"Humilhada Como Substituta, Ela Se Casou em Segredo com o Bilionário Mais Poderoso da Alta Sociedade" Capítulo 2
O som da porta da despensa que se abria lentamente ecoou na mente de Victoria, mas para sua surpresa, era apenas o vento vindo da janela mal fechada do corredor.
Ela suspirou aliviada, secou as lágrimas e guardou o misterioso contrato no bolso do pulôver antes de ser chamada às pressas por Carmen para ajudar Valentina a entrar no táxi.
A noite de São Paulo brilhava com luzes frias enquanto o carro levava Valentina para o encontro com o herdeiro dos Silva, um jantar de alto padrão no restaurante mais exclusivo da Avenida Paulista.
No entanto, ao chegarem à porta do estabelecimento luxuoso, Valentina recebeu uma mensagem no celular e empalideceu instantaneamente, recusando-se de forma categórica a entrar.
Ele é um monstro frio, dizem que detesta mulheres fúteis e maltrata quem o irrita, sibilou Valentina, empurrando Victoria para fora do veículo de forma violenta.
Você vai entrar no meu lugar agora mesmo, sua inútil, ou eu conto para a mamãe que você rasgou os papéis dela! Vá lá e finja ser eu!
Victoria foi arrastada para o saguão iluminado por lustres de cristal antes que pudesse recusar, com o casaco caro que Valentina havia tirado jogado sobre seus ombros.
O maître, acostumado com a elite paulistana, conduziu-a com mesuras exageradas até a mesa reservada na janela, onde a vista da cidade parecia um mar de fogo artificial.
Sentado na cadeira estofada de couro escuro estava Enzo Silva, com seu terno impecável de alfaiataria italiana e um olhar que cortava como vidro lapidado.
Ele nem sequer levantou os olhos do cardápio quando Victoria se sentou desajeitadamente na cadeira opuesta, sentindo o coração disparar contra as costelas como um pássaro preso.
Você demorou dez minutos, Valentina, disse Enzo com uma voz grave, fria e magnética que fez a espinha de Victoria gelar por inteiro.
Eu odeio atrasos, especialmente quando vêm de pessoas que acham que o meu tempo pode ser desperdiçado com caprichos fúteis da alta sociedade.
Desculpe, murmurou Victoria com a voz trêmula, mantendo os olhos cravados na toalha de linho branco para evitar encarar aquelas íris gélidas.
Enzo ergueu o rosto lentamente, e suas sobrancelhas perfeitas se arquearam em uma expressão de surpresa contida ao notar a simplicidade excessiva daquela mulher.
Não havia joias falsas, nem o perfume enjoativo de rosas que ele esperava da herdeira dos Santos; havia apenas um cheiro suave de chuva e tinta.
O bilionário estreitou os olhos azuis, analisando cada detalhe daquele rosto pálido, o cabelo preso sem vaidade e o suéter largo que escondia sua silhueta.
Você não é a Valentina, constatou Enzo com uma calma aterrorizante, cruzando os braços sobre a mesa e inclinando o corpo levemente para a frente.
Aquelas palavras caíram como uma bomba atômica sobre a mente de Victoria, fazendo o sangue sumir de seu rosto em uma fração de segundo.
Ela abriu a boca para inventar uma desculpa esfarrapada, mas nenhum som saiu, pois o medo a paralisou completamente e a fez fechar os olhos.
Pronta para ser escorraçada, insultada e jogada na calçada fria da Avenida Paulista, Victoria preparou-se para o pior golpe de sua vida miserável.
Mas o que aconteceu em seguida desafiou toda a lógica que ela conhecia sobre o homem mais implacável e temido de todo o estado de São Paulo.
Enzo soltou uma risada curta, seca e profundamente irônica, enquanto seus dedos longos tamborilavam ritmicamente contra a borda da taça de cristal.
Sabe, continuou o magnata com um tom de voz que misturava diversão e perigo, a sua irmã mandou espiões para me sondar a semana inteira.
Todas elas vieram cheias de pose, sorrisos falsos e propostas de negócios disfarçadas de jantar romântico para tentar salvar as empresas falidas da família.
Mas você... você senta aqui morrendo de medo, com os olhos de quem preferia estar em qualquer outro lugar do mundo do que diante de mim.
Victoria ergueu o olhar lentamente, encontrando a imensidão azul e fria de Enzo encarando-a com uma intensidade que a deixou sem fôlego.
Eu não tenho nada a ver com os planos da minha mãe e da minha irmã, senhor Silva, conseguiu balbuciar ela com a voz fina e corajosa.
Elas me obrigaram a vir aqui sob ameaça, então o senhor pode chamar os seguranças e me expulsar agora mesmo se assim o desejar.
O silêncio reinou na mesa por alguns segundos intermináveis, pontuado apenas pelo murmúrio abafado dos outros clientes ricos ao fundo do salão.
Enzo continuou a fitá-la em silêncio absoluto, estudando a pureza daquele desespero genuíno que jamais havia encontrado em nenhum salão nobre.
Expulsar você? perguntou ele com um sorriso de canto de lábio que revelava covinhas discretas e perigosas em seu rosto de estátua grega.
Por que eu faria isso? Pela primeira vez em anos, este jantar enfadonho com a alta sociedade paulistana começou a ficar minimamente interessante.
Victoria piscou várias vezes, sem acreditar no que seus ouvidos ouviam, achando que estava delirando devido ao estresse acumulado daquele dia.
O senhor não está bravo por ter sido enganado de uma maneira tão ridícula? questionou ela, franzindo a testa em uma confusão genuína.
Enganado? Eu dirá que fui poupado de uma conversa fútil sobre grifes e ações da bolsa, respondeu Enzo, gesticulando para o garçom se aproximar.
Diga-me o seu verdadeiro nome, garota. Aquela que está escondida sob esse casaco emprestado e essa postura de quem foi atropelada pelo mundo.
Meu nome é Victoria, sussurrou ela, sentindo o calor subir pelas bochechas ao perceber que o homem mais poderoso do país prestava atenção nela.
Victoria Santos, completou o magnata, saboreando o nome como se fosse um vinho raro, enquanto o garçom anotava os pedidos que ele fazia por ela.
Um nome bonito, embora carregue o peso de uma família que claramente não sabe o tesouro que tem debaixo do próprio teto de zinco.
Durante o restante do jantar, Victoria comeu em silêncio, respondendo às perguntas pontuais de Enzo sobre arte, cores e a solidão dos ateliês de São Paulo.
Ele não falava muito, mas cada palavra sua carregava o peso de quem comanda impérios inteiros com um simples estalar de dedos e muita precisão.
No fundo de sua alma ferida, Victoria começou a esquecer o pesadelo de sua casa e a se perder na imensidão daquele olhar que parecia enxergar através dela.
Mas o tempo voa quando a tensão é cortante, e logo a conta foi paga com um cartão sem limite que Enzo deslizou sobre a mesa sem olhar o valor.
Eles caminharam em silêncio até a saída do restaurante, onde o vento frio da noite batia contra os vidros blindados da fachada imponente e sofisticada.
Antes que Victoria pudesse se afastar para chamar um táxi comum na calçada, Enzo segurou levemente a aba do casaco dela para contê-la.
Espere um momento, Victoria, ordenou ele em um tom baixo, tirando um objeto metálico prateado e pesado da lapela do próprio paletó escuro.
Era um grampo de gravata personalizado com o brasão discreto da família Silva, reluzindo sob a luz amarela dos postes da avenida movimentada.
Ele deslizou o objeto na gola do pulôver dela com uma delicadeza que contrastava fortemente com a fama de carrasco corporativo que ele carregava.
Guarde isso com você. Vai precisar dele para passar pelos meus seguranças na próxima vez que nos encontrarmos em algum lugar importante.
Victoria abriu a boca para protestar, mas as palavras morreram em sua garganta diante da autoridade absoluta impressa naqueles olhos azuis profundos.
Vá para casa agora, Victoria. Descanse bem, porque a sua vida pacata e invisível está prestes a mudar de rumo de forma definitiva.
Dito isso, Enzo virou as costas e entrou em seu carro blindado, que arrancou suavemente em direção às avenidas mais nobres da capital paulista.
Victoria permaneceu parada na calçada fria por longos minutos, tateando o metal gelado do grampo de gravata preso em sua roupa humilde.
Ela mal sabia que, naquele exato segundo, a poucos quilômetros dali, sua mãe e sua irmã comemoravam o suposto fracasso do plano sem imaginarem nada.
Enquanto isso, sentado no banco de caríssimo couro do veículo em movimento, Enzo olhou para o banco traseiro e acenou levemente para o seu leal assistente.
Lucas, quero um relatório completo sobre a vida de Victoria Santos em cima da minha mesa antes do sol raiar amanhã, ordenou o bilionário.
Sim, senhor Silva, respondeu o assessor com voz firme pelo viva-voz, ajustando os óculos no escuro do carro que cortava a noite.
Enzo virou o rosto em direção à janela escura, observando as luzes da cidade passarem como borrões enquanto um sorriso enigmático surgia em seus lábios.
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