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"A SOCIALITE HUMILHOU UMA JOVEM POBRE… SEM SABER QUE ELA ERA A HERDEIRA DO IMPÉRIO" Capítulo 2

正文开头

Alexandre abriu os braços como se esperasse um abraço.

Helena não se moveu. O sangue da mão alcançou seu pulso e desapareceu sob a manga do casaco que Marina acabara de colocar sobre seus ombros.

— Fechem as portas — disse Alexandre.

Davi levou dois dedos ao ponto eletrônico.

— Para ninguém sair ou para eu não sair? — perguntou Helena.

— Você está ferida. Há jornalistas lá fora. Quero evitar outro espetáculo.

Viviane se aproximou dele, recuperando parte da coragem.

— Eu tentei proteger o hotel. Ela apareceu assim, inventando que era a dona.

Alexandre tocou o cotovelo da socialite.

— Vá para o salão. Eu cuido disso.

O gesto íntimo confirmou uma proximidade que os dois sempre negaram nas colunas sociais. Viviane apertou os lábios e saiu sob os olhares dos hóspedes.

Helena acompanhou o movimento até a mulher desaparecer.

— Você escolheu péssimos aliados.

— E você escolheu um disfarce dramático.

— Funcionou.

Alexandre observou a bolsa rasgada, o joelho aberto e o medalhão.

— Três meses desaparecida. Nenhuma ligação. Nenhuma resposta aos advogados.

Alexandre apontou para as roupas dela.

— De repente entra pela recepção parecendo alguém que dormiu na rua.

— Era a única maneira de descobrir como o meu hotel trata quem não tem diamantes.

— Seu hotel?

Ele pronunciou as duas palavras devagar. Marina ficou rígida ao lado da escada.

Alexandre tirou do bolso interno do paletó uma folha dobrada.

— O conselho nomeou-me presidente interino enquanto você recebia tratamento.

— Nunca recebi tratamento.

— Há laudos.

— Falsos.

— Há testemunhas.

— Pagas.

O sorriso dele se estreitou.

— Você continua impulsiva.

Rafael Moura entrou pelas portas laterais carregando uma pasta de couro. Aos 34 anos, tinha cabelos pretos encaracolados, barba curta e um terno cinza amarrotado por horas dentro de um carro.

— E você continua distribuindo diagnóstico sem diploma — disse ele.

Alexandre não escondeu o desagrado.

— A família dispensou seus serviços.

— A família está aqui.

Rafael parou ao lado de Helena e entregou-lhe um lenço limpo. Ela enrolou o tecido na mão sem tirar os olhos de Alexandre.

— Mostre — pediu.

Rafael abriu a pasta sobre o balcão da recepção. Retirou uma cópia autenticada do testamento de Lúcia, o registro da Junta Comercial e uma ordem judicial que suspendia qualquer mudança definitiva na estrutura do grupo.

— Helena Valença detém sessenta e dois por cento das ações com direito a voto — disse ele. — Nenhum laudo particular altera propriedade. Nenhuma reunião interna apaga herança.

Alexandre folheou os papéis sem tocá-los.

— Uma tutela pode suspender o direito de gestão.

— Peça uma — respondeu Rafael. — Quero ver o juiz perguntando onde está a paciente que vocês juraram ter internado.

Helena deixou que o silêncio pressionasse o homem.

Três meses antes, também estivera diante dele num salão cheio. O caixão de Lúcia ainda não havia descido, e Alexandre já segurava o braço da filha órfã com força demais.

正文1

"Descanse", ele dissera perto de seu ouvido. "Eu cuido de tudo."

Helena descansara por uma noite.

Na manhã seguinte, encontrou o escritório da mãe lacrado. O acesso ao sistema fora cancelado e dois médicos que ela nunca consultara haviam registrado uma crise nervosa.

Um envelope escondido atrás de uma fotografia mudou o rumo daqueles dias. Lúcia guardara extratos de empresas de fachada, pagamentos duplicados e uma anotação curta:

A.R. sabe que eu descobri

.

Helena fotografou tudo. Quando voltou com Rafael, os documentos haviam sumido.

Dois homens a seguiram até o apartamento. Um deles tentou forçar a porta naquela madrugada.

Ela cortou o cabelo alguns centímetros, esvaziou as contas que Alexandre conhecia e passou a dormir em imóveis de aluguel registrados por terceiros. Enquanto a imprensa repetia que a herdeira estava internada, Helena serviu mesas, usou ônibus e observou o Grupo Valença por fora.

O hotel se tornou o ponto de entrada. Lúcia mencionara um arquivo físico guardado perto do cofre administrativo, longe dos servidores controlados por Alexandre.

— Quero minha sala aberta — disse Helena. — Quero os registros de acesso dos últimos seis meses e uma cópia integral das câmeras de hoje.

Alexandre dobrou a folha.

Marina solicitou que os hóspedes fossem conduzidos ao bar enquanto a equipe isolava a mancha de sangue. Helena impediu a limpeza até que Davi fotografasse o local e recolhesse os nomes das testemunhas.

— Isto é um hotel, não uma delegacia — reclamou Alexandre.

— Hoje conseguiu ser os dois.

Rafael chamou uma médica. Helena recusou a ambulância para não perder o acesso ao prédio, mas permitiu que examinassem seu joelho numa sala atrás da recepção.

O diagnóstico foi uma torção leve, cortes e um hematoma profundo no braço. A médica registrou também a marca dos dedos de Viviane.

Quando Helena voltou ao lobby, a socialite já tinha publicado uma nota afirmando que fora atacada por uma invasora.

— Vinte mil compartilhamentos — disse Rafael.

— Quanto mais alto ela falar agora, mais pessoas ouvirão quando provarmos a mentira.

— A sala pertence à presidência.

— Então retire suas coisas.

— Helena, escute. O grupo está numa posição delicada. Sua reaparição pode derrubar o valor das ações.

— O que derruba uma empresa é roubá-la.

Davi olhou para Alexandre. Marina manteve o queixo erguido.

— A câmera do corredor administrativo está fora do ar — disse ela. — Foi desligada às duas e dezessete.

Helena consultou o relógio. Tinha entrado no hotel às duas e vinte.

— Quem autorizou?

— A ordem veio da presidência.

Alexandre guardou o papel no paletó.

— Manutenção de rotina.

— Claro — disse Rafael. — Manutenção com hora marcada para a chegada de alguém que estava desaparecida.

Pela primeira vez, Alexandre abandonou o tom paternal.

— O conselho se reúne depois de amanhã, às nove. Vamos votar a venda da participação hoteleira para um fundo estrangeiro. As procurações estão assinadas.

Helena avançou um passo.

— Minha mãe jamais venderia.

— Sua mãe morreu.

O medalhão bateu contra o peito de Helena quando ela respirou.

Rafael colocou-se entre os dois. Não tocou nela, mas a distância bastou para conter o próximo movimento.

Alexandre ajeitou as abotoaduras da família que não era dele.

— Você tem quarenta e oito horas para provar que ainda manda em alguma coisa.

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