localização atual: Novela Mágica Meu Marido Tirou Tudo de Mim Capítulo 4
标题上

"Meu Marido Tirou Tudo de Mim" Capítulo 4

正文开头

O roteiro da coletiva ocupou o telão da sala. Damião apareceria diante do logotipo da Hartmann e pediria privacidade para a família. Em seguida anunciaria uma administração de emergência.

Clara reconheceu frases que ele já ensaiara em casa.

— "Ela precisa se afastar de tudo que possa aumentar sua ansiedade" — leu. — Você falou isso na noite em que tirou meu acesso aos relatórios.

Damião cruzou os braços.

— Você precisava de ajuda.

— Eu precisava das senhas que eram minhas.

Raul pediu a Caio uma cópia preservada do e-mail. Celeste passou a mão no pescoço e percebeu que um dos fios de pérola se abrira. Duas contas brancas estavam no carpete.

— Essa mensagem não prova autoria — disse ela.

— O cabeçalho, os registros de acesso e seu aparelho vão ajudar — respondeu Caio.

Helena recebeu uma chamada e saiu para o corredor. Voltou cinco minutos depois acompanhada por uma mulher de cabelos pretos, bolsa de couro gasta e guarda-chuva molhado.

Clara se levantou.

— Lívia.

A terapeuta parou na entrada.

— A polícia me informou que páginas do seu prontuário foram anexadas a documentos empresariais. Trouxe o que posso entregar com sua autorização.

Clara assinou um consentimento limitado. Damião tentou se aproximar, e Raul indicou a cadeira.

Dra. Lívia Meirelles colocou dois registros lado a lado. O primeiro era a anotação original, emitida pelo sistema da clínica. Dizia que Clara apresentava luto esperado, sono irregular e plena capacidade de julgamento. O segundo fora entregue ao conselho da Hartmann. Trechos haviam sido recortados; a expressão "plena capacidade" desaparecera.

— Esse arquivo não saiu do meu computador — afirmou Lívia. — Foi exportado por um administrador da clínica.

— Seu cunhado? — perguntou Helena.

— Gustavo. Ele assumiu o acesso técnico durante uma atualização.

Celeste fitou a médica.

— Tenha cuidado com acusações.

Lívia abriu a bolsa e tirou um convite impresso.

— Ele me contou sobre o jantar. Também falou de um contrato grande demais para um médico que nunca trabalhou com empresas.

Clara tocou a margem do laudo adulterado. Damião aproximara seu rosto da tela do celular muitas vezes enquanto ela dormia. Dissera que precisava conferir a hora. Ela mudara a senha depois de encontrar um e-mail aberto.

— Como conseguiram minhas sessões?

Lívia apontou a página.

— O texto foi montado com fragmentos de três consultas. Alguém acessou as transcrições.

Bianca pediu para falar a sós com sua advogada, que acabara de chegar. Raul as levou a uma sala lateral.

Artur permaneceu ao lado da janela. Clara percebeu que ele evitava a cadeira de Augusto.

— Meu pai sabia que isso podia acontecer?

— Ele sabia que controle sem fiscalização atrai gente perigosa.

— Perguntei se sabia sobre Damião.

Artur demorou a responder.

— Augusto desconfiava da pressa dele.

— E ninguém me contou.

— Você estava apaixonada.

Clara fechou a pasta do prontuário com força.

正文1

— Essa resposta serve para quem quer decidir por mim.

Artur recebeu o golpe sem alterar o tom.

— Tem razão.

A chuva bateu contra o vidro. Pela primeira vez desde que entrara, Artur olhou diretamente para ela.

— Seu pai pediu que eu ficasse fora enquanto você comandasse livremente. A cláusula só permitia minha intervenção diante de coação comprovada.

— Damião me afastou por um ano.

— E você ainda encontrou prova suficiente para ativar o fundo.

Clara guardou o prontuário original. Não pediu elogio.

Helena retornou com outra notícia. O secretário do conselho, Otávio Reis, aceitara entregar a gravação de uma reunião fechada em troca de proteção funcional.

Naquela noite, ouviram o áudio na antiga sala de Augusto. Damião dizia que o mercado não toleraria uma herdeira fragilizada. Celeste sugeria "uma base clínica". Um terceiro homem perguntava se Clara assinaria.

— Se ela não assinar — respondera Damião —, a gente usa a crise para retirar o poder de voto.

Otávio tossia antes de cada intervenção. Na gravação, sua voz apareceu pedindo garantias de que o conselho não seria responsabilizado.

Helena abriu a ata oficial da mesma reunião. Nenhuma menção à saúde de Clara aparecia ali. O texto registrava apenas "planejamento sucessório e estabilidade administrativa".

— Quem redigiu? — perguntou Clara.

— Meu departamento — respondeu Otávio pelo viva-voz.

— E quem mandou retirar as falas?

Uma tosse longa atravessou a linha.

— O presidente interino.

— Você assinou.

— Eu estava protegendo a companhia.

— Você estava protegendo sua cadeira.

Otávio pediu para conversar pessoalmente. Clara marcou o encontro para a manhã seguinte, na presença de Helena e de um representante da auditoria. Ele ainda tentou obter garantia de permanência.

— Traga o arquivo original — disse ela. — Depois falamos sobre seu cargo.

Lívia esperou o fim da ligação.

— Preciso registrar outra coisa. Gustavo me procurou ontem e pediu que eu confirmasse crises de choro frequentes.

— O que respondeu?

— Que chorar durante o luto não define incapacidade. Ele sugeriu que eu "pensasse na clínica".

Raul anotou o horário, o local e as palavras usadas. Lívia concordou em entregar mensagens.

Clara acompanhou a terapeuta até o elevador.

— Eu devia ter percebido o acesso.

— A violação foi deles — respondeu Lívia. — O prontuário continua sendo seu, inclusive quando alguém tenta usá-lo para contar outra história.

As portas se fecharam.

Quando Clara voltou, Artur segurava o envelope amarelado. Antes de entregá-lo, mostrou uma segunda inscrição de Augusto: "A proteção deve devolver escolha, nunca substituir a escolha."

— Ele escreveu isso depois de discutir comigo — disse Artur. — Eu queria ativar a cláusula assim que Damião entrou no conselho.

— Meu pai recusou?

— Disse que desconfiança não bastava.

Clara rompeu o lacre e encontrou a data do aniversário.

Clara desligou o aparelho.

— Quero a lista de todos que estavam lá.

— Alguns vão oferecer acordo — disse Helena.

— Primeiro entregam os documentos.

Antes que a conversa terminasse, Clara pediu a Lívia um relatório com cada divergência entre os prontuários. A médica concordou e acrescentou o histórico de acessos administrativos.

— Isso pode atingir outros pacientes — disse Clara.

— Vou solicitar auditoria de toda a clínica.

Helena incluiu no pedido judicial a preservação imediata do servidor médico. Raul confirmou que uma equipe já seguia para lá. A fraude deixava de depender apenas da memória de quem participara do jantar.

Clara fechou a cópia adulterada num envelope separado. Na frente, escreveu: "Documento que tentaram usar contra mim".

Artur retirou um envelope do bolso interno do sobretudo. O papel estava amarelado nas bordas e trazia a caligrafia de Augusto.

— Falta você entender por que Damião marcou essa reunião para hoje.

Clara rompeu o lacre. A primeira página era um anexo do fundo, assinado seis meses antes da morte do pai.

No centro, uma data estava sublinhada.

Seu aniversário de trinta e oito anos.

Faltavam onze dias.

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部