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"Eles Pensavam Que Eu Era Uma Boneca Frágil… Até Ouvirem o Som do Gatilho" Capítulo 2

正文开头

O visor do painel digital na parede interna emitiu um brilho azulado repentino, indicando que a rede de comunicação externa havia sido ativada por alguém no andar de baixo.

Aquele clarão súbito na penumbra fez a memória de Victória ser tragada de volta para o dia em que tudo começou.

Seis meses antes, a Catedral Metropolitana de São Paulo estava repleta de lírios brancos e figuras da alta sociedade.

Os sinos da imponente igreja repicavam solemnes, celebrando a união que os jornais chamavam de o casamento do século.

Christian vestia um terno de corte impecável, parecendo o príncipe herdeiro de um império intocável.

Victória caminhava pelo tapete vermelho sob uma chuva de pétalas, envolta em um vestido de alta-costura com cauda de seda pura.

Para os convidados e lentes da imprensa que lotavam as naves laterais, ela era a noiva mais feliz e invejada do Brasil.

O padre, com voz solene, conduzia a cerimônia litúrgica diante do altar ornamentado com dezenas de velas aromáticas.

"Pela autoridade a mim conferida, eu vos declaro marido e mulher."

Pronunciou o sacerdote com um sorriso caloroso, abençoando o casal diante de duzentas testemunhas influentes.

Christian virou-se para a esposa, erguendo o véu de renda com uma delicadeza que arrancou suspiros enternecidos da plateia.

Em vez de estender a mão para a tradicional troca de alianças abençoadas, ele deu um passo à frente.

Seus dedos longos e frios deslizaram pelo bolso interno do paletó de grife com uma rapidez desconcertante.

Ele retirou uma pequena caixa de veludo negro, mas o que de lá saiu não foi o anel de brilhantes esperado por todos.

Com um sorriso que apenas Victória podia enxergar de perto, ele ergueu a pequena chave mestra do destino dela.

As câmeras dos fotógrafos disparavam rajadas ensurdecedoras, capturando o que parecia ser o ápice da paixão romântica.

Christian puxou a esposa para um abraço apertado, colando os corpos sob a cumplicidade das lentes dos jornais.

No entanto, na zona cega das câmeras oficiais, a mão dele desceu pela cintura de Victória com uma força esmagadora.

Os dedos dele cravaram-se na carne dela através do tecido branco, fazendo-a conter um gemido de dor.

"Daqui em diante, meu amor, o espetáculo acabou."

Sussurrou ele contra o ouvido dela, enquanto fingia sorrir docemente para um senador na primeira fila.

"O seu passaporte, o seu celular e todos os seus cartões de crédito já estão sob a minha custódia exclusiva."

Victória sentiu o mundo desabar sob os pés no exato instante em que o coral da igreja entoava o canto de vitória.

O som dos aplausos e dos flashes misturava-se ao zumbido aterrorizante que ecoava em sua mente atordoada.

Ela tentou recuar um centímetro, mas o aperto dele tornou-se ainda mais implacável, como uma mordaça invisível.

"A partir de agora, o seu mundo inteiro cabe exatamente aqui, dentro do meu abraço."

Continuou Christian, com o timbre aveludado destilando um veneno gelado e calculado.

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"Tente qualquer gracinha, tente pedir ajuda a qualquer um desses convidados ricos, e você saberá o preço."

O eco daquela ameaça ainda queimava na memória de Victória enquanto ela piscava dentro da suíte escura do presente.

A lembrança daquele altar sagrado transformado em patíbulo fez a pulsação dela acelerar perigosamente no escuro.

No dia da festa de noivado, horas antes do casamento oficial, o cerco já havia começado a se fechar de forma implacável.

Naquela tarde abafada, ela estava trancada no escritório privativo da mansão da família, tentando enviar uma mensagem de última hora.

Seus dedos deslizavam velozes pela tela do smartphone, buscando desesperadamente uma rota de fuga digital.

Sua prioridade absoluta não era salvar a si mesma, mas proteger a única pessoa indefesa neste mundo.

A tela do celular exibia o chat aberto com a sua irmã caçula, a doce e vulnerável Camila.

Camila estava alojada na recatada escola de atendimento especial nos arredores de Campos do Jordão.

A distância geográfica e a fragilidade emocional da irmã transformavam-na no alvo perfeito para a chantagem de Christian.

Victória digitou furiosamente as instruções de emergência, configurando o envio automático para o amanhecer seguinte.

Caso algo acontecesse com ela, a mensagem alertaria as autoridades federais sobre as ameaças veladas do noivo.

No entanto, o barulho sutil da fechadura eletrônica girando interrompeu a linha de raciocínio no meio da frase.

A porta abriu-se com um rangido suave que gelou o sangue de Victória até a medula.

Christian entrou no gabinete sem fazer o menor ruído, trazendo consigo um aroma amadeirado de sândalo e charuto caro.

Ele caminhou pausadamente até parar logo atrás da cadeira giratória onde ela estava sentada, paralisada pelo pavor.

Antes que Victória pudesse bloquear a tela ou travar o sistema, a mão firme dele desceu sobre o aparelho.

Com um puxão seco e autoritário, o celular foi arrancado de seus dedos trêmulos e jogado sobre a escrivaninha de mogno.

Christian olhou para a tela acesa, lendo o rascunho da mensagem criptografada destinada à escola de Camila.

A expressão dele não demonstrou raiva ou surpresa, apenas uma frieza clínica e assustadora.

"Tentando trapacear antes mesmo de assinarmos o contrato definitivo, minha doce herdeira?"

Sussurrou ele, inclinando-se sobre o encosto da cadeira para encarar os olhos cinzentos dela de cima.

"Isso é extremamente decepcionante. Eu esperava um pouco mais de lealdade de quem vai carregar o meu sobrenome."

Victória levantou-se abruptamente, tentando recuperar o aparelho, mas foi empurrada de volta com um movimento leve e firme.

"Você não tem o direito de fazer isso, Christian! Deixe a minha irmã fora dos seus joguinhos doentios!"

Gritou ela, quebrando a compostura polida pela primeira vez diante do homem que logo se tornaria seu carrasco.

Christian soltou um riso curto, desdenhoso, enquanto guardava o celular dela no bolso interno do paletó.

"O direito quem dita sou eu, Victória, especialmente quando se trata de proteger você de si mesma."

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Afirmou ele, com uma serenidade que aterrorizava mais do que qualquer grito de fúria descontrolada.

"A sua irmã continuará recebendo os melhores cuidados do país, desde que você se comporte como a esposa perfeita."

Logo em seguida, ele a conduziu pelo braço até o cofre embutido na parede revestida de painéis de carvalho escuro.

Com uma sequência numérica complexa digitada no teclado tátil, a pesada porta de aço do cofre abriu-se com um estalido metálico.

Dentro daquela câmara blindada, jaziam todos os pertences pessoais que definiam a identidade civil de Victória de Medeiros.

O passaporte europeu com carimbos de várias capitais do mundo.

Os três cartões de crédito de alto limite vinculados às suas contas particulares de herança.

A caderneta de endereços de antigos amigos da faculdade de artes e os diários de infância.

Christian pegou cada um desses objetos sagrados com uma lentidão calculada, como um carrasco organizando suas ferramentas de tortura.

Um por um, ele depositou os documentos nas prateleiras mais profundas do cofre de aço escovado.

Victória assistiu a tudo com os punhos fechados com tanta força que as unhas cravaram na palma das mãos até sangrar.

Cada documento guardado representava um pedaço da sua liberdade sendo incinerado na pira da tirania conjugal.

"Não se preocupe com burocracias mundanas a partir de agora, querida."

Ironizou ele, olhando por cima do ombro enquanto ajustava as pilhas de papéis confisco dentro do cofre.

"Você não precisará de passaporte para viajar, pois o meu mundo é o único lugar para onde você irá."

O silêncio do escritório tornou-se sufocante, pesado com o peso de uma sentença perpétua sem direito a apelação.

Christian virou-se lentamente, encarando a noiva com um brilho de absoluta possessividade nas pupilas dilatadas.

Com um empurrão sutil e definitivo, ele fechou a porta do cofre de aço.

O baque seco da pesada porta metálica travando ressoou pelas paredes da mansão do Morumbi como tiros em um eco sem fim.

Aquele som metálico encerrou qualquer esperança de fuga pacífica antes mesmo de o casamento começar.

De volta ao presente, na escuridão da suíte blindada, Victória sacudiu a cabeça para afastar as lembranças do passado.

A agulha de metal frio repousava firme na palma da sua mão direita, pronta para iniciar o desmanche daquela prisão.

Ela sabia que o tempo estava esgotando-se e que cada segundo de hesitação poderia custar a vida de Camila.

Com passos absolutamente silenciosos, ela aproximou-se da porta que dava acesso ao escritório particular de Christian.

A ponta da agulha tateou a fechadura eletrônica interna, buscando a minúscula entrada de reset manual que apenas os instaladores conheciam.

Enquanto isso, do outro lado da parede divisória, o som de passos firmes começou a se aproximar da porta pelo corredor.

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