"O Anel Verde Que Voltou do Túmulo" Capítulo 4
O posto desativado estava vazio quando chegaram.
Camila manteve Helena e Alexandre dentro do carro enquanto dois agentes verificavam o prédio. Uma porta lateral abriu. Ricardo apareceu com as mãos erguidas e uma sacola de lona pendurada no ombro.
— Ele está sozinho — informou um agente pelo rádio.
Helena saiu primeiro. O vento levantou poeira no pátio e bateu o casaco contra suas pernas. Ricardo olhou para o cordão em seu pescoço.
— Você trouxe?
Ela puxou o anel para fora da roupa.
Ricardo soltou o ar e recuou para dentro. O antigo escritório cheirava a papel úmido. Havia uma mesa, três cadeiras e uma tomada alimentada por extensão. Ricardo retirou da sacola um gravador, duas fitas e um envelope pardo.
— Lúcia me entregou a primeira fita quatro dias antes da viagem — disse. — A segunda chegou pelo correio depois do acidente.
— Por que guardou durante oito anos? — Helena perguntou.
— Fernando sabia que eu tinha alguma coisa. Pagou minhas dívidas e ameaçou meus filhos.
— Todo mundo tinha uma dívida conveniente com ele.
Ricardo baixou os olhos.
Camila colocou um gravador oficial ao lado do aparelho antigo. Ricardo assinou a autorização e encaixou a primeira fita.
A voz de Lúcia encheu a sala.
"Ricardo, Fernando está desviando dinheiro. Eu vi as assinaturas. Só que os valores das contas portuguesas são maiores do que os lançamentos que ele aprovou. Alguém usa o caminho e coloca tudo no nome dele."
Helena segurou o encosto da cadeira vazia.
A voz continuou.
"Ele vai me odiar quando souber que procurei a polícia. Talvez já saiba. Se eu não chegar ao jantar com Helena, entrega isto a ela."
A fita terminou com um clique.
— Ela tentou falar comigo — disse Helena.
Ricardo trocou a fita.
— A segunda chegou num envelope sem remetente.
O áudio começou com ruído de trânsito. Lúcia falava de dentro de um carro.
"Ricardo, encontrei o contrato principal. Manoel fez Fernando assinar garantias em branco. Quando a auditoria explodir, vai parecer que papai comandou tudo. Manoel já preparou a saída para Portugal."
Alexandre se aproximou do gravador.
Outra voz entrou na gravação. Suave, paciente, inconfundível.
"Fernando vai assinar. Quando Lúcia falar, ele cai sozinho."
Alexandre apertou a borda da mesa.
— Meu pai.
Ricardo assentiu.
— Lúcia gravou uma reunião escondida.
— Manoel morreu há cinco anos.
— Isso é o que ele comprou para vocês acreditarem.
Camila abriu o envelope pardo. Dentro havia cópias de um passaporte português em nome de Artur Mendes, uma certidão de óbito de Manoel e recibos da mesma funerária que preparara Lúcia.
— Fernando testemunhou o óbito — disse ela.
Ricardo pegou a certidão e a rasgou em duas partes.
— Seu pai está vivo, Alexandre.
O som do papel pareceu maior do que deveria.
Alexandre saiu do escritório. Helena o encontrou junto à parede externa, respirando pelo nariz, as duas mãos apoiadas nos quadris.
— Ele me levou para pescar uma semana antes de morrer — disse. — Falou que se arrependia de ter trabalhado tanto.
Helena ficou a um braço de distância.
— Fernando chorou no enterro da Lúcia.
— Eles ensaiaram até o luto.
Camila surgiu à porta.
— Ricardo precisa mostrar outra coisa.
De volta à mesa, ele abriu o envelope interno. Havia uma fotografia de Sérgio ao lado do carro de Lúcia e uma ordem de serviço assinada por Manoel. O texto mandava substituir mangueiras. O número de série das peças novas não aparecia no veículo depois do acidente.
— Sérgio cortou a mangueira — disse Ricardo. — Fernando soube do carro só depois da queda.
— E protegeu todo mundo — respondeu Helena.
— Protegeu o próprio nome. Quando encontrou o anel no depósito policial, entendeu que havia algo errado com o corpo.
Helena tocou o cordão.
— Como?
— Lúcia tinha dado o anel para Marta levar ao conserto. Fernando sabia disso. Viu a joia entre os pertences do acidente e percebeu que o cadáver podia ser de Marta.
— Então procurou Lúcia?
Ricardo balançou a cabeça.
— Procurar exigiria reabrir a investigação. A fraude dele viria junto.
Helena caminhou até a janela quebrada. O pai escolhera uma reputação limpa e deixara uma filha desaparecer.
— Você sabia que Lúcia podia estar viva?
— Suspeitei. Nunca soube onde.
— E a segunda fita? Quem enviou?
— Marta não poderia. A postagem foi feita dois dias depois do acidente.
Camila colocou luvas e examinou o envelope original.
— Há uma impressão parcial. Vamos comparar.
Ricardo retirou da sacola um telefone antigo.
— Recebi isto ontem. Número português.
Na tela havia uma fotografia recente de Manoel numa cafeteria de Lisboa. Ao lado dele, uma mulher magra mantinha o rosto de perfil.
Alexandre ampliou a imagem.
Helena reconheceu a pequena cicatriz junto à sobrancelha.
A fotografia tinha sido tirada três semanas antes.
— Lúcia — ela disse.
Camila recolheu a fotografia e pediu a Ricardo o aparelho que a recebera. Ele hesitou.
— Tem mensagens dos meus filhos aí.
— Fazemos uma cópia forense e devolvemos o conteúdo pessoal.
— Fernando prometeu a mesma coisa quando levou meus documentos.
Helena se aproximou.
— Meu pai usou o medo para manter você quieto. Se repetir isso agora, Manoel continua escolhendo por todos nós.
Ricardo entregou o telefone.
No fundo da sacola havia um caderno com datas. Ele registrara cada contato de Fernando depois do acidente: pagamentos, ameaças, perguntas sobre o anel. A última anotação feita antes da morte do irmão dizia: "F. sabe que M. mentiu sobre o hospital. Não vai denunciar."
— Por que ele não denunciou? — Alexandre perguntou.
— Manoel tinha as assinaturas e as contas. Se Fernando falasse, perdia a empresa e ia preso.
— Preferiu perder Lúcia.
Ricardo fechou o caderno.
— Preferiu deixar a dúvida presa num cofre.
Do lado de fora, os agentes encontraram marcas recentes de pneu atrás do prédio. A caminhonete passara por ali antes deles. Camila mandou recolher as imagens das rodovias.
Quando Helena voltou ao carro, percebeu que a porta do motorista estava entreaberta. Sobre o banco havia um papel dobrado.
"Entreguem o anel e esqueçam a mulher da fotografia."
Camila lacrou o bilhete. Manoel sabia que eles tinham a foto.
Ela mandou trocar o carro e reorganizou a saída em duas rotas. Ricardo seria levado a um endereço protegido. Antes de entrar na viatura, ele segurou o braço de Helena.
— Lúcia confiava em você. Eu devia ter feito o mesmo.
— Devia ter entregue a fita.
Ricardo soltou o braço e entrou sem pedir perdão. A fita seguiria para perícia; as palavras dele teriam de sobreviver aos documentos.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4