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"A Empregada Que Destruiu O Brinde" Parte 4

正文开头

Henrique atravessou a entrada da mansão dos Montenegro pouco depois das sete da noite.

Não cumprimentou os seguranças.

Não tirou o paletó.

Subiu os degraus de mármore com o contrato pré-nupcial apertado na mão e entrou na sala onde Helena estava sentada diante de uma xícara de café que já havia esfriado.

"Por quê?"

Helena levantou os olhos.

Henrique jogou o documento sobre a mesa.

As folhas deslizaram até parar diante dela.

"Quero ouvir da sua boca."

Helena reconheceu imediatamente a página aberta.

Não demonstrou surpresa.

Isso irritou Henrique ainda mais.

"Você sabia."

"Henrique..."

"Você sabia daquela cláusula."

Helena permaneceu sentada.

"Eu sabia que ela existia."

Henrique soltou uma risada amarga.

"Não."

Ele apontou para a assinatura.

"Você pediu para colocarem isso aqui."

Helena respirou fundo.

"Eu pedi."

A resposta atingiu Henrique como um golpe.

Por algum motivo, uma parte dele ainda esperava que fosse um erro.

Uma assinatura digital equivocada.

Uma autorização administrativa usada fora de contexto.

Qualquer coisa.

Mas Helena não negou.

Henrique caminhou até a janela e voltou.

"Você deu à Vitória a possibilidade de controlar minhas ações caso eu ficasse incapaz."

"Não era tão simples."

"Então explica."

Helena se levantou.

"Naquele momento, estávamos tentando proteger o grupo."

Henrique ficou olhando para ela.

"Proteger de quem?"

"De uma crise que você nem sabia que existia."

Augusto apareceu na entrada da sala.

"Helena."

Ela virou o rosto.

"Não."

Augusto entrou.

"Não faça isso."

"Já passou da hora."

Henrique olhou para o pai.

"Você sabia também?"

Augusto não respondeu imediatamente.

Foi suficiente.

Henrique deu um passo para trás.

"Meu Deus."

"Henrique, escuta."

"Vocês dois."

Ele olhou de um para o outro.

"Vocês dois estavam decidindo minha vida sem me contar."

Helena ergueu o queixo.

"Estávamos tentando impedir que milhares de pessoas perdessem o emprego."

Henrique franziu a testa.

"Do que você está falando?"

Helena caminhou até um armário e retirou uma pasta.

Colocou-a sobre a mesa.

"Dezoito meses atrás, o Grupo Montenegro começou a enfrentar um problema de liquidez."

Henrique não tocou nos documentos.

"Eu participava das reuniões do conselho."

"Não de todas."

"Como assim?"

Augusto passou a mão pelo rosto.

Helena abriu a pasta.

"Dois projetos imobiliários atrasaram. Uma operação no Nordeste perdeu financiamento. E uma dívida de curto prazo venceu antes de conseguirmos refinanciar."

Henrique olhou para o pai.

"Quanto?"

Augusto respondeu:

"Na pior semana, quase quatrocentos milhões de reais."

Henrique ficou imóvel.

"E ninguém me contou?"

"Estávamos negociando uma solução", disse Augusto.

"Eu era diretor executivo."

"Você também era meu filho."

Henrique bateu a mão na mesa.

"Isso não é proteção."

A voz dele tremeu de raiva.

"Isso é mentira."

Helena se aproximou.

"Os Ferraz tinham o que precisávamos."

"Dinheiro?"

"Capital."

"E influência."

Henrique encarou a mãe.

Helena continuou.

"Marcelo Ferraz tinha acesso a fundos de investimento, bancos e empresários dispostos a entrar numa operação que ninguém mais queria tocar naquele momento."

Henrique começou a entender.

正文1

E desejou não entender.

"Vitória."

Helena permaneceu em silêncio.

"Foi por isso que você começou a empurrar Vitória para mim?"

"Eu não empurrei ninguém."

Henrique riu.

"Você convidava ela para jantar toda semana."

"Vocês já se conheciam."

"Você organizava viagens."

"Vocês gostavam um do outro."

"Você dizia que ela era a única mulher que entendia a responsabilidade de carregar um sobrenome como o nosso."

Helena perdeu a paciência.

"E era mentira?"

Henrique olhou para ela com incredulidade.

"Então você vendeu meu casamento?"

A pergunta cortou a sala.

Augusto fechou os olhos.

Helena não recuou.

"Não seja infantil."

Henrique ficou paralisado.

"Infantil?"

"Você acha que seu pai construiu tudo isso com amor?"

Ela abriu os braços, indicando a mansão.

"Você acha que empresas desse tamanho sobrevivem porque todo mundo faz apenas aquilo que deseja?"

Henrique aproximou-se da mãe.

"Estamos falando da minha vida."

"Estamos falando de uma empresa com milhares de funcionários."

"Então eu era o preço?"

Helena não respondeu.

Henrique percebeu.

"Eu era."

Augusto interferiu.

"Não foi assim."

Henrique se virou.

"Então como foi?"

Augusto tentou falar, mas as palavras não vieram.

Henrique apontou para o contrato.

"Vocês fizeram um acordo."

"Não houve acordo de casamento", disse Augusto.

"Mas houve interesse."

Silêncio.

Henrique olhou novamente para Helena.

"E a cláusula?"

Helena respirou fundo.

"Marcelo queria garantias de estabilidade."

"Estabilidade?"

"Se alguma coisa acontecesse com você depois do casamento, os Ferraz não queriam que a participação ligada à nova estrutura ficasse paralisada por meses."

Henrique ficou pálido.

"Você ouviu o que acabou de dizer?"

Helena percebeu tarde demais.

"Henrique..."

"Se alguma coisa acontecesse comigo."

"Era uma previsão jurídica."

"E semanas depois alguém começou a colocar substâncias nas minhas bebidas."

"Eu não sabia disso."

Henrique a encarou.

"Mas Isabela tentou avisar."

Helena desviou o olhar.

"Ela não tinha provas."

"E você preferiu proteger o casamento."

"Eu preferi não destruir uma aliança empresarial por causa de uma suspeita."

Henrique balançou a cabeça.

"Você quase protegeu essa aliança até ela me destruir."

Helena perdeu a firmeza por um instante.

"Eu nunca permitiria que alguém machucasse você."

"Mas permitiu."

A voz de Henrique baixou.

"E isso é o pior."

Helena tentou segurar seu braço.

Henrique se afastou.

"Não."

"Henrique, eu sou sua mãe."

"Hoje isso não significa o que significava ontem."

Helena empalideceu.

Ele deixou a sala.

Augusto chamou seu nome.

Henrique não voltou.

No andar de serviço, Isabela fechava uma mala pequena.

Tinha dobrado seus uniformes e deixado todos sobre a cama.

Não levaria nenhum.

Aquele uniforme tinha sido sua vida durante anos.

Agora, olhar para ele fazia seu rosto arder no mesmo lugar em que Vitória a havia atingido.

Bruno apareceu à porta.

"Você vai embora?"

"Vou."

"Augusto não mandou você sair."

"Não estou esperando ele mandar."

Bruno entrou.

"E o Henrique?"

Isabela fechou a mala.

"Ele está vivo."

"Graças a você."

"Meu trabalho acabou."

Ela pegou a bolsa.

"Não quero estar aqui quando essa família começar a procurar alguém para culpar."

正文2

Isabela desceu pela entrada lateral.

Já estava atravessando o jardim quando ouviu passos atrás dela.

"Espera."

Henrique.

Ela continuou.

Ele acelerou.

"Por favor."

Isabela parou.

Henrique chegou até ela ainda transtornado pela discussão com a mãe.

Viu a mala.

"Você está indo embora."

"Sim."

"Por quê?"

"Porque não tenho mais motivo para ficar."

Henrique respirou fundo.

"Você salvou minha vida e vai simplesmente desaparecer?"

"Eu fiz o que qualquer pessoa deveria fazer."

"Não."

Ele se aproximou.

"Trezentas pessoas estavam naquele salão."

"Eu sei."

"Empresários. Amigos. Parentes."

Henrique olhou diretamente para ela.

"Ninguém viu nada."

Isabela ficou em silêncio.

"Você viu."

Ela apertou a alça da mala.

Henrique continuou.

"Você enfrentou minha esposa."

"Ex-esposa, imagino."

Ele quase sorriu.

Mas não conseguiu.

"Você enfrentou minha família."

Isabela desviou o olhar.

"Não quero agradecimento."

"Não estou agradecendo."

Henrique hesitou.

Então fez a pergunta que vinha tentando entender desde o casamento.

"Por que você arriscou tudo por mim?"

Isabela levantou os olhos.

A pergunta pareceu atingi-la de um jeito diferente.

Ela poderia dizer que era porque ele sempre a tratara com respeito.

Poderia dizer que não suportaria assistir alguém ser ferido.

Poderia dizer que simplesmente fez o certo.

Mas nenhuma dessas respostas era completa.

"Boa noite, Henrique."

Ela virou-se.

Ele não tentou impedir.

Isabela saiu pelo portão carregando a mala.

Quase uma hora depois, chegou à pequena casa onde sua mãe morava, na Vila Mariana.

Dona Lúcia estava na sala.

A televisão estava ligada.

Na tela, uma reportagem mostrava imagens da mansão Montenegro.

"Casamento de herdeiro termina em investigação após vídeo gravado por funcionária."

Isabela fechou a porta.

"Mãe?"

Lúcia se virou.

Quando viu a filha, perdeu completamente a cor.

"Isabela."

Ela se levantou depressa.

"Por que você não me contou?"

"Contar o quê?"

"Que ainda estava trabalhando para eles."

Isabela franziu a testa.

"Você sabia que eu trabalhava no Jardim Europa."

"Eu não sabia que era para os Montenegro."

Isabela parou.

Lúcia olhou para a televisão.

Uma fotografia de Augusto apareceu na tela.

A xícara que ela segurava escapou de sua mão.

Caiu no chão.

"Mãe!"

Isabela correu até ela.

Lúcia segurou os braços da filha com força.

"Você precisava ficar longe daquela família."

Isabela nunca tinha visto aquele medo nos olhos da mãe.

"Por quê?"

Lúcia começou a chorar.

"Porque eles já destruíram nossa família uma vez."

Isabela sentiu o corpo gelar.

"Do que você está falando?"

Lúcia olhou novamente para Augusto na televisão.

Depois encarou a filha.

"Seu pai não morreu apenas por causa de uma doença."

Isabela parou de respirar.

Lúcia apertou as mãos dela.

"Antes de você crescer, seu pai trabalhou para o Grupo Montenegro."

E tudo o que Isabela acreditava saber sobre sua própria família começou a desmoronar.

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