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"O Que Minha Esposa Estava Escondendo de Mim?" Capítulo 2

正文开头

Henrique não conseguiu dormir naquela noite.

A imagem de Luna apontando para a bolsa bege voltava sem parar à sua cabeça.

Não para Camila.

Não para o rosto dela.

Para a bolsa.

Aquilo o incomodava de um jeito que ele não conseguia explicar.

Crianças de dois anos não inventavam teorias.

Também não sabiam organizar memórias como adultos.

Mas Luna tinha visto alguma coisa.

E, por algum motivo, aquele objeto havia ficado gravado na cabeça dela.

Henrique passou a madrugada sentado ao lado da cama de Isabela.

Em alguns momentos, segurava a mão da esposa.

Em outros, apenas observava o monitor.

Perto das seis da manhã, levantou-se.

Foi até o posto de enfermagem.

Uma enfermeira que trabalhara no turno anterior ainda estava ali, organizando prontuários.

Henrique se aproximou.

"Preciso fazer uma pergunta."

Ela levantou os olhos.

"Claro, senhor Vasconcelos."

"A Camila Albuquerque esteve aqui ontem de manhã?"

A enfermeira hesitou.

"Esteve."

Henrique sentiu o estômago apertar.

"Que horas?"

A mulher consultou o sistema.

"Ela entrou às dez e dezessete."

"E saiu quando?"

"Dez e vinte e seis."

"Nove minutos?"

"É o que consta."

Henrique apoiou as duas mãos no balcão.

"Ela veio ver minha esposa?"

"Foi o que informou na recepção."

"Isabela estava sozinha?"

A enfermeira respirou fundo.

"Naquele momento, sim."

"Você entrou no quarto enquanto Camila estava lá?"

"Não."

"Alguém entrou?"

"Não que eu tenha visto."

Henrique fechou os olhos por um instante.

Nove minutos.

Era pouco tempo.

Mas era tempo suficiente para muita coisa.

"Minha esposa estava bem antes disso?"

"Ela tinha feito os exames iniciais. Estava consciente. Conversando normalmente."

"E depois?"

A enfermeira mudou de expressão.

"Pouco tempo depois, ela pediu água."

Henrique ficou imóvel.

"Água?"

"Sim."

A palavra caiu dentro dele como uma pedra.

Luna.

A bolsa.

A água.

Ele voltou imediatamente para o quarto.

Camila ainda não estava lá.

Dona Célia havia levado Luna para a mansão algumas horas antes.

Henrique olhou para Isabela.

"Isa, o que aconteceu aqui?"

Nenhuma resposta.

Ele caminhou pelo quarto.

Observou a mesa lateral.

O copo descartável usado no dia anterior já havia sido retirado.

A garrafa de água também.

Henrique apertou a mandíbula.

Naquele momento, a porta se abriu.

Camila entrou.

Usava um conjunto claro e óculos escuros.

Na mão, a mesma bolsa bege.

"Você passou a noite aqui?"

Henrique não respondeu.

Seus olhos desceram diretamente para a bolsa.

Camila percebeu.

"De novo isso?"

"Você esteve aqui ontem de manhã."

Ela tirou os óculos lentamente.

"Já falei que estive."

"Você disse que veio comigo."

"Eu disse que voltei com você."

Henrique estreitou os olhos.

"Não foi isso que você deixou parecer."

Camila soltou o ar pelo nariz.

"Henrique, você está procurando um culpado."

"Talvez."

"E decidiu que sou eu?"

"Eu quero saber por que você veio sozinha."

"Porque a Isabela estava no hospital."

"Você nunca foi próxima dela."

"Isso não significa que eu queria vê-la mal."

Henrique se aproximou.

"O que vocês conversaram?"

正文1

Camila desviou os olhos por um segundo.

Foi rápido.

Mas ele viu.

"Coisas pessoais."

"Que coisas?"

"Não são da sua conta."

Henrique soltou uma risada sem humor.

"Minha esposa está inconsciente numa cama e você acha que alguma conversa que teve com ela não é da minha conta?"

Camila endureceu.

"Ela me pediu discrição."

"Sobre o quê?"

"Sobre vocês."

O silêncio caiu entre os dois.

Henrique franziu a testa.

"Sobre nós?"

"Sim."

Camila pousou a bolsa sobre a cadeira.

"Ela estava confusa."

"Confusa como?"

"Sobre o casamento."

Henrique sentiu o peito apertar.

"Explique."

Camila hesitou.

"Ela disse que vocês não estavam bem."

"Isso não é verdade."

"Tem certeza?"

A pergunta atingiu Henrique num ponto que ele não queria tocar.

Nas últimas semanas, Isabela estava mais distante.

Havia discussões pequenas.

Silêncios longos.

Conversas interrompidas.

Mas aquilo era diferente de querer terminar o casamento.

"Você está mentindo."

Camila balançou a cabeça.

"Eu não tenho motivo para mentir."

Henrique olhou para a bolsa.

Depois para ela.

"Abre."

Camila ficou sem reação.

"O quê?"

"A bolsa."

"Você enlouqueceu?"

"Abre."

Camila deu um passo para trás.

"Você não tem esse direito."

Henrique apontou para o objeto.

"Minha filha viu essa bolsa e entrou em pânico."

"Ela tem dois anos."

"Você esteve aqui sozinha com Isabela."

"Por nove minutos."

"Exatamente."

Camila riu, incrédula.

"Você está mesmo fazendo isso?"

Henrique não se moveu.

"Abre a bolsa."

Os olhos dela se encheram de raiva.

"Você acha que eu fiz alguma coisa com a sua esposa?"

A pergunta saiu alta.

Henrique sustentou o olhar.

"Eu acho que você está escondendo alguma coisa."

Camila ficou pálida.

"Depois de tudo que eu fiz por você?"

"Isso não responde."

"Eu estive ao seu lado quando seu pai morreu."

"Camila."

"Eu estive ao seu lado quando o conselho tentou tirar você da presidência."

"Abre a bolsa."

Ela ficou imóvel por alguns segundos.

Depois puxou a bolsa da cadeira com brutalidade.

"Ótimo."

Abriu o zíper.

Virou o conteúdo sobre a mesa.

Um batom.

Um estojo de maquiagem.

Uma carteira.

Um molho de chaves.

Um frasco de perfume.

Um carregador.

Lenços de papel.

Nada mais.

Camila espalhou tudo com a mão.

"Está satisfeito?"

Henrique não respondeu.

"Procura."

"Camila..."

"Procura!"

Ela pegou a bolsa e entregou a ele.

"Revira tudo."

Henrique segurou o objeto.

Por alguns segundos, sentiu vergonha.

O que exatamente esperava encontrar?

Uma prova evidente?

Um frasco suspeito?

Um bilhete confessando alguma coisa?

Passou a mão pelo interior da bolsa.

Abriu os compartimentos.

Nada.

Camila observava com os olhos cheios de lágrimas.

"Terminou?"

Henrique devolveu.

Ela pegou a bolsa com força.

"Você acabou de me tratar como criminosa."

"Minha esposa está inconsciente."

"E eu sou culpada porque sua filha apontou para uma bolsa?"

"Eu estou tentando entender."

"Não. Você está desesperado."

A frase o atingiu.

Porque era verdade.

Camila recolheu seus objetos.

"Talvez você devesse procurar respostas na sua própria casa antes de me acusar."

正文2

Henrique ergueu os olhos.

"O que isso quer dizer?"

"Pergunta para sua esposa quando ela acordar."

Ela fechou a bolsa.

"Se ela acordar."

Henrique deu um passo na direção dela.

"Não diga isso."

Camila percebeu que havia ido longe demais.

"Henrique, eu..."

"Vai embora."

"Eu não quis..."

"Vai."

Ela ficou parada.

Depois colocou os óculos escuros e saiu.

Henrique permaneceu sozinho.

A dúvida começou a crescer.

Talvez Camila estivesse certa.

Talvez ele estivesse perdendo o controle.

Talvez estivesse tentando transformar o medo em suspeita porque era mais fácil culpar alguém do que aceitar que Isabela simplesmente podia estar gravemente doente.

Horas depois, Dona Célia voltou com Luna.

A menina parecia cansada.

Assim que viu a mãe, pediu para descer do colo.

"Mamãe."

Henrique a pegou.

"Ela está descansando, meu amor."

Luna tocou a mão de Isabela.

Dessa vez, não chorou.

Ficou apenas olhando.

Até a porta se abrir.

Camila apareceu novamente.

Henrique quase perguntou por que ela tinha voltado.

Mas Luna reagiu antes.

O corpo da menina ficou rígido.

Ela olhou para a bolsa bege.

E começou a chorar.

"Não."

Henrique sentiu o coração acelerar.

"Luna?"

"Não, papai."

Camila parou na entrada.

Henrique se ajoelhou diante da filha.

"Olha para mim."

Luna tentou esconder o rosto.

Ele segurou delicadamente suas mãos.

"Meu amor, o que aconteceu?"

A menina apontou para a bolsa.

"Mamãe..."

Henrique esperou.

"Fala com o papai."

Luna fez um gesto pequeno com a mão, como se segurasse alguma coisa.

"Água."

Henrique congelou.

"O quê?"

"Mamãe... água... bolsa."

Camila perdeu a cor.

Dona Célia levou a mão à boca.

Henrique se levantou devagar.

"Camila."

"Não começa."

"O que a Luna quer dizer?"

"Eu não faço ideia."

"Você estava aqui quando Isabela pediu água?"

Camila recuou.

"Eu não lembro."

"Você ficou nove minutos neste quarto."

"Henrique..."

"Você deu água para ela?"

"Eu não sei."

"Como não sabe?"

A voz dele aumentou.

Camila olhou para Luna.

Depois para Isabela.

"Ela pode estar misturando coisas."

Henrique se aproximou.

"Então me ajuda a separar."

Camila segurou a bolsa contra o corpo.

"Eu já te mostrei tudo."

"Hoje."

Ela franziu a testa.

"Como assim?"

Henrique encarou o objeto.

"Você me mostrou o que tem nela hoje."

Camila não respondeu.

Naquele momento, o celular de Henrique vibrou.

Era Mariana Oliveira.

Ele quase ignorou.

Mas atendeu.

"Mariana?"

A voz do outro lado estava tensa.

"Henrique, eu preciso falar com você."

"Agora não."

"É sobre a Isabela."

Ele se afastou alguns passos.

"O que aconteceu?"

"Eu encontrei uma coisa no celular dela."

Henrique ficou em silêncio.

Mariana continuou.

"Ela estava escrevendo uma mensagem para mim ontem."

"O que dizia?"

"Houve um rascunho salvo automaticamente."

Henrique apertou o aparelho contra o ouvido.

"Mariana, fala."

A voz dela baixou.

"Ela escreveu: Se alguma coisa acontecer comigo, não confie em..."

Henrique sentiu um arrepio.

"E depois?"

"Depois nada."

"Como assim nada?"

"A mensagem termina aí."

Henrique olhou para Camila.

Ela continuava parada junto à porta, segurando a bolsa.

"Não aparece o nome?"

"Não."

Henrique fechou os olhos.

"Tem certeza?"

"Tenho."

Ele desligou lentamente.

Camila o encarou.

"O que foi?"

Henrique não respondeu.

Pela primeira vez, aquela frase começou a ecoar na cabeça dele com mais força do que o choro de Luna.

"Se alguma coisa acontecer comigo, não confie em..."

E agora Henrique tinha uma pergunta ainda pior.

Em quem Isabela estava tentando dizer para ele não confiar?

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