"A SOCIALITE HUMILHOU UMA JOVEM POBRE… SEM SABER QUE ELA ERA A HERDEIRA DO IMPÉRIO" Capítulo 1
O grito atravessou o saguão antes que Helena Valença encontrasse o elevador.
— Segurem essa mulher!
Os saltos de Viviane Prado bateram no mármore como marteladas. Aos 44 anos, a socialite mantinha os cabelos loiro-platinados presos num coque sem um fio fora do lugar e usava um vestido branco de um ombro só, joias de diamante e a expressão de quem nunca ouvira a palavra não.
Helena apertou a alça da bolsa de lona. Tinha 29 anos, cabelos castanho-escuros caindo desalinhados até o peito, regata grafite, jeans gastos e tênis que haviam atravessado meia cidade sob chuva.
— Estou indo ao setor administrativo — disse Helena.
Viviane parou diante dela e percorreu sua roupa com os olhos.
— O setor administrativo não recebe pedintes.
Algumas pessoas riram. Outras ergueram celulares, atraídas pela promessa de um escândalo que não lhes custaria nada.
Helena reconheceu o lustre francês comprado por sua avó, a coluna restaurada por sua mãe e o piano em que aprendera a tocar aos oito anos. Mesmo assim, o recepcionista desviou os olhos quando ela procurou ajuda.
— Tenho uma reunião com a proprietária.
Viviane soltou uma risada curta.
— Com a proprietária?
— É.
— Então diga o nome dela.
Helena sustentou o olhar azul da mulher.
— Helena Valença.
O riso se espalhou pelo lobby. Viviane aproximou o rosto, perfumada demais para aquela distância.
— Você deveria ter escolhido uma mentira menor.
Ela agarrou Helena pelo braço. Os dedos apertaram exatamente sobre o hematoma deixado por dois homens que a haviam seguido na noite anterior.
Helena perdeu o ar, mas não soltou a bolsa.
— Tire a mão de mim.
— Segurança!
Davi Rocha atravessou a roda de curiosos. O chefe da segurança tinha 50 anos, cabelos grisalhos curtos e ombros largos sob um terno escuro, camisa branca e gravata vinho.
Ele diminuiu o passo ao encarar Helena. Havia trabalhado para Lúcia Valença durante doze anos. A barba por fazer e a magreza confundiram seus olhos por um segundo.
Viviane aproveitou a hesitação.
— Faça o seu trabalho, Davi. Essa golpista está incomodando os hóspedes.
— Senhora, preciso que me acompanhe — disse ele a Helena.
— Primeiro peça que ela me solte.
Viviane puxou o braço com força. A costura da bolsa cedeu, Helena girou para proteger o conteúdo e o salto da socialite atingiu seu tornozelo.
O mármore subiu depressa.
No instante anterior à queda, Helena viu a própria infância refletida no piso. Lúcia costumava atravessar aquele saguão segurando sua mão, cumprimentando porteiros pelo nome e parando para ouvir qualquer funcionário que pedisse cinco minutos.
Depois que Helena completou vinte anos, começou a recusar os convites para trabalhar no grupo. Preferia fotografia, apartamentos pequenos e viagens pagas com o próprio dinheiro. Lúcia fingia aceitar, mas continuava reservando uma cadeira para a filha nas reuniões importantes.
Aquela cadeira agora pertencia a Alexandre.
Helena bateu com as mãos no chão. A pele abriu perto do polegar, e um gosto de ferro tomou sua boca.
A bolsa tombou. Um caderno, duas chaves, um casaco fino e o medalhão prateado de sua mãe se espalharam sob o lustre.
O medalhão deslizou até os sapatos de Marina Duarte.
A diretora de operações, de 58 anos, tinha cabelos prateados num corte curto e vestia uniforme preto de alfaiataria, sapatos baixos e crachá dourado. Ela se abaixou antes que Viviane pudesse pisar na peça.
O fecho abriu em seus dedos.
De um lado estava a fotografia de Lúcia Valença aos trinta anos. Do outro, duas letras gravadas à mão: H.V.
Marina olhou para a jovem no chão.
— Onde conseguiu isto?
Helena limpou o sangue do lábio.
— Minha mãe colocou no meu pescoço quando completei quinze anos.
O rosto de Marina perdeu a cor.
— Helena?
Viviane estendeu a mão para tomar o medalhão.
— Ela roubou. É óbvio.
Marina fechou os dedos em torno da peça.
— Ninguém toca nela.
Davi parou ao lado de Helena. Os curiosos já não riam, embora as câmeras continuassem apontadas.
— Desliguem os celulares — ordenou ele.
— Deixe — disse Helena.
A palavra saiu baixa. Davi obedeceu assim mesmo.
Marina ofereceu a mão. Helena olhou para ela, depois para os funcionários que tinham assistido à queda.
Levantou-se sozinha.
O joelho do jeans estava rasgado. Uma linha de sangue descia por sua palma e pingava no piso que levava o nome de sua família.
Viviane recuou meio passo.
— Isso é algum golpe. Helena Valença desapareceu. Todos sabem que ela perdeu a cabeça depois do acidente.
— Quem contou isso a você? — perguntou Helena.
— Alexandre. Ele conhece a família há décadas.
Marina devolveu o medalhão. A mão dela tremia.
— Bem-vinda de volta, senhora Valença.
O silêncio se espalhou até a recepção.
Uma hóspede baixou o celular. O recepcionista empalideceu. Davi levou a mão ao ponto eletrônico e cancelou a ordem que já tinha dado aos guardas da entrada.
Viviane tentou sorrir.
Um homem de smoking aproximou-se para ajudá-la, supondo que a socialite fosse a vítima. Helena reconheceu nele um fornecedor que recebera milhões do grupo e nunca aprendera o nome das camareiras.
— Está tudo bem, dona Viviane? — perguntou.
— Pergunte a ela — respondeu Marina, apontando para Helena.
O homem congelou. Guardou as mãos nos bolsos e voltou para junto da esposa.
Helena pediu a Davi que preservasse todos os vídeos dos hóspedes. Viviane protestou que jamais autorizaria o uso de sua imagem.
— Você não pediu autorização antes de transformar a minha queda em espetáculo — disse Helena.
— Se é mesmo você, houve um mal-entendido.
Helena passou o polegar pela borda do medalhão.
— Você me arrastou pelo chão.
— Eu protegi o hotel. Gente como você não pertence a um lugar destes.
Helena deu um passo. Viviane precisou levantar o queixo para continuar encarando-a.
— Tem razão — disse Helena. — Gente como eu é dona daqui.
As portas giratórias começaram a se mover.
Alexandre Reis entrou cercado por dois assessores. Aos 52 anos, tinha cabelos grisalhos penteados para trás, olhos castanhos e um terno azul-marinho preso por uma gravata bordô. As abotoaduras exibiam o brasão dos Valença, embora ele não carregasse uma gota do sangue da família.
Ele viu Helena, o medalhão e a mancha no mármore.
Seu sorriso demorou menos de um segundo para aparecer.
— Helena — disse. — Finalmente voltou para casa.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4