localização atual: Novela Mágica Quando Voltei a Ser Eu Capítulo 6 — O Funeral Sem Corpo
标题上

"Quando Voltei a Ser Eu" Capítulo 6 — O Funeral Sem Corpo

正文开头

Capítulo 6 — O Funeral Sem Corpo

Durante o voo para Los Angeles, Leonardo não conseguiu dormir.

Levou consigo os exames, a fotografia dos gêmeos e o caderno que encontrara sob a cama de Rafaela.

As primeiras páginas continham letras de músicas da época da Vértice. Nos cantos, o nome dele aparecia escrito e riscado dezenas de vezes.

Na última página havia uma anotação recente:

Voltar para São Paulo. Ver Leo uma última vez. Parabenizá-lo pelo casamento. Depois, posso ir em paz.

Leonardo passou o polegar sobre a frase até a tinta borrar sob uma lágrima.

Quando o avião pousou, chovia.

O enterro aconteceria num cemitério reservado nos arredores de Los Angeles. Não havia fãs, jornalistas ou integrantes da antiga banda.

Apenas Valentina, dois funcionários da gravadora e uma sepultura coberta de flores brancas.

Sobre a lápide provisória estava escrito Rafael Rocha.

Nem morta ela recuperara o próprio nome.

Leonardo caminhou até Valentina.

"Quero vê-la."

Ela usava um vestido preto sob o sobretudo. Seus olhos verdes não revelavam nada.

"Você já viu o suficiente enquanto ela estava viva."

"Preciso me despedir."

"Ela foi ao Brasil para fazer isso. Você transformou a despedida dela num espetáculo de humilhação."

Leonardo apertou o caderno nas mãos.

"Eu não sabia."

"Você nunca quis saber."

"Por favor."

Valentina soltou uma risada amarga.

"Ela chegou a São Paulo com um tumor crescendo dentro do corpo. Ainda assim, foi ao seu evento porque queria olhar para você uma última vez."

Cada palavra encontrou um lugar exato para feri-lo.

"Você permitiu uma apresentação que a chamou de manipuladora. Tentou entregá-la a uma mulher para limpar sua imagem. Depois, quando sua noiva armou uma acusação, exigiu que Rafaela tirasse a roupa."

"Eu pensei que—"

"Esse sempre foi seu problema. Você pensava por ela."

Leonardo não respondeu.

A chuva escorria por seu rosto.

"Eu a amava."

Valentina deu um passo à frente.

"Não use o passado para tornar isso mais bonito."

"Eu a amo."

"Então deveria ter perguntado o que ela queria antes de expulsá-la da Vértice."

"Eu estava com medo."

"E ela passou dez anos aterrorizada, escondendo o corpo, o nome e a própria voz. Seu medo custou cinco anos da vida dela."

Leonardo baixou a cabeça.

"Deixe-me levá-la para o Brasil. Quero enterrá-la ao lado do irmão."

"Qual seria a casa dela?"

Valentina apontou para a sepultura.

"A mansão onde a mãe a fazia entrar pelos fundos? A família que roubou seus direitos autorais? Ou a empresa que comprou seu contrato para obrigá-la a se casar?"

"Eu vou consertar tudo."

"Ela está morta."

A frase quase o derrubou.

"Não existe conserto para um pedido de desculpas que chega depois do enterro."

O celular de Bruno tocou.

Ele se afastou para atender e voltou poucos minutos depois, pálido.

"Leonardo, temos um problema no Brasil."

Na tela, uma nova manchete ocupava todos os portais:

RAFAEL ROCHA ERA UMA MULHER: ÍDOLO TERIA ENGANADO FÃS DURANTE DEZ ANOS

正文1

Logo abaixo, fotografias de Rafaela adolescente apareciam ao lado de imagens da Vértice.

Outra matéria insinuava que ela entrara no grupo para se aproximar de Leonardo.

Uma terceira a chamava de impostora, criminosa e predadora.

Até mesmo a falsa acusação de Bianca ressurgia como prova de seu caráter.

Leonardo percorreu os comentários.

Milhares de pessoas insultavam uma mulher que acreditavam estar morta.

Valentina fechou os olhos.

"Eles não permitiram que ela tivesse paz nem agora."

Bruno mostrou os dados preliminares.

"O primeiro perfil a divulgar as fotos recebeu dinheiro de uma empresa ligada a um primo de Sônia."

Leonardo ergueu o rosto.

"Camila."

"É a hipótese mais provável."

Ele olhou para a lápide com o nome errado.

Rafaela passara a vida sendo punida por um segredo criado por outras pessoas. Agora, até sua morte era usada para transformá-la em culpada.

"Volte ao Brasil", ordenou a Bruno. "Quero a origem de cada foto, cada pagamento e cada mentira."

"Você não vem?"

Leonardo passou os dedos pela borda do caderno.

"Vou no próximo voo."

Valentina virou-se para sair.

"Acabou o funeral?"

"Para você, sim."

Antes de partir, ela o encarou.

"Não faça isso para ser perdoado. Faça porque ela merecia a verdade, mesmo que jamais possa vê-la."

Leonardo permaneceu diante da sepultura até o anoitecer.

Na manhã seguinte, retornou a São Paulo.

Bruno já havia reunido parte das provas.

As imagens que expunham Rafaela haviam sido retiradas de um cofre digital pertencente a Camila. O pagamento ao perfil de fofocas saíra da conta de uma empresa de fachada.

Havia mais.

A equipe técnica recuperara a gravação da noite em que a carta fora roubada. Camila aparecia entrando no antigo camarim de Rafaela com uma chave copiada.

Em seguida, retirava o caderno da gaveta e fotografava todas as páginas.

Também localizaram mensagens entre Camila e Bianca.

Se ele mandar você provar, chore. Rafaela nunca vai tirar a camisa.

Leonardo releu aquela frase várias vezes.

Camila não usara apenas uma mentira contra a irmã.

Usara o próprio corpo de Rafaela como arma.

No mesmo dia, a Valença Studios convocou uma coletiva de imprensa.

Leonardo entrou no auditório sem assessores e colocou sobre a mesa as certidões, os registros bancários e as mensagens recuperadas.

"Meu nome é Leonardo Valença. Durante cinco anos, permiti que uma pessoa inocente carregasse a culpa por decisões que eu tomei."

Os jornalistas começaram a fazer perguntas, mas ele ergueu a mão.

"Rafael Rocha morreu aos dezesseis anos. Sua irmã gêmea, Rafaela, foi obrigada a assumir a identidade dele para impedir que a família perdesse um contrato milionário."

O auditório explodiu.

Leonardo continuou:

"Ela não entrou na Vértice para se aproximar de mim. Não usou o nome do irmão para enriquecer. Durante dez anos, metade de seus rendimentos foi destinada às dívidas dos Rocha. A outra metade financiou projetos sociais e sua carreira musical."

Fotografias dos documentos apareceram no telão.

"Há cinco anos, Camila Rocha roubou uma carta particular e a entregou à imprensa. Nesta semana, ela também pagou Bianca Nunes para fazer uma falsa acusação."

正文2

As mensagens foram projetadas.

Os jornalistas se calaram.

"Fui eu quem expulsou Rafaela da Vértice. Fui eu quem se recusou a ouvi-la. Também fui eu quem chamou a polícia quando ela não podia revelar a única prova capaz de demonstrar sua inocência."

Leonardo olhou diretamente para as câmeras.

"Ela não enganou o público para obter vantagem. Ela sobreviveu da única forma que lhe permitiram."

Três horas depois, a opinião pública começava a mudar.

A hashtag

Perdão, Rafaela

chegou ao topo das redes sociais. Fãs encontraram vídeos de apresentações em que ela mal conseguia permanecer de pé.

Outros descobriram doações feitas anonimamente a projetos musicais em comunidades de São Paulo, Recife e Salvador.

A Polícia Civil abriu investigação contra Camila e Bianca por denunciação caluniosa, extorsão e falsificação de provas.

Sônia passou a ser investigada pela apropriação dos rendimentos da filha.

Leonardo encontrou Camila num apartamento alugado.

Ela abriu a porta acreditando que ele viera ajudá-la.

"Leo, graças a Deus. Mamãe está desesperada. Os bancos bloquearam nossas contas e—"

Ele jogou as provas sobre a mesa.

"Por quê?"

Camila observou as mensagens espalhadas.

A máscara caiu lentamente.

"Porque ela sempre teve tudo."

"Rafaela dormia num quarto sem aquecimento."

"Ela tinha você!"

"Não tinha."

"Tinha, sim! Mesmo achando que era um homem, você olhava para ela de um jeito que nunca olhou para mim."

Camila começou a rir.

"Eu era a mulher. Eu era a escolha certa. Mas você mantinha as músicas dela, as fotografias, aquele abajur ridículo..."

"Foi por isso que roubou a carta?"

"Eu só mostrei quem ela realmente era."

"E Bianca?"

"Rafaela poderia ter se defendido. Bastava revelar a verdade."

Leonardo aproximou-se.

"Você sabia que ela estava morrendo."

Camila desviou o olhar.

"Sabia ou não?"

"Ela disse que estava doente."

"E mesmo assim fez tudo isso."

"Ela sempre sobrevivia!"

A voz de Camila quebrou.

"Não era para morrer!"

Leonardo a encarou por alguns segundos.

"Você não amava ninguém. Apenas queria vencer."

Virou-se para a porta.

"Meu departamento jurídico entregará todas as provas ao Ministério Público."

"Leo, espere!"

"Não volte a pronunciar meu nome."

Dois dias depois, Camila e Bianca foram formalmente indiciadas. As contas de Sônia foram bloqueadas enquanto a polícia investigava a origem dos pagamentos e a apropriação dos direitos autorais.

Leonardo fizera tudo o que podia.

Ainda assim, ao entrar no antigo estúdio da Vértice, sentiu apenas vazio.

A guitarra de Rafaela permanecia apoiada na parede. O microfone ainda tinha uma fita azul colocada por ela durante a primeira turnê.

Sua reputação fora restaurada.

Mas ela não estava ali para vê-la.

Naquela noite, Leonardo comprou outra passagem para Los Angeles.

Pretendia pedir a exumação e levar os restos mortais de Rafaela para o Brasil. Não para a mansão dos Rocha, mas para uma sepultura ao lado do irmão, usando finalmente seu nome verdadeiro.

Valentina recusou-se a recebê-lo.

Ele contratou advogados e apresentou os documentos que comprovavam a identidade de Rafaela. Depois de dias de disputa, conseguiu autorização para abrir o caixão antes da transferência.

Chovia quando voltou ao cemitério.

Os funcionários retiraram a terra em silêncio.

Leonardo permaneceu imóvel enquanto erguiam o caixão e o colocavam sob uma tenda.

O responsável pelo cemitério rompeu o lacre.

"Está preparado, senhor Valença?"

"Não."

Mesmo assim, assentiu.

A tampa foi levantada.

Leonardo parou de respirar.

Não havia corpo.

Dentro do caixão estava apenas o casaco preto que Rafaela usara ao sair da mansão.

Bruno recuou, chocado.

"Isso é impossível."

Leonardo pegou o tecido com as mãos trêmulas.

Sob o casaco havia um pequeno gravador.

Uma luz vermelha começou a piscar assim que ele o tocou.

A voz de Rafaela atravessou o som da chuva:

"Se você está ouvindo isto, é porque finalmente abriu o caixão."

Leonardo apertou o aparelho contra o peito.

"Rafael morreu", continuou ela. "Não tente procurar Rafaela."

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部