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"A Menina que Salvou o Don" Capítulo 1

正文开头

O corpo de Adrian Moretti atingiu o mármore com um som que atravessou toda a ala norte.

Ele tentou puxar ar. O peito subiu, travou e caiu enquanto uma dor líquida corria da garganta para os braços.

Aos 39 anos, Adrian era um homem alto, de ombros largos, cabelos pretos curtos e ondulados e olhos cinza-azulados. O terno preto de três peças escondia um coldre sob o paletó, mas sua mão passou longe da arma e fechou-se sobre o próprio pescoço.

Um copo quebrado brilhava perto da porta do escritório. O cheiro do uísque ainda estava em sua boca.

Passos pequenos ecoaram no corredor.

Ellie Carter apareceu abraçada a um coelho de pelúcia gasto. Tinha 4 anos, cabelos castanho-escuros longos e cacheados, olhos grandes cinza-azulados e vestia um vestido marfim com mangas de babado, sapatilhas brancas e uma mochila rosa caída num ombro.

Ela também respirava mal.

— Moço?

Adrian tentou mandar que fosse embora. Apenas um ruído seco escapou.

Ellie ajoelhou-se. Soltou Rosie, abriu a mochila e retirou um inalador branco e azul.

— Mamãe disse que ajuda o ar a voltar.

Adrian bateu a mão no chão. O gesto podia significar não, perigo ou corra.

A menina interpretou como pressa.

Ela encaixou o bocal entre os lábios dele e apertou uma vez. Nada mudou.

— Puxa devagar.

Adrian obedeceu. O segundo jato abriu uma fresta em seus pulmões e trouxe uma tosse violenta.

Ellie apertou pela terceira vez.

O recipiente chiou vazio.

— Era o último — sussurrou.

O chiado no peito dela aumentou. Mesmo assim, segurou o inalador até Adrian conseguir virar de lado e inspirar.

— Isso. Mais uma vez.

Ele puxou ar como quem emergia de água escura. Sangue escorreu de seu nariz e marcou o colarinho branco.

Ellie começou a chorar.

— Mamãe!

Hannah Carter subiu os últimos degraus da escada de serviço quase tropeçando no avental. Tinha 32 anos, cabelos castanho-escuros presos numa trança baixa, olhos castanhos e um corpo magro dentro do vestido azul-marinho de camareira, avental branco e sapatos baixos pretos.

— Ellie! Meu Deus!

Ela caiu de joelhos, puxou a menina para o peito e viu o inalador vazio.

— Você usou tudo?

— Ele não tinha ar.

Hannah cobriu a filha com o avental. Olhou para o homem no chão e reconheceu a cicatriz da mandíbula, o relógio pesado e o rosto das notícias.

Adrian Moretti controlava terminais, imóveis e homens que não apareciam nos registros das empresas.

— Não machuque ela — pediu Hannah. — Foi minha culpa. Eu desci para esquentar o leite e ela saiu do quarto.

Passos pesados tomaram a escada principal.

Três seguranças chegaram com armas baixas. À frente vinha Victor Valente, 45 anos, cabelos castanho-escuros com fios prateados presos numa pequena cauda, olhos castanhos e corpo magro sob um terno azul-marinho, gravata preta e anel de sinete com diamante.

— Chefe!

Victor ajoelhou-se perto de Adrian sem tocá-lo.

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— Foi o coração? Um derrame?

Seus olhos foram do copo quebrado ao inalador. Um músculo saltou perto de sua boca.

— Guardem as armas — ordenou. — A criança salvou a vida dele.

Os homens obedeceram.

Victor tentou tocar o ombro de Ellie. Ela recuou e enterrou o rosto no pescoço da mãe.

— Você é Hannah Carter, da agência temporária?

— Sim, senhor.

— Não precisa ter medo. O senhor Moretti recompensa lealdade.

Hannah apertou a filha. A suavidade da voz dele piorou o frio em sua nuca.

Adrian arrastou-se até a balaustrada. Cada movimento parecia rasgar seus músculos por dentro.

— Ela... — disse.

Hannah começou a explicar outra vez, mas ele apontou para Ellie.

— A criança.

— Está com asma. O inalador acabou.

Adrian estendeu a mão para o coelho no chão. Os nós dos dedos eram cobertos por cicatrizes antigas.

Ele ergueu Rosie e ofereceu o brinquedo.

Ellie olhou para a arma sob o paletó, depois para o rosto ferido. Pegou o coelho com dedos trêmulos.

— Obrigada, moço.

— Eu que agradeço.

Victor levantou-se.

— Vou chamar a doutora Kaplan. Hannah, leve a menina aos alojamentos e espere.

— Não — disse Adrian.

O corredor parou.

Ele apoiou uma bota no piso e conseguiu ficar de pé. Um segurança avançou para ajudá-lo; Adrian afastou-o.

— Elas ficam na casa.

Hannah perdeu a cor.

— Podemos ir embora agora. Não vimos nada, não contamos nada.

— Se sair, você não chega ao portão.

Victor inclinou a cabeça.

— Adrian, o veneno pode estar confundindo...

Adrian voltou os olhos para ele.

— Eu não disse veneno.

Victor demorou uma fração antes de responder.

— O copo. Presumi.

Adrian observou o anel de diamante, a mão limpa e o telefone escondido sob o paletó.

— Tranque os portões. Ninguém entra, ninguém sai.

Ellie tossiu contra o ombro de Hannah.

Adrian baixou a voz.

— Tragam outro inalador antes de qualquer coisa.

Victor chamou os guardas. Enquanto se afastava, digitou algo sem retirar o aparelho do bolso.

Adrian viu o movimento no reflexo de uma janela.

Hannah tentou levar Ellie até a enfermaria, mas a menina segurou o colarinho de Adrian.

— Ele vai cair.

As pernas dele cederam. Hannah apoiou um ombro enquanto Davi segurava o outro, e os três o conduziram para uma chaise.

Adrian observava o copo quebrado e contava o tempo entre a bebida e o colapso.

— Trinta e dois minutos. Quem entrou no escritório?

Victor respondeu antes de Beatriz.

— Ninguém.

— Eu não perguntei a você.

Beatriz informou que levara gelo às oito e cinco. O decantador ainda estava lacrado; Victor entrou nove minutos depois dizendo que Adrian pedira a bebida.

— Eu pedi às oito e meia — corrigiu Adrian.

O segurança mais jovem desviou os olhos. Acompanhara Victor até a adega e recebera ordem para esperar.

— O senhor Valente ficou sozinho quatro minutos.

Victor acusou o rapaz de confusão. Ellie abriu a mão e revelou uma tampa transparente encontrada perto do copo.

— Caiu do bolso do moço do anel.

Davi colocou a peça num saco limpo. Victor aproximou-se da criança.

— Tem certeza?

Ellie enterrou o rosto no pescoço da mãe.

— Não fale com ela — disse Hannah.

Adrian ordenou que Victor se afastasse.

— A menina precisa de hospital — insistiu Hannah.

— O caminho pode estar preparado.

— Então mande metade desse exército abrir.

Adrian escolheu uma escolta, ambulância e farmácia móvel. Ellie encostou o ouvido no peito dele.

— Seu coração está correndo.

— O seu também.

— O meu faz isso sempre.

Hannah confirmou que as crises eram comuns desde que perderam o apartamento. Adrian chamou Beatriz e pediu uma lista médica completa.

— Nunca mais falta — disse.

— Não prometa o que não conhece.

— Então vou conhecer.

— Por que somos importantes? — perguntou Hannah.

Ele olhou para o copo, a menina e o homem que conhecia desde a infância.

— Porque alguém tentou terminar o que começou há três anos.

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