"Meu Marido Tirou Tudo de Mim" Capítulo 3
Bianca apertou o papel contra a mesa.
— Eu nunca abri essa empresa.
Helena girou o tablet. A ficha da Junta Comercial ocupou a tela, acompanhada por uma fotografia tirada durante reconhecimento facial.
— O cadastro foi feito com seu documento, sua imagem e uma conta vinculada ao seu CPF.
— Damião cuidou disso. Você falou que era parte do pacote.
Ele examinava a ordem de busca.
— Você assinou.
— Assinei onde você marcou.
Clara se aproximou. A Mirante recebera seis pagamentos mensais, sempre dois dias depois das reuniões em que Bianca apresentava relatórios copiados de consultorias estrangeiras.
— Quanto você ficou?
Bianca abriu a boca, mas Damião respondeu:
— Ela não fala com você.
— Agora eu falo com quem eu quiser — disse Bianca.
Raul pediu que todos deixassem os celulares sobre a mesa. Damião recusou até o agente mostrar a parte da ordem que autorizava a apreensão. Celeste colocou o aparelho ao lado das pérolas que haviam escorregado para o decote.
O telefone de Bianca vibrava sem parar. Alertas bancários surgiam na tela bloqueada.
— Eu recebi seiscentos mil — ela disse. — O restante voltava para contas que ele me passou.
— Mentira.
— Você mandava os códigos por mensagem temporária.
Raul aproximou um saco de evidências.
— A senhora aceita desbloquear o aparelho?
Bianca hesitou. Os olhos foram de Damião a Clara.
— Quero advogada.
— É um direito seu.
Helena juntou os papéis que Clara recusara assinar e colocou cada folha em uma capa plástica. A caneta de prata ficou isolada em outro saco.
— Por que a caneta? — perguntou Celeste.
— Impressões, gravação da sala, contexto da coação — respondeu Raul.
Damião puxou uma cadeira. Pela primeira vez, não ocupava a cabeceira.
— Isso vai derrubar a cotação, Clara. Você está destruindo a empresa por vingança.
Ela abriu a última fatura no tablet.
— A Via Norte cobrou sete milhões por entregas que nunca saíram do pátio. A Mirante recebeu quatro milhões por uma reestruturação que fechou nosso galpão mais antigo.
Artur permaneceu em silêncio. Clara reconheceu o método do pai: deixar os números retirarem espaço dos discursos.
A porta abriu para a equipe de tecnologia. Caio Ferraz entrou com duas malas rígidas, cabos e etiquetas. Tinha trinta anos, óculos redondos e a pressa de quem organizava o mundo em diretórios.
— Ninguém toca nos notebooks — avisou. — Nem para fechar a tampa.
Ele fotografou as telas, conectou um bloqueador de escrita e começou a copiar os discos. Damião tentou acompanhar cada passo.
— Esse rapaz trabalha para quem?
— Para o fundo — disse Helena.
— Então a cadeia de custódia está contaminada.
Raul levantou os olhos.
— A perícia federal assume a imagem forense. Ele preserva os servidores da companhia.
Caio ergueu um dedo sem desviar da tela.
— Achei uma rotina de apagamento marcada para meia-noite.
Clara foi até ele.
— O que seria apagado?
— Caixa de e-mail do conselho, pasta financeira e backups do módulo de fornecedores. Quem criou a tarefa usou a credencial de Damião West.
— Cancela.
— Já isolei. Quero ver o que deixou nervoso quem programou isso.
Celeste pediu água. Um segurança trouxe uma garrafa lacrada e permaneceu ao lado dela.
— Estou sendo tratada como criminosa.
Clara observou a mulher apoiar a garrafa para não borrar o batom.
— A senhora prometeu um contrato ao doutor Meirelles?
Celeste pousou a água.
— Não sei de quem está falando.
— O médico que assinou a carta sobre minha capacidade.
— Um profissional respeitado.
— Que nunca me examinou.
Damião bateu o pé da cadeira no chão.
— Você foi atendida pela clínica.
— Minha terapeuta se chama Lívia. O homem que assinou é Gustavo Meirelles, irmão do diretor.
Bianca fechou os olhos.
— O jantar.
Todos se viraram.
— Que jantar? — perguntou Raul.
— Na casa da Celeste. O médico estava lá. Damião falou de uma consultoria de saúde ocupacional.
Celeste apertou a garrafa.
— Havia vinte convidados.
— Eu fiz as fotos — continuou Bianca. — Ele pediu para não postar.
Raul colocou o celular dela no saco sem desligá-lo.
Caio chamou Clara.
— Encontrei a lixeira do servidor.
Na tela havia quarenta e dois e-mails excluídos. Assuntos genéricos escondiam planilhas, minutas e instruções. Um deles fora enviado por Celeste a Damião, com cópia oculta para o médico.
O texto começava com orientações para sustentar a "incapacidade emocional transitória" de Clara. Quatro linhas abaixo, alguém corrigira a expressão.
Em vermelho, aparecia: usar incapacidade definitiva.
Caio restaurou os anexos relacionados à Mirante. Havia notas de consultoria, recibos de hospedagem e comprovantes de reuniões em cidades onde Bianca jamais estivera. Uma fotografia usada como prova de presença vinha de uma viagem de férias publicada em rede social.
— Reaproveitaram a imagem e trocaram a data — disse ele.
Bianca acompanhava da sala lateral através do vidro. Sua advogada pediu acesso à descoberta, e Raul respondeu que receberia o material no procedimento adequado.
Clara examinou a quarta ficha cadastral. A empresa se chamava Horizonte Clínico e prestara "avaliação de risco executivo" por oitocentos mil reais.
— Quem recebeu?
Helena localizou o quadro societário.
— Uma holding ligada ao irmão do doutor Meirelles.
Celeste soltou a garrafa vazia na mesa.
— Consultorias médicas custam caro.
— O serviço ocorreu antes ou depois do laudo? — perguntou Clara.
Caio abriu as datas. O primeiro pagamento acontecera quarenta e oito horas antes da emissão. O segundo, no dia em que Damião enviou o material ao conselho.
Artur pediu a palavra.
— A cláusula do fundo exige avaliação por dois profissionais independentes, escolhidos por sorteio de lista pública. Uma carta particular nunca retiraria o voto de Clara.
Damião se levantou.
— Então por que estamos discutindo isso?
— Porque a carta ajudaria a convencer imprensa, bancos e conselheiros antes que alguém lesse o instrumento — disse Helena.
Clara abriu o calendário da própria agenda. No dia seguinte à coletiva planejada, havia uma consulta psiquiátrica marcada em seu nome numa clínica que não conhecia.
— Quem agendou?
Caio consultou o e-mail de confirmação.
O contato informado era o telefone de Celeste.
Clara virou a tela para ela. A sogra não negou. Passou o dedo sobre o lugar onde faltava uma pérola e pediu outra garrafa de água.
Clara leu até o fim.
Anexado à mensagem estava o roteiro da coletiva que Damião pretendia dar na manhã seguinte à assinatura. No primeiro parágrafo, ele lamentava o colapso público da esposa.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4