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"A Empregada Que Treinou a Filha Cega do Chefe da Máfia" Parte 3

正文开头

A escuridão engoliu a adega inteira.

Dante reagiu antes mesmo de pensar.

Guardou o celular, avançou um passo e estendeu o braço para puxar Lívia para trás de seu corpo.

"Fica comigo."

Mas sua mão encontrou apenas o ombro da filha por um instante.

Lívia já estava se movendo.

Ela tateou a mesa, encontrou o bastão de treinamento e o segurou com as duas mãos.

"Lívia, larga isso."

"Pai, fica quieto."

Dante virou o rosto na direção dela.

"O quê?"

"Quieto."

A voz da menina não tremia.

Isabela entendeu antes dele.

"Dante, não fale."

O silêncio tomou conta da adega.

Do lado de fora, a chuva martelava as pequenas janelas próximas ao teto.

Havia o ruído constante da água descendo pelas calhas.

Um cano vibrava atrás da parede.

O sistema de climatização da adega ainda funcionava por alguns segundos na energia de emergência, produzindo um zumbido baixo.

Dante não ouvia mais nada.

Então Lívia inclinou a cabeça.

Seu rosto mudou.

"Tem duas pessoas descendo."

Dante apertou a arma.

"Tem certeza?"

"Shhh."

Ela virou o rosto para a porta.

"Uma é pesada."

Isabela se aproximou lentamente da parede.

"E a outra?"

Lívia respirou pelo nariz.

"O pé direito arrasta."

Dante não ouviu passo algum.

Não ouviu respiração.

Não ouviu roupa roçando na parede.

Nada.

Por alguns segundos, chegou a pensar que o medo estava confundindo a filha.

Então veio um som.

Quase imperceptível.

Raspa.

Pausa.

Raspa.

Isabela levantou dois dedos.

Dois.

Dante sentiu um arrepio.

Lívia estava certa.

A maçaneta girou.

Dante ergueu a arma.

A porta se abriu de repente.

Uma lanterna cortou a escuridão.

O primeiro homem entrou com o corpo inclinado e algo metálico na mão.

Isabela atacou antes que ele conseguisse apontar.

Segurou seu pulso, girou para fora e bateu o antebraço contra a articulação.

A arma caiu no chão.

Dante avançou sobre o segundo.

O homem era enorme.

Os dois atingiram uma estante, derrubando garrafas.

Vidro explodiu pelo piso.

O invasor acertou Dante no rosto.

Dante respondeu com um soco no estômago.

Isabela torceu o braço do primeiro homem e o jogou contra a mesa.

"Chão!"

Ele tentou reagir.

Ela atingiu sua perna por trás do joelho.

O homem caiu.

Dante ouviu passos correndo.

O segundo invasor havia conseguido se soltar.

"Ele está fugindo!"

Dante avançou para a porta.

"Não!"

Lívia gritou.

Ele parou por reflexo.

Um segundo depois, uma lâmina passou pela entrada da adega.

O homem tinha se escondido ao lado da porta esperando que Dante saísse.

Dante recuou.

Isabela lançou o bastão que estava no chão.

Ele atingiu o pulso do invasor.

A faca caiu.

Mas o homem correu escada acima antes que Dante conseguisse alcançá-lo.

"Bruno!"

Nenhuma resposta.

Dante olhou para o homem imobilizado por Isabela.

"Quem mandou vocês?"

Silêncio.

Dante se abaixou.

"Você entrou na minha casa."

O invasor sorriu com sangue nos dentes.

"Então já sabe que sua casa não é tão segura."

正文1

Dante agarrou sua camisa.

"Quem mandou você?"

"Lívia."

Isabela virou-se imediatamente.

"Não diga o nome dela."

O homem riu.

"É tarde demais."

Dante o acertou no rosto.

"Dante!"

Isabela segurou seu braço antes do segundo golpe.

"Precisamos dele consciente."

As luzes de emergência finalmente acenderam.

Um brilho vermelho e fraco revelou a destruição na adega.

Garrafas quebradas.

Vinho espalhado pelo chão.

Uma arma caída perto da mesa.

E Lívia.

Ela continuava exatamente onde Isabela havia mandado que ficasse.

O bastão estava erguido diante do corpo.

Dante olhou para a filha.

A menina respirava rápido.

Estava assustada.

Claro que estava.

Mas não estava paralisada.

"Lívia."

Ela reconheceu a direção de sua voz.

"Você está bem?"

"Estou."

"Ele quase me pegou na porta."

"Eu ouvi ele parar de correr."

Dante ficou em silêncio.

"Como?"

"O som dos passos mudou."

Ela apontou para o corredor.

"Quando alguém corre numa escada, o ritmo continua. Ele fez silêncio rápido demais."

Dante não encontrou resposta.

Durante doze anos, médicos, professores e especialistas haviam explicado a ele tudo que Lívia não poderia fazer.

Não poderia dirigir.

Não poderia enxergar obstáculos.

Não poderia reconhecer rostos.

Precisaria de adaptações.

Precisaria de ajuda.

E Dante transformara cada limitação numa nova parede ao redor dela.

Naquela noite, pela primeira vez, percebeu o erro.

Passara doze anos calculando o que sua filha não conseguia ver.

Nunca parara para entender tudo aquilo que ela conseguia perceber.

Isabela se ajoelhou ao lado do invasor.

Revistou seus bolsos.

Celular.

Carteira vazia.

Uma pequena lâmina.

Então seus dedos encontraram alguma coisa.

"Espere."

Ela puxou um cartão preto.

Dante reconheceu imediatamente o brasão prateado.

Montenegro.

"Isso não é possível."

Isabela virou o cartão.

Havia um código eletrônico gravado no verso.

"É uma credencial interna."

Bruno finalmente apareceu na porta com três seguranças.

A camisa estava molhada.

"Senhor!"

Ele olhou para o homem no chão.

"Meu Deus."

Dante se levantou.

"Onde você estava?"

"Na sala de monitoramento. Quando a energia caiu, o sistema travou."

Bruno viu o cartão na mão de Isabela.

Seu rosto endureceu.

"De onde saiu isso?"

"Do bolso dele."

Bruno pegou a credencial.

"Essa chave abre corredores de serviço, garagem, área técnica e acesso ao subsolo."

"Quantas existem?"

Bruno hesitou.

"Com esse nível?"

"Quantas?"

"Três pessoas podem gerar uma credencial assim."

Dante já sabia uma delas.

"Eu."

Bruno assentiu.

"O senhor."

"Você."

"Sim."

Dante deu mais um passo.

"E quem mais?"

Bruno demorou uma fração de segundo.

"Ricardo Montenegro."

O nome atingiu Dante com mais força que o soco recebido minutos antes.

Ricardo.

Seu primo.

O homem que crescera ao seu lado.

Quando Dante perdeu o pai, Ricardo estava no velório.

Quando Helena morreu, Ricardo passou três noites na mansão porque Dante não conseguia dormir.

Quando Lívia nasceu, foi Ricardo quem Dante escolheu como padrinho.

"Não."

Dante falou quase para si mesmo.

Bruno devolveu o cartão.

"Isso não significa que foi ele."

"Também não significa que não foi."

正文2

Isabela respondeu.

Dante lançou um olhar duro para ela.

"Não acuse Ricardo sem prova."

"Não acusei."

"Eu conheço meu primo."

Isabela guardou a credencial em um saco plástico.

"Helena também conhecia as pessoas desta família."

A frase deixou Dante em silêncio.

Na manhã seguinte, a mansão parecia uma fortaleza em estado de guerra.

Portões fechados.

Seguranças em cada corredor.

Ninguém entrava ou saía sem autorização direta.

Dante não dormira.

Às oito e vinte, Dr. Rafael Almeida chegou com uma pasta grossa de documentos.

Advogado da família havia quase quinze anos, Rafael era uma das poucas pessoas autorizadas a analisar a estrutura patrimonial completa do Grupo Montenegro.

"Você pediu tudo relacionado à Lívia."

Ele colocou a pasta sobre a mesa do escritório.

"Encontrei uma coisa que você precisa ver."

Dante abriu o documento.

"Isso foi feito quando Helena ainda estava viva."

"Sim."

Rafael apontou para uma cláusula.

"É uma holding patrimonial ligada às participações legais do Grupo Montenegro, combinada com um acordo de acionistas."

Dante franziu a testa.

"Eu conheço essa estrutura."

"Mas talvez não lembre desta alteração."

Rafael virou a página.

"Aos doze anos de Lívia, uma parte dos direitos econômicos e das regras de governança vinculadas às ações dela entra numa nova etapa."

Dante sentiu o estômago apertar.

Doze anos.

A frase da fotografia voltou à sua cabeça.

O décimo segundo aniversário dela muda tudo.

"E se eu morrer?"

Rafael ficou sério.

"Lívia continua sendo titular das participações previstas nos documentos."

"E quem toma decisões por ela?"

"Enquanto ela for menor, o representante legal atua dentro dos limites definidos no acordo e sob fiscalização jurídica."

Dante folheou rapidamente as páginas.

"Quem?"

Rafael não respondeu de imediato.

Dante levantou os olhos.

"Quem, Rafael?"

"Você é o responsável principal."

"Eu perguntei se eu morrer."

Rafael puxou outro documento.

"Na época, vocês indicaram uma pessoa de confiança como opção de tutela, caso você não pudesse exercer a responsabilidade."

Dante viu a assinatura.

A sua própria.

E abaixo dela, um nome.

Ricardo Montenegro.

O escritório ficou em silêncio.

Dante sentou-se lentamente.

Ele próprio havia colocado aquilo no papel.

Se algo acontecesse com ele, o homem mais próximo de sua filha seria Ricardo.

E Ricardo teria influência enorme sobre tudo que Lívia representava dentro do Grupo Montenegro.

O celular de Dante começou a tocar.

Ele olhou para a tela.

Ricardo.

Rafael também viu.

Dante atendeu.

"Fala."

A voz familiar surgiu do outro lado.

"Dante, está tudo bem aí?"

Dante olhou para Isabela, que acabara de entrar no escritório com Lívia.

"Por que não estaria?"

"Soube que houve problema na mansão."

"Que tipo de problema?"

Houve uma pequena pausa.

"Nada. Só fiquei preocupado. Disseram que a situação ficou feia quando a energia caiu."

Dante não respondeu.

Ricardo continuou.

"Se precisar de mim, estou indo para o escritório. Posso passar aí antes."

"Não precisa."

"Tem certeza?"

"Tenho."

Dante desligou.

Lívia estava parada perto da porta.

Seu rosto havia perdido a cor.

"Pai..."

Dante olhou para ela.

"O que foi?"

"Ele sabia."

Dante se levantou.

"Sabia o quê?"

Lívia apertou a mão de Isabela.

"Que a energia tinha acabado."

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