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"A Empregada Que Destruiu O Brinde" Parte 3

正文开头

Vitória Ferraz passou a manhã seguinte em uma sala reservada da Polícia Civil, acompanhada por dois advogados da família.

Ela ainda usava o cabelo preso do casamento, mas o vestido branco havia sido substituído por um conjunto bege impecável, como se a elegância pudesse apagar tudo o que acontecera na véspera.

Rafael Almeida entrou carregando uma pasta.

Vitória ergueu os olhos.

"Já expliquei tudo."

Rafael sentou-se diante dela.

"Então explique de novo."

Vitória soltou o ar, irritada.

"O vídeo é verdadeiro."

Um dos advogados virou o rosto para ela.

Rafael não demonstrou surpresa.

"Você admite que colocou a substância na bebida do Henrique?"

"Admito."

O silêncio se instalou na sala.

Vitória cruzou as mãos sobre a mesa.

"Mas não era veneno."

Rafael abriu a pasta.

"O laboratório encontrou uma substância que não deveria estar naquele copo."

"Era um medicamento."

"Prescrito por quem?"

Vitória hesitou por menos de um segundo.

"Por um médico."

"Qual médico?"

"Um médico que acompanha o Henrique."

Rafael se inclinou para frente.

"Nome."

Vitória apertou os lábios.

"Eu não lembro agora."

Rafael soltou uma risada curta.

"Você colocou um medicamento escondido na bebida do seu marido, durante o casamento, mas não lembra quem autorizou?"

"Eu estava nervosa."

"Você parecia muito calma no vídeo."

Vitória endureceu.

Do outro lado da cidade, Henrique estava sentado na sala de reuniões do escritório jurídico que cuidava dos interesses do Grupo Montenegro.

Isabela permanecia no corredor.

Ela não deveria participar daquela conversa.

Mesmo assim, Henrique havia pedido que não fosse embora.

Mariana Prado, advogada da família, colocou três documentos sobre a mesa.

"Eu pedi uma revisão completa de tudo o que foi assinado nos últimos seis meses."

Henrique olhou para ela.

"E?"

Mariana respirou fundo.

"Não encontrei nenhuma prescrição que autorize Vitória a administrar qualquer substância a você."

Henrique já esperava aquela resposta.

Ainda assim, doeu.

"E o meu médico?"

"Também negou."

Augusto, sentado ao lado do filho, bateu os dedos na mesa.

"Então ela mentiu."

Mariana assentiu.

"Sim."

Henrique se levantou.

Caminhou até a janela.

A Avenida Faria Lima estava movimentada lá embaixo.

Carros, motos, executivos, entregadores.

A cidade continuava funcionando como se sua vida não tivesse explodido.

"Eu dormi ao lado dela."

A voz saiu baixa.

Augusto abaixou os olhos.

Henrique continuou.

"Eu confiei nela."

Mariana não respondeu.

"Ela perguntava sobre meus exames."

Henrique virou-se.

"Ela queria saber quando eu estava cansado, quando estava tomando remédio, quando tinha reunião."

Augusto ergueu a cabeça.

"Henrique..."

"Eu achava que era preocupação."

A porta se abriu.

Rafael entrou.

Henrique percebeu imediatamente que havia novidades.

"E então?"

Rafael fechou a porta.

"Vitória admite que colocou a substância no copo."

Augusto se levantou.

"Ela admitiu?"

"Sim."

Henrique ficou imóvel.

"E disse por quê?"

Rafael deixou a pasta sobre a mesa.

"Segundo ela, era um medicamento autorizado."

Mariana franziu a testa.

"Isso é impossível."

"Eu sei."

Henrique olhou para Rafael.

"Ela deu o nome do médico?"

正文1

"Não."

"Claro que não."

Henrique bateu a mão na mesa.

"Ela estava tentando me deixar doente."

Augusto se aproximou.

"Calma."

Henrique virou-se com raiva.

"Não me pede calma."

Sua voz ecoou pela sala.

"Alguém vem colocando uma substância no meu corpo há semanas."

Ele apontou para os documentos.

"E essa pessoa dormia ao meu lado."

Augusto não respondeu.

Mariana esperou alguns segundos.

Depois abriu uma nova pasta.

"Existe outra coisa."

Henrique olhou para ela.

"O quê?"

"Eu revisei o contrato pré-nupcial."

Augusto franziu a testa.

"Isso não tem relação com a investigação."

"Talvez tenha."

Mariana puxou uma cópia.

"Há uma cláusula específica sobre incapacidade."

Henrique voltou para a mesa.

"Que cláusula?"

Mariana apontou para uma página.

"Em caso de incapacidade temporária ou permanente que impeça Henrique de exercer suas funções executivas, o cônjuge poderá, mediante determinadas condições, representar parte de seus interesses patrimoniais."

Henrique pegou o documento.

Leu.

Depois releu.

"Eu assinei isso?"

"Assinou."

"Eu não lembro dessa parte."

Mariana assentiu.

"Porque ela está escondida no anexo societário."

Augusto puxou o papel.

"Isso não é incomum."

Mariana olhou para ele.

"Não é comum desse jeito."

Henrique levantou os olhos.

"Explica."

"A cláusula dá ao cônjuge acesso temporário a direitos de voto vinculados às ações pessoais do Henrique."

Augusto ficou sério.

"Quanto?"

"Dependendo da situação, o suficiente para influenciar decisões estratégicas."

Henrique sentiu um arrepio.

"Influenciar como?"

Mariana fechou a pasta.

"Conselho."

"Venda de ativos."

"Nomeação de executivos."

Augusto permaneceu em silêncio.

Henrique olhou para o pai.

"Quanto vale minha participação?"

Augusto respondeu devagar.

"Hoje?"

"Hoje."

"Alguns bilhões."

A palavra pareceu pesar no ar.

Henrique se afastou da mesa.

Mariana continuou.

"Se você ficasse incapaz de administrar seus próprios interesses, Vitória poderia assumir parte dessa representação."

Henrique olhou para Rafael.

"Então ela não precisava me matar."

Ninguém respondeu.

Ele entendeu antes de todos dizerem.

"Ela só precisava me deixar incapaz."

Rafael manteve o rosto sério.

"Essa é uma hipótese."

Henrique riu sem humor.

"Uma hipótese?"

Mariana tentou conter a tensão.

"Ainda precisamos provar intenção."

Henrique virou-se para ela.

"Quantas vezes alguém precisa colocar uma substância escondida na bebida de outra pessoa para vocês chamarem isso de intenção?"

Augusto levantou-se.

"Henrique."

"Ela queria meu lugar."

"Não sabemos disso."

"Então o que sabemos?"

Augusto permaneceu calado.

Henrique apontou para o contrato.

"Ela se casa comigo."

"Eu fico doente."

"Ela ganha poder sobre minhas ações."

Ele respirou com dificuldade.

"É isso que estava acontecendo?"

Mariana falou com cautela.

"Pode ser."

Henrique ficou parado por alguns segundos.

Depois perguntou:

"Quem escreveu essa cláusula?"

Mariana hesitou.

"Estou verificando."

"Verifica agora."

Ela assentiu.

Enquanto Mariana acessava os registros digitais do escritório, Isabela observava tudo pela porta entreaberta.

Henrique percebeu.

"Entra."

Ela hesitou.

"Não quero atrapalhar."

"Você já sabe mais sobre isso do que eu."

Isabela entrou devagar.

Henrique olhou para ela.

"Você alguma vez ouviu Vitória falar sobre a empresa?"

Isabela pensou.

"Sim."

"Sobre o quê?"

"Ela perguntava muito sobre suas reuniões."

"Que tipo de pergunta?"

"Quem estava no conselho."

Henrique franziu a testa.

Isabela continuou.

"Quem votava com o senhor Augusto."

"E quem votava contra."

Augusto se virou.

"Você ouviu isso?"

"Mais de uma vez."

Henrique sentiu o estômago apertar.

"Por que ela perguntaria isso para você?"

Isabela balançou a cabeça.

"Ela não perguntava para mim."

"Ela falava ao telefone."

"Achava que eu não estava prestando atenção."

Mariana parou de digitar.

Todos olharam para ela.

"Encontrei."

Henrique se aproximou.

"Quem pediu a inclusão?"

Mariana não respondeu imediatamente.

"Vitória?"

Mariana balançou a cabeça.

"Não."

Augusto franziu a testa.

"Marcelo Ferraz?"

"Também não."

Henrique sentiu a tensão aumentar.

"Então quem?"

Mariana virou o notebook.

Na tela havia um registro interno do escritório.

Data.

Versão do contrato.

Solicitação de alteração.

Henrique leu o nome.

Parou.

Depois aproximou o rosto da tela.

"Isso está certo?"

Mariana assentiu.

Augusto perdeu a cor.

Henrique olhou para o pai.

"O que é isso?"

Augusto permaneceu imóvel.

Henrique apontou para o documento.

"Por que o nome dela está aqui?"

Isabela também olhou.

A solicitação para incluir a cláusula de incapacidade no acordo pré-nupcial não havia partido de Vitória.

Nem do pai dela.

Nem dos advogados dos Ferraz.

No campo de autorização constava uma assinatura que Henrique conhecia desde criança.

Helena Montenegro.

Sua própria mãe.

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