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"A SOCIALITE HUMILHOU UMA JOVEM POBRE… SEM SABER QUE ELA ERA A HERDEIRA DO IMPÉRIO" Capítulo 5

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O vídeo de Viviane ainda estava pausado quando uma notificação apareceu no celular de Rafael.

O jantar beneficente fora antecipado em duas horas. Alexandre pretendia ocupar o salão antes que Helena pudesse impedir o evento.

— Ele quer público — disse Rafael.

— Vai ter.

Na noite seguinte, o Hotel Valença recebeu empresários, artistas e repórteres sob uma fileira de flashes. Viviane surgiu no alto da escada usando outro vestido branco, desta vez coberto por cristais. Os cabelos platinados continuavam presos no mesmo coque, como se o dia anterior tivesse sido apagado.

— Obrigada por apoiarem crianças em situação de vulnerabilidade — disse ela ao microfone.

Helena assistiu da cabine de projeção. Vestia um terno preto emprestado por Marina e uma camisa branca que ficava larga nos ombros. O corte na boca havia escurecido.

— Ela humilha uma mulher pobre e arrecada dinheiro para pobres no dia seguinte — murmurou Davi.

— A foto da caridade dura mais que a pessoa ajudada — respondeu Helena.

Rafael conectou o cartão de memória a um equipamento isolado.

— Quando começarmos, não haverá volta.

— A volta acabou quando minha mãe entrou naquele carro.

No salão, Alexandre subiu ao palco. Falou sobre continuidade, estabilidade e confiança, palavras cuidadosamente escolhidas para transformar Helena numa ameaça sem pronunciar seu nome.

Viviane recebeu um cheque simbólico e sorriu para as câmeras.

Helena desceu.

O burburinho começou antes que ela alcançasse o corredor central. Alguns convidados reconheceram seu rosto; outros reconheceram apenas a mulher do vídeo que circulava nas redes.

Viviane apertou o microfone.

— Este evento é fechado.

— O salão também é meu — disse Helena.

Alexandre aproximou-se da beira do palco.

— Você deveria estar descansando.

— Passei três meses descansando por ordem de vocês.

Uma repórter levantou o celular. Alexandre percebeu a transmissão ao vivo e suavizou a voz.

— Helena enfrenta um período difícil desde a morte da mãe. Pedimos compreensão.

Viviane suspirou para a plateia.

— Ninguém quer vê-la humilhada outra vez.

Helena olhou para o telão.

Rafael apertou o comando.

As imagens do lobby tomaram a parede: Viviane agarrando seu braço, o empurrão, a queda, os celulares erguidos. O salão assistiu à anfitriã do evento beneficente arrastar uma mulher ferida pelo mármore.

— Tire isso! — gritou Viviane.

— Ainda não chegamos à melhor parte — disse Helena.

O vídeo mudou para o corredor do quarto 1708. Lúcia entregava o envelope e Viviane prometia levá-lo à promotoria.

Depois entregava tudo a Alexandre.

O sorriso do executivo desapareceu.

— Uma gravação sem contexto — disse ele.

— Qual contexto transforma traição em favor? — perguntou Helena.

Viviane desceu do palco.

— Sua mãe estava paranoica. Alexandre tentou protegê-la de um escândalo.

— O que havia no envelope?

— Eu não abri.

— Então como sabe que provocaria um escândalo?

Viviane procurou Alexandre com os olhos. A resposta tinha escapado.

Helena se aproximou.

正文1

— Onde está?

— Destruído.

— Por quem?

— Pergunte ao depósito de Santos.

Alexandre segurou o braço dela.

— Chega.

Viviane arrancou-se de sua mão, mas já era tarde. Microfones se estenderam na direção dos três.

Uma voz veio do fundo:

— Senhora Valença, é verdade que a senhora matou a própria mãe para ficar com a herança?

O salão se desorganizou em segundos. Perguntas atravessaram umas às outras, seguranças tentaram formar um corredor e convidados subiram em cadeiras para filmar.

Na tela apareceu uma manchete publicada naquele instante:

HERDEIRA INSTÁVEL É INVESTIGADA POR MORTE DA MÃE

.

Helena leu o nome do portal. A matéria citava um laudo médico e um depoimento assinado por uma enfermeira.

Rafael alcançou-a antes que os flashes fechassem sua visão.

— Não responda agora.

Alexandre voltou ao microfone.

— Lamento que uma noite de solidariedade tenha sido sequestrada por uma tragédia familiar.

Helena olhou para ele através das luzes brancas.

A equipe de Viviane tentou desligar o projetor, mas Marina já havia travado o sistema. No telão, a promessa feita a Lúcia repetiu-se sem som enquanto convidados abandonavam discretamente as mesas patrocinadas.

Uma empresária devolveu a placa de homenagem que recebera de Viviane. Outra exigiu que sua doação fosse transferida diretamente à instituição beneficiada.

— Isto é perseguição — disse Viviane aos repórteres. — Helena está usando a morte da mãe para recuperar atenção.

Helena tomou o microfone.

— Minha mãe pediu que você entregasse provas. Você entregou as provas ao homem acusado nelas.

— Eu estava protegendo Lúcia.

— Ela morreu no dia seguinte.

O salão reagiu com um som baixo. Alexandre ordenou à orquestra que voltasse a tocar, mas nenhum músico levantou o instrumento.

Viviane falou longe do microfone:

— Você não sabe do que ele é capaz.

— Então deveria ter ajudado minha mãe.

A frase foi captada pelo celular de uma repórter. Viviane viu a luz de gravação e empalideceu.

— Quem publicou o laudo? — perguntou a Rafael.

— O arquivo foi enviado há seis minutos.

— De onde?

Enquanto Rafael rastreava o envio, Helena pediu a lista de todos que acessaram o salão. Um auxiliar de eventos lembrava ter visto um homem trocar o cabo do púlpito pouco antes da cerimônia.

— Ele usava crachá da imprensa — contou. — Mas não conhecia o equipamento.

Davi recuperou uma imagem lateral. O homem era um dos invasores capturados no arquivo, liberado horas antes por falta de denúncia formal.

Helena voltou-se para o chefe da segurança.

— Quem pediu que não registrassem ocorrência?

Davi demorou a responder.

— Alexandre. Disse que um escândalo prejudicaria a votação.

— Cada favor que fez a ele virou uma arma contra nós.

— Eu sei.

— Saber não corrige. A partir de agora, toda ordem dele será registrada e enviada a Marina.

Davi aceitou sem tentar defender os anos de obediência.

No palco, Viviane retomara o discurso para convidados que já não ouviam. As mesas vazias ao redor dela revelavam a perda de poder com mais clareza que qualquer acusação.

Helena guardou aquela imagem. A queda de uma reputação começava quando o público deixava de sustentar a encenação.

Rafael virou o telefone.

O endereço de origem pertencia à rede interna do Hotel Valença.

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