"O NDA Manchado de Sangue" Capítulo 13
"Não."
"Ele estava aqui."
"Eu sei."
A energia voltou de repente.
As lâmpadas acenderam.
A sala estava vazia.
Helena congelou.
"Cadê ele?"
O advogado olhou ao redor.
A porta lateral estava aberta.
Rafael saiu correndo.
Helena tentou segui-lo.
Lívia empurrou a cadeira.
No corredor, agentes corriam em direções diferentes.
Uma porta de cela estava aberta no fim.
Rafael entrou.
Parou.
Helena viu o rosto dele mudar.
"Chama a equipe médica."
Lívia empurrou a cadeira mais perto.
Helena viu Rogério.
Ele estava caído no chão da cela.
Imóvel.
A poucos centímetros da mão dele havia uma pequena folha amassada.
E, nela, apenas duas palavras escritas à mão.
"Cala a boca."
Parte 8 — R$ 210 Milhões
Rogério Batista ainda respirava quando os paramédicos chegaram.
Fraco.
Irregular.
Mas respirava.
Helena ficou parada no corredor do centro de detenção enquanto dois profissionais colocavam o motorista numa maca.
Havia sangue perto da têmpora dele.
Não parecia muito.
Mesmo assim, ninguém sabia quanto tempo Rogério permanecera desacordado.
Rafael caminhava ao lado da equipe médica.
"Ele vai sobreviver?"
Um dos paramédicos respondeu:
"A pressão está baixa, mas tem pulso."
"Foi envenenado?"
"Não dá para saber aqui."
"Trauma?"
"Tem uma lesão na cabeça."
Helena aproximou a cadeira.
"Ele falou alguma coisa?"
O paramédico olhou para ela.
"Não."
Rogério foi levado pelo corredor.
A porta do elevador fechou.
Helena ficou observando o número vermelho desaparecer.
Lívia estava alguns metros atrás.
Na mão, segurava a folha encontrada perto da cela.
"Cala a boca."
Duas palavras.
Um aviso.
Ou uma assinatura.
Rafael voltou.
Seu rosto estava tenso.
"O apagão não foi acidente."
Helena virou.
"Como sabe?"
"O sistema de emergência foi desligado manualmente."
"De onde?"
"Painel técnico interno."
Lívia franziu a testa.
"Quem tinha acesso?"
"Funcionários da manutenção, segurança e administração."
Helena soltou uma risada sem humor.
"Então praticamente qualquer pessoa que Marcelo pudesse comprar."
Rafael não respondeu.
Não precisava.
Helena olhou para a porta da cela.
"Ele sabia exatamente quando Rogério ia falar."
Lívia assentiu.
"Sim."
"Não apenas que ele tinha aceitado colaborar."
"Sim."
"Sabia o horário."
"É o que parece."
Helena ficou em silêncio.
Aquilo era pior do que uma ameaça.
Marcelo não estava apenas fugindo.
Continuava recebendo informações.
Sabia dos movimentos da promotoria.
Sabia do centro de detenção.
Talvez soubesse quem entrava.
Quem saía.
Quem falava.
Quem estava prestes a abrir a boca.
Rafael cruzou os braços.
"Vou pedir afastamento de toda a equipe que estava de plantão."
Helena respondeu:
"E ele vai trocar de fonte."
"Então o que você sugere?"
"Parar de fazer exatamente o que ele espera."
Lívia olhou para ela.
"Explica."
Helena respirou fundo.
"Estamos correndo atrás dele."
"Sim."
"Desde ontem."
"Sim."
"Casa."
"Carro."
"Telefone."
"Propriedades."
Ela olhou para Rafael.
"E toda vez que chegamos, ele já foi embora."
Rafael entendeu.
"Você quer parar a perseguição."
"Não."
Helena respondeu.
"Quero parar de deixar Marcelo escolher o jogo."
Lívia se aproximou.
"E qual jogo você quer jogar?"
Helena olhou para a mensagem.
Depois para o corredor por onde Rogério havia desaparecido.
"O único em que ele não consegue desaparecer."
"Qual?"
"Dinheiro."
Às onze e dez da noite, Helena voltou para o Ministério Público.
Gabriel estava esperando.
Tinha visto a notícia do ataque a Rogério antes mesmo que ela chegasse.
Assim que Helena entrou na sala, ele se aproximou.
"Ele morreu?"
"Não."
Gabriel soltou o ar.
"Está consciente?"
"Não."
"Sabem o que fizeram?"
"Não ainda."
Helena estacionou a cadeira diante da mesa.
"Mas alguém dentro daquele centro ajudou."
Gabriel ficou sério.
"Marcelo."
"Provavelmente."
"Então ele tem gente dentro da polícia."
"Ou dentro da segurança privada contratada pelo sistema."
"Ou nos dois."
Helena assentiu.
Gabriel passou a mão pelo rosto.
"Minha família contratou empresas de segurança para metade dos prédios públicos onde mantinha contratos."
Ela olhou para ele.
"Quais empresas?"
"Não sei todas."
"Descobre."
Gabriel soltou uma risada curta.
"Você ainda confia em mim para isso?"
A pergunta atingiu.
Helena manteve o olhar.
"Confio o suficiente para pedir."
"Não parece."
"Gabriel."
"Está tudo bem."
"Não está."
Ele ficou em silêncio.
Helena respirou fundo.
"Eu não posso te dar a resposta que você quer enquanto as provas ainda usam seu nome."
"Eu sei."
"Mas também não posso ignorar que alguém clonou sua autenticação."
"Eu sei."
"Então para de transformar isso numa escolha entre acreditar em você e não acreditar."
Gabriel olhou para ela.
"Para mim é difícil não transformar."
"Para mim também."
O silêncio durou alguns segundos.
Gabriel assentiu.
"Vou levantar as empresas de segurança."
"Obrigada."
Lívia entrou na sala carregando uma caixa de documentos.
"Temos outra coisa."
Helena olhou.
"O quê?"
"Material da casa da sua mãe."
"Que material?"
"Teresa entregou o restante da caixa metálica."
Helena ficou imóvel.
"Ela tinha mais documentos?"
"Não exatamente."
Lívia abriu a caixa.
Dentro havia recibos antigos, comprovantes, cópias de contratos e folhas amareladas.
Teresa entrou logo depois.
Helena sentiu o corpo endurecer.
A distância entre mãe e filha ainda estava ali.
Teresa percebeu.
Mesmo assim, aproximou-se.
"Eu achei isso quando voltei para casa."
Ela colocou um caderno fino sobre a mesa.
Capa azul.
Bordas gastas.
Helena olhou.
"O que é?"
"Meu."
"De quando?"
"Da época do Grupo Valença."
Helena não tocou.
"Você disse que os documentos importantes estavam no cofre."
"Estavam."
"E isso?"
"Eu não achava importante."
Helena ergueu os olhos.
"Depois de tudo, você ainda decide sozinha o que é importante?"
Teresa absorveu a frase.
"Não."
Ela empurrou o caderno.
"Por isso trouxe."
Helena abriu.
As primeiras páginas tinham anotações domésticas.
Preços.
Datas.
Números de telefone antigos.
Depois surgiram sequências escritas à mão.
04-17-29.
11-03-88.
15-22-41.
Códigos.
Abreviações.
Iniciais.
Helena virou outra página.
"Você escreveu isso?"
"Sim."
"O que significam?"
"Na época eu copiava referências."
"Referências de quê?"
"Contas."
Helena levantou o rosto.
"Contas bancárias?"
"Algumas."
"Empresas?"
"Outras."
"Por que não escreveu os nomes?"
Teresa respirou fundo.
"Porque eu tinha medo que alguém encontrasse."
Gabriel se aproximou.
"Você codificava?"
Teresa assentiu.
"Cada número correspondia a uma parte."
Helena passou o dedo pelas páginas.
"Você lembra a chave?"
"Algumas coisas."
"Depois de mais de vinte anos?"
"Eu repeti aquilo tantas vezes na cabeça que nunca esqueci."
Helena sentiu um aperto no peito.
A mãe havia vivido décadas carregando aquilo.
Talvez em silêncio.
Talvez com culpa.
Talvez com medo.
Ainda não apagava as mentiras.
Mas mudava o peso delas.
"Me mostra."
Teresa puxou uma cadeira.
Apontou para uma sequência.
"Os dois primeiros números indicavam o mês em que eu vi a operação."
"O segundo bloco?"
"Quantidade de letras do nome."
"E o terceiro?"
"Últimos números do registro interno."
Helena pegou uma folha.
"Vamos testar."
Escolheu uma sequência.
"Onze, zero três, oitenta e oito."
Teresa pensou.
"Novembro."
"Três letras?"
"Não."
Ela franziu a testa.
"Espera."
Fechou os olhos.
"Zero três era banco."
Helena parou.
"Qual banco?"
"Banco Mercantil Paulista."
Lívia se aproximou.
"O mesmo onde estava o cofre."
Teresa assentiu.
Helena sentiu a atenção aumentar.
"E oitenta e oito?"
"Final da conta."
Helena começou a digitar.
Usou os dados já apreendidos das quatorze empresas.
Filtrou.
Nada.
Tentou contas antigas.
Nada.
Gabriel perguntou:
"Pode ter sido encerrada?"
"Pode."
Helena mudou o período.
Nenhum resultado.
Teresa olhou para a tela.
"Talvez eu tenha lembrado errado."
"Não."
Helena folheou o caderno.
A sequência aparecia mais de uma vez.
Onze-zero três-oitenta e oito.
Depois outra.
Doze-zero três-oitenta e oito.
Janeiro.
Fevereiro.
Março.
O mesmo final.
"Isso não era uma conta qualquer."
Lívia perguntou:
"Por quê?"
"Ela aparece por meses."
Helena passou mais páginas.
"Quase dois anos."
Gabriel olhou.
"Então era uma conta central."
"Ou uma conta de passagem."
Teresa murmurou:
"Era o lugar para onde tudo ia antes de sair."
Helena virou de uma vez.
"Você lembra disso?"
A mãe ficou pálida.
"Agora lembro."
"O que era?"
"Eu nunca vi o nome completo."
"Mas viu alguma coisa."
Teresa fechou os olhos.
"Uma sigla."
"Qual?"
"Vértice."
Helena ficou imóvel.
"Vértice?"
"Sim."
"Tem certeza?"
"Tenho."
Helena abriu a base de dados.
Digitou.
Nenhuma das quatorze empresas tinha aquele nome.
Lívia olhou.
"Não aparece."
"Exatamente."
Helena digitou novamente, agora consultando registros empresariais antigos.
Várias empresas surgiram.
Ela filtrou por São Paulo.
Depois por datas.
Uma linha apareceu.
Vértice Administração Patrimonial Ltda.
Helena sentiu o coração bater mais forte.
"Fundação em 1998."
Teresa se inclinou.
"É da época."
"Situação cadastral?"
Gabriel perguntou.
Helena abriu.
"Baixada em 2004."
O entusiasmo desapareceu por um segundo.
Lívia cruzou os braços.
"Então acabou."
Helena continuou lendo.
"Não."
"O quê?"
"Foi incorporada."
"Por quem?"
Helena abriu o histórico.
Houve uma alteração societária.
Depois outra.
Mudança de nome.
Transferência de sede.
Nova razão social.
Ela ficou imóvel.
Gabriel se aproximou.
"Achou?"
Helena ampliou a tela.
"Vértice virou Prisma Gestão de Ativos."
Lívia franziu a testa.
"Esse nome não estava nas quatorze."
"Não."
Helena digitou mais.
"Porque ela nunca recebeu dinheiro diretamente dos fundos."
"Então o que fazia?"
Helena abriu os vínculos.
Na tela apareceram as quatorze empresas.
Todas.
Ligadas por procurações.
Contratos.
Participações indiretas.
Mandatos financeiros.
Ela sentiu um frio percorrer o corpo.
"Meu Deus."
Gabriel olhou.
"O quê?"
Helena apontou.
"As quatorze não eram independentes."
Lívia se aproximou.
"Todas respondem para a Prisma."
Helena assentiu.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4