localização atual: Novela Mágica O Bilionário Que Voltou a Andar Capítulo 8
标题上

"O Bilionário Que Voltou a Andar" Capítulo 8

正文开头

A propriedade inteira sabia que algo estava diferente.

Os seguranças circulavam em dobro. Os portões ficavam trancados o tempo todo.

Ninguém entrava sem identificação. Ninguém saía sem revista.

Luca passava a maior parte do dia no porão.

As sessões de fisioterapia tinham dobrado: manhã e noite, duas horas cada.

Clara exigia silêncio absoluto durante os exercícios.

Luca suava em bicas, os músculos queimando, os braços tremendo sobre as barras.

Mas ele não parava.

No quinto dia após a invasão, ele ficou em pé por vinte segundos.

No sexto, vinte e cinco.

No sétimo, trinta.

Clara anotava tudo num caderno azul.

– O senhor está evoluindo mais rápido do que eu esperava.

– Ainda não ando.

– Mas já fica em pé. É o primeiro passo.

Luca olhou para a cadeira vazia no canto do porão.

– Quero começar com as muletas.

Clara hesitou.

– As muletas exigem equilíbrio. O senhor ainda não tem força suficiente nos tornozelos.

– Então vou ter.

– Não é tão simples.

– Não me importo se é simples. Quero tentar.

Clara olhou para Almeida, que apenas encolheu os ombros.

Ela foi até o armário e trouxe um par de muletas de madeira.

Eram altas, com apoio de borracha nas pontas.

– Segure aqui – disse ela, colocando as muletas sob os braços de Luca. – Apoie o peso nos braços, não nas axilas.

Luca segurou as muletas.

A madeira era lisa e fria.

– Levante – ordenou Clara.

Luca empurrou o corpo para cima com os braços.

As pernas penduraram no ar por um segundo.

Depois, os pés tocaram o chão.

Ele ficou em pé.

Só que desta vez, não estava apoiado nas barras.

Estava apoiado nas muletas.

– Solte uma mão – disse Clara.

Luca soltou a mão esquerda da muleta.

O corpo balançou para a direita.

Ele segurou firme.

– Agora dê um passo com o pé direito.

Luca olhou para o pé direito.

Ele não se mexeu.

– Não consigo – disse ele.

– Tente.

– Não adianta. O pé não obedece.

Clara aproximou-se.

– Feche os olhos.

Luca fechou.

– Imagine o pé se movendo. Imagine o calcanhar levantando, a ponta tocando o chão.

Luca imaginou.

Ele viu o pé se mover.

Mas o pé não se moveu.

– Abra os olhos – disse Clara. – Olhe para o pé. E mande ele andar.

Luca olhou para o pé direito.

O tênis estava imóvel.

Ele concentrou a força.

Nada.

– Eu não consigo – repetiu.

– O senhor consegue. Só precisa de tempo.

Clara pegou as muletas e colocou de lado.

– Senta.

Luca sentou na cadeira.

Ele olhou para as muletas apoiadas na parede.

Não falou nada.

Naquela tarde, Maya desceu para o porão.

Ela trazia duas bolas de tênis – as mesmas de sempre.

– O senhor tentou andar hoje?

– Tentei. Não consegui.

– Por quê?

– Minhas pernas não obedecem.

正文1

Maya sentou no tambor.

Ela segurou uma das bolas e apertou com a mão.

– Olha. Isso aqui é uma bola. Se eu não apertar, ela não amassa.

– E daí?

– Se eu não apertar, ela nunca vai amassar.

Ela jogou a bola no colo dele.

– O senhor tem que apertar.

Luca segurou a bola.

Ele colocou entre os pés e apertou.

O pé direito contraiu levemente.

– Amanhã vai contrair mais – disse Maya.

– Como você sabe?

– Porque hoje contraiu mais que ontem.

Ela pegou a segunda bola.

– Bota as duas.

Luca colocou as duas bolas entre os pés.

Apertou.

Os dois pés se contraíram.

– Viu? – disse Maya. – Tão aprendendo.

Luca olhou para as bolas.

Elas estavam levemente amassadas.

– Amanhã eu vou andar – disse ele.

Maya riu.

– Fala isso todo dia.

– Desta vez é verdade.

– Tá bom. Amanhã eu danço no campo. Se o senhor andar, eu danço mais rápido.

Luca encostou na cadeira.

– Combinado.

A noite caiu sobre a fazenda.

Luca estava no escritório com Almeida.

– O que temos contra Victor?

Almeida abriu uma pasta azul.

– O depoimento de Lúcia. A toxina comprada pela offshore. Os registros de transferência bancária.

– O suficiente para prender?

– O suficiente para condenar.

Luca pegou o depoimento de Lúcia e leu em voz alta:

"Victor Silveira me ordenou a aplicar a toxina no Sr. Costa na madrugada do dia 8. Ele disse que seria a última dose. Disse que depois do baile, o Sr. Costa estaria morto."

Luca colocou o papel sobre a mesa.

– O baile é em cinco dias.

– Sim.

– A PF vai estar lá?

– Vai. O delegado já confirmou. Eles entram às dez da noite.

– Antes disso, Victor vai anunciar minha saída. Vai pedir votos para assumir o controle.

Almeida inclinou o corpo para a frente.

– E o senhor vai deixar ele falar?

– Vou deixar. – Luca tocou a borda da mesa. – Quero que ele se sinta seguro. Quero que ele acredite que venceu.

– E depois?

Luca ergueu os olhos para a janela.

– Depois, eu entro.

– Como o senhor vai entrar?

Luca não respondeu.

Ele apontou para as muletas encostadas na parede.

– Você acha que eu consigo?

Almeida olhou para as muletas e depois para Luca.

– O senhor tem cinco dias.

– Sei quanto tempo tenho.

– Se o senhor conseguir dar até três passos, já será o suficiente.

Luca assentiu.

– Três passos.

Nos dias seguintes, Luca não saiu do porão.

Ele acordava às cinco da manhã e só subia depois das nove da noite.

Clara treinava ele sem parar.

Os eletrodos, as barras, as bolas, as muletas.

Na manhã do terceiro dia, ele deu um passo.

Um passo curto, arrastado, com a perna direita.

Mas foi um passo.

Clara gritou.

Almeida bateu palmas.

Luca não sorriu.

Ele segurou a muleta e tentou de novo.

Outro passo.

O esquerdo não respondeu, mas o direito avançou.

Ele ficou em pé, apoiado em duas muletas, com a perna direita à frente.

– Amanhã são dois passos – disse ele.

– Amanhã são dois – repetiu Clara.

No quarto dia, ele deu dois passos seguidos.

A perna direita e a esquerda, juntas, arrastadas, mas reais.

Maya estava assistindo.

Ela não gritou nem palmas.

Apenas olhou.

– O senhor está quase lá.

– Estou quase.

– Amanhã é o baile.

– Sei.

– O senhor vai andar lá?

Luca olhou para as muletas.

– Vou.

Maya se levantou.

– Então eu vou dançar. No meio do salão. Bem na frente de todo mundo.

– Por quê?

– Porque se eu dançar, sua perna vai mexer. E se mexer, todo mundo vai ver.

Luca a encarou.

– Você quer que todo mundo veja?

– Quero. – Ela cruzou os braços. – Quero que vejam que o senhor não é um aleijado. Quero que vejam que o senhor é meu pai.

Luca não respondeu.

Ele apertou as muletas e ficou em pé.

– Então dança.

Na noite anterior ao baile, Luca estava sozinho no quarto.

As muletas estavam apoiadas na cama.

Ele se levantou.

Colocou as muletas sob os braços.

Deu um passo.

Depois outro.

Depois um terceiro.

Ele andou até a janela.

O campo de beisebol estava escuro.

Mas ele lembrou de Maya dançando.

Leu a carta de Victor mais uma vez.

"Sua presença é essencial."

Luca virou as costas para a janela.

– Vou estar lá – murmurou.

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部