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"A Empregada Que Destruiu O Brinde" Parte 7

正文开头

A notícia do desaparecimento de Vitória se espalhou antes do meio-dia.

Em poucas horas, os portais de São Paulo já estampavam fotos do casamento interrompido ao lado da palavra mais óbvia.

Fuga.

Henrique desligou a televisão com raiva.

"Ela sabia que iam descobrir mais coisas."

Rafael estava de pé diante da janela do apartamento.

"É uma possibilidade."

"Não é uma possibilidade."

Henrique se virou.

"Ela deixou uma mensagem dizendo que estamos investigando a pessoa errada e desapareceu logo depois."

Augusto permaneceu em silêncio.

Isabela estava sentada mais afastada, com o caderno de Paulo sobre o colo.

Desde que o sobrenome Ferraz aparecera nos documentos antigos, ela sentia que o caso do pai e o casamento de Henrique estavam ligados por algo muito maior.

Rafael guardou o celular.

"A equipe está procurando Vitória."

Henrique riu sem humor.

"Ótimo."

"Mas eu preciso que ninguém faça nada sozinho."

Isabela levantou os olhos.

"Isso foi para mim?"

"Foi para todos."

O telefone dela vibrou.

Número desconhecido.

Isabela quase ignorou.

Então viu que havia um arquivo de vídeo anexado.

Seu coração acelerou.

"Rafael."

Ele se aproximou.

"O que foi?"

Ela virou a tela.

"Acabei de receber isso."

Henrique levantou-se imediatamente.

"De quem?"

"Não sei."

Rafael pegou o aparelho.

"Não abre ainda."

Ele chamou um agente e pediu que o arquivo fosse copiado e analisado.

Minutos depois, confirmaram que o vídeo não continha nada que pudesse comprometer o aparelho.

Rafael apertou o play.

Vitória apareceu na tela.

Henrique sentiu o corpo inteiro endurecer.

Ela estava completamente diferente da mulher que havia atravessado o altar vestida de branco.

O cabelo estava preso de qualquer jeito.

O rosto sem maquiagem parecia cansado.

Atrás dela havia uma parede simples, impossível de identificar.

Vitória olhava diretamente para a câmera.

"Se vocês estão vendo isso, é porque eu não posso voltar."

Henrique aproximou-se da tela.

Vitória respirou fundo.

"Eu coloquei a substância nas bebidas do Henrique."

Ninguém falou.

"Eu sei que não existe desculpa para isso."

"Mas eu preciso contar como começou."

Isabela apertou as mãos.

Vitória continuou.

"Meu pai me entregou os primeiros comprimidos quase dois meses atrás."

Augusto franziu a testa.

"Marcelo."

No vídeo, Vitória parecia lutar contra o próprio choro.

"Ele disse que Henrique estava tendo crises de ansiedade e que o médico dele tinha autorizado uma dose pequena."

Henrique balançou a cabeça.

"Mentira."

Rafael fez um gesto para que ele deixasse o vídeo continuar.

"Eu perguntei por que Henrique não podia saber."

"Meu pai disse que ele se recusava a admitir que precisava de ajuda."

Vitória engoliu em seco.

"No começo, eu acreditei."

Henrique fechou os olhos por um segundo.

Era absurdo.

Mas ele conhecia Marcelo.

Sabia como o homem falava.

Com autoridade.

Com a certeza de quem nunca parecia estar pedindo nada.

Vitória continuou.

"Na primeira vez, Henrique só ficou sonolento."

"Na segunda, passou mal."

A voz dela começou a falhar.

"Na terceira, eu soube que aquilo não era normal."

正文1

Isabela sentiu um arrepio.

Henrique abriu os olhos.

"Ela sabia."

A frase saiu baixa.

"Na terceira vez, ela sabia."

Rafael não respondeu.

No vídeo, Vitória passou a mão pelo rosto.

"Eu procurei um médico por conta própria."

"Mostrei o nome da substância."

"E ele disse que aquilo nunca deveria estar sendo dado daquela forma."

Henrique deu um passo para trás.

"Então por que ela continuou?"

A resposta veio segundos depois.

"Eu tentei parar."

Vitória olhou para baixo.

"Falei para meu pai que não faria mais nada."

"Ele ficou furioso."

A sala inteira parecia prender a respiração.

"Foi quando ele me contou sobre o acordo."

Augusto ficou imóvel.

Vitória continuou.

"Ele disse que meu casamento com Henrique não podia ser cancelado."

"Disse que havia dinheiro demais envolvido."

"E que, se eu recuasse, ele destruiria minha vida junto com a dos Montenegro."

Henrique virou-se para Augusto.

"O que ela está falando?"

Augusto não respondeu.

No vídeo, Vitória começou a chorar.

"Meu pai disse que existia uma história antiga."

"Uma história de vinte anos atrás."

Isabela sentiu o coração bater mais forte.

"Uma história que ligava os Ferraz aos Montenegro."

Agora todos olhavam para a tela.

"Ele disse que tinha documentos."

"Disse que, se o casamento não acontecesse, faria tudo vir a público."

Augusto empalideceu.

Henrique percebeu.

"Você sabe do que ela está falando."

Augusto balançou a cabeça.

"Não dessa forma."

"Mas sabe alguma coisa."

"Henrique, deixa terminar."

Vitória continuou.

"Eu estava com medo."

"Do meu pai."

"Do escândalo."

"De perder tudo."

A voz dela endureceu.

"Eu fiz coisas que não deveria ter feito."

"Não estou pedindo perdão."

"Mas vocês precisam entender uma coisa."

Ela se aproximou da câmera.

"Meu pai não queria apenas o casamento."

"Ele queria acesso ao Grupo Montenegro."

Henrique franziu a testa.

Vitória respirou fundo.

"E alguém de dentro estava ajudando ele."

O vídeo terminou.

Silêncio.

Isabela foi a primeira a falar.

"Ela disse alguém de dentro."

Rafael pegou o telefone.

"Eu ouvi."

Henrique olhou para Augusto.

"Quem?"

"Eu não sei."

"Pai."

"Eu não sei."

Henrique ficou transtornado.

"Minha esposa estava me drogando."

"Meu sogro pode estar ligado ao caso do pai da Isabela."

"E agora descubro que alguém da minha própria empresa estava ajudando os Ferraz."

Augusto fechou os olhos.

"Eu vou abrir os registros."

Rafael assentiu.

"Todos."

A investigação avançou durante a tarde.

Transferências bancárias antigas foram cruzadas com operações recentes.

Empresas controladas pelos Ferraz apareceram em contratos de consultoria, fundos e holdings no exterior.

Então surgiu uma operação feita quarenta e oito horas antes do casamento.

Rafael colocou o extrato sobre a mesa.

Henrique leu.

"Quanto?"

"Trinta e dois milhões de reais."

Isabela arregalou os olhos.

"Saíram de onde?"

"De uma subsidiária do Grupo Montenegro."

Augusto puxou o papel.

"Isso precisava de autorização interna."

"Precisava."

"Quem autorizou?"

Rafael apontou para a assinatura digital.

"Foi feita usando credenciais ligadas à presidência."

Augusto empalideceu.

"Eu não fiz isso."

Henrique ficou sério.

"Alguém usou seu acesso?"

"Talvez."

Rafael balançou a cabeça.

"Não foi só senha."

"Também copiaram um certificado digital que ficava num computador restrito."

Henrique franziu a testa.

"Qual computador?"

"O da minha sala", respondeu Augusto.

Bruno, que acompanhava a conversa, finalmente falou.

"Tem câmera naquele corredor."

Todos olharam para ele.

Augusto perguntou:

"Você consegue recuperar as imagens?"

"Se ninguém apagou."

Bruno deixou a sala.

Voltou quase quarenta minutos depois com um notebook.

"Encontrei."

Ele colocou o equipamento sobre a mesa.

A gravação era de três noites antes do casamento.

O corredor da sede do Grupo Montenegro, na Faria Lima, estava vazio.

Marcava 23h47.

Henrique se aproximou.

Uma figura apareceu no elevador.

Entrou sozinha.

Usava casaco escuro.

Caminhou diretamente até a área executiva.

"Volta."

Bruno retrocedeu o vídeo.

Henrique observou novamente.

"Amplia."

A imagem perdeu qualidade, mas o rosto ficou visível.

Augusto parou de respirar.

Isabela levou a mão à boca.

"Não pode ser."

A pessoa passou pelo corredor.

Abriu a sala de Henrique com o próprio cartão de acesso.

Ficou lá dentro por quase vinte minutos.

Quando saiu, carregava um pequeno dispositivo na mão.

Bruno abriu outra câmera.

A mesma pessoa entrou na sala de Augusto.

Poucos minutos depois, saiu.

Henrique estava completamente imóvel.

"Ela copiou os arquivos."

Bruno assentiu.

"Provavelmente."

Augusto olhava para a tela como se não reconhecesse a própria vida.

Henrique finalmente falou.

"Mostra o rosto de novo."

Bruno pausou.

A imagem congelou.

Não havia dúvida.

A pessoa que entrara escondida no Grupo Montenegro naquela noite não era Marcelo.

Não era Vitória.

Era Helena Montenegro.

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