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"O NDA Manchado de Sangue" Capítulo 12

正文开头

Helena demorou.

Foi o atraso que destruiu Teresa.

"Você acha."

"Eu não disse isso."

"Não precisava."

Teresa se levantou.

"Eu passei a vida inteira tentando fazer o melhor que podia por você."

"Isso não responde."

"Eu não roubei um centavo."

"Então por que Marcelo acha que consegue me fazer acreditar nisso?"

"Porque ele sabe que culpa funciona."

Helena ficou em silêncio.

Teresa continuou.

"Ele fez isso comigo."

"O quê?"

"Quando me ameaçou."

"Como?"

"Disse que, se eu denunciasse, ninguém acreditaria."

A voz dela ficou baixa.

"Porque havia documentos com meu nome."

Helena sentiu o corpo ficar rígido.

"Então ele já tinha preparado você como culpada."

"Sim."

"E agora está fazendo o mesmo comigo."

Teresa assentiu.

"Está."

Helena sentiu um arrepio.

Era o mesmo padrão.

Usar o nome de alguém.

Criar registros.

Construir uma narrativa.

Gabriel era o ladrão perfeito porque as credenciais dele estavam nos sistemas.

Teresa teria sido a cúmplice perfeita porque o nome dela aparecia nos fundos.

E Helena podia ser transformada na filha protegendo a mãe.

Marcelo não escondia apenas dinheiro.

Ele fabricava culpados.

Às nove e vinte, Rafael recebeu uma ligação.

Atendeu no corredor.

Voltou dois minutos depois.

"Tivemos uma mudança."

Lívia levantou o rosto.

"Qual?"

"Rogério Batista pediu para falar."

Helena ficou imóvel.

"O motorista?"

"Sim."

Teresa empalideceu.

"O homem que atropelou minha filha?"

Rafael assentiu.

"Ele está preso preventivamente."

Helena perguntou:

"Por que quer falar agora?"

"Porque soube que Vitória foi presa."

"E Lavínia?"

"Também."

"E Marcelo desapareceu."

"Sim."

Helena entendeu.

"Ele percebeu que pode ser o próximo a ser descartado."

Rafael assentiu.

"Exatamente."

Lívia pegou a pasta.

"Ele quer acordo?"

"Colaboração."

"Tem advogado?"

"Tem."

"Então vamos."

Teresa segurou o braço de Helena.

"Você não precisa ouvir isso."

Helena olhou para ela.

"Preciso."

"Pode ser horrível."

"Eu já fui atropelada."

Teresa soltou.

Helena viu a dor no rosto da mãe.

Por um instante, quis pedir desculpas.

Mas não conseguiu.

Ainda havia uma distância entre elas.

Uma distância feita de vinte anos de silêncio.

Rogério Batista parecia menor do que Helena imaginava.

Nas imagens da câmera de segurança, ele era apenas uma silhueta dentro de um SUV.

Agora estava sentado numa sala de entrevista do centro de detenção, vestindo roupa cinza e segurando as próprias mãos.

Tinha quarenta e cinco anos.

Olheiras profundas.

Uma cicatriz no queixo.

Quando Helena entrou, ele não conseguiu encará-la.

Rafael permaneceu ao lado dela.

Lívia sentou do outro lado.

O advogado de Rogério abriu a conversa.

"Meu cliente está disposto a colaborar integralmente."

Lívia respondeu:

"Depende do que ele tem."

Rogério levantou os olhos.

"Tenho tudo."

Helena sentiu o estômago apertar.

"Então começa."

Ele olhou para ela.

"Eu sinto muito."

Helena ficou fria.

"Não começa por isso."

Rogério baixou os olhos.

"Tá."

"Começa por quem mandou."

Ele respirou fundo.

"Vitória."

"Como?"

"Mensagem."

"Tem?"

"Tenho."

"Cadê?"

"O advogado está com uma cópia."

O homem colocou um aparelho sobre a mesa.

Um gravador antigo.

正文1

"Meu cliente guardava cópias das instruções."

Helena perguntou:

"Por quê?"

Rogério deu uma risada amarga.

"Porque gente rica promete proteção até precisar enterrar alguém."

Rafael ficou atento.

"Você já esperava ser traído."

"Depois do primeiro serviço, sim."

Helena sentiu um frio.

"Primeiro serviço?"

Rogério hesitou.

"Eu fiz outras coisas."

"Para Vitória?"

"Para gente ligada ao grupo."

"Que tipo de coisas?"

"Seguir pessoas."

"Intimidar."

"Levar envelope."

"Quebrar carro."

Lívia perguntou:

"Matou alguém?"

"Não."

Helena encarou.

"Quase."

Rogério fechou os olhos.

"Eu sei."

Ele entregou um cartão de memória.

"Isso estava na câmera do carro."

Rafael pegou.

"Do atropelamento?"

"Sim."

Helena ficou imóvel.

"Você manteve a gravação?"

"Eu tirei antes de devolver o carro."

"Por quê?"

"Seguro."

"Contra quem?"

Rogério respondeu sem hesitar.

"Contra eles."

Lívia colocou o cartão num computador isolado.

O vídeo apareceu.

A imagem tremia por causa da chuva.

Helena viu a rua.

O portão lateral do prédio de Gabriel.

Depois viu a si mesma.

Saindo.

Pequena.

Distante.

Uma figura sob um guarda-chuva.

Ela sentiu o corpo congelar.

O SUV começou a se mover.

A imagem acelerou.

Teresa, que havia insistido em esperar do lado de fora, não estava ali.

Ainda bem.

Helena não queria que a mãe visse.

O carro avançou.

A gravação parou antes do impacto.

Lívia fechou.

"Chega."

Helena estava pálida.

Rogério não levantava a cabeça.

"Quem te deu o horário?"

"Vitória."

"Como ela sabia?"

"Não sei."

"Você sabia que eu estava no apartamento?"

"Sim."

"Quem falou?"

"Ela."

"Quando?"

"Uma hora antes."

Rafael perguntou:

"E a ordem?"

Rogério olhou para o gravador.

"Tem áudio."

Lívia abriu o arquivo.

A voz de Vitória preencheu a sala.

"Ela vai sair pela lateral."

Pausa.

"Não quero escândalo na porta principal."

Depois outra mensagem.

"Quando ela estiver sozinha, faz parecer acidente."

Silêncio.

Então a frase.

"Faça Helena desaparecer."

Helena não se moveu.

Era diferente ouvir aquilo fora do hospital.

Vitória tinha admitido.

Mas agora havia uma ordem gravada antes do crime.

Data.

Hora.

Voz.

Intenção.

Lívia desligou.

"Quem pagou?"

Rogério respondeu:

"O dinheiro veio de uma conta ligada a Lavínia Albuquerque."

Helena sentiu a peça encaixar.

"Quanto?"

"R$ 300 mil."

"Você recebeu tudo?"

"Metade antes."

"E metade depois?"

"Não."

"Por quê?"

"Porque você sobreviveu."

Helena quase riu.

"Então eu estraguei seu pagamento."

Rogério fechou os olhos.

"Não fala assim."

"Como quer que eu fale?"

Ele não respondeu.

Lívia perguntou:

"Vitória deu a ordem."

"Sim."

"Lavínia pagou."

"Sim."

"E Marcelo?"

Rogério ficou imóvel.

Helena percebeu.

"Você conhece Marcelo."

Ele não respondeu.

Rafael se aproximou.

"Rogério."

O homem engoliu em seco.

"Conheço."

"De onde?"

"Eu vi ele duas vezes."

Helena sentiu o pulso acelerar.

"Quando?"

"Antes do atropelamento."

"Com Vitória?"

"Sim."

"Onde?"

"Num estacionamento em Moema."

"O que aconteceu?"

"Vitória entrou no meu carro."

Rogério respirou fundo.

"Disse que tinha um serviço."

"Eu pedi detalhes."

"Ela falou que uma mulher estava atrapalhando um acordo."

Helena perguntou:

"Eu."

"Sim."

"Marcelo estava lá?"

"Não no começo."

正文2

"Depois?"

"Chegou num carro preto."

Lívia perguntou:

"Você tem certeza que era ele?"

"Tenho."

"Como?"

"Porque depois vi ele na televisão."

Helena inclinou-se.

"O que ele disse?"

Rogério olhou para ela.

"Disse para Vitória que não podia haver outro erro."

Rafael franziu a testa.

"Outro?"

"Foi a palavra."

"Você sabe ao que se referia?"

"Não."

Helena sentiu um arrepio.

Rogério continuou.

"Vitória perguntou se Lavínia tinha feito a transferência."

"Marcelo disse que sim."

"E depois?"

"Ele olhou pra mim."

Rogério parou.

"Falou que eu não precisava saber nada sobre o grupo."

"Somente cumprir."

Helena perguntou:

"Cumprir o quê?"

Rogério respondeu:

"Fazer você desaparecer."

O silêncio ficou pesado.

Lívia cruzou os braços.

"Então Marcelo deu a ordem final."

"Sim."

"E Lavínia colocou o dinheiro."

"Sim."

"E Vitória operacionalizou."

"Sim."

Helena sentiu tudo se encaixar.

Não eram três criminosos independentes.

Era uma cadeia.

Marcelo construía e protegia a estrutura.

Lavínia financiava e usava a união entre famílias para ampliar o controle.

Vitória executava pressão, ameaças e violência.

Cada um fazia uma parte.

Isso explicava por que nenhuma das duas mulheres parecia controlar o quadro completo.

Porque não controlavam.

Marcelo controlava.

Helena perguntou:

"Você fez serviços financeiros para ele?"

Rogério riu.

"Eu nem sei fazer imposto de renda."

"Não perguntei isso."

"Levei documentos."

"Para onde?"

"Escritórios."

"Quais?"

"Posso mostrar."

"Dinheiro?"

"Também."

"Quanto?"

"Não sei."

"Em espécie?"

"Às vezes."

Lívia perguntou:

"Você viu alguma conta?"

"Não."

"Empresas?"

"Ouvi nomes."

"Quais?"

Rogério citou dois.

Ambos estavam entre as quatorze empresas.

Helena olhou para Lívia.

Agora não era mais teoria.

Havia ligação física.

Motorista.

Documentos.

Pagamentos.

Encontros.

Marcelo estava no centro.

"Você sabe onde ele está?"

Rafael perguntou.

Rogério não respondeu imediatamente.

O advogado tocou o braço dele.

"Você pode dizer."

Rogério respirou fundo.

"Talvez."

Helena se aproximou.

"Talvez?"

"Ele tem um lugar."

"Que lugar?"

"Uma casa."

"Onde?"

"Não é no nome dele."

"De quem?"

"De uma empresa."

"Qual?"

Rogério olhou em volta.

Parecia assustado de repente.

"Se eu falar, vocês me tiram daqui?"

Lívia respondeu:

"Não posso prometer liberdade."

"Não quero liberdade."

"Então?"

"Quero transferência."

"Por quê?"

"Porque ele tem gente aqui."

Rafael ficou sério.

"Aqui dentro?"

"Tem gente em todo lugar."

"Quem?"

"Eu não sei os nomes."

"Como sabe?"

Rogério riu nervosamente.

"Porque ontem alguém deixou uma fotografia da minha filha em cima da minha cama."

O silêncio caiu.

Helena sentiu o sangue esfriar.

Rafael virou imediatamente para o agente do lado de fora.

"Trava esse corredor."

Lívia perguntou:

"Sua filha está segura?"

"Meu advogado tirou ela de casa."

"Para onde?"

"Não vou falar."

"Não precisa."

Helena olhou para Rogério.

"Marcelo mandou a foto."

"Quem mais?"

Ela assentiu.

"Então fala antes que ele tenha outra chance."

Rogério respirou fundo.

"Tem uma propriedade perto de..."

As luzes apagaram.

Tudo ficou preto.

Um segundo.

Dois.

Então gritos começaram no corredor.

Helena ouviu uma porta metálica bater.

Rafael puxou a cadeira dela para trás.

"Helena, fica perto da parede."

"Rogério?"

Ninguém respondeu.

"Lívia?"

"Estou aqui."

Um alarme começou a tocar.

Luzes vermelhas de emergência piscaram por alguns segundos e também morreram.

Rafael gritou:

"NINGUÉM ENTRA NESSA SALA!"

Passos correram no corredor.

Helena ouviu o advogado de Rogério xingar.

Depois um ruído seco.

Metal contra metal.

"Rogério?"

Silêncio.

Helena tentou avançar.

Rafael segurou a cadeira.

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