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"Quando Você Voltou, Eu Já Tinha Partido" Parte 3 — A Mentira de Sete Anos Atrás

正文开头

Na manhã seguinte, Helena levou a gravação das ameaças à Delegacia de Defesa da Mulher.

Também solicitou orientação para reforçar a medida protetiva e comunicou o novo endereço ao advogado que cuidava da guarda de Davi.

Ela não esperaria Rogério atacar novamente.

Dois dias depois, começou a trabalhar na Vértice Pay.

A empresa ocupava seis andares de um edifício envidraçado na Avenida Paulista. Helena fora contratada para reorganizar uma operação que perdera milhões de reais com falhas internas e contratos mal administrados.

Na primeira reunião, encontrou uma equipe desconfiada.

Um gerente chamado Marcelo empurrou uma pilha de relatórios em sua direção.

"A diretoria acredita que você conseguirá resolver em três meses o que ninguém resolveu em um ano."

Helena abriu o primeiro documento.

"A diretoria está errada."

Algumas pessoas trocaram olhares.

"Não precisarei de três meses. Em quatro semanas identificaremos onde o dinheiro está sendo perdido."

Marcelo sorriu com ironia.

"E se o problema forem as pessoas?"

"Então descobriremos quem lucra com a desorganização."

O sorriso dele desapareceu.

No fim da primeira semana, Helena já havia encontrado pagamentos duplicados e contratos aprovados sem revisão. Em vez de acusar alguém, criou um novo fluxo de autorização e preservou cópias de todos os registros.

Aprendera cedo que uma suspeita não valia nada sem provas.

Na sexta-feira, Camila telefonou.

"Você vai ao encontro da turma amanhã."

"Isso foi uma pergunta?"

"Não. Foi uma ordem."

"Caio estará lá?"

"Provavelmente. Mas você não pode abandonar todos os seus amigos porque um homem resolveu se comportar como um idiota."

Helena olhou para Davi, que desenhava na mesa da cozinha.

"Está bem. Mas só fico uma hora."

O encontro aconteceu em um bar no bairro de Pinheiros.

Quando Helena chegou, Caio já estava sentado perto de Beatriz Almeida, uma antiga colega de escola. Os dois conversavam com naturalidade.

Camila aproximou-se do ouvido de Helena.

"A mãe dele está tentando arranjar esse casamento desde o ano passado."

"Não me interessa."

"Você olhou durante cinco segundos."

"Quatro."

Camila riu e a levou para o outro lado da mesa.

Bruno Salles sentou-se ao lado de Helena antes que ela pudesse impedir.

"Fiquei sabendo que você voltou como diretora."

"Voltei."

"Se precisar de ajuda com fornecedores, minha empresa trabalha com tecnologia."

"Obrigada. Se houver interesse, envie uma proposta pelos canais oficiais."

A resposta profissional encerrou a tentativa de intimidade.

Bruno bebeu durante toda a noite. Quanto mais bebia, mais alto falava.

Caio, ao contrário, mal tocou no próprio copo. Observou Helena conversar sobre trabalho, recusar as investidas de Bruno e sorrir para Camila.

Nenhuma vez ela procurou seu olhar.

Perto da meia-noite, alguém sugeriu um jogo de perguntas.

Quando chegou a vez de Bruno, um antigo colega perguntou:

"Qual foi a pior coisa que você já fez sem ninguém descobrir?"

O rosto de Bruno perdeu a cor.

Ele tentou rir.

"Que pergunta dramática."

"Você escolheu responder."

Bruno bebeu mais um gole e olhou para Helena.

正文1

"Foi uma coisa da época da escola."

Ela franziu a testa.

"No dia da formatura, encontrei um colar perto da quadra."

Helena levou a mão ao pescoço por reflexo.

Era um colar de prata com uma pequena estrela. Presente de sua irmã, desaparecera justamente no dia em que ela entregara a carta a Caio.

"Você encontrou meu colar?"

Bruno assentiu.

"Eu gostava de você. Meus amigos viviam dizendo que eu não tinha chance."

Caio pousou lentamente o copo sobre a mesa.

"Continue", ordenou.

Bruno percebeu a mudança no ambiente.

"Foi uma brincadeira idiota. Eu mostrei o colar e disse que a Helena tinha se declarado para mim."

Helena sentiu o estômago revirar.

"Você fez o quê?"

"Eu era um adolescente. Queria impressionar os caras."

"Você contou que eu tinha me declarado para você?"

"Eu disse que tinha recusado. Depois falei que você ameaçou procurar outro."

Caio levantou-se.

A cadeira caiu para trás.

Todos se calaram.

Sete anos antes, ele estava pronto para procurar Helena depois da cerimônia. Levava no bolso uma carta e um colar que comprara com o dinheiro do primeiro estágio.

Então ouvira Bruno contar a mentira.

Vira o colar de Helena na mão dele.

Quando ela apareceu mais tarde com uma carta, Caio acreditou que estava sendo usado como segunda opção.

O orgulho fizera o resto.

"Você mentiu", disse Caio.

Bruno levantou as mãos.

"Eu acabei de admitir. Foi uma bobagem."

"Uma bobagem?"

Caio atravessou o espaço entre eles e acertou um soco em seu rosto.

Bruno caiu contra a mesa. Copos se quebraram no chão.

"Caio!", Helena gritou.

Dois homens tentaram segurá-lo, mas ele agarrou Bruno pelo colarinho.

"Você usou o nome dela para alimentar seu ego."

"Eu tinha dezoito anos!"

"Você sabe o que causou?"

Helena segurou o braço de Caio.

"Solte-o!"

O toque dela o fez parar.

Caio respirava com dificuldade. Seus olhos estavam vermelhos, mas não era apenas raiva.

Era devastação.

Ele soltou Bruno e saiu do bar.

Helena foi atrás.

Encontrou-o na calçada, com as mãos fechadas e o rosto voltado para a rua.

"O que aconteceu com você?"

Caio se virou.

Queria contar tudo. Queria dizer que também a amava, que havia escrito uma carta, que passara sete anos acreditando que ela escolhera outro antes dele.

Mas então se lembrou de Davi.

Mesmo que o casamento fosse mentira, havia uma criança e um homem perigoso reivindicando a paternidade.

"Bruno não tinha o direito de fazer aquilo."

Helena cruzou os braços.

"Não use meu nome como desculpa para bater em alguém."

"Ele mentiu sobre você."

"E você acreditou?"

A pergunta o atingiu.

Caio ficou em silêncio.

Helena observou seu rosto e percebeu que havia mais naquela história.

"O que aquela mentira tem a ver com você?"

Antes que ele respondesse, Camila saiu do bar chamando por Helena.

Caio recuou.

"Nada."

Helena riu sem humor.

"Você continua igual. Sempre decide sozinho o que eu mereço saber."

正文2

Ela voltou para buscar a bolsa.

Pouco depois, saiu do bar sem aceitar a carona de ninguém.

Pediu um carro por aplicativo e ficou esperando perto de uma farmácia aberta. O movimento diminuía, e a rua estava mal iluminada.

O celular vibrou.

Era uma mensagem de Caio.

Chegou em casa?

Helena começou a digitar uma resposta, mas ouviu passos atrás de si.

"Então é aqui que você se esconde."

Rogério saiu da sombra entre dois carros.

O cheiro de álcool chegou antes que ele se aproximasse.

Helena acionou discretamente o gravador.

"Existe uma medida protetiva contra você."

"E existe um processo de guarda que vai provar que Davi é meu filho."

"Você não quer ser pai."

Rogério sorriu.

"Quero o que é meu."

"Você deixou Marina morrer."

O rosto dele endureceu.

"Tenha cuidado com o que diz."

"Eu encontrei irregularidades no seguro."

Por um segundo, o medo apareceu nos olhos dele.

Então Rogério segurou o braço de Helena.

"Entregue os documentos."

Ela tentou se soltar.

"Afaste-se de mim!"

"Você acha que aquele professor vai salvá-la?"

Rogério apertou seu pulso.

"Quando eu contar que você não é a mãe do menino, ninguém vai ficar do seu lado."

Faróis invadiram a calçada.

Uma SUV preta freou bruscamente ao lado deles.

A porta se abriu, e um homem alto, vestindo uma camisa branca sob um casaco escuro, saiu do veículo.

Ele segurou o braço de Rogério e o afastou de Helena com um único movimento.

"Solte-a."

Rogério cambaleou.

"Quem é você?"

O desconhecido colocou-se diante de Helena.

Ela reconheceu o perfil firme, os cabelos escuros e uma pequena cicatriz próxima à sobrancelha.

Era um rosto que não via desde o fim da adolescência.

O homem olhou para ela por cima do ombro.

"Você está machucada, Helena?"

Ela quase não acreditou.

"Rafael?"

Rafael Montenegro voltou os olhos para Rogério.

"Se tocar nela outra vez, terá de responder a mim, às câmeras daquela farmácia e à polícia que já está a caminho."

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