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"A Empregada Que Destruiu O Brinde" Parte 8

正文开头

Henrique não tirava os olhos da imagem congelada no notebook.

Helena Montenegro estava diante da porta do escritório de Augusto, tarde da noite, segurando um dispositivo pequeno na mão.

Não havia como negar.

"Minha mãe."

A voz dele saiu quase sem força.

Augusto permaneceu em pé atrás da mesa.

Isabela percebeu que ele também estava abalado.

Rafael fechou o notebook.

"Precisamos falar com ela."

Henrique levantou a cabeça.

"Agora."

Helena estava na mansão quando chegaram.

Sentada na biblioteca.

Sozinha.

Quando viu Rafael entrar acompanhado de Henrique, Augusto, Isabela e Bruno, entendeu imediatamente.

"Vocês encontraram as câmeras."

Henrique parou no meio da sala.

"Então é verdade."

Helena não tentou fingir surpresa.

"Eu estive na empresa naquela noite."

Henrique riu sem humor.

"Você fala isso como se tivesse esquecido uma bolsa no escritório."

Helena levantou-se.

"Henrique..."

"Você entrou escondida."

"Eu tinha acesso."

"Entrou na minha sala."

"Sim."

"Depois na sala do meu pai."

"Sim."

Henrique apertou os punhos.

"E copiou arquivos."

Helena ficou em silêncio.

Rafael deu um passo à frente.

"Helena, precisamos saber exatamente o que você levou."

Ela olhou para ele.

"Documentos."

"Quais?"

"Contratos antigos."

"Registros financeiros."

"Arquivos ligados aos Ferraz."

Henrique perdeu a paciência.

"Para entregar ao Marcelo?"

Helena virou o rosto rapidamente.

"Não."

"Então para quê?"

"Para descobrir o que ele estava fazendo."

Henrique ficou imóvel.

Augusto franziu a testa.

"Do que você está falando?"

Helena respirou fundo.

"Eu venho investigando Marcelo há seis meses."

A frase mudou o ar da sala.

Isabela observou o rosto de Henrique.

A raiva ainda estava ali.

Mas agora havia confusão.

"Seis meses?"

"Sim."

"Por quê?"

Helena respondeu sem hesitar.

"Porque você começou a passar mal."

Henrique não disse nada.

Ela continuou.

"No começo achei que fosse estresse."

"Depois veio a segunda crise."

"E depois a terceira."

Isabela sentiu o peito apertar.

Henrique encarou a mãe.

"Mas quando Isabela tentou avisar você..."

"Eu já estava desconfiada."

Henrique ficou pálido.

"Então você mentiu para ela."

Helena baixou os olhos.

"Sim."

Isabela sentiu uma mistura de raiva e incredulidade.

"Você me mandou não me meter."

Helena olhou para ela.

"Porque eu não sabia em quem confiar."

"Nem em mim?"

"Principalmente em ninguém que pudesse demonstrar que eu estava desconfiada."

Isabela deu um passo à frente.

"Você podia ter me chamado em particular."

"Eu podia."

"Mas não chamou."

"Não."

Henrique interferiu.

"Por que tanto segredo?"

Helena demorou alguns segundos.

"Porque eu já tinha começado a olhar para Marcelo."

Augusto fechou a expressão.

"Por quê?"

"Porque ele estava pressionando para acelerar o casamento."

Henrique franziu a testa.

"Isso você também queria."

"Eu queria no começo."

Helena olhou para o filho.

"Eu nunca vou negar isso."

"Eu apoiei o casamento por interesse do grupo."

Henrique endureceu.

"Já ficou bem claro."

"Mas depois alguma coisa mudou."

Helena se aproximou.

"Marcelo começou a pedir acesso a informações que não tinham relação com a união de vocês."

"Informações sobre o conselho."

正文1

"Sobre suas ações."

"Sobre procurações."

"Sobre mecanismos de substituição em caso de afastamento."

Henrique sentiu um arrepio.

"E você não achou isso estranho antes?"

"Eu achei."

"Mas já estávamos comprometidos financeiramente com os Ferraz."

Augusto olhou para ela.

"Você devia ter me contado."

Helena virou-se.

"Contado o quê?"

"Que eu desconfiava do homem que você chamava de parceiro há vinte anos?"

Augusto ficou em silêncio.

Helena continuou.

"Você teria feito exatamente o que sempre faz."

"Pedido prova."

"E eu não tinha."

Isabela percebeu o golpe.

Augusto também.

A história de Paulo Oliveira estava presente naquela frase.

Henrique perguntou:

"Foi por isso que você entrou na empresa?"

"Sim."

"Para procurar prova?"

"Sim."

Rafael cruzou os braços.

"E o certificado digital?"

Helena ficou séria.

"Eu não copiei certificado nenhum."

Todos ficaram em silêncio.

Bruno franziu a testa.

"A câmera mostra você entrando na sala do senhor Augusto."

"Eu entrei."

"Mas não toquei no certificado."

Rafael perguntou:

"Então quem fez a transferência?"

"Eu não sei."

Henrique bateu a mão na mesa.

"De novo isso."

Helena encarou o filho.

"Você acha que eu transferiria trinta e dois milhões para uma conta ligada ao Marcelo?"

"Eu já não sei do que você é capaz."

A frase atingiu Helena.

Ela desviou o olhar por um instante.

Depois caminhou até uma estante.

Retirou um livro grosso.

Por trás dele havia uma pequena caixa metálica.

Augusto franziu a testa.

"O que é isso?"

Helena abriu.

De dentro, tirou um pen drive.

"Foi por isso que eu entrei na empresa."

Rafael se aproximou.

"O que tem aí?"

"Arquivos que encontrei em cópias antigas do servidor."

Henrique olhou para ela.

"De quando?"

"Alguns têm mais de vinte anos."

Isabela sentiu o coração acelerar.

"Do período do meu pai?"

Helena assentiu.

"Sim."

Augusto ficou visivelmente tenso.

"Helena..."

Ela entregou o dispositivo a Rafael.

"Eu encontrei referências ao nome de Paulo Oliveira."

Isabela quase perdeu o ar.

"O quê?"

"Seu pai estava rastreando operações muito maiores do que um simples desvio."

Rafael conectou o pen drive a um notebook isolado.

Vários arquivos apareceram.

Planilhas.

Contratos.

Empresas.

Contas.

Henrique se aproximou.

"Isso tudo é do Grupo Montenegro?"

"Alguns documentos, sim", respondeu Helena.

"Outros são de empresas intermediárias."

Rafael abriu uma das planilhas.

Os valores atravessavam várias companhias.

Entravam em uma.

Saíam para outra.

Mudavam de país.

Voltavam por meio de novos contratos.

Isabela olhou para Helena.

"Meu pai descobriu isso?"

"Parte disso."

"Então ele não estava investigando só roubo."

"Não."

Helena apontou para a tela.

"Era uma rede."

"Dinheiro do grupo era retirado por contratos falsos."

"Depois passava por empresas de fachada."

"E voltava como investimento aparentemente legítimo."

Rafael ficou sério.

"Isso é lavagem."

Helena assentiu.

"E também apropriação de patrimônio."

Augusto parecia cada vez mais pálido.

Henrique percebeu.

"Pai?"

Augusto não respondeu.

Isabela abriu outro arquivo.

O sobrenome Ferraz aparecia várias vezes.

Marcelo não estava sozinho.

Havia procuradores.

Sócios.

Empresas ligadas a terceiros.

Isabela sentiu lágrimas nos olhos.

"Meu pai tentou denunciar isso."

Helena respondeu:

"Sim."

"E foi destruído por causa disso."

Ninguém teve coragem de negar.

Isabela fechou os olhos por um instante.

Henrique se aproximou dela.

Dessa vez, não tocou.

A distância entre os dois ainda existia.

Mas já não havia frieza.

"Continua olhando", disse Rafael.

Eles passaram para contratos digitalizados.

Um deles tinha mais de vinte anos.

Era uma operação de compra de terrenos no litoral.

Outro envolvia uma empresa criada pouco antes de receber milhões do Grupo Montenegro.

Em ambos, aparecia uma sequência de autorizações.

Isabela parou numa página.

"Esse nome."

Henrique olhou.

"Marcelo Ferraz."

Rafael assentiu.

"Ele aparece como intermediário."

Isabela passou para a página seguinte.

Ali havia a autorização final.

Uma assinatura digitalizada.

Augusto deu um passo para trás.

Helena fechou os olhos.

Henrique percebeu a reação dos dois.

"O que foi?"

Ninguém respondeu.

Henrique puxou o notebook para perto.

Leu o nome abaixo da assinatura.

Ficou imóvel.

"Não."

Augusto baixou a cabeça.

Henrique olhou para o pai.

"Me diz que isso é falso."

Augusto não respondeu.

Isabela aproximou-se.

Agora ela também via.

O documento que autorizara uma das operações centrais da rede investigada por Paulo Oliveira não terminava com o nome de Marcelo Ferraz.

Terminava com outro.

Augusto Montenegro.

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