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"A SOCIALITE HUMILHOU UMA JOVEM POBRE… SEM SABER QUE ELA ERA A HERDEIRA DO IMPÉRIO" Capítulo 4

正文开头

As portas do elevador se abriram e revelaram um carrinho de limpeza vazio.

Helena correu até ele. Sob as toalhas havia uma caixa de arquivo com as iniciais de Lúcia.

— Distração — disse Davi. — Eles queriam que pensássemos que alguém subiu.

Rafael retirou a caixa. Dentro havia cardápios antigos e revistas, peso suficiente para enganar quem a carregasse com pressa.

Marina apontou para a escada de emergência.

— O quarto fica dois andares acima.

Subiram sem usar o elevador. O joelho ferido de Helena reclamou no primeiro lance, e Rafael segurou seu cotovelo quando ela tropeçou.

Ela não afastou a mão dele imediatamente.

— Consigo andar.

— Ótimo. Continue conseguindo.

No décimo sétimo andar residencial, a porta 1708 não aparecia nos mapas de emergência. Um painel de espelho escondia a entrada.

A chave de latão girou com resistência.

O quarto cheirava ao perfume de Lúcia.

Helena ficou no limiar. Sobre a cama havia uma camisa de seda azul, dobrada com cuidado. Os sapatos da mãe permaneciam junto à poltrona, e uma xícara guardava uma marca de batom desbotada.

— Ninguém entrou desde aquela noite — disse Marina.

— Alguém entrou. O pó foi removido da escrivaninha.

Davi fechou a porta atrás deles.

Helena abriu as gavetas. Encontrou recibos de pedágio, um mapa do porto de Santos e uma agenda com várias páginas arrancadas.

Na última folha, Lúcia escrevera:

V.P., 22h. Ela levou o envelope.

— Viviane Prado — disse Rafael.

— Ou alguém quer que a gente conclua isso.

Helena tocou a camisa azul. Um botão estava arrancado, e uma mancha marrom escurecia o punho.

Marina desviou o rosto.

— Eu a vi sair daqui. Ela disse que tinha cortado a mão.

— Por que nunca contou?

— Alexandre proibiu qualquer comentário. Disse que protegeria a imagem da família.

Helena pegou a xícara e a lançou contra a parede.

O estrondo fez todos pararem.

— Ele apagou minha mãe deste hotel enquanto todos protegiam a imagem dela.

Marina recebeu a acusação sem recuar.

— Eu fui covarde.

Marina contou que Lúcia lhe telefonara do quarto na madrugada do acidente. A ligação durara onze segundos.

— Ela pediu que eu protegesse o hotel se alguma coisa acontecesse.

— E você concluiu que isso significava proteger Alexandre?

— Concluí que significava permanecer aqui. Ele demitiu todos que fizeram perguntas. Eu fiquei para guardar cópias do que conseguia.

Marina retirou do bolso uma chave de arquivo e entregou a Helena.

— Tenho relatórios de turnos, alterações de câmera e ordens assinadas. Não provam o que ocorreu com sua mãe, mas mostram como ele ocupou cada setor.

— Por que me entrega agora?

— Porque voltou. E porque vi você levantar sozinha enquanto todos esperavam que pedisse licença.

Helena guardou a chave ao lado do medalhão, onde a confiança teria de esperar pelas provas.

— Foi.

Rafael conduziu Helena até o banheiro. Abriu a torneira e retirou o lenço ensanguentado de sua mão.

正文1

— Há vidro no corte.

— Tire.

Ele limpou a pinça do estojo de primeiros socorros e trabalhou sob a luz branca. Seus dedos eram firmes, embora a proximidade alterasse a respiração dos dois.

— Você não precisa quebrar tudo que pertenceu a ela — disse Rafael.

— Preciso quebrar alguma coisa.

— Então escolha objetos baratos.

Helena quase sorriu. Rafael viu, mas não comentou.

Ao voltar ao quarto, Davi segurava o medalhão perto da luminária.

— Há uma fenda na borda.

Helena pegou a peça. Pressionou a gravação H.V. com a unha, e o fundo falso se abriu.

Um cartão de memória caiu em sua palma.

Marina trouxe um notebook sem conexão à rede. O cartão continha três vídeos e uma pasta criptografada.

No primeiro vídeo, Lúcia aparecia aos 56 anos, cabelos castanhos cortados por mechas brancas e camisa de seda azul. Ajustava a câmera com pressa.

— Helena, se você encontrou isto, não confie no conselho — dizia ela. — Procure os pagamentos da Atlântica Serviços. E não aceite o laudo que vão produzir sobre você.

A gravação terminou com uma batida na porta.

No segundo arquivo, a câmera estava voltada para o corredor. Viviane surgiu com o mesmo coque impecável, mas usava um casaco preto sobre um vestido de festa.

Lúcia entregou-lhe um envelope.

— Leve isto à promotoria — pediu.

Viviane guardou o envelope na bolsa.

— Pode confiar em mim.

Minutos depois, Alexandre entrou no quadro. Viviane voltou pelo elevador, retirou o envelope da bolsa e o entregou a ele.

Helena pausou a imagem.

O rosto da socialite ficou congelado na tela, os dedos ainda fechados sobre a prova que deveria ter salvado Lúcia.

Rafael copiou os arquivos em três dispositivos. Um ficou com Marina, outro com Davi e o terceiro foi guardado na pasta de couro.

— Se nos separarem, ninguém leva tudo — explicou.

Helena analisou quadro a quadro. No reflexo da porta do elevador aparecia um homem que não entrara no corredor. Usava uniforme da oficina responsável pelo carro de Lúcia.

Davi ampliou o logotipo.

— Pontal Motores, em Santos.

O mapa encontrado no quarto tinha um círculo vermelho ao redor de armazéns do porto. Lúcia construíra uma trilha, mas cada parte exigia a seguinte.

Helena fotografou o quarto antes que Alexandre tentasse negar sua existência. Guardou a camisa azul da mãe num saco limpo e levou a xícara para análise.

Ao sair, encontrou Rafael observando o número 1708.

— E se eu tivesse continuado fugindo? — perguntou ela.

— Eu teria continuado procurando.

Helena sustentou o olhar dele, depois chamou o elevador.

— Amanhã à noite ela organiza um jantar beneficente aqui — disse Marina.

Helena retirou o cartão do computador.

— Então amanhã à noite ela devolve o que roubou.

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