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"A Empregada Que Treinou a Filha Cega do Chefe da Máfia" Parte 2

正文开头

Dante continuou olhando para o pingente na mão de Isabela como se aquele pequeno pedaço de prata tivesse acabado de abrir uma ferida que nunca realmente cicatrizara.

Durante sete anos, ninguém naquela casa pronunciava o nome de Helena sem antes medir a reação dele.

Isabela acabara de fazer muito pior.

Ela afirmava ter conhecido sua esposa.

"Isso é impossível."

A voz de Dante saiu baixa.

Isabela não guardou a corrente.

"Não é."

"Helena morreu há sete anos."

"Eu sei exatamente quando Helena morreu."

Dante avançou.

"Não fale o nome dela como se tivesse intimidade."

Isabela sustentou seu olhar.

"Eu tinha."

O silêncio caiu sobre a adega.

Lívia virou o rosto na direção dos dois.

"Você conhecia minha mãe?"

Isabela olhou para ela.

"Conhecia."

"Então por que nunca me contou?"

"Porque não era a hora."

Dante soltou uma risada sem humor.

"Chega."

Ele apontou para Bruno e os outros seguranças.

"Levem Lívia para cima. E tirem essa mulher daqui."

"Não."

Desta vez, Isabela falou mais alto.

Bruno parou.

Dante estreitou os olhos.

Isabela olhou para os homens armados atrás dele.

"Todos para fora."

Bruno pareceu ofendido.

"Você está dando ordem na casa do senhor Montenegro?"

"Estou pedindo que saiam se ele quiser descobrir por que a esposa dele escondeu uma carta durante sete anos."

Dante congelou.

"Que carta?"

Isabela virou-se para a parede coberta por garrafas.

"Uma que Helena não confiou a mais ninguém."

Bruno imediatamente olhou para Dante.

"Senhor, isso pode ser uma armadilha."

Dante não respondeu.

Lívia apertou os dedos contra a lateral da calça.

"Pai."

Ele respirou fundo.

"Bruno, espere do lado de fora."

"Mas..."

"Agora."

Bruno hesitou por dois segundos.

Depois fez um sinal aos outros homens.

A porta se fechou atrás deles.

Ficaram apenas Dante, Lívia e Isabela.

Isabela caminhou até a última fileira da adega.

Passou os dedos pela madeira escura de uma estante e encontrou uma pequena saliência escondida atrás de uma garrafa de vinho.

Pressionou.

Um clique seco ecoou.

Parte da madeira se deslocou alguns centímetros.

Dante ficou imóvel.

Ele conhecia aquela adega desde antes de Lívia nascer.

Nunca soubera que existia um compartimento ali.

Isabela puxou a placa.

Dentro havia apenas um envelope amarelado.

Coberto por uma fina camada de poeira.

Na frente, uma única palavra.

Dante.

Ele reconheceu a letra antes mesmo de tocar no papel.

Seu peito apertou.

Helena fazia o "D" daquele jeito.

A curva longa.

A ponta levemente inclinada para a esquerda.

Dante pegou o envelope com mãos que já haviam segurado armas em tiroteios sem tremer.

Agora tremiam.

"Lívia..."

A menina deu um passo na direção dele.

"É dela?"

Dante demorou a responder.

"É."

Ele abriu o envelope.

O cheiro de papel antigo subiu.

Dentro havia duas folhas dobradas.

Dante começou a ler em silêncio.

Na terceira linha, parou.

Isabela percebeu.

"Leia."

Dante ergueu os olhos.

"Você já sabe o que está escrito."

"Mas Lívia não."

Ele olhou para a filha.

正文1

Então voltou ao papel.

"Se você está lendo isto, Dante, significa que alguma coisa que eu temi voltou a acontecer."

A voz dele falhou por um instante.

Lívia ficou completamente imóvel.

Dante continuou.

"Se nossa filha se tornar um alvo por carregar o sobrenome Montenegro, não faça o que eu sei que você vai querer fazer."

Ele apertou a folha.

"Não a tranque."

Lívia prendeu a respiração.

"Não construa muros tão altos que ela esqueça como é o mundo do lado de fora."

Dante desviou o rosto.

As palavras pareciam escritas para o homem em que ele realmente havia se transformado.

"Ensine Lívia. Prepare Lívia. Confie nela."

Ele parou novamente.

Isabela não disse nada.

"Continue, pai."

Dante respirou fundo.

"Ela será mais forte do que você imagina, mas somente se você permitir que ela descubra isso."

Lívia baixou a cabeça.

Dante chegou ao último parágrafo.

Sua expressão mudou.

"Se algum dia você suspeitar que o perigo está vindo de dentro da nossa própria família..."

Ele ficou em silêncio.

"Dante?"

Isabela chamou.

Ele terminou.

"Confie em Isabela."

Os olhos de Dante subiram lentamente.

"Confie nela antes de confiar nas pessoas que passaram a vida inteira dizendo exatamente aquilo que você queria ouvir."

Ninguém falou durante alguns segundos.

A chuva continuava batendo contra as pequenas janelas altas da adega.

Dante amassou levemente a borda da carta.

"Quem é você?"

Isabela tirou o avental.

Dobrou-o com calma sobre a mesa.

"Antes de trabalhar aqui, eu trabalhei com segurança pessoal."

"Segurança?"

"Proteção de executivos, famílias, pessoas ameaçadas."

Dante riu amargamente.

"Uma guarda-costas virou empregada?"

"Uma guarda-costas entrou numa casa onde ninguém poderia saber que existia uma guarda-costas."

Lívia virou o rosto para Isabela.

"Minha mãe contratou você?"

"Sim."

"Quando?"

"Quando ela estava grávida de você."

Dante encarou Isabela.

"Eu teria sabido."

"Helena não queria que soubesse."

"Minha esposa não escondia coisas de mim."

Isabela respirou fundo.

"Escondia quando achava que você tentaria resolver tudo com homens armados."

Dante cerrou a mandíbula.

"Vocês eram amigas?"

Isabela demorou um pouco.

"No começo, não."

Ela tocou o pingente.

"Depois, sim."

A expressão dela suavizou pela primeira vez.

"Helena era teimosa, desconfiada e fazia perguntas demais."

Lívia sorriu quase sem perceber.

"Então eu pareço com ela."

Dante olhou para a filha.

Por alguns segundos, a dor venceu sua raiva.

Isabela continuou.

"Antes de morrer, Helena me fez prometer uma coisa."

"O quê?"

"Que, se algum dia Lívia fosse ameaçada, eu voltaria."

Dante apontou para a carta.

"Sete anos se passaram."

"Porque durante sete anos nada aconteceu."

"Até agora?"

Isabela pegou o celular.

Abriu uma pasta protegida por senha.

"Quatro meses atrás, uma conta de emergência criada por Helena foi ativada."

Dante franziu a testa.

"Que conta?"

"Ela pagava um serviço independente para armazenar informações e enviar alertas caso determinados arquivos fossem acessados."

Isabela mostrou a tela.

"Alguém tentou abrir documentos que Helena deixou protegidos."

Dante pegou o aparelho.

正文2

A primeira fotografia fez seu corpo endurecer.

Lívia saindo de uma consulta médica no Morumbi.

A imagem havia sido tirada de dentro de um carro.

A segunda mostrava a menina entrando em uma escola onde fazia atividades duas vezes por semana.

A terceira era no jardim da mansão.

Lívia sentada perto da fonte.

Dante passou para outra.

Sua respiração ficou pesada.

Cemitério do Morumbi.

Lívia estava diante do túmulo de Helena, segurando flores brancas.

A fotografia havia sido tirada de longe.

"Quando foi isso?"

"Há seis semanas."

Dante lembrava daquele dia.

Ele estivera a poucos metros da filha.

Quatro seguranças haviam cercado o local.

Mesmo assim, alguém conseguira fotografá-la.

"Por que você não me contou?"

"Porque eu ainda não sabia se o senhor era o alvo."

"E agora sabe?"

"Sei que não é."

Dante ergueu os olhos.

Isabela tocou a tela.

A última fotografia apareceu.

Era Lívia entrando na mansão no dia do próprio aniversário.

Abaixo da imagem havia uma frase escrita em letras maiúsculas.

"O DÉCIMO SEGUNDO ANIVERSÁRIO DELA MUDA TUDO."

Dante sentiu um arrepio subir pelas costas.

Lívia havia completado doze anos cinco semanas antes.

"Por que doze?"

"É isso que estou tentando descobrir."

Dante devolveu o celular.

"Alguém está atrás da minha filha."

"Sim."

"Por dinheiro?"

"Talvez."

"Por vingança?"

"Talvez."

"Então você não sabe de nada."

Isabela se aproximou.

"Eu sei uma coisa."

"O quê?"

"Quem está fazendo isso conhece a rotina da casa."

Dante ficou em silêncio.

"Conhece os horários de Lívia. Conhece os trajetos. Conhece os médicos. Conhece o cemitério. E sabia exatamente quando ela faria doze anos."

O celular de Dante vibrou.

Uma mensagem.

Número desconhecido.

Ele abriu.

Uma fotografia apareceu na tela.

Por um segundo, Dante não entendeu o que estava vendo.

Depois seu rosto perdeu a cor.

Era a porta da adega.

A mesma porta fechada atrás deles.

A fotografia havia sido tirada do corredor.

Dante olhou o horário.

Um minuto antes.

Abaixo da imagem havia uma frase.

"Você deveria ter deixado a garota indefesa."

Isabela viu a tela.

Pela primeira vez desde que Dante a conhecia, o controle desapareceu do rosto dela.

"Dante..."

Ele já puxava a arma.

Isabela olhou para a porta.

"Eles já estão dentro da casa."

No segundo seguinte, todas as luzes se apagaram.

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