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"O Bilionário Que Voltou a Andar" Capítulo 10

正文开头

O salão inteiro ainda aplaudia quando Luca soltou a segunda muleta.

Ela caiu sobre o piso de madeira com um baque surdo.

Ele segurou o pódio com as duas mãos, os braços esticados, o corpo inteiro tremendo.

A plateia viu o movimento e o silêncio voltou aos poucos.

Luca tirou a mão esquerda do pódio.

O corpo balançou para a esquerda, mas ele não caiu.

A perna direita deu um passo à frente – curto, arrastado, mas firme.

O salão soltou um suspiro coletivo.

Luca tirou a mão direita do pódio.

Agora ele estava em pé, sozinho, no centro do palco.

Nenhum apoio. Nenhuma muleta. Nenhuma barra.

Apenas as próprias pernas segurando o peso do corpo.

Ele deu outro passo.

As pernas tremeram, mas não dobraram.

Ele deu mais um.

Cada passo era uma batalha.

Os joelhos vibravam, os pés arrastavam, mas ele não parava.

Luca chegou à borda do palco.

A plateia assistia em completo silêncio.

Ele olhou para o balcão superior.

Maya estava parada, os olhos fixos nele.

Ela não dançava mais. Apenas olhava.

Elena segurava a mão da filha com força.

Luca ergueu a mão direita.

– Maya – chamou, com a voz rouca. – Desce.

Maya não hesitou.

Ela soltou a mão de Elena e correu para a escada do balcão.

Os convidados se abriram para deixá-la passar.

Ela desceu correndo, os pés descalços batendo nos degraus de madeira.

Chegou ao salão principal, atravessou a plateia e parou a dois metros do palco.

Luca estava inclinado para a frente, as mãos apoiadas nos joelhos.

Ele estava ofegante, suando, os braços tremendo.

– Fica aí – disse ele. – Não chega perto.

Ela parou.

Luca ergueu o tronco lentamente.

A coluna esticou, os ombros se firmaram.

Ele tirou as mãos dos joelhos.

Ficou ereto.

– Agora – disse ele – vem.

Maya deu um passo.

Luca deu outro.

Os dois se moveram em direção um ao outro.

O salão todo prendeu a respiração.

Ela chegou primeiro.

Estendeu a mão direita.

Luca estendeu a esquerda.

As mãos se tocaram.

Ele segurou os dedos dela com força.

– Você estava certo – disse ele, em voz baixa. – Elas estavam dormindo.

– Eu sabia – respondeu Maya.

– Não. – Luca apertou a mão dela. – Você sabia. Eu só acreditei.

Ela sorriu.

Luca não sorriu de volta.

Ele apenas olhou para ela.

Depois virou o rosto para a plateia.

– Esta é a minha filha.

O silêncio durou dois segundos.

Depois, o salão explodiu em palmas.

Desta vez, ninguém segurou nada.

Empresários, políticos, funcionários, seguranças – todos batiam palmas, gritavam, assobiavam.

Luca virou-se para Maya.

– Vem comigo.

Ele soltou a mão dela e estendeu o braço.

– Me acompanha até o fundo do salão?

Maya olhou para a distância.

Do palco até a porta principal eram uns vinte metros.

– O senhor vai conseguir?

– Não sei. – Ele olhou para as próprias pernas. – Mas vou tentar.

正文1

Ela pegou a mão dele de novo.

– Então vamos.

Luca deu o primeiro passo.

A perna direita à frente, a esquerda arrastando.

As muletas estavam caídas no palco, atrás dele.

Não havia mais apoio.

Maya segurava a mão direita dele.

A mão esquerda oscilava no ar, tentando equilibrar o corpo.

Ele deu outro passo.

O joelho esquerdo começou a ceder, mas ele forçou o músculo e endireitou.

Maya olhou para o pé dele.

– Seu pé não está arrastando tanto agora.

– Está melhorando?

– Está.

O salão começou a aplaudir de novo, mas não era uma ovação alta.

Era um aplauso ritmado, marcando cada passo.

Palma. Passo.

Palma. Passo.

Eles atravessaram a primeira metade do salão.

Luca já suava tanto que a camisa grudava nas costas.

O rosto estava vermelho.

Os braços, trêmulos.

– Pode parar – disse Maya, em voz baixa. – O senhor já provou.

– Não vou parar – respondeu ele. – Só vou parar quando chegar na porta.

Ele continuou.

Mais dois passos.

Mais três.

A entrada principal estava a cinco metros.

A multidão se abriu como o mar.

Luca não olhava para as pessoas.

Olhava apenas para a porta.

Maya olhava para ele.

– Está perto.

– Sei.

– Mais um passo.

Ele deu.

Agora, a porta estava a dois metros.

Elena estava em pé na lateral, perto da saída.

Ela não aplaudia.

Apenas olhava, com os olhos cheios de lágrimas.

Luca parou a um metro da porta.

Ele soltou a mão de Maya.

– Fica aqui.

Ela parou.

Luca deu os últimos três passos sozinho.

A porta de madeira maciça estava fechada.

Ele tocou a maçaneta com a mão direita.

Virou-se para o salão.

Todas as duzentas pessoas estavam olhando para ele.

– Esta porta – disse ele, com a voz ainda rouca – esteve fechada para mim durante doze anos. Hoje, vou abri-la com as minhas próprias mãos.

Ele girou a maçaneta.

A porta se abriu.

A noite entrou pela abertura.

O vento fresco da fazenda invadiu o salão.

Luca ficou parado, olhando para o escuro lá fora.

Depois, virou-se para Maya.

– Vem.

Ela correu até ele.

Pegou a mão dele de novo.

Elena aproximou-se devagar.

Ela parou ao lado de Maya.

As três ficaram na porta.

Luca olhou para Elena.

– Doze anos – disse ele.

– Doze anos – repetiu ela.

– Quer vir comigo?

Ela segurou o braço dele.

– Vou.

Luca olhou para Maya.

– Segura minha mão?

– Seguro.

Ele olhou para a noite lá fora.

– Então vamos.

Os três atravessaram a porta juntos.

O vento batia nos rostos deles.

O campo de beisebol estava escuro.

Mas a lua iluminava o gramado.

Luca olhou para o campo.

Leu a placa enferrujada que ele mesmo mandara colocar onze anos atrás:

"Para o futuro que ainda vou construir."

Ele não disse nada.

Apenas olhou.

Maya puxou a mão dele.

– Amanhã a gente vem jogar?

– Amanhã – respondeu Luca – a gente vem jogar.

Ele virou as costas para a noite.

Entrou de volta no salão, com Maya e Elena ao lado.

A plateia aplaudia de pé.

As palmas ecoavam pelos lustres de cristal.

Luca olhou para a cadeira de rodas vazia, encostada na parede ao lado do palco.

Não olhou por muito tempo.

Desviou o olhar e caminhou em direção à mesa da diretoria.

Maya soltou a mão dele.

– Eu vou dançar – disse ela.

– Dança.

Ela saiu correndo para o centro do salão, onde Tommy a esperava.

Os dois começaram a se movimentar, desajeitados, rindo.

Luca sentou-se na cadeira da presidência.

Elena sentou ao lado dele.

Ele inclinou-se para ela.

– Como é que a gente faz para ser pai?

Ela olhou para ele.

– Um dia de cada vez.

Luca virou o rosto para o salão.

O som das risadas de Maya preenchia o ar.

Ele se inclinou para trás na cadeira.

A mão direita apertou a borda da mesa.

A perna direita tremeu levemente.

Mas ele não se levantou.

Ainda não.

– Um dia de cada vez – repetiu ele.

E olhou para o campo de beisebol, pela janela, onde a lua brilhava sobre o gramado vazio.

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