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"A Empregada Que Treinou a Filha Cega do Chefe da Máfia" Parte 5

正文开头

O homem morto ainda estava na sala de segurança quando Dante entrou.

O corpo havia sido coberto, mas a camisa permanecia aberta na altura do punho.

Bruno estava ao lado da mesa.

Isabela entrou logo atrás.

"Encontramos isso."

Bruno levantou um pequeno saco transparente.

Dentro havia uma abotoadura de metal escuro.

Uma única letra estava gravada no centro.

R.

Dante não precisou perguntar.

Ricardo.

Ele pegou o saco e ficou olhando para o objeto.

"Estava onde?"

"No bolso interno do paletó."

"Você revistou esse homem ontem."

"Revistamos."

"E não encontrou?"

Bruno balançou a cabeça.

"Não."

Dante virou lentamente para Isabela.

"Então alguém colocou isso depois."

"Ou nós não vimos."

Bruno respondeu.

Dante fechou a mão em torno do saco.

A credencial interna.

O anel.

As participações compradas em silêncio.

Agora uma abotoadura com a inicial de Ricardo.

Tudo apontava para o mesmo homem.

Talvez fosse exatamente por isso que Isabela não pareceu convencida.

"Está fácil demais."

Dante olhou para ela.

"Como?"

"Fácil demais."

Isabela pegou o saco da mão dele.

"Uma pessoa invade uma das casas mais protegidas de São Paulo, entra numa sala restrita, mata a única testemunha e deixa no corpo uma peça com a inicial do próprio mandante?"

Bruno cruzou os braços.

"Talvez tenha cometido um erro."

"Talvez."

Isabela devolveu o objeto.

"Mas homens que conseguem desligar câmeras internas por sete minutos normalmente não esquecem o próprio nome no bolso de um cadáver."

Dante ficou em silêncio.

"Você está defendendo Ricardo?"

"Não."

"Então o que está dizendo?"

"Que alguém quer que você escolha um culpado antes de entender o plano."

Dante olhou novamente para a letra.

R.

Se Ricardo fosse culpado, tudo começava a fazer sentido.

Se não fosse...

Alguém estava usando a pessoa mais próxima dele para destruir a família por dentro.

O celular de Dante vibrou.

Número desconhecido.

Ele abriu a mensagem.

Era um vídeo.

No primeiro segundo, a imagem tremia.

Depois estabilizou.

Uma mulher estava amarrada a uma cadeira de madeira.

Tinha fita sobre a boca.

Os cabelos escuros estavam desarrumados.

Havia sangue seco próximo à sobrancelha.

Dante ouviu Isabela perder o ar atrás dele.

"Marina."

Ele virou.

Isabela estava pálida.

Dante mostrou a tela.

"É sua irmã?"

Ela assentiu.

O vídeo continuou.

Uma voz masculina distorcida surgiu.

"Isabela Oliveira tem quarenta e oito horas para deixar a casa dos Montenegro."

Marina começou a se debater.

A voz continuou.

"Sem polícia. Sem segurança. Sem despedidas."

Isabela levou a mão à boca.

"Se ela continuar ao lado de Lívia quando o prazo acabar, Marina Oliveira morre."

O vídeo terminou.

A sala ficou muda.

Dante imediatamente olhou para Bruno.

"Rastreie isso."

"Já vou."

"Quero localização, antena, aparelho, qualquer coisa."

Bruno saiu correndo.

Dante se virou para Isabela.

"Arrume suas coisas."

Ela não reagiu.

"Agora."

Isabela ergueu os olhos.

"Não."

Dante deu um passo na direção dela.

"Não começa."

"Não vou embora."

"Eles estão com sua irmã!"

正文1

"Eu vi."

"E vão matar ela!"

Isabela fechou os olhos por um instante.

Quando abriu, estavam cheios de lágrimas.

"Eu sei."

"Então vai embora desta casa."

"Se eu for embora, Lívia será a próxima."

Dante bateu a mão na mesa.

"Você não sabe disso!"

"Sei."

"Como?"

Isabela ficou imóvel.

Dante percebeu.

Havia algo naquela resposta.

Algo que ela não queria dizer.

"Como você sabe?"

"Porque já fizeram isso antes."

A raiva de Dante desapareceu por um segundo.

"O quê?"

Isabela respirou fundo.

"Sete anos atrás."

Dante sentiu o corpo ficar gelado.

"Não."

"Sim."

"Não coloque Helena nisso."

"Ela sempre esteve nisso."

Dante avançou.

"Explica."

Isabela demorou alguns segundos.

"Na noite em que Helena morreu, eu deveria estar com ela."

Dante não piscou.

"Onde?"

"Ela tinha uma reunião fora da mansão."

"Eu sei."

"Eu era responsável pela proteção dela naquela noite."

Dante sentiu a garganta fechar.

"Nunca ouvi seu nome no relatório."

"Porque meu trabalho não constava nos registros oficiais."

"Continua."

Isabela apertou as mãos.

"Quarenta e três minutos antes da explosão, recebi uma ligação."

"De quem?"

"Um número desconhecido."

A voz dela começou a falhar.

"Disseram que meu irmão tinha sido atacado."

Dante franziu a testa.

"Seu irmão?"

"Ele morava sozinho em Campinas naquela época."

"Era verdade?"

"Parte."

Isabela respirou fundo.

"Ele realmente tinha sido espancado."

Dante ficou imóvel.

"Você foi embora."

"Fui."

"E deixou Helena sozinha."

"Deixei Helena com dois homens da segurança que eu acreditava serem confiáveis."

Dante sentiu algo explodir dentro do peito.

"Você deixou minha esposa?"

Isabela levantou o rosto.

"Eu achei que minha família estava sendo atacada."

"Minha esposa morreu!"

"Eu sei!"

Foi a primeira vez que ela gritou com ele.

As lágrimas finalmente caíram.

"Eu sei todos os dias desde então."

Dante apontou para ela.

"Você estava lá para impedir isso!"

"Eu voltei!"

"Quarenta e três minutos depois!"

"Eu voltei o mais rápido que pude!"

Dante derrubou uma cadeira.

Ela bateu contra a parede.

"Quando eu cheguei, o carro já tinha explodido."

A voz de Isabela se quebrou.

"Eu vi as chamas antes de chegar ao cruzamento."

Dante fechou os olhos.

Por sete anos, aquela imagem havia aparecido em seus pesadelos.

O carro destruído.

O cheiro de combustível.

As luzes vermelhas refletindo na rua molhada.

Helena não voltando para casa.

"Você sabia que não foi acidente?"

Isabela hesitou.

"Eu suspeitava."

Dante abriu os olhos.

"Suspeitava?"

"Depois descobri que a ligação tinha sido feita com um aparelho descartável."

"Por que nunca me contou?"

"Porque eu não tinha prova."

"Eu era o marido dela!"

"Você era Dante Montenegro!"

A frase atingiu a sala.

Isabela continuou.

"Se eu chegasse até você sem prova e dissesse que alguém da sua própria estrutura tinha tirado Helena de você, quantas pessoas você teria mandado caçar?"

Dante não respondeu.

"Quantas?"

"Todas."

"Exatamente."

Um pequeno ruído veio do corredor.

Isabela virou o rosto.

Dante também.

Lívia estava parada na porta.

As lágrimas escorriam pelo rosto dela.

正文2

Dante perdeu a cor.

"Lívia."

Ela não entrou.

"Minha mãe não morreu num acidente?"

Dante ficou em silêncio.

"Pai?"

Ele tentou se aproximar.

"Lívia, vem aqui."

Ela recuou.

"Você sabia?"

"Eu sabia que havia dúvidas."

"Há quanto tempo?"

Dante não respondeu.

Lívia começou a chorar mais forte.

"Há quanto tempo?"

"Desde aquela época."

A menina levou a mão ao peito.

"Sete anos?"

"Lívia..."

"Você mentiu para mim durante sete anos?"

"Eu tentei proteger você."

"De quê?"

"Disso."

Dante apontou para a sala, para Isabela, para tudo.

"De carregar uma coisa que uma criança não deveria carregar."

Lívia balançou a cabeça.

"Eu perguntava sobre ela."

"Eu sei."

"E você dizia que tinha sido um acidente."

"Eu queria que você tivesse uma infância."

"Então decidiu qual versão da minha mãe eu podia conhecer?"

Dante se aproximou.

"Eu perdi Helena também."

"Mas eu perdi minha mãe."

A voz dela se partiu.

"E você tirou de mim até o direito de saber como ela morreu."

Dante ficou sem resposta.

"Você não pode decidir qual verdade eu sou capaz de suportar."

Lívia deu outro passo para trás.

"Você faz isso com tudo."

"Não."

"Faz."

Ela limpou o rosto.

"Decide onde eu posso ir."

"Com quem eu posso falar."

"O que eu posso aprender."

"E agora descobri que você decidiu até o que eu podia saber sobre a minha própria mãe."

Dante tentou tocar sua mão.

Lívia puxou os dedos.

"Não."

Aquilo doeu mais do que qualquer coisa que ele tinha ouvido naquela semana.

Ela virou e saiu pelo corredor.

Dante ficou parado.

Isabela não tentou consolá-lo.

Talvez porque soubesse que ele não precisava de consolo.

Precisava entender.

Depois de alguns segundos, Dante se virou.

"Marina."

Isabela ergueu os olhos.

"Você realmente acha que vão matar sua irmã se ficar?"

"Sim."

"E mesmo assim vai ficar."

"Sim."

"Por quê?"

Isabela olhou para a porta por onde Lívia havia saído.

"Porque eu cometi esse erro uma vez."

Dante endureceu.

"Eles usaram minha família para me tirar do lado de Helena sete anos atrás."

Ela apontou para o celular onde a imagem de Marina ainda estava congelada.

"Agora estão fazendo exatamente a mesma coisa."

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