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"O Anel Verde Que Voltou do Túmulo" Capítulo 5

正文开头

Camila enviou a fotografia para a Polícia Judiciária portuguesa antes de deixarem o posto.

No carro, Helena segurava o telefone de Ricardo sobre os joelhos. Alexandre dirigia devagar atrás da viatura. Nenhum dos dois falou até a estrada abrir diante deles.

— Ela está viva — disse Helena.

— A foto indica isso.

— Não fala como um relatório.

Alexandre apertou o volante.

— Se eu disser em voz alta e estiver errado…

— Eu já enterrei a pessoa errada. Não existe frase capaz de piorar isso.

Ele encostou no acostamento. Caminhões passaram fazendo o carro balançar.

— Minha família fez isso com a sua.

— Seu pai fez. Você encontrou o anel.

— E escondi de você.

— Isso também foi escolha sua.

Alexandre assentiu. Não pediu desculpas outra vez. Voltou para a pista quando Camila ligou.

A polícia portuguesa localizara a cafeteria. A imagem vinha de uma câmera de trânsito; Manoel usava o nome Artur Mendes e alugava um apartamento perto de Alcântara. A mulher não aparecia em nenhum cadastro recente.

— Eles vão entrar? — perguntou Helena.

— Precisam de mandado — disse Camila. — E de confirmação de que ela está em risco.

Sérgio forneceu essa confirmação naquela tarde.

Na sala de depoimentos, ele começou negando tudo. Camila colocou a ordem de serviço sobre a mesa, seguida das chamadas para Portugal e da fotografia do veículo. Sérgio esfregou o polegar direito até a pele ficar vermelha.

— Manoel disse que ninguém morreria — falou. — Era para o carro falhar na estrada e impedir Lúcia de chegar à polícia.

— Você cortou o freio e esperava um atraso? — perguntou Camila.

— Fiz um corte pequeno. Ele disse que a pressão cairia devagar.

— O carro caiu de um barranco.

Sérgio cobriu o rosto.

— Manoel chegou antes dos bombeiros. Tinha um rastreador no carro.

— O que ele encontrou?

— Lúcia fora do veículo. Ferida, mas viva. Marta estava presa.

Helena assistia por vídeo numa sala ao lado. Alexandre permaneceu perto da porta.

— Manoel tirou Lúcia dali? — Camila perguntou.

— Colocou na caminhonete. Mandou que eu sumisse. Quando os bombeiros chegaram, só viram o carro lá embaixo.

— Marta ainda estava viva?

Sérgio começou a chorar.

— Eu não desci.

O laudo registrara morte por trauma e incêndio. Marta talvez tivesse morrido no impacto. A recusa de Sérgio em verificar não alterava o que fizera.

— Para onde Manoel levou Lúcia?

— Primeiro para um sítio. Depois Portugal. Ele dizia que precisava convencê-la a entregar as cópias.

— Durante oito anos?

— Ela escondeu alguma coisa. Ele nunca encontrou.

Helena tocou o anel sob a blusa.

Quando o depoimento terminou, Camila entrou na sala de observação.

— A confissão segue para Portugal agora. O mandado sai hoje.

— Eu vou para Lisboa.

— Se confirmarem que é Lúcia.

— Vou mesmo assim.

Camila não discutiu. Pediu que aguardasse duas horas.

正文1

Alexandre ligou para a mãe dele. Teresa vivia em Santos e acreditara durante cinco anos que era viúva. Ao ouvir o nome Artur Mendes, ela ficou em silêncio.

— Sua mãe sabia? — Helena perguntou depois.

— Sabia que ele usava esse nome em Portugal. Disse que era para negócios.

— E a morte?

— Recebeu a urna fechada. Fernando cuidou de tudo.

Teresa entregou à polícia chaves de um depósito de Manoel. Dentro havia registros contábeis, fotografias de Lúcia e cópias de relatórios médicos assinados por uma clínica portuguesa. A última consulta tinha ocorrido há quatro meses.

O médico descrevia a paciente como "Laura Mendes", com crises de pânico e amnésia parcial após trauma craniano. Manoel constava como pai e responsável legal.

— Ele transformou o sequestro em cuidado — disse Helena.

Alexandre fechou o arquivo.

— Ele sempre soube fazer isso.

Às sete da noite, Camila recebeu a confirmação. A polícia entrara no apartamento de Alcântara. Estava vazio, mas encontrara medicamentos, roupas femininas e sangue recente no banheiro.

Uma vizinha vira Manoel sair com a mulher na madrugada anterior. Um carro alugado seguira para o norte.

— Eles perderam os dois? — Helena perguntou.

— Encontraram o carro perto de Santarém. Abandonado.

O telefone de Camila tocou novamente. Ela respondeu em português lento, ouvindo alguém do outro lado.

Helena ficou em pé.

Camila desligou.

— Uma clínica em Lisboa admitiu uma mulher sem documentos esta manhã. Ela disse se chamar Lúcia Serrano.

— E Manoel?

— Desapareceu.

Alexandre pegou a própria mochila. Helena já procurava o passaporte.

Camila ergueu uma mão.

— A clínica está sob proteção. Vocês embarcam com a nossa equipe.

Helena abriu a caixa transparente do anel.

Pela primeira vez em oito anos, a joia podia voltar para a mulher cujo nome carregava.

Antes de sair para o aeroporto, Helena voltou para casa. Sofia correu pelo corredor e parou ao ver a mochila da mãe.

— Você também vai embora.

Helena se agachou.

— Vou buscar alguém.

— A tia?

— Talvez. A polícia encontrou uma mulher que pode ser ela.

Sofia tocou o bolso vazio do casaco do pai.

— Foi por causa do anel?

— O anel ajudou.

Alexandre entrou com os passaportes. Dessa vez, colocou cada documento sobre a mesa e explicou o voo, o hotel e quem ficaria com Sofia. A menina ouviu tudo e escolheu dormir na casa da avó.

— Vocês voltam juntos?

— Juntos — respondeu Helena.

Sofia entregou a Lúcia um desenho dobrado. Queria que Helena levasse caso a mulher da clínica fosse mesmo sua tia.

No carro para o aeroporto, Alexandre mostrou a mensagem de Manoel que chegara a um endereço antigo: "Ainda dá tempo de proteger Sofia disso."

Helena encaminhou para Camila.

— Ele usa criança para chamar controle de proteção.

Alexandre apagou o contato somente depois que a polícia preservou a mensagem.

— Eu aprendi com ele por tempo demais.

— Então desaprende em voz alta.

Ele guardou o telefone sem responder. No banco traseiro, o desenho de Sofia seguia junto aos documentos.

No aeroporto, Helena entregou o anel a Camila para transporte oficial. A delegada fotografou o lacre, registrou horário e devolveu a caixa somente depois do controle de segurança.

Alexandre observou o procedimento.

— Eu devia ter feito isso desde o começo.

— Devia ter chamado a polícia antes de colocar no bolso.

Helena guardou a caixa na bolsa presa ao corpo. Todos sabiam quem carregava a prova e para onde ela seguia.

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