"A Empregada Que Destruiu O Brinde" Parte 2
O escritório de Augusto Montenegro ficava no segundo andar da mansão, longe do salão onde o casamento havia se transformado em um escândalo.
Henrique entrou primeiro.
Isabela veio logo atrás, ainda com a marca do tapa no rosto e o celular apertado contra o peito.
Do lado de fora, o som dos convidados se misturava às ordens da equipe de segurança.
A notícia já se espalhava.
Vitória Ferraz, a noiva perfeita da alta sociedade paulistana, tinha sido filmada colocando uma substância desconhecida na bebida do próprio marido.
Henrique fechou a porta.
Por alguns segundos, nenhum dos dois falou.
Ele caminhou até a janela, passou a mão pelo rosto e tentou respirar.
Depois se virou.
"Você estava seguindo a Vitória?"
Isabela abaixou os olhos.
"Responda."
A voz dele não era agressiva.
Era pior.
Estava carregada de desconfiança.
Isabela sentiu o peso da pergunta.
"Eu estava observando."
"Isso não responde."
"Henrique..."
"Por que você estava com o celular pronto?"
Ela permaneceu em silêncio.
Henrique se aproximou.
"Vitória tentou colocar alguma coisa na minha bebida. Eu acabei de descobrir isso na frente de trezentas pessoas."
Ele apontou para o celular dela.
"Agora descubro que você já estava esperando que ela fizesse alguma coisa."
Isabela ergueu os olhos.
"Porque eu já desconfiava dela."
Henrique parou.
"Desde quando?"
"Há quase dois meses."
O rosto dele mudou.
"Dois meses?"
Isabela assentiu.
Henrique deu alguns passos para trás.
"Então você está me dizendo que sabia que havia alguma coisa errada e nunca falou comigo?"
"Eu tentei."
"Com quem?"
Isabela respirou fundo.
"Com sua mãe."
Henrique ficou imóvel.
"Minha mãe?"
"Sim."
A porta se abriu antes que ele pudesse responder.
Helena Montenegro entrou sem pedir licença.
Atrás dela vinha Augusto.
"Eu ouvi meu nome", disse Helena.
Isabela imediatamente ficou tensa.
Henrique olhou para a mãe.
"Ela disse que tentou avisar você."
Helena encarou Isabela.
"Sobre o quê?"
Isabela respondeu sem desviar os olhos.
"Sobre a Vitória."
Helena apertou os lábios.
"Não me lembro."
Isabela sentiu a raiva subir pela garganta.
"Lembra, sim."
Augusto olhou de uma para a outra.
"Helena?"
Isabela continuou.
"Foi depois do jantar de aniversário do senhor Henrique."
Henrique franziu a testa.
"Meu aniversário?"
Ela assentiu.
"Naquela noite, o senhor passou mal."
Henrique pareceu tentar recuperar a lembrança.
"Eu estava cansado."
"Não era só cansaço."
"Eu tinha trabalhado por quase quinze horas."
Isabela balançou a cabeça.
"Antes de o senhor começar a passar mal, Vitória trouxe seu conhaque."
Henrique a encarou.
"E daí?"
"E ela não deixou nenhum funcionário servir."
Helena cruzou os braços.
"Isso não prova absolutamente nada."
Isabela ignorou.
"Depois de beber, o senhor ficou tonto."
Henrique ficou em silêncio.
"Eu lembro."
A voz dele saiu mais baixa.
"Eu quase desmaiei no corredor."
Augusto se aproximou.
"Você disse que não tinha almoçado."
"Foi o que eu pensei."
Isabela apertou os dedos.
"Essa foi a primeira vez."
Henrique levantou os olhos.
"Primeira?"
Ela assentiu.
"Teve outra no jantar com os investidores do Rio."
Henrique passou a mão lentamente pela nuca.
A lembrança veio.
Naquela noite, ele tinha precisado sair da mesa antes do fim.
Seu coração disparara sem motivo.
As mãos estavam frias.
A visão havia ficado turva.
O médico particular dissera que provavelmente era estresse.
"Vitória também estava comigo", murmurou.
"Ela levou seu vinho até o escritório antes da reunião."
Henrique olhou para Isabela.
"Como você sabe?"
"Porque fui eu quem levou a bandeja."
Helena perdeu a paciência.
"Chega."
Todos olharam para ela.
Helena se aproximou de Isabela.
"Você está juntando coincidências para justificar o que fez."
"Não são coincidências."
"Você é médica agora?"
"Não."
"Então não faça diagnóstico."
Henrique ergueu a mão.
"Mãe."
Helena virou-se.
"Essa mulher acabou de transformar seu casamento em um espetáculo público."
"Essa mulher pode ter impedido que eu bebesse aquilo."
Helena ficou em silêncio.
Isabela sentiu o impacto das palavras.
Era a primeira vez que Henrique a defendia daquela forma.
Augusto olhou para a funcionária.
"Você falou com Helena quando?"
"Depois do segundo episódio."
Henrique encarou a mãe.
"E o que ela disse?"
Isabela hesitou.
Helena respondeu antes.
"Eu disse que ela não deveria tirar conclusões sem provas."
Isabela olhou para ela.
"Não foi só isso."
Helena endureceu.
"Isabela."
"Ela me disse para não me meter."
Henrique ficou imóvel.
Isabela continuou.
"Disse exatamente: "Você é empregada. Não se meta na vida dos meus filhos.""
O silêncio caiu no escritório.
Augusto olhou para a esposa.
Helena respirou fundo.
"Eu não ia permitir que uma funcionária acusasse a futura esposa do meu filho com base em suspeitas."
"E se ela estivesse certa?"
Henrique perguntou.
Helena não respondeu.
Ele deu um passo em direção à mãe.
"E se ela estivesse certa desde o começo?"
"Henrique..."
"Você nem tentou verificar?"
Helena ergueu o queixo.
"Vitória fazia parte de uma família que conhecemos há vinte anos."
"E Isabela trabalha nesta casa há anos."
Helena desviou o olhar.
A frase atingiu mais do que qualquer grito.
Henrique voltou-se para Isabela.
"Você disse que foram três vezes."
Ela assentiu.
A terceira havia acontecido apenas duas semanas antes.
Henrique voltara de uma reunião na Faria Lima e encontrara Vitória esperando por ele na mansão.
Ela mesma preparara uma bebida.
Pouco depois, ele começara a sentir uma forte pressão no peito.
Henrique fechou os olhos.
"Eu acordei no sofá."
"Sim."
"Você estava lá."
"Eu encontrei o senhor no corredor."
Henrique abriu os olhos.
"Foi você que chamou o médico."
Isabela confirmou.
Augusto parecia cada vez mais preocupado.
"E por que você não contou tudo naquele dia?"
Isabela olhou para Helena.
"Porque eu já sabia que ninguém acreditaria em mim."
Helena endureceu novamente.
"Não transforme isso numa questão de classe."
Isabela soltou uma risada sem humor.
"Eu nem preciso."
A frase fez Helena perder a resposta.
Henrique caminhou até a mesa e apoiou as duas mãos sobre a madeira.
Pela primeira vez, pequenas lembranças que ele havia tratado como problemas isolados começaram a formar uma sequência.
Vitória insistindo em preparar suas bebidas.
Vitória reclamando quando alguém se oferecia para ajudar.
Vitória ficando irritada quando ele não terminava uma taça.
Coisas pequenas.
Inofensivas.
Até deixarem de ser.
Henrique olhou para Isabela.
"Foi por isso que você começou a observar ela?"
"Sim."
"Há quanto tempo?"
"Depois da terceira vez."
"Então hoje..."
"Hoje eu vi a Vitória indo sozinha para a área das bebidas."
Isabela segurou o celular.
"Eu não sabia o que ela ia fazer."
"Mas seguiu."
"Sim."
"Por quê?"
Ela hesitou.
"Porque eu estava com medo de que ninguém acreditasse novamente."
Henrique baixou os olhos.
A resposta doeu.
Porque era verdadeira.
Durante anos, Isabela circulara pela casa carregando bandejas, organizando quartos, abrindo portas e desaparecendo antes que as conversas importantes começassem.
Ela via tudo.
E quase ninguém reparava nela.
Henrique reparava nisso agora.
Talvez tarde demais.
Uma batida forte interrompeu o silêncio.
Bruno entrou.
"Senhor Augusto, o delegado Rafael Almeida chegou."
Augusto assentiu.
"Pode mandar entrar."
Pouco depois, Rafael entrou acompanhado por dois agentes da Polícia Civil.
Ele cumprimentou Henrique rapidamente.
"Precisamos recolher o telefone da Isabela e o restante da bebida."
Isabela entregou o aparelho.
"Também quero falar com cada funcionário que teve acesso às bebidas hoje."
Bruno assentiu.
"E Vitória?"
Henrique perguntou.
Rafael respirou fundo.
"Ela permanece na mansão. Ninguém sai até esclarecermos isso."
Helena pareceu incomodada.
"Você está tratando minha nora como suspeita?"
Rafael olhou diretamente para ela.
"Helena, neste momento, existe um vídeo mostrando sua nora colocando uma substância desconhecida no copo do Henrique."
Ele fez uma pausa.
"Eu não posso tratar isso como um mal-entendido de casamento."
Henrique perguntou:
"E agora?"
"Agora vamos mandar tudo para análise."
Rafael observou seu rosto.
"Também quero que você vá ao Hospital Santa Cecília."
"Eu?"
"Você teve episódios estranhos nos últimos meses. Quero exames completos."
Henrique soltou o ar lentamente.
"Você acha que isso pode estar acontecendo há mais tempo?"
Rafael não respondeu.
Mas o silêncio foi suficiente.
Horas depois, o salão da mansão estava quase vazio.
Os convidados tinham sido dispensados.
As flores continuavam perfeitas.
As taças continuavam alinhadas.
Mas o casamento havia acabado antes mesmo de terminar o almoço.
Henrique estava no Hospital Santa Cecília quando Isabela chegou acompanhada de Bruno.
Ela não precisava estar ali.
Mesmo assim, veio.
Henrique percebeu quando ela entrou na área reservada.
"Por que você veio?"
Isabela hesitou.
"Queria saber se o senhor está bem."
Henrique olhou para ela por alguns segundos.
"Depois de hoje, acho que pode parar de me chamar de senhor."
Isabela quase sorriu.
Quase.
Antes que pudesse responder, Rafael apareceu no corredor.
Tinha uma pasta na mão.
Seu rosto estava diferente.
Mais sério.
Henrique se levantou.
"O que aconteceu?"
Rafael não respondeu imediatamente.
Abriu a pasta.
Olhou novamente para os resultados.
Isabela sentiu o estômago apertar.
"Rafael?"
Ele ergueu os olhos.
"Henrique... isso não começou hoje."
Henrique ficou imóvel.
"Como assim?"
Rafael fechou a porta atrás de si.
"Os exames encontraram no seu organismo vestígios compatíveis com a mesma substância identificada no conteúdo da taça."
Henrique empalideceu.
"Mas eu nem bebi hoje."
"Exatamente."
O silêncio ficou pesado.
Isabela levou a mão à boca.
Rafael continuou.
"Esses vestígios não vieram do casamento."
Henrique sentiu o chão desaparecer sob os pés.
"Então de quando vieram?"
Rafael respirou fundo.
"De exposições anteriores."
Henrique olhou para Isabela.
Depois para os próprios exames.
As três crises.
As bebidas.
Vitória.
Tudo voltou de uma vez.
"Há quanto tempo?"
Rafael fechou a pasta.
"Tempo suficiente para termos certeza de uma coisa."
Henrique mal conseguiu perguntar:
"O quê?"
Rafael sustentou seu olhar.
"Alguém vem colocando isso em você há semanas."
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4