"Quando Você Voltou, Eu Já Tinha Partido" Parte 2 — Um Amor Barato
Parte 2 — Um Amor Barato
Helena se colocou diante de Davi antes de responder.
"Meu filho não deve explicações a você."
Caio sustentou seu olhar.
"Eu não perguntei a ele."
"Então não pergunte a mim na frente dele."
A porta do apartamento de Caio se abriu.
Sônia Valença apareceu usando um avental florido. Ao reconhecer Helena, seu rosto se iluminou.
"Minha menina! Sua mãe disse que vocês tinham voltado, mas eu ainda não tinha conseguido conversar com você."
Ela abraçou Helena antes que esta pudesse reagir.
Sônia havia sido parte de quase todas as lembranças felizes da infância dela. Fazia bolos nos aniversários, tratava seus joelhos machucados e permitia que Helena passasse tardes inteiras estudando com Caio.
"Você continua linda", disse Sônia. "E este deve ser o Davi."
O menino se escondeu atrás de Helena.
Sônia se abaixou para cumprimentá-lo.
"Não precisa ter medo. Eu sou uma velha amiga da sua mãe."
"Você não é velha", respondeu Davi.
Sônia riu.
"Já gostei dele. Vocês vão almoçar conosco hoje."
"Não queremos incomodar", disse Helena.
"Não é incômodo. Sua mãe já aceitou."
Caio soltou um suspiro impaciente.
"Quando minha mãe decide uma coisa, ninguém consegue fazê-la mudar de ideia."
Helena ouviu a crítica escondida, mas se recusou a reagir.
Na hora do almoço, os Duarte atravessaram o corredor. Antônio e Lúcia conversavam com Sônia na cozinha enquanto Davi brincava com carrinhos no tapete.
Helena sentou-se na extremidade do sofá.
Caio permaneceu na poltrona oposta, trabalhando em um tablet.
Sônia colocou uma travessa sobre a mesa.
"Helena, sua mãe contou que você criou Davi sozinha durante todos esses anos."
Helena lançou um olhar rápido para Lúcia.
"Ele é uma criança tranquila."
"Mesmo assim, não deve ter sido fácil. E o pai dele nunca ajudou?"
"Não."
"Nem financeiramente?"
"Não precisamos dele."
Caio desligou a tela do tablet.
"Foi tão ruim assim?"
Helena percebeu a armadilha no tom de voz.
"Meu casamento acabou. Isso é tudo."
"Você mudou o sobrenome do menino e conseguiu a guarda exclusiva. Imagino que não tenha sido um fim amigável."
"Caio", repreendeu Sônia.
"Estou apenas conversando."
Helena apoiou as mãos sobre os joelhos.
"Não. Você está interrogando uma pessoa que não vê há sete anos."
Sônia mudou rapidamente de assunto.
"Você voltou sozinha, trabalha muito e ainda cuida de uma criança. Precisa pensar em refazer sua vida."
"Mãe, não comece", murmurou Caio.
"Qual é o problema? Helena ainda é jovem. Você tem vários amigos solteiros."
Caio soltou uma risada sem humor.
"Ela não combina com nenhum deles."
O silêncio tomou a sala.
Helena sentiu o rosto aquecer, mas não abaixou os olhos.
Sônia franziu a testa.
"E desde quando você decide isso?"
"Meus amigos têm vidas estáveis. Não precisam assumir os problemas de outra pessoa."
"Chega", disse Lúcia.
Helena ergueu uma das mãos, impedindo a mãe de continuar.
"Está tudo bem."
Olhou para Caio.
"Você pode falar claramente."
Ele recostou-se na poltrona.
"Divorciada, com uma criança e um ex-marido que desapareceu. Não parece exatamente uma história simples."
"É a minha história. Não a sua."
"Eu sei. Só acho curioso."
"O quê?"
Caio demorou alguns segundos para responder.
"Sete anos atrás, você dizia que me amava. Pouco depois, já estava casada com outro homem."
Helena sentiu o passado abrir-se sob seus pés.
Sônia e os pais dela não sabiam da antiga declaração. Davi brincava no tapete, alheio à tensão.
"Caio", Helena avisou.
Mas ele não parou.
"Naquela noite, você agiu como se seu mundo tivesse acabado. Depois foi embora, casou-se e teve um filho."
O olhar dele se tornou frio.
"Seu amor não devia valer tanto quanto você dizia."
Helena ficou em silêncio por alguns segundos.
A garota de dezoito anos que esperara uma resposta dele até o amanhecer teria chorado.
A mulher diante dele não choraria.
"Você tem razão sobre uma coisa. Eu disse que amava você."
Caio apertou os lábios.
"Mas quem recusou aquele amor perdeu qualquer direito de determinar quanto ele valia."
Helena levantou-se.
"Você pode rejeitar uma pessoa. O que não pode fazer é transformar os sentimentos dela em motivo de humilhação sete anos depois."
Pegou Davi no colo.
"E não volte a falar da minha vida na frente do meu filho."
Ela atravessou o corredor sem esperar pelos pais.
Dentro do apartamento, fechou a porta e colocou Davi no chão.
"Você está triste?", ele perguntou.
Helena se agachou.
"Não, meu amor."
"O tio Caio foi malvado?"
"Ele só não sabe o suficiente para entender algumas coisas."
Davi tocou seu rosto com as mãos pequenas.
"Eu gosto de você."
Helena sorriu com os olhos úmidos.
"E eu amo você mais do que tudo."
Naquela noite, depois que o menino dormiu, Helena abriu a pasta guardada no fundo do armário.
Dentro dela estavam a certidão de nascimento de Davi, a decisão judicial que lhe concedia a guarda provisória, os documentos de Marina e cópias do inquérito encerrado sem acusação formal.
Quatro anos antes, sua irmã dera à luz em uma clínica clandestina nos arredores de Curitiba.
Marina sofrera uma hemorragia grave. Rogério Bastos esperou horas antes de chamar uma ambulância.
Quando Helena chegou ao Paraná, sua irmã já estava morta.
Rogério não demonstrara luto. Queria apenas saber quando receberia o seguro de vida e quanto poderia conseguir usando Davi como dependente.
Helena acabara de concluir a faculdade. Mesmo assim, procurou a Defensoria Pública, reuniu testemunhas e conseguiu retirar o bebê daquele homem.
Mais tarde, descobriu que Rogério havia falsificado informações na apólice de Marina.
Nunca conseguira provar que ele atrasara o socorro de propósito.
Desde então, ele desaparecia por meses e sempre voltava quando precisava de dinheiro.
Helena acrescentou a mensagem recebida após a comemoração à pasta.
Depois conectou o celular a uma conta segura e ativou o envio automático de futuras gravações.
Ela não seria pega desprevenida.
Três noites depois, Davi acordou com febre e dificuldade para respirar.
Enquanto Helena preparava o inalador, Antônio saiu para buscar o medicamento que faltava. Lúcia foi com ele.
Alguém começou a bater violentamente à porta.
"Helena Duarte! Abra!"
Ela reconheceu a voz.
Davi começou a chorar.
Helena pegou o celular, acionou a gravação e enviou uma mensagem silenciosa para a portaria improvisada do prédio.
"Rogério, vá embora."
"Você roubou meu filho!"
"Eu tenho a guarda judicial de Davi."
"Você não é a mãe dele!"
A porta do apartamento em frente se abriu.
Caio apareceu no corredor.
Rogério era um homem robusto, com barba malfeita e olhos avermelhados. Ao ver Caio, recuou meio passo.
"Quem é você?"
"Um morador que está ouvindo suas ameaças."
"Isso é assunto de família."
Caio pegou o telefone.
"Invadir um prédio, ameaçar uma mulher e aterrorizar uma criança não é assunto particular."
Rogério apontou para a porta.
"Ela tirou meu filho de mim."
Caio olhou para Helena.
A frase pareceu confirmar tudo o que acreditava: aquele era o ex-marido, e Davi era o filho que Helena tentava esconder dele.
Helena percebeu a conclusão em seus olhos, mas não podia revelar a verdade diante de Rogério.
"Saia daqui", ordenou.
Rogério aproximou o rosto da fresta da porta.
"Você pode esconder a verdade dos seus amigos, mas não do juiz."
O sorriso dele era repulsivo.
"Se não me entregar Davi, vou contar a todos que você mentiu. Você nunca foi esposa de ninguém. E esse menino nunca foi seu."
Caio ficou imóvel.
Rogério desceu as escadas quando ouviu o porteiro e outros moradores subindo.
Helena fechou a porta e conferiu se a gravação havia sido salva.
Caio continuava no corredor.
"Quem era aquele homem?"
"Isso não é problema seu."
"Ele disse que você nunca foi casada."
"Ele diz muitas coisas."
Caio observou Davi chorando no sofá, com o inalador entre as mãos.
"Helena, o que você está escondendo?"
Ela fechou a porta diante dele.
Do outro lado, Caio permaneceu parado.
Pela primeira vez, começou a desconfiar de que a história do divórcio não era apenas incompleta.
Era inteiramente falsa.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4