localização atual: Novela Mágica Quando Ele Voltou, Eu Já Não Era Dele Capítulo 10 — Gratidão Não É Amor
标题上

"Quando Ele Voltou, Eu Já Não Era Dele" Capítulo 10 — Gratidão Não É Amor

正文开头

Capítulo 10 — Gratidão Não É Amor

"Sim. Ele sobreviveu."

Minhas pernas perderam a força.

Daniel segurou minha cintura antes que eu caísse.

"A faca não perfurou o pulmão", o cirurgião continuou. "Houve lesão muscular e perda importante de sangue, mas conseguimos controlar a hemorragia. As próximas vinte e quatro horas exigem observação."

Agradeci e fechei os olhos por um instante.

Eu não amava mais Henrique. Ainda assim, ele havia colocado o próprio corpo entre mim e uma faca. Se tivesse morrido, eu carregaria para sempre uma dívida que jamais poderia pagar.

Daniel me conduziu até uma cadeira.

"Fique aqui", disse. "Vou buscar água."

"Seu braço também precisa de repouso."

"Meu braço levou seis pontos. As suas mãos ainda estão tremendo."

Quando voltou, sentei-me ao lado dele e apoiei a cabeça em seu ombro intacto.

"Vou acompanhar a recuperação de Henrique", falei.

Daniel permaneceu em silêncio por alguns segundos.

"Eu sei."

"Não porque ainda exista alguma coisa entre nós."

"Também sei disso."

Ergui o rosto.

"Mas não gosta."

"Não gosto de ver o homem que ainda ama você transformado no herói que salvou sua vida. Seria mentira fingir que isso não me atinge."

Ele tocou minha mão.

"Mesmo assim, não vou usar meu medo para decidir o que você pode fazer."

Beijei seus dedos.

"É por isso que volto para casa com você todos os dias."

Henrique acordou na tarde seguinte.

Entrei no quarto acompanhada de uma enfermeira. Ele estava pálido, com o ombro imobilizado e uma cânula de oxigênio sob o nariz.

Quando me viu, tentou se levantar.

"Não se mexa."

Seus olhos percorreram meu rosto e meus braços.

"Você se machucou?"

"Não. Daniel levou um corte, mas está bem."

Henrique relaxou contra o travesseiro.

"Então valeu a pena."

"Não diga isso. Você quase morreu."

"Mas não morri. E, pela primeira vez, não deixei você pagar pela crise de Isadora."

Sentei-me ao lado da cama.

"A polícia a levou. Haverá uma avaliação psiquiátrica dentro da investigação."

Henrique fechou os olhos.

"Durante anos, eu cedi cada vez que ela ameaçava fazer mal a si mesma. Achei que estava salvando uma pessoa frágil. Na verdade, ensinei que qualquer ameaça lhe daria o que quisesse."

"A culpa pela agressão é dela."

"E a responsabilidade pelo que fiz com você é minha."

Ele me olhou outra vez.

"Você ficou."

Reconheci a esperança em sua voz.

"Vou ajudar enquanto estiver internado. Você salvou minha vida."

"Talvez possamos começar por aí."

"Não."

A palavra saiu calma.

"Minha gratidão não é uma porta para nosso casamento."

Henrique desviou o rosto para a janela.

"Se Daniel não existisse, minha chance seria diferente?"

"Daniel não é o obstáculo entre nós. O que aconteceu durante nosso casamento é."

"Então nada do que eu faça importa?"

"Importa para definir o homem que você será daqui para a frente. Não para reescrever o homem que foi comigo."

Ele ficou olhando para o lençol.

正文1

"Passei anos pensando que poderia consertar tudo quando voltasse."

"Porque continuava tratando minha vida como algo que ficava suspenso durante a sua ausência. Ela não ficou."

Nos dias seguintes, visitei-o durante uma hora pela manhã. Organizei com Marcelo os documentos da licença, confirmei que um cuidador o ajudaria após a alta e levei algumas roupas que seus pais enviaram de outra cidade.

Quando Henrique tentou dispensar o cuidador dizendo que eu poderia ajudá-lo, recoloquei o contrato sobre a mesa.

"Eu não sou sua enfermeira nem sua esposa. Estou garantindo que não fique desamparado depois de ter salvado minha vida. O restante será responsabilidade sua."

Dessa vez, ele não discutiu.

Não cozinhei para ele. Não fiquei durante a noite. Não permiti que aquelas visitas imitassem a intimidade que já não existia.

Daniel me levava ao hospital e me buscava. Às vezes esperava no café. Outras vezes aproveitava para visitar a obra da nova unidade.

Henrique tentou falar do passado no quarto dia.

"Lembra da videira na Vila Militar?"

"Lembro."

"Só entendi por que você a plantou depois que foi embora. A casa ficou vazia, e eu percebi que sempre chegava olhando para o telefone. Nunca olhava para você."

Troquei a jarra de água.

"Não precisa transformar cada visita numa confissão."

"Passei três anos ensaiando o que diria quando voltasse."

"Enquanto eu passava três anos aprendendo a não precisar ouvir."

Ele apertou os olhos, absorvendo o golpe.

"Você me odeia?"

"Não. O ódio ainda nos prende a alguém."

Antes que ele respondesse, minha mãe entrou no quarto com meu pai e um advogado.

"Precisamos conversar em família", ela disse.

"Nós não somos mais uma família."

O advogado abriu uma pasta.

"A defesa de Isadora não nega o episódio. O exame preliminar indica um transtorno grave, e ela está provisoriamente numa unidade de saúde sob custódia. Uma declaração sua sobre o histórico emocional poderia ajudar a garantir tratamento adequado."

"Eu já contei todo o histórico."

"Também poderia esclarecer que ela não pretendia atingir o major Avelar."

Henrique ergueu a voz, apesar da dor.

"Ela pretendia matar Elisa. Isso não melhora a situação."

Minha mãe começou a chorar.

"Isadora perdeu a dança, perdeu Henrique e agora pode perder a liberdade. Você já venceu, Elisa. Para que continuar castigando sua irmã?"

"Isto não é uma competição que eu venci. Ela invadiu minha casa e tentou me matar."

"Mas ela está doente!"

"Então precisa de tratamento. E nós precisamos de proteção. Não vou alterar uma palavra do meu depoimento."

Meu pai me encarou com dureza.

"Se fizer isso, não volte a nos procurar."

"Eu parei de procurar vocês há três anos."

O silêncio caiu sobre o quarto.

Minha mãe saiu primeiro. Meu pai e o advogado a seguiram.

Henrique ficou olhando para a porta.

"Eles nunca tentaram conhecer você, não é?"

"Nem você."

"Eu sei."

Uma semana depois, a avaliação judicial concluiu que Isadora necessitava de tratamento psiquiátrico contínuo. O processo seguiria considerando seu estado mental, as gravações, os ferimentos e o risco de nova violência. Ela não voltaria imediatamente para casa.

Henrique recebeu alta no mesmo dia.

Marcelo levou sua mala até o carro. Antes de entrar, Henrique pediu alguns minutos comigo.

Daniel aguardou do outro lado do estacionamento.

"Você cumpriu tudo o que acreditava me dever", Henrique disse. "Não precisa continuar vindo."

"Espero que se recupere."

"Elisa."

Ele respirou fundo, reunindo coragem.

"Eu sei que não mereço pedir. Mas, se eu passar o resto da vida mostrando que mudei, existe alguma possibilidade de você me dar uma última chance?"

Olhei para o homem por quem um dia teria abandonado qualquer coisa.

Dessa vez, eu sabia exatamente o que responder.

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部