标题上

"A Empregada Que Treinou a Filha Cega do Chefe da Máfia" Parte 1

正文开头

A chuva caía com força sobre o Jardim Europa quando Dante Montenegro mandou o motorista parar diante dos portões da mansão quase duas horas antes do previsto.

O empresário deveria estar em uma reunião na Faria Lima até depois da meia-noite. Oficialmente, Dante era presidente do Grupo Montenegro, um império de logística, construção e segurança privada.

Mas em São Paulo havia outro nome para homens como ele.

Chefe da máfia.

Dois seguranças desceram primeiro. Dante atravessou a entrada principal ainda tirando o paletó molhado dos ombros quando ouviu um estrondo vindo de algum lugar abaixo da casa.

PÁ!

Ele parou.

Outro impacto.

PÁ!

Dante ergueu os olhos para Bruno Tavares, chefe da segurança da mansão.

"O que foi isso?"

Bruno franziu a testa.

"Não sei, senhor."

O terceiro golpe veio mais forte.

Desta vez, Dante reconheceu a direção.

A adega subterrânea.

Sua mão foi imediatamente para dentro do paletó.

"Comigo."

Os homens atravessaram o corredor, passaram pela cozinha vazia e desceram a escada de pedra que levava ao subsolo.

Quanto mais se aproximavam, mais claros ficavam os sons.

Passos.

Respiração ofegante.

Madeira batendo contra madeira.

Dante abriu a porta da adega com tanta força que ela atingiu a parede.

E congelou.

No centro do espaço, entre fileiras de vinhos caríssimos, havia um grande tapete preto de treinamento que certamente não estava ali na última vez em que ele descera.

Sobre ele estava Lívia.

Sua filha de doze anos.

Descalça.

Com uma calça de moletom cinza, camiseta branca e os cabelos presos em um rabo de cavalo.

Os olhos castanhos permaneciam voltados para um ponto vazio à frente, como sempre acontecia desde que ela nascera sem enxergar.

Nas mãos, porém, Lívia segurava um bastão de treinamento.

Dante viu uma mancha arroxeada no antebraço esquerdo da filha.

Seu sangue ferveu.

Então viu Isabela Oliveira diante dela.

A empregada que havia sido contratada meses antes.

A mulher silenciosa que servia café, organizava quartos, quase nunca fazia perguntas e passava despercebida pela casa inteira.

Agora Isabela não parecia uma empregada.

Os pés estavam afastados.

Os ombros alinhados.

O corpo levemente inclinado.

E havia outro bastão em sua mão.

"Lívia."

A voz de Isabela saiu firme.

"Escuta meu quadril."

Dante não entendeu.

Lívia, porém, ficou completamente imóvel.

Isabela mudou o peso do corpo.

E atacou.

O bastão desceu com violência na direção do ombro da menina.

Dante puxou a arma.

"PARA!"

Lívia se moveu antes que ele terminasse de gritar.

Girou o corpo para a direita.

Levantou o próprio bastão.

PÁ!

Os dois bastões se chocaram com força.

O impacto ecoou pela adega.

Lívia recuou um passo, recuperou o equilíbrio e apontou o bastão exatamente para o peito de Isabela.

Dante ficou sem respirar.

Sua filha não podia ver a mulher à sua frente.

Mesmo assim, havia bloqueado o golpe.

Isabela abaixou a arma de treinamento.

"Melhor."

"Você enlouqueceu?"

A voz de Dante fez Lívia estremecer.

正文1

"Pai?"

Dante atravessou a adega.

"Bruno, tire essa coisa da mão dela."

Lívia puxou o bastão para trás antes que o segurança se aproximasse.

"Não."

Dante parou.

Não estava acostumado a ouvir aquela palavra da filha.

"Lívia."

"Eu consigo guardar sozinha."

Ela caminhou até uma pequena mesa.

Sem tocar nas paredes.

Sem pedir ajuda.

Contou quatro passos, virou ligeiramente à esquerda e colocou o bastão exatamente sobre o suporte.

Dante olhou para Isabela.

"Há quanto tempo isso está acontecendo?"

Isabela não desviou os olhos.

"Alguns meses."

"Meses?"

A palavra explodiu na adega.

Dante apontou para o braço da filha.

"Olhe para isso."

Isabela olhou.

"Eu vi."

"Ela está machucada!"

"Não."

Isabela respondeu sem elevar a voz.

"Estou ensinando como não se machucar."

Dante avançou até ficar a poucos centímetros dela.

"Você acha que isso é algum tipo de jogo?"

"Não."

"Então o que pensa que está fazendo?"

Isabela olhou rapidamente para Lívia.

"Estou ensinando Lívia."

"Ela é cega!"

O silêncio que veio depois foi pesado.

Lívia virou o rosto na direção da voz do pai.

"Eu sei disso."

Dante fechou os olhos por um segundo.

"Não falei com você."

"Mas falou de mim como se eu não estivesse aqui."

Aquilo o atingiu de uma forma inesperada.

Ele passou a mão pelo rosto.

"Lívia, suba."

"Não."

Bruno desviou discretamente o olhar.

Dante endureceu a mandíbula.

"Eu disse para subir."

"E eu disse não."

"Lívia Montenegro."

"Você quer saber há quanto tempo estou treinando?"

Dante não respondeu.

"Quatro meses."

Ela engoliu em seco.

"Quatro meses sem cair quando alguém me empurra. Quatro meses aprendendo a reconhecer passos. Quatro meses descobrindo que consigo fazer coisas que você nunca me deixou tentar."

"Eu não deixei porque quero manter você segura."

Lívia soltou uma risada curta e amarga.

"Segura?"

Ela abriu os braços.

"Nesta casa?"

Dante franziu a testa.

"Você tem tudo aqui."

"É exatamente esse o problema."

Lívia respirou fundo.

"Motorista. Segurança. Professores dentro de casa. Médico dentro de casa. Jardim cercado. Portões fechados."

Sua voz começou a tremer.

"Você chama isso de proteção."

Dante permaneceu imóvel.

"Eu chamo de ser enterrada viva numa casa bonita."

A expressão dele mudou.

"Lívia..."

"Eu tenho doze anos, pai."

Uma lágrima escorreu pelo rosto da menina.

"Não sou um vaso que você precisa colocar numa prateleira para ninguém quebrar."

Dante olhou para o hematoma em seu braço.

"Você poderia se ferir."

"Eu posso me ferir atravessando um corredor."

Ela apontou para Isabela.

"Mas pelo menos agora estou aprendendo o que fazer quando alguém tenta me machucar."

Dante se virou lentamente para a empregada.

"Você colocou essas ideias na cabeça dela."

"Não."

Isabela respondeu.

"Ela já pensava assim antes de eu chegar."

"Você não conhece minha filha."

Isabela sustentou o olhar dele.

"Talvez eu conheça a parte dela que o senhor nunca quis enxergar."

Dante avançou novamente.

Bruno ficou tenso atrás dele.

Pouquíssimas pessoas em São Paulo falavam com Dante Montenegro daquela maneira.

正文2

Menos ainda continuavam de pé depois.

"Pegue suas coisas."

Isabela não se moveu.

"Não."

Dante quase sorriu de incredulidade.

"Você não entendeu."

Ele falou devagar.

"Você está demitida."

Isabela respirou fundo.

"Não, senhor Montenegro."

A adega ficou em silêncio.

"Não estou."

Os olhos de Dante escureceram.

"Quer descobrir o que acontece quando alguém me desafia dentro da minha própria casa?"

Isabela não recuou.

"Quero impedir que descubra o que acontece quando alguém chega até sua filha."

Dante encarou a mulher.

"Do que você está falando?"

"Da razão pela qual eu a estou treinando."

"Não existe razão."

"Existe."

"Lívia é uma criança."

"Sim."

"Ela não tem nada a ver com os meus negócios."

Isabela inclinou levemente a cabeça.

"Não?"

Dante deu um passo à frente.

"Escolha muito bem suas próximas palavras."

Isabela olhou para Lívia.

Depois voltou a encará-lo.

"Porque sua filha não é apenas uma menina."

Ela fez uma pausa.

"Ela é sua herdeira."

O rosto de Dante mudou.

Bruno também ficou imóvel.

Lívia apertou os dedos.

"Minha filha não tem nada a ver com meus inimigos."

Isabela respondeu quase num sussurro.

"Seus inimigos não pensam assim."

Dante sentiu o estômago se contrair.

"Quem falou com você?"

"Ninguém."

"Quem mandou você entrar nesta casa?"

Isabela ficou em silêncio.

Dante agarrou seu pulso.

"Responda."

Ela não demonstrou medo.

Em vez disso, levou a outra mão até o pescoço.

Puxou de dentro da camiseta uma corrente fina de prata.

Dante soltou seu braço.

Na ponta da corrente havia um pequeno pingente oval.

Um círculo atravessado por três linhas delicadas.

O mundo pareceu parar.

Dante conhecia aquele símbolo.

Sete anos antes, depois do enterro de Helena, ele passara horas sentado no quarto da esposa, segurando cada objeto que ela deixara para trás.

Perfumes.

Cartas.

Fotografias.

Joias.

E, no fundo de uma caixa de madeira, havia um desenho idêntico àquele.

Dante ergueu os olhos lentamente.

"De onde você tirou isso?"

Isabela fechou os dedos sobre o pingente.

Sua voz saiu baixa.

"Foi sua esposa quem me deu."

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部