"Humilhada Como Substituta, Ela Se Casou em Segredo com o Bilionário Mais Poderoso da Alta Sociedade" Capítulo 4
O sol da tarde iluminava as calçadas movimentadas de São Paulo, refletindo nas vitrines sofisticadas da região central da cidade.
Victoria caminhava apressada, segurando firmemente uma sacola de papel pardo contendo novos pincéis e tubos de tinta que havia conseguido comprar.
O casaco de lã cinzenta, embora limpo, denunciava os anos de uso e a simplicidade extrema de sua rotina longe da ostentação familiar.
Ela tentava apenas passar despercebida pela multidão, mas o destino parecia determinado a testar sua paciência e sua resiliência emocional.
À frente de uma galeria de arte conceituada, um grupinho de mulheres conversava animadamente, rindo alto e exibindo bolsas de grifes internacionais.
Entre elas estava Júlia, uma antiga colega de colégio que sempre fizera questão de humilhar Victoria nos tempos de adolescência.
Júlia, agora vestida com roupas chamativas e maquiagem pesada, virou-se a tempo de bloquear o caminho da garota com um sorriso venenoso.
Ora, ora, vejam só quem está vagando por aqui, exclamou Júlia, atraindo imediatamente a atenção das amigas com um tom de voz debochado.
Não é a nossa querida e eterna bolsista invisível, a Victoria? Pelo visto, continua com o mesmo guarda-roupa miserável de sempre.
As outras acompanhantes de Júlia riram com desdém, medindo Victoria de cima a baixo com olhares carregados de soberba e puro preconceito.
Victoria respirou fundo, tentando manter a serenidade, e deu um passo para o lado na tentativa de contornar o grupo indesejado.
Com licença, Júlia, eu estou com pressa e preciso voltar para casa, disse Victoria em um tom calmo, sem demonstrar o abalo que sentia por dentro.
Com pressa para quê? Para voltar para aquele quartinho imundo onde você passa o dia inteiro sujando papel com tintas baratas? provocou Júlia.
Diga-me a verdade, Victoria, quem foi o otário que teve a coragem de olhar para você? Ou será que você virou faxineira de luxo?
As risadas do grupo tornaram-se mais altas, chamando a atenção de alguns pedestres que passavam pela calçada e olhavam com curiosidade.
O sangue de Victoria ferveu por um instante, mas a lembrança recente da voz de Enzo e de seu próprio valor silenciou o desespero.
Ela ergueu o queixo ligeiramente, fitando os olhos cheios de maldade de Júlia com uma frieza que surpreendeu a própria garota.
Você deveria se preocupar mais com a sua própria vida do que com a minha, Júlia, respondeu Victoria com uma serenidade cortante.
Minha vida não te diz respeito, e a sua opinião vale menos do que o pó que pisa neste exato momento na calçada.
Júlia arregalou os olhos, indignada por ter sido respondida à altura por alguém que sempre abaixava a cabeça diante de qualquer insulto.
Sua cínica, sua miserável! gritou Júlia, perdendo a compostura diante das amigas e sentindo-se humilhada pelo tom altivo de Victoria.
Acha que porque usa esse trapo de casaco pode falar assim comigo? Todo mundo sabe que você não passa de uma imprestável sem um centavo!
Foi nesse exato segundo que um som abafado e imponente de motor cortou o barulho do trânsito intenso da avenida movimentada.
Uma imponente limusine preta e um modelo exclusivo de Rolls-Royce Phantom prateado deslizaram suavemente pela via asfaltada.
O veículo de luxo parou bem em frente à galeria de arte, bloqueando o tráfego com a autoridade típica de quem mandava na cidade.
Dois seguranças de terno escuro saltaram rapidamente da parte dianteira, abriram a porta traseira com gestos sincronizados e respeitosos.
Júlia e as amigas pararam de falar de imediato, boquiabertas com a cena digna de cinema que se desenrolava bem diante de seus olhos.
Todos na calçada prenderam a respiração, imaginando qual celebridade internacional ou magnata intocável estaria descendo daquela máquina milionária.
De dentro do veículo, um sapato social de couro italiano pisou na calçada, seguido por pernas compridas cobertas por uma calça de alfaiataria impecável.
Enzo Silva ergueu o tronco, ajustando os punhos da camisa branca com botões de madrepérola e exibindo um rosto de feições frias e perfeitas.
O olhar magnético e cortante do bilionário varreu a rua, ignorando completamente os curiosos até pousar diretamente na figura de Victoria.
Júlia, com os olhos brilhando de pura cobiça e inveja, achou que o magnata estava ali por causa dela ou de suas amigas ricas.
Ela ajeitou o cabelo rapidamente, abrindo um sorriso falso e oferecido, dando um passo à frente para tentar chamar a atenção do bilionário.
Senhor Silva, é uma honra imensa ver o senhor por aqui, balbuciou Júlia com a voz melosa, tentando parecer parte daquela elite.
Se o senhor estiver procurando companhia para um evento, eu estou completamente...
Enzo nem sequer piscou na direção de Júlia, passando por ela como se fosse apenas uma estaca inútil fincada na calçada de cimento.
A mandíbula de Júlia travou, e o sorriso falso congelou em seu rosto enquanto o magnata caminhava em passos firmes na direção exata de Victoria.
As pessoas ao redor começaram a cochichar, chocadas ao ver o homem mais rico do estado aproximando-se de uma garota de roupas simples.
Victoria sentiu o coração disparar no peito, paralisada por alguns segundos diante daquela presença avassaladora que dominava todo o ambiente.
Enzo parou bem diante dela, e a frieza de seus olhos azuis suavizou-se em um lampejo de calor que apenas Victoria conseguia notar.
Você demorou nas compras, Victoria, disse Enzo com aquela voz grave, magnética e inconfundível que fazia o mundo ao redor desaparecer.
Eu mandei o carro vir te buscar porque odeio esperar, mas parece que alguns obstáculos barulhentos atrasaram o seu caminho até mim.
Victoria engoliu em seco, sentindo as bochechas corarem levemente, mas manteve o olhar fixo naqueles olhos intensos e profundos.
Houve um pequeno imprevisto com algumas pessoas que confundiram a calçada com um circo, senhor Silva, respondeu ela com ironia sutil.
Enzo soltou um meio sorriso quase imperceptível, erguendo a mão para segurar levemente o cotovelo dela e guiá-la para a porta do carro.
Júlia, petrificada e com o rosto pálido como papel, finalmente recuperou a fala e apontou o dedo trêmulo na direção de Victoria.
Espera! Você... você conhece esse homem? gritou Júlia, histérica e incrédula, incapaz de aceitar a humilhação que estava sofrendo.
Como uma miserável como você pode estar entrando em um carro desses? Você é só uma garota de programa sendo mantida por velhos!
O comentário venenoso ecoou pela rua, fazendo os seguranças de Enzo endurecerem os traços do rosto com uma expressão mortalmente perigosa.
Enzo parou antes de entrar no veículo, virando lentamente o pescoço para encarar Júlia com uma fúria gélida que congelou a espinha da garota.
Se eu ouvir mais uma palavra saindo dessa sua boca imunda, a sua família vai amanhecer falida e você vai morar debaixo da ponte amanhã, sibilou Enzo.
A voz do bilionário não continha ameaças vazias, mas sim a certeza absoluta de um carrasco corporativo que destruía impérios com um simples telefonema.
Júlia deu dois passos para trás, aterrorizada, sentindo as pernas falharem enquanto as amigas se afastavam dela para não levarem a culpa junto.
Victoria não disse mais nada; com a cabeça erguida e uma dignidade que jamais havia possuído antes, ela entrou no banco traseiro do Rolls-Royce.
O segurança fechou a porta pesada com um baque abafado e luxuoso, isolando completamente o interior do veículo do barulho e da mediocridade da rua.
A limusine arrancou com suavidade exemplar, deixando para trás a poeira da calçada e os rostos em pânico de Júlia e das antigas colegas.
Sentada no estofado macio de couro legítimo, Victoria olhou pela janela escura, respirando fundo enquanto sentia o alívio invadir seu peito ferido.
Ela não sabia que, escondida no meio da multidão que assistira a cena, uma das amigas de Júlia havia gravado tudo com o celular trêmulo.
Aquela gravação granulada, focando no rosto de Victoria e na imponência do carro de Enzo, foi enviada imediatamente para um contato específico.
Poucos minutos depois, o arquivo de vídeo chegou ao celular de Valentina, que estava em casa roendo as unhas de ódio e tédio.
Ao abrir o vídeo e ver a irmã caçula sendo tratada como rainha pelo homem que ela mesma deveria ter conquistado, Valentina quase teve um colapso.
Com os olhos injetados de sangue e o ódio consumindo sua alma, Valentina encaminhou o material imediatamente para o contato de sua mãe.
Enquanto isso, a quilômetros de distância, o Rolls-Royce avançava silenciosamente pela noite paulistana, levando Victoria para um destino totalmente desconhecido.
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