"Humilhada Como Substituta, Ela Se Casou em Segredo com o Bilionário Mais Poderoso da Alta Sociedade" Capítulo 5
O silêncio do pequeno ateliê de Victoria era cortado apenas pelo som abafado da chuva fina que voltara a cair sobre os telhados antigos de São Paulo.
Sentada em frente à sua velha bancada de madeira, ela tentava se concentrar nas tintas, mas a imagem da limusine e do homem que a resgatara ainda queimava em sua mente.
Foi quando um som pesado de batidas firmes na porta de entrada rompeu a calmaria daquele final de tarde melancólico e solitário.
Antes que Victoria pudesse se levantar para ver quem era, a porta girou lentamente, abrindo-se com um rangido seco e misterioso.
Enzo Silva cruzou a soleira em passos largos e decididos, vestindo um terno cinza-chumbo perfeitamente alinhado que exalava uma autoridade avassaladora.
O espaço diminuto e desorganizado do ateliê pareceu encolher instantaneamente diante da presença imponente e magnética do bilionário implacável.
Victoria levantou-se abruptamente da cadeira, derrubando um pequeno pincel que rolou pelo chão de cimento batido com um barulho leve.
Senhor Silva... o que o senhor está fazendo aqui? Como descobriu este lugar? perguntou ela, com a voz falhando em um misto de surpresa e pavor.
Enzo não respondeu de imediato; seus olhos profundos e gélidos varreram o recinto, analisando cada tela inacabada com um interesse silencioso.
Com passos calculados de predador, ele se aproximou da mesa central, onde a lousa de desenhos e os tubos de tinta estavam espalhados.
Eu sei de tudo o que me interessa saber, Victoria, respondeu o magnata com aquela voz grave que fazia o estômago dela se contrair.
E hoje nós temos assuntos pendentes que não podem mais esperar nem um segundo sequer na agenda da minha empresa.
Dizendo isso, Enzo retirou de dentro do paletó de alfaiataria um documento encadernado em couro escuro e o abriu sobre a bancada.
O som do papel pesado batendo contra a madeira ecoou no cômodo como o veredito de um juiz implacável em um tribunal de exceção.
Victoria olhou para a folha e viu o cabeçalho impresso com letras nítidas e frias que descreviam o propósito daquela visita inesperada.
Contrato de Aliança Estratégica e Matrimônio por Conveniência, leu ela em voz alta, sentindo as pernas perderem a força sob o peso da revelação.
O que é isso? O senhor só pode estar brincando comigo, balbuciou Victoria, dando um passo para trás até encostar na parede fria.
Eu não brinco com negócios e muito menos com a minha vida pessoal, Victoria, retrucou Enzo com uma seriedade gélida que não admitia contestação.
A minha família está me forçando a aceitar um casamento arranjado com uma herdeira fútil da alta sociedade que eu detesto profundamente.
Eu preciso de uma esposa legítima, invisível para a imprensa e impermeável aos joguinhos de poder, para encerrar essa pressão de uma vez por todas.
E você, continuou o bilionário, inclinando o corpo levemente para a frente com os olhos fixos nela, precisa de uma rota de fuga urgente.
Eu investiguei a sua situação financeira e sei que a sua mãe te trata como escrava, além de te manter presa a uma vida de humilhações.
Se você assinar este contrato comigo, receberá uma quantia milionária em uma conta exclusiva e o controle total da sua liberdade artística.
Ninguém jamais voltará a erguer a voz para você ou a te tratar como lixo enquanto o meu sobrenome estiver associado ao seu.
Victoria ficou paralisada, olhando para o papel e depois para o rosto esculpido em mármore daquele homem que parecia um deus grego implacável.
As palavras dele ecoavam em sua mente como uma promessa de salvação, mas o medo de cair em outra armadilha travava seus dedos.
Isso é uma loucura! Por que eu? Existem centenas de mulheres ricas e deslumbrantes na alta sociedade que aceitariam esse acordo correndo.
Porque eu não quero uma mulher fútil que saiba apenas gastar dinheiro e sorrir para as câmeras em eventos sociais vazios, disparou Enzo.
Eu quero você, Victoria. A garota que pinta a alma na solidão e que tem coragem de olhar nos meus olhos sem medo de ser esmagada.
As bochechas de Victoria coraram violentamente com aquela confissão direta, sentindo o calor subir pelo pescoço em uma onda de pura vertigem.
O conflito interno rasgava seu peito: de um lado, a desconfiança e o medo do desconhecido; do outro, a chance de pisar na cabeça de quem a oprimiu.
Se ela assinasse aquele contrato, estaria se vendendo ao homem que amava em segredo, mas também estaria comprando sua independência eterna.
Pensando em Carmen, em Valentina e em todas as vezes em que foi espezinhada no chão daquele apartamento velho, a hesitação evaporou.
Victoria respirou fundo, endireitou os ombros e estendeu a mão trêmula para pegar a caneta-tinteiro de metal pesado que Enzo lhe oferecia.
Quando a ponta da caneta encerrou o papel e ela começou a traçar o próprio nome, a sensação foi a de assinar um pacto com o destino.
No exato segundo em que o último traço de sua assinatura foi concluído, a atmosfera do ateliê mudou de figura de maneira drástica.
Uma energia elétrica e sufocante parecia preencher o ar, misturando o perigo daquela união com a promessa silenciosa de uma vitória retumbante.
Enzo recolheu o documento com um movimento calmo, analisando a assinatura dela com um sorriso quase imperceptível de triunfo nos lábios.
Excelente escolha, Victoria, murmurou o magnata, fechando a capa de couro com um baque abafado que soou como um selo definitivo.
Mas, antes que ela pudesse soltar o ar preso nos pulmões, Enzo deu dois passos rápidos e fechou o espaço que os separava.
Ele apoiou uma das mãos na parede de cimento logo acima do ombro dela, encurralando-a contra o canto da bancada de trabalho.
Victoria arregalou os olhos diante daquela aproximação repentina, sentindo o perfume amadeirado e caro dele invadir todos os seus sentidos.
O coração dela disparou descontroladamente contra as costelas, parecendo querer saltar para fora do peito a qualquer momento.
Enzo inclinou o rosto para perto do ouvido dela, e seus lábios roçaram levemente a pele sensível da orelha de Victoria.
O calor da respiração dele fez com que um calafrio delicioso e aterrorizante percorresse a espinha da garota da cabeça aos pés.
O bilionário assinou a própria via do contrato logo abaixo, mas, antes de se afastar, soltou uma frase que congelou o sangue dela.
Victoria, você realmente achou que esta seria apenas uma temporária e fria aliança de conveniência comercial? sussurrou ele em tom de aviso.
Antes que ela pudesse formular qualquer pergunta ou tentar entender o sentido daquelas palavras enigmáticas, a porta do ateliê rangeu novamente.
Passos firmes e apressados ecoaram no corredor de entrada, seguidos pela voz preocupada e conhecida de um homem que trazia novidades urgentes.
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