localização atual: Novela Mágica O Bilionário Que Voltou a Andar Capítulo 6
标题上

"O Bilionário Que Voltou a Andar" Capítulo 6

正文开头

O porão estava mais silencioso que de costume.

Luca chegou às seis da manhã, como fazia todos os dias.

Clara já estava lá, com os eletrodos prontos.

– Hoje vamos tentar algo diferente – disse ela. – O senhor vai ficar em pé sem as barras.

Luca olhou para o espaço vazio entre as barras.

– E se eu cair?

– Não vai cair. Eu e Almeida seguraremos o senhor.

Almeida entrou e se posicionou atrás de Luca.

Clara conectou os eletrodos.

A corrente ligou, e os músculos das coxas contraíram.

– Agora, levante – ordenou Clara.

Luca apoiou as mãos nos braços da cadeira e empurrou.

O tronco subiu.

Almeida segurou as costas.

Clara segurou o braço direito.

As pernas de Luca tocaram o chão.

Elas tremeram violentamente.

– Não dobre os joelhos – disse Clara. – Estique.

Luca esticou.

As pernas seguraram.

Um segundo.

Dois.

Três.

O corpo de Luca balançou.

– Firme – disse Almeida.

Luca olhou para a frente, para a parede de tijolos.

Não olhou para baixo.

Quatro segundos.

Os músculos das coxas queimavam.

Cinco.

Seis.

Clara soltou o braço direito.

Luca ficou em pé sozinho, com apenas Almeida atrás.

Sete.

O pé esquerdo tremeu.

Oito.

Luca sentiu o joelho direito fraquejar.

Nove.

Ele não caiu.

Dez.

– Senta – disse Clara.

Almeida baixou Luca de volta à cadeira.

Luca estava ofegante.

O rosto estava vermelho.

– Dez segundos – disse Clara, anotando no bloco. – O senhor acaba de ficar em pé por dez segundos.

Luca olhou para as próprias pernas.

Elas ainda tremiam.

– Repetimos amanhã – disse ele.

– Repetimos – confirmou Clara.

Maya desceu a escada do porão uma hora depois.

Ela carregava duas bolas de tênis.

– Trouxe mais uma – disse, mostrando a bola nova.

Luca ainda estava na cadeira, recuperando o fôlego.

– Já tenho uma.

– Essa é melhor. Minha mãe comprou na farmácia.

Luca pegou a bola.

– Sua mãe sabe que você está aqui?

– Sabe.

– Ela não se importa?

– Ela disse que se o senhor tá tentando andar, é bom que eu ajude. – Maya sentou no tambor. – Hoje o senhor ficou quanto tempo em pé?

– Dez segundos.

– Dez segundos?! – Maya quase pulou do tambor. – Ontem foi um. Hoje dez.

– Amanhã vai ser quinze – disse Luca.

– Quinze não. Vinte.

Ela pegou a bola antiga e colocou entre os pés de Luca.

– Aperta.

Luca apertou.

A bola amassou levemente.

– Tá melhorando – disse ela.

– Está.

– O senhor vai contar pra todo mundo?

– Não.

– Por quê?

Luca olhou para ela.

– Porque quem me envenenou não pode saber.

Maya inclinou a cabeça.

– E quando o senhor descobrir quem é?

– Aí eu vou contar.

– E vai fazer o quê com ele?

Luca não respondeu.

Ele só apertou a bola entre os pés de novo.

正文1

A bola amassou mais um pouco.

No final da tarde, Luca estava no escritório.

Almeida entrou com um envelope na mão.

– Chegou isso agora, senhor.

– O que é?

– O convite para o baile anual da Fundação Costa.

Luca pegou o envelope.

Era branco, com o brasão da empresa em ouro.

Ele abriu.

A carta estava assinada por Victor Silveira.

"Prezado Luca,

Convidamos Vossa Senhoria para o baile anual da Fundação Costa, a ser realizado em 20 de setembro, no salão principal da Fazenda dos Reis.

Na ocasião, realizaremos a votação para a nova diretoria executiva. Sua presença é essencial para a validação do processo.

Aguardamos sua confirmação.

Victor SilveiraDiretor de Operações"

Luca leu a carta duas vezes.

Depois, colocou-a sobre a mesa.

– Ele quer que eu vá.

– Parece que sim.

– Ele quer me ver na cadeira, no meio de todo mundo, para votar minha saída.

– Provavelmente.

Luca tocou a borda do envelope.

– O que ele não sabe é que, no dia 20, eu vou andar.

Almeida franziu a testa.

– O senhor acha que vai conseguir andar até lá?

Luca olhou para a perna direita.

Ela não se mexeu, mas ele sentiu a contração.

– Não sei. Mas vou tentar.

Almeida saiu.

Luca pegou o telefone e discou.

– Clara?

– Sim, senhor.

– Aumente a carga. Todas as sessões.

– O senhor vai sentir mais dor.

– Não me importo.

– Certo.

Luca desligou.

Ele pegou a carta de Victor e amassou-a lentamente.

Jogou no lixo.

Depois, girou a cadeira em direção à janela.

O campo de beisebol estava iluminado pelo entardecer.

Maya estava lá.

Ela dançava sozinha, no meio do gramado.

Os braços abertos.

Girando, pulando, caindo e levantando.

Luca a observou por um longo tempo.

Ela parou, olhou para a janela e acenou.

Luca não acenou de volta.

Apenas ficou olhando.

À noite, Luca estava no porão novamente.

As barras estavam iluminadas por um único foco de luz.

Ele estava pendurado nas barras, as pernas balançando.

Clara estava ao lado.

– Vamos tentar ficar em pé sem as barras de novo.

– Vamos.

Almeida se posicionou atrás.

Clara tirou os eletrodos.

– Sem estimulação elétrica dessa vez. Só força muscular.

Luca apoiou as mãos na cadeira.

Empurrou.

As pernas tremeram, mas não dobraram.

Ele ficou em pé.

Clara contou.

– Um, dois, três, quatro, cinco.

As pernas balançaram.

Luca apertou os músculos.

– Seis, sete, oito, nove.

O joelho direito começou a ceder.

– Dez!

Luca caiu de volta na cadeira.

– Dez de novo – disse Clara.

– Dez de novo – repetiu Luca, ofegante.

– O senhor está melhorando.

– Não o suficiente.

Clara pegou o bloco.

– Quantos dias até o baile?

– Quinze.

– Quinze dias. – Ela anotou. – Vamos dobrar as sessões. Manhã e noite.

Luca assentiu.

– Manhã e noite.

Na saída do porão, Maya estava esperando.

Ela estava sentada na escada, com a bola de tênis na mão.

– O senhor ficou em pé de novo?

– Fiquei.

– Quanto tempo?

– Dez segundos.

– Amanhã mais.

Luca parou a cadeira ao lado dela.

– Por que você está aqui tão tarde?

– Minha mãe está na cozinha. Eu vim ver o senhor.

– Já me viu. Pode ir.

– Tô indo. – Ela se levantou. – Só uma coisa.

– O quê?

– No dia do baile, eu vou estar lá.

Luca a encarou.

– O baile não é lugar para criança.

– Eu vou dançar. Aí sua perna vai mexer. Se mexer, todo mundo vai ver.

Ela não esperou resposta.

Subiu a escada correndo.

Luca ficou sozinho no corredor escuro.

Ele olhou para as próprias mãos.

As palmas estavam vermelhas e calosas.

Ele apertou os punhos.

Quinze dias.

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部