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"O Que Minha Esposa Estava Escondendo de Mim?" Capítulo 5

正文开头

Henrique permaneceu alguns segundos com o celular junto ao ouvido.

Seu nome na agenda de Isabela não deveria assustá-lo.

Era marido dela.

Mas, ao lado de Vitória, Augusto e Camila, parecia uma acusação.

"Mariana, tira uma foto dessa página e me manda."

"Henrique, você precisa entender o contexto antes de concluir qualquer coisa."

"Eu já passei tempo demais sem concluir nada."

Ele desligou.

Vitória continuava perto da janela.

"Algum problema?"

Henrique soltou uma risada amarga.

"Você ainda consegue perguntar isso?"

"Não fale comigo nesse tom."

"Minha esposa pode ter sido atacada, minha filha viu alguma coisa e metade da minha família estava escondendo documentos. Que tom você prefere?"

Vitória permaneceu imóvel.

Henrique colocou o celular sobre a mesa.

"Eu quero a verdade inteira."

"Eu já disse o que sabia."

"Não. Você disse a parte que conseguiu admitir."

Vitória estreitou os olhos.

"Escolha bem suas palavras."

"Você sabia das ações."

"Sim."

"Sabia que Isabela pretendia formalizar os direitos."

"Sim."

"Sabia que ela queria acesso às contas."

"Sim."

"E tentou fazê-la desistir."

"Também já admiti isso."

Henrique se aproximou.

"Então me diga por que meu nome estava junto com o seu na agenda dela."

Vitória pareceu surpresa.

"Seu nome?"

"Não finja."

"Eu não sei."

"Augusto. Camila. Você. Eu."

Vitória ficou em silêncio.

Henrique observou cada movimento do rosto dela.

"Ela estava investigando nós quatro?"

"Pergunte a ela quando acordar."

"Se acordar."

Vitória respirou fundo.

Henrique viu algo parecido com dor nos olhos da mãe.

Durou pouco.

"Não use isso contra mim."

"Então me ajuda."

"Eu não fiz nada com Isabela."

"Mas queria que ela desistisse."

"Querer que alguém assine uma renúncia não significa querer essa pessoa morta."

A palavra atingiu Henrique.

"Morta?"

Vitória percebeu.

"Você sabe o que eu quis dizer."

"Não. Eu falei em ataque. Você falou em morte."

"Henrique, pare."

"Você tinha medo dela."

Vitória ergueu o queixo.

"Eu tinha medo do que aquela disputa faria com a empresa."

"É sempre a empresa."

"Essa empresa sustentou três gerações da nossa família."

"E quase destruiu a quarta."

Vitória empalideceu.

Henrique continuou.

"Você tentou comprar o silêncio da minha esposa com quarenta milhões."

"Eu tentei evitar uma guerra."

"E quando ela disse não?"

"Eu fui embora."

"É só isso?"

"É."

"Jura?"

Vitória o encarou.

"Juro pela memória do seu pai."

Henrique sentiu uma tristeza profunda.

Antes, aquela frase bastaria.

Agora não.

"Eu não acredito mais em você."

Vitória ficou imóvel.

Aquelas palavras pareceram feri-la mais do que qualquer grito.

"Você está escolhendo Isabela contra sua própria mãe."

"Não."

Henrique pegou os documentos.

"Estou escolhendo descobrir quem colocou minha mulher naquela cama."

"Mesmo que destrua nossa família?"

Ele parou na porta.

"Se a verdade destruir essa família, então talvez ela já estivesse destruída."

Henrique saiu sem olhar para trás.

Naquela noite, voltou ao Hospital Santa Cecília.

Luna estava sentada na cama auxiliar do quarto, brincando com um coelho de pelúcia.

Dona Célia havia conseguido fazê-la comer algumas colheradas de sopa.

正文1

Isabela continuava inconsciente.

Henrique beijou a testa da filha.

"Oi, meu amor."

"Papai."

Ela levantou os braços.

Henrique a abraçou.

Por alguns minutos, permitiu-se esquecer documentos, ações, câmeras e mentiras.

Era apenas um pai segurando a filha.

Até a porta se abrir.

Camila entrou.

Henrique imediatamente percebeu uma diferença.

Ela carregava uma bolsa preta.

Luna também percebeu.

A menina ficou olhando para Camila.

Depois para a bolsa.

Não chorou.

Apenas franziu a testa.

Camila se aproximou com cuidado.

"Oi, Luna."

A menina não respondeu.

Camila colocou a bolsa preta sobre a poltrona.

Luna olhou para o objeto.

Depois para o canto onde Camila costumava deixar a bolsa bege.

Apontou.

"Cadê?"

Henrique sentiu um arrepio.

"O quê, meu amor?"

Luna apontou novamente para a cadeira.

"Cadê?"

Camila ficou tensa.

Henrique olhou para a bolsa preta.

Depois para ela.

"Cadê o quê?"

Camila cruzou os braços.

"Você vai começar de novo?"

"Eu estou falando com minha filha."

Luna olhou para Camila.

"Bolsa."

Henrique sentiu o coração acelerar.

"Essa?"

Ele apontou para a preta.

Luna balançou a cabeça.

"Não."

Camila soltou o ar.

"Henrique, por favor."

Ele ignorou.

"Qual bolsa, Luna?"

A menina fez um gesto com a mão.

"Outra."

Henrique levantou lentamente.

Seus olhos foram para Camila.

"Cadê a bolsa bege?"

Ela demorou uma fração de segundo.

"Em casa."

"Por quê?"

"Porque eu tenho mais de uma bolsa."

"Conveniente."

Camila perdeu a paciência.

"Isso está ficando doentio."

"Minha filha reconheceu a bolsa."

"Sua filha reconheceu uma cor."

"Ela tem medo daquela bolsa."

"Então você devia procurar um psicólogo infantil, não me transformar numa assassina."

Dona Célia arregalou os olhos.

Henrique ficou muito quieto.

"Eu nunca te chamei de assassina."

Camila percebeu o erro.

"Foi modo de falar."

"Você está usando modos de falar estranhos ultimamente."

Ela pegou a bolsa preta.

"Eu não devia ter vindo."

"Talvez não."

Camila olhou para Isabela.

Depois para Henrique.

"Quando tudo isso acabar, você vai se arrepender da maneira como está me tratando."

Henrique respondeu sem hesitar.

"Se eu estiver errado, eu peço perdão."

Ela parou.

"E se eu estiver certa sobre você..."

Camila esperou.

Henrique terminou.

"...não vai existir lugar em São Paulo onde você consiga esconder a verdade."

Camila saiu.

Henrique esperou a porta fechar.

Então olhou para Dona Célia.

"Fica com a Luna."

"O senhor vai aonde?"

"Descobrir onde está a outra bolsa."

Henrique sabia onde Camila morava.

Mas entrar no apartamento dela seria impossível sem levantar suspeitas.

Então fez algo diferente.

Ligou para Bruno, chefe da segurança particular da família.

"Preciso localizar o carro da Camila."

Bruno hesitou.

"Senhor Henrique..."

"Sem perguntas."

"Ela está com um Volvo branco."

"Eu sei."

"Posso verificar as câmeras da garagem."

"Faça."

Quarenta minutos depois, Bruno retornou.

"O carro está no estacionamento do prédio dela."

Henrique dirigiu até os Jardins.

Bruno o esperava na garagem.

"Isso pode dar problema."

"Eu assumo."

"O senhor quer que eu abra o carro?"

正文2

Henrique olhou para ele.

"Não."

Bruno pareceu aliviado.

"Quero saber se ainda temos a chave reserva."

A expressão dele mudou.

Camila usava um veículo registrado em nome de uma empresa do Grupo Vasconcelos.

Por isso havia uma chave administrativa.

Bruno a trouxe.

Henrique ficou diante do carro por alguns segundos.

Sabia que estava cruzando uma linha.

Mas então lembrou de Luna chorando.

Abriu.

O interior estava impecável.

Banco traseiro vazio.

Porta-luvas.

Nada.

Henrique abriu o porta-malas.

Havia uma caixa de sapatos.

Um casaco.

Uma sacola de academia.

E uma bolsa de tecido fechada.

Ele puxou.

Abriu.

A bolsa bege estava dentro.

Henrique parou.

"Meu Deus."

Bruno se aproximou.

"É essa?"

"Sim."

Henrique tirou a bolsa.

Parecia limpa demais.

Não havia nada dentro.

Nem maquiagem.

Nem carteira.

Nem perfume.

Nada.

Henrique passou a mão pelo forro.

Cheirava a produto de limpeza.

"Ela lavou isso."

Bruno franziu a testa.

"Uma bolsa de couro?"

"Olha."

Havia pequenas marcas úmidas perto da costura.

Henrique abriu todos os compartimentos.

Vazios.

Sentiu uma mistura de raiva e frustração.

Se havia alguma coisa ali, Camila tinha removido.

"Vamos embora."

Ele estava prestes a guardar a bolsa quando percebeu uma pequena irregularidade no forro.

Passou o dedo.

Algo estava preso entre o tecido e a costura.

Henrique puxou.

Um pedaço de papel amassado apareceu.

"Bruno."

Os dois se aproximaram da luz.

Henrique abriu cuidadosamente.

Esperava encontrar um nome.

Uma receita.

Talvez o nome de algum medicamento.

Não havia nada disso.

Apenas números escritos à mão.

"SC-04-317."

Bruno olhou.

"Isso significa alguma coisa?"

Henrique não sabia.

Tirou uma foto.

Guardou o papel exatamente onde estava.

Recolocou a bolsa no porta-malas.

"Não toca em mais nada."

Os dois saíram.

Na calçada, Henrique ligou para Dr. Rafael.

O médico atendeu sonolento.

"Henrique?"

"Preciso que você verifique um código."

"Que código?"

Henrique leu.

Houve silêncio.

"Rafael?"

"Repete."

Ele repetiu.

O médico demorou alguns segundos.

"De onde você tirou isso?"

"Por quê?"

"Henrique, responde."

"Encontrei num papel."

"Com quem?"

"Camila."

O silêncio ficou ainda maior.

"Rafael, que código é esse?"

O médico respirou fundo.

"SC é Santa Cecília."

Henrique sentiu o corpo gelar.

"E o resto?"

"Quatro é o setor."

"Qual setor?"

"Área restrita de apoio clínico."

"E 317?"

Rafael hesitou.

"É um armário interno."

Henrique apertou o celular.

"Armário de quê?"

"Depende do cadastro."

"Você consegue descobrir?"

"Consigo."

"Então descobre."

Henrique ouviu teclas do outro lado.

Alguns segundos depois, Rafael parou de digitar.

"Henrique..."

"O quê?"

"Tem alguma coisa errada."

"Fala."

"Esse armário não fica numa área acessível a visitantes."

Henrique olhou para o prédio onde Camila morava.

"Quem consegue entrar?"

"Funcionários autorizados."

"Camila não trabalha no hospital."

"Eu sei."

Henrique fechou os olhos.

A pergunta veio inevitavelmente.

Se Camila não tinha autorização para entrar naquela área, por que carregava escondido na bolsa o número de um armário interno do Hospital Santa Cecília?

E, pior ainda, quem havia dado aquele número a ela?

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