"O NDA Manchado de Sangue" Capítulo 14
"É a décima quinta empresa."
O silêncio tomou a sala.
Teresa levou a mão à boca.
"Então nunca acabou."
Helena olhou para ela.
"Não."
Voltou para a tela.
"Ela só mudou de nome."
A investigação mudou de direção naquela madrugada.
Não procuraram Marcelo.
Não procuraram seu celular.
Não procuraram imóveis.
Procuraram a Prisma Gestão de Ativos.
E quanto mais cavavam, mais o mapa crescia.
À uma da manhã, encontraram uma holding em Belo Horizonte.
Às duas, uma administradora de fundos em Curitiba.
Às três e quinze, uma empresa registrada em Montevidéu.
Às quatro, uma estrutura fiduciária nas Ilhas Virgens Britânicas.
Helena não saiu da cadeira.
A perna doía.
As costas queimavam.
Mas ela continuava.
Lívia colocou um café na frente dela.
"Bebe."
"Depois."
"Agora."
Helena pegou.
Gabriel estava em outro computador.
"Encontrei um fundo."
Helena virou.
"Qual?"
"Arbor Capital III."
"Valor?"
"R$ 46 milhões."
"Origem?"
"Prisma."
"Destino?"
"Conta internacional."
"Quando?"
Gabriel ficou em silêncio.
Helena percebeu.
"Quando?"
"Programado para depois de amanhã."
Ela sentiu o corpo inteiro ficar alerta.
"Mostra."
Ele girou a tela.
Uma ordem de liquidação estava registrada.
Quarenta e oito horas.
Helena começou a procurar.
"Tem mais."
Lívia se aproximou.
"Como sabe?"
"Porque ninguém constrói essa estrutura para uma transferência só."
Cinco minutos depois, encontrou outra.
R$ 28 milhões.
Depois uma terceira.
R$ 17 milhões.
Rafael entrou pouco depois.
"Recebi o alerta."
Helena apontou para as telas.
"Eles estão tirando o dinheiro do Brasil."
"Quanto?"
"Ainda estamos somando."
"Dos R$ 210 milhões?"
"Sim."
Gabriel digitava rapidamente.
"Mais uma."
"Quanto?"
"R$ 31 milhões."
Helena fechou os olhos.
"Total?"
Lívia fez a soma.
"R$ 122 milhões programados."
Rafael ficou imóvel.
"Para quando?"
"Entre hoje à noite e as próximas quarenta e oito horas."
Teresa estava sentada no canto.
"Se sair?"
Helena respondeu:
"Vai ser muito mais difícil recuperar."
"Quanto mais difícil?"
Ela olhou para a mãe.
"Talvez impossível."
Teresa abaixou os olhos.
Helena voltou à tela.
Aqueles números não eram apenas dinheiro.
Havia pessoas atrás deles.
Aposentados.
Funcionários antigos.
Famílias que passaram décadas contribuindo.
Gente que contava com aquele fundo para remédio.
Aluguel.
Comida.
Velhice.
Marcelo podia desaparecer.
Mas não levaria aquilo.
Helena olhou para Lívia.
"Precisamos congelar tudo."
"Eu sei."
"Não só as contas."
"Helena."
"Imóveis."
"Sim."
"Aeronaves."
"Sim."
"Fundos."
"Sim."
"Trustes."
"Vou pedir."
"Agora."
Lívia pegou o celular.
"Agora."
Às cinco e quarenta da manhã, a primeira ordem emergencial foi assinada.
Às cinco e cinquenta e dois, três contas foram bloqueadas.
R$ 18 milhões.
Às seis e sete, outras cinco.
Mais R$ 27 milhões.
Às seis e vinte, uma corretora suspendeu a liquidação de dois fundos.
Às seis e trinta e quatro, o Banco Central recebeu ordem de rastreamento ampliado.
Helena observava os números mudarem na tela.
Uma linha ficava vermelha.
Depois outra.
Depois outra.
BLOQUEADO.
BLOQUEADO.
BLOQUEADO.
Gabriel estava ao lado dela.
"Isso é dele?"
"Não."
Helena respondeu.
"É das pessoas de quem ele tirou."
Às sete, um imóvel no Morumbi foi indisponibilizado.
Depois uma cobertura no Itaim Bibi.
Uma casa em Angra dos Reis.
Duas fazendas.
Participações societárias.
Títulos privados.
Fundos de investimento.
Uma conta em Luxemburgo foi marcada para retenção internacional.
Uma estrutura fiduciária recebeu ordem de não movimentação.
Lívia entrou segurando outra decisão.
"Conseguimos a aeronave."
Helena ergueu os olhos.
"Qual?"
"Jato executivo registrado em nome da Vértice Aviação."
Gabriel franziu a testa.
"Vértice."
Helena assentiu.
"Mesmo nome antigo."
"Ele manteve."
"Porque achava que ninguém procuraria tão longe."
Rafael entrou logo atrás.
"Temos dois hangares bloqueados."
"E o jato?"
"Em Congonhas."
Helena sentiu uma satisfação fria.
Pela primeira vez desde que Marcelo desaparecera, ele perdera alguma coisa antes de conseguir fugir.
Dinheiro.
Avião.
Casas.
Contas.
A estrutura que comprava silêncio começava a parar.
O telefone de Gabriel vibrou.
Ele olhou.
"Recebi uma mensagem."
Helena virou.
"De quem?"
"Número desconhecido."
"Não abre."
Rafael pegou o aparelho.
"Deixa a perícia ver."
Gabriel entregou.
Pouco depois, o técnico confirmou que era apenas texto.
Rafael leu.
"Você acha que congelar dinheiro muda alguma coisa?"
Helena ficou imóvel.
Gabriel perguntou:
"Marcelo?"
"Provavelmente."
Outra mensagem chegou.
"Dinheiro sempre encontra uma saída."
Helena estendeu a mão.
Rafael mostrou a tela.
Ela leu.
Depois respondeu:
"Não manda nada."
Gabriel olhou para ela.
"Você não vai responder?"
"Não."
"Por quê?"
"Porque ele quer saber se estamos reagindo."
Ela voltou ao computador.
"Prefiro que descubra pelos bancos."
Mais uma conta foi bloqueada.
R$ 9,6 milhões.
Helena sorriu de leve.
"Essa é minha resposta."
Às oito e quinze, a maior parte das transferências previstas estava congelada.
O total protegido ultrapassava R$ 160 milhões entre recursos disponíveis, participações e ativos identificados.
Ainda faltava muito.
Mas Marcelo já não podia simplesmente apertar um botão e levar tudo embora.
Lívia tirou os óculos.
"Você conseguiu."
Helena balançou a cabeça.
"Ainda não."
"Paramos as transferências."
"Por enquanto."
"É uma vitória."
"Vitória temporária."
Gabriel olhou para ela.
"Você nunca comemora?"
"Quando acabar."
"Isso pode demorar anos."
"Então vou comemorar daqui a alguns anos."
Ele quase sorriu.
Foi a primeira vez em dias que algo entre eles pareceu normal.
Durou pouco.
Rafael entrou segurando uma pasta.
"Temos um problema com o avião."
Helena ficou tensa.
"Ele decolou?"
"Não."
"Então?"
"O plano de voo."
Ele colocou o documento sobre a mesa.
"O jato tinha autorização para sair de Congonhas às vinte e três e quarenta de hoje."
"Destino?"
"Primeiro Assunção."
Helena entendeu.
"Escala."
"Provavelmente."
"E depois?"
"Não constava no plano brasileiro."
Gabriel perguntou:
"Marcelo estava na lista?"
Rafael assentiu.
"Sim."
Helena sentiu o pulso acelerar.
"Então finalmente sabemos quando ele pretendia fugir."
"Sim."
"Quem mais?"
Rafael hesitou.
Helena percebeu.
"Quem?"
Ele colocou a lista diante dela.
Havia quatro nomes.
Piloto.
Copiloto.
Marcelo Valença.
E mais uma passageira.
Helena leu.
Uma vez.
Depois outra.
O corpo inteiro pareceu esfriar.
"Não."
Gabriel se aproximou.
"O que foi?"
Helena não respondeu.
Na última linha estava escrito:
Teresa Aparecida Duarte.
Sua mãe.
Helena levantou os olhos lentamente.
Teresa não estava mais na sala.
Parte 9 — Minha Mãe Entrou no Carro Dele
Helena leu o nome três vezes.
Teresa Aparecida Duarte.
Não havia erro.
Não era uma coincidência.
Não era outra mulher com o mesmo sobrenome.
Era sua mãe.
A passageira prevista para fugir naquela noite com Marcelo Valença.
Gabriel olhou para a tela.
Depois para Helena.
"Tem certeza de que é ela?"
Helena não respondeu imediatamente.
A garganta tinha fechado.
Rafael puxou a lista para mais perto.
"CPF parcial confere."
Lívia completou:
"E a data de nascimento também."
Helena sentiu um frio atravessar o corpo.
"Cadê minha mãe?"
Ninguém respondeu.
Ela ergueu a voz.
"Cadê minha mãe?"
Gabriel pegou o celular.
"Vou ligar."
Helena estendeu a mão.
"Não."
Ele parou.
"Por quê?"
"Se alguém está com ela, não quero avisar que sabemos."
Rafael assentiu.
"Ela está certa."
Lívia já digitava no próprio telefone.
"Vou pedir localização do aparelho."
Helena olhou para a porta da sala.
Teresa tinha saído havia menos de quarenta minutos.
Sem dizer nada.
Sem despedida.
Sem deixar bilhete.
Apenas desaparecera.
"Ela estava aqui."
Rafael perguntou:
"Quando você viu sua mãe pela última vez?"
"Quando começamos a congelar as contas."
"Ela falou para onde ia?"
"Não."
"Recebeu ligação?"
Helena fechou os olhos tentando lembrar.
Teresa sentada no canto.
O caderno antigo sobre a mesa.
As mãos inquietas.
Em algum momento, o celular dela vibrou.
"Sim."
Todos olharam.
"Ela recebeu uma mensagem."
"Você viu de quem?"
"Não."
"Ela respondeu?"
"Acho que não."
Gabriel perguntou:
"Depois disso ela saiu?"
Helena sentiu o estômago apertar.
"Sim."
Rafael chamou um agente.
"Quero imagens do prédio. Entrada, garagem, elevadores, tudo."
"Agora."
O homem saiu.
Helena continuava olhando para o nome no plano de voo.
Uma parte dela queria acreditar em sequestro.
Era horrível pensar assim.
Mas sequestro era mais fácil de suportar do que a alternativa.
Teresa tinha mentido durante décadas.
Escondido documentos.
Escondido o trabalho no Grupo Valença.
Escondido o tamanho do esquema.
Marcelo havia dito que ela mentia.
E agora o nome dela aparecia numa fuga internacional.
Helena sentiu o pensamento crescer.
Não.
Ela empurrou para longe.
Gabriel percebeu.
"Não faz isso."
Helena ergueu os olhos.
"O quê?"
"Não decide antes das provas."
A frase quase a fez rir.
Era exatamente o que ela dizia a ele.
"Eu não estou decidindo."
"Está pensando."
"Pensar ainda não é crime."
Gabriel se aproximou.
"Você acha que ela participou."
Helena não respondeu.
"Helena."
"Eu não sei."
A voz saiu mais fraca do que gostaria.
"Eu não sei mais o que minha mãe fez."
Gabriel ficou em silêncio.
Aquilo era pior do que raiva.
Era dúvida.
E Helena conhecia o poder destrutivo da dúvida.
Doze minutos depois, chegaram as primeiras imagens.
A câmera do corredor mostrava Teresa saindo sozinha.
Sem ninguém ao lado.
Sem sinais visíveis de luta.
Ela carregava apenas a bolsa.
Helena se inclinou para a tela.
"Volta."
O técnico retrocedeu.
Teresa entrou no elevador.
Desceu.
Outra câmera mostrou o saguão.
Ela atravessou a recepção.
Saiu pela porta lateral.
"Tem câmera externa?"
"Sim."
A imagem mudou.
Teresa apareceu na calçada.
Um sedã preto estava estacionado alguns metros adiante.
Helena prendeu a respiração.
A porta traseira abriu.
Teresa parou.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4