mansão.
O dedo dele repousava sobre o interruptor geral.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 1
Paixão proibida: Um romance da máfia
Lucien, o Rei da Máfia, conhecido como o Diabo. Heloísa, conhecida como anjo. Os dois são arranjados para se casar, forçados pelos pais, juntando-se às duas máfias. Mas Heloísa acaba descobrindo que até o diabo já foi um anjo.Romance1.3 mil palavras8 2 -
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4