"Minha Mãe Deixou Minha Esposa Desmaiada no Chão" Capítulo 1
A mala bateu no piso da entrada e tombou de lado.
Arthur ficou parado no vão entre o corredor e a sala de jantar. A mãe cortava um frango assado na ponta esquerda da mesa. Havia batatas, vagem, salada, pão ainda soltando vapor e duas garrafas de vinho abertas.
Elena estava caída no tapete, a menos de dois metros daquela comida.
Leo chorava no moisés branco entre a mesa e o sofá. O rosto do menino tinha adquirido um vermelho escuro, e os braços se agitavam dentro do macacão cinza.
— Elena!
Margaret ergueu os olhos por cima do frango.
— Por favor, Arthur. Poupe o teatro.
Ele passou pelo moisés, caiu de joelhos ao lado da esposa e tocou o rosto dela. A pele estava fria. Os fios castanhos grudavam na testa molhada, e os lábios tinham pequenas rachaduras.
— Amor, abre os olhos.
Nada.
Leo puxou o ar e soltou outro grito. Arthur se virou, enfiou uma mão sob a nuca do filho e a outra sob as costas. Trouxe o bebê contra o peito e voltou a tocar o ombro de Elena.
— Elena. Sou eu.
Arthur deveria chegar na sexta-feira. Na terça à noite, ligara três vezes e ouvira apenas a caixa postal. Margaret respondeu por mensagem: “Ela dormiu. Pare de acordar a casa.” Na manhã seguinte, Elena continuou sem confirmar uma foto de Leo enviada por ele.
Arthur saiu da reunião em Bogotá antes da assinatura final. O diretor financeiro reclamou do custo da mudança, e a equipe jurídica pediu que ele permanecesse por mais quatro horas. Arthur entregou a negociação à vice-presidente, trocou a passagem no aplicativo e embarcou sem avisar a mãe.
No aeroporto de Guarulhos, tentou Elena de novo. A chamada tocou até cair. Margaret atendeu na tentativa seguinte.
— Está tudo sob controle — disse ela.
— Quero falar com a Elena.
— Ela tomou banho. Você sempre acha que precisa fiscalizar todo mundo.
A ligação terminou antes que Arthur perguntasse por Leo. Durante o trajeto até Campinas, ele mandou o motorista acelerar duas vezes e desistiu na terceira. A chuva deixava a rodovia brilhando. Quando o carro entrou na rua da casa, a câmera externa girou na direção do portão.
Arthur não notou. Pegou a mala, dispensou o motorista e entrou usando a própria digital. A ausência de resposta de Elena havia trazido Arthur de volta; a câmera avisara Margaret que o tempo dela acabara.
As pálpebras dela tremeram. O olhar demorou a encontrar o dele.
— Arthur?
— Tô aqui.
Os dedos de Elena fecharam em torno do punho da camisa dele. Leo esfregou a boca no tecido, procurando alimento.
Arthur olhou para a mãe.
— Quando foi que ele mamou?
Margaret pousou a faca no prato, alinhada ao garfo.
— Tem fórmula na cozinha.
— Eu perguntei quando.
— O menino está bem.
Elena virou os olhos para Margaret. O movimento foi pequeno. O corpo inteiro dela encolheu dentro do robe.
Arthur se inclinou.
— O que aconteceu?
— Ela... — Elena molhou os lábios, mas a língua parecia seca demais. — Ela não me deixava comer.
Margaret empurrou a cadeira para trás.
— Desde que você viajou, essa mulher transformou a casa num hospício.
— Quando você comeu pela última vez? — Arthur perguntou.
Elena apertou o tecido da manga dele.
— Não sei.
— Ela comeu — disse Margaret.
— O quê?
— O suficiente.
A travessa de frango ocupava o centro da mesa. A taça de Margaret estava pela metade. No lugar onde Elena costumava sentar, o prato permanecia limpo e virado para baixo.
Arthur ajeitou Leo no braço esquerdo e passou o direito pelas costas da esposa.
— Vou te levantar. Devagar.
Elena tentou apoiar a palma no chão. Um gemido escapou quando o abdome dobrou.
— Para. Onde dói?
— Na cirurgia.
Ele afastou a borda do robe sem tocar no curativo. A pele ao redor estava vermelha. Elena começou a tremer, primeiro nas mãos, depois nos ombros.
— Hospital. Agora.
Margaret se levantou e atravessou a sala. Parou diante da porta que levava ao corredor.
Arthur ajudou Elena a se apoiar na lateral do sofá. Ela permaneceu curvada, com uma mão sobre o abdome. Leo continuava preso ao peito dele.
— Saia da frente, mãe.
— Você passou a noite num avião. Está exausto. Ela está histérica. Me dê o bebê.
Margaret estendeu os braços.
— Você não vai levar o meu neto para lugar nenhum.
Arthur colocou o corpo entre as duas mulheres.
— Meu filho.
— Não faça uma cena na frente dele.
— Abra a porta.
Margaret segurou a maçaneta. Leo chorou com mais força. Elena tentou dar um passo e perdeu o equilíbrio. Arthur a puxou pela cintura antes que caísse.
O robe dela se abriu no lado interno. Uma pasta de couro marrom escorregou, bateu no piso e soltou o fecho de metal.
Margaret empalideceu.
Arthur acompanhou o olhar dela até o documento exposto.
AUTORIZAÇÃO TEMPORÁRIA DE CUIDADOS FAMILIARES.
— Arthur... — Margaret soltou a maçaneta. — Não abra isso.
Ele encostou Elena na parede, certificou-se de que ela conseguia ficar em pé e se abaixou sem tirar Leo do braço. A primeira página tinha o nome de Elena. A segunda trazia uma declaração de possível incapacidade médica.
Na última linha havia duas assinaturas.
Uma delas era a dele.
— Eu nunca assinei isso.
Margaret deu um passo para a pasta.
Arthur a fechou antes que ela alcançasse a folha.
— Fique onde está.
— Você não entende o documento.
— Então explique sem tocar nele.
Margaret apontou para Elena.
— Ela assinou diante de mim. Leu tudo.
Elena balançou a cabeça e quase perdeu o apoio da parede. Arthur segurou sua cintura. A pasta continuou presa sob o braço, com o fecho voltado para fora.
— Era um papel da alta — disse Elena. — Você cobriu a parte de cima com outra folha.
Margaret olhou para o telefone de Arthur antes mesmo que ele o tirasse do bolso.
— Se chamar alguém, vão levar o bebê para avaliação. É isso que você quer?
— Quero que os dois recebam atendimento.
Elena olhou para o papel, depois para Margaret.
— Ela disse que era a alta do hospital.
Margaret recuperou a voz.
— Se você levá-la, todos vão descobrir que ela não tem condições de cuidar dessa criança.
Arthur prendeu a pasta sob o braço, tirou o celular do bolso e discou 192. Avançou um passo. Margaret recuou e largou a passagem.
— SAMU, qual é a emergência?
— Minha esposa desmaiou oito dias depois de uma cesárea. Meu filho recém-nascido também parece desidratado.
Ele abriu a porta e deu o endereço. Antes de encerrar, fixou os olhos na assinatura copiada.
— E alguém falsificou meu nome num documento para tomar o nosso bebê.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4