"O NDA Manchado de Sangue" Capítulo 11
Marcelo começou a falar.
"Se você está vendo esta gravação, então imagino que finalmente tenham chegado à minha casa."
Helena sentiu o corpo ficar rígido.
Marcelo continuou.
"Também imagino que os investigadores estejam muito satisfeitos por terem encontrado um novo culpado."
Ele sorriu de leve.
"Minha sobrinha presa."
"Lavínia presa."
"Gabriel sendo tratado como ladrão."
"E agora eu."
Helena não desviou os olhos.
Marcelo inclinou-se para a câmera.
"Vocês sempre precisam de uma pessoa para colocar no centro da história."
Pausa.
"Mas histórias de dinheiro raramente têm apenas uma pessoa."
Lívia falou baixo.
"Ele está ganhando tempo."
Rafael fez um gesto para que ela continuasse ouvindo.
Marcelo prosseguiu.
"Gabriel, se você estiver assistindo, sinto muito."
Helena apertou os dedos.
"Você sempre foi o herdeiro perfeito."
"Educado."
"Apresentável."
"Fácil de vender ao mercado."
O sorriso desapareceu.
"Mas nunca soube metade do que carregava no próprio sobrenome."
Helena sentiu o coração acelerar.
Então Marcelo olhou diretamente para a câmera.
Como se soubesse exatamente quem estaria do outro lado.
"Helena."
Ela parou.
Marcelo continuou.
"Você é mais inteligente do que eu esperava."
Rafael ficou imóvel.
Lívia também.
"Seguiu as empresas."
"Seguiu os fundos."
"Encontrou o nome Duarte."
Helena sentiu o ar faltar.
Ele sabia.
Sabia de tudo.
Marcelo se inclinou um pouco mais.
"Mas ainda está investigando a história errada."
Helena sentiu um arrepio subir pelos braços.
Na tela, Marcelo fez uma pausa longa.
Então pronunciou cada palavra lentamente.
"Helena, se você está vendo isso, sua mãe mentiu para você."
Parte 7 — Minha Mãe Sabia
O vídeo de Marcelo terminou, mas ninguém na sala conseguiu se mover imediatamente.
A última frase continuava ecoando na cabeça de Helena.
"Sua mãe mentiu para você."
Ela ficou olhando para a tela preta do notebook.
Lívia foi a primeira a quebrar o silêncio.
"Pode ser manipulação."
Helena não respondeu.
Rafael ainda aparecia na chamada de vídeo, dentro da casa vazia de Marcelo.
"Pode", ele disse. "Mas ele gravou isso sabendo exatamente quais pontos iam atingir você."
Helena apertou os dedos sobre os apoios da cadeira.
"Ele sabia do cofre."
"Sim."
"Sabia que minha mãe guardava documentos."
"Sim."
"Sabia que eu encontraria o nome Duarte."
Lívia se aproximou.
"Helena."
Ela ergueu os olhos.
"Não conclua nada antes de falar com Teresa."
Helena riu sem humor.
"Foi exatamente o que eu fiz ontem."
"Então fale de novo."
"Quantas vezes?"
"Quantas forem necessárias."
Helena desviou o olhar.
Desde criança, Teresa era a pessoa em quem ela confiava sem fazer perguntas.
A mulher que economizava no mercado para pagar material escolar.
Que consertava roupas em vez de comprar novas.
Que dizia que honestidade era a única coisa que ninguém podia tirar de uma pessoa.
Agora o nome dela aparecia num esquema financeiro antigo.
E Marcelo Valença dizia que ela tinha mentido.
Talvez estivesse apenas tentando dividir mãe e filha.
Talvez.
Mas Helena vivia de desconfiar de coincidências.
E agora havia coincidências demais.
"Eu quero a gravação inteira."
Rafael assentiu.
"Vou enviar."
"Sem cortes."
"Sem cortes."
"Também quero todos os arquivos encontrados na casa."
"Já estão sendo recolhidos."
Lívia olhou para Helena.
"E você vai descansar."
"Não."
"Helena."
"Não vou conseguir."
"Você está se recuperando de um atropelamento."
"E o homem que pode ter mandado me matar fugiu."
"Justamente."
Helena se aproximou da mesa.
"Eu quero saber o que minha mãe sabia."
Lívia respirou fundo.
"Então vamos descobrir."
Teresa chegou ao Ministério Público pouco depois das sete da noite.
Não protestou quando viu os dois agentes no corredor.
Não perguntou por que havia uma câmera ligada na sala.
Quando Helena mostrou a gravação de Marcelo, a mãe perdeu a cor.
Ela assistiu em silêncio.
Até a frase final.
"Sua mãe mentiu para você."
Teresa fechou os olhos.
Helena percebeu.
"Você sabe do que ele está falando."
Teresa demorou a responder.
"Eu sei do que ele quer que você pense."
"Não foi o que eu perguntei."
Lívia permaneceu do outro lado da mesa.
Rafael tinha voltado da casa de Marcelo e agora observava tudo em silêncio.
Helena continuou.
"Você mentiu para mim?"
Teresa apertou as mãos.
"Sim."
A resposta doeu mais por ser direta.
Helena ficou imóvel.
"Sobre o quê?"
"Sobre quanto eu sabia."
O ar pareceu desaparecer da sala.
Helena sentiu a raiva subir de uma vez.
"Ontem você disse que encontrou algumas transferências."
"Eu encontrei."
"Disse que suspeitava de fraude."
"Sim."
"Disse que não conseguiu provar."
Teresa baixou os olhos.
"Isso não era toda a verdade."
Helena fechou os dedos.
"Qual era a verdade?"
Teresa respirou fundo.
"Eu provei."
Ninguém falou.
Helena sentiu o peito apertar.
"Você tinha prova?"
"Sim."
"E não denunciou."
Teresa ergueu os olhos.
"Eu tentei."
"Para quem?"
"Primeiro para o meu chefe."
"Ele mandou você parar."
"Sim."
"Depois?"
"Procurei um escritório de advocacia."
Helena franziu a testa.
"Qual?"
"Não existe mais."
"Nome."
"Carvalho e Menezes."
Lívia anotou.
"Eles aceitaram?"
Teresa balançou a cabeça.
"Um dos sócios marcou uma reunião comigo."
"Quando?"
"Dois dias depois de eu procurar o escritório."
"E?"
"Nunca aconteceu."
"Por quê?"
Teresa respirou fundo.
"Na noite anterior, eu fui seguida."
Helena ficou imóvel.
"Por quem?"
"Não sei."
"Carro?"
"Sim."
"Qual?"
"Um sedã preto."
"Placa?"
"Não consegui ver."
Teresa continuou.
"Eu morava sozinha naquele período."
"Grávida de mim."
"Sim."
A voz da mãe falhou.
"Quando cheguei perto de casa, o carro parou."
Helena não piscou.
"Alguém saiu?"
"Um homem."
"Você reconheceu?"
"Não."
"O que ele disse?"
Teresa fechou os olhos.
"Disse que eu estava fazendo perguntas que podiam me deixar sem futuro."
Helena sentiu as mãos gelarem.
"Foi só isso?"
A mãe ficou em silêncio.
Helena entendeu.
"Não."
Teresa começou a chorar.
"Ele sabia que eu estava grávida."
Helena sentiu o coração disparar.
"O que disse?"
"Que seria uma pena se eu e a criança desaparecêssemos antes do parto."
A sala ficou completamente quieta.
Helena olhou para a mãe.
Por alguns segundos, toda a raiva foi substituída por uma imagem que ela nunca tinha considerado.
Teresa aos vinte e quatro anos.
Grávida.
Sozinha.
Sem dinheiro.
Sendo seguida numa rua escura por homens ligados a uma família bilionária.
Mesmo assim, Helena perguntou:
"E você ficou calada."
Teresa assentiu.
"Fiquei."
"Por quantos anos?"
"Mais de vinte."
"Enquanto eles continuavam fazendo isso."
"Eu não sabia se continuavam."
"Mas podia imaginar."
Teresa levantou a voz.
"Eu estava tentando manter você viva."
Helena também.
"E quantas pessoas perderam dinheiro nesse tempo?"
Lívia ergueu a mão.
"Helena."
"Não."
Ela olhou para a mãe.
"Eu preciso perguntar."
Teresa chorava.
"Eu pensei nisso todos os dias."
"Então por que nunca voltou?"
"Porque eu tinha medo."
"Depois que eu cresci?"
"Continuava com medo."
"Depois que Otávio morreu?"
"Marcelo ainda estava lá."
A resposta caiu pesada.
Helena ficou imóvel.
"Você tinha medo de Marcelo."
Teresa assentiu.
"Desde aquela época?"
"Sim."
"Por quê?"
"Porque ele sabia."
"Sabia o quê?"
"Que eu tinha encontrado as contas."
"Ele participou?"
Teresa hesitou.
"Eu nunca o vi transferindo dinheiro."
"Mas?"
"Foi ele quem fechou meu acesso."
"Foi ele quem chamou você para aquela reunião."
"Sim."
"Foi ele quem mandou o dinheiro."
"Eu não consigo provar."
Helena apertou a mandíbula.
"Você acha que foi."
"Sim."
Lívia se inclinou.
"Teresa, quero que seja muito precisa agora."
Teresa olhou para ela.
"Marcelo estava diretamente envolvido no esquema antigo?"
"Eu acredito que sim."
"Por quê?"
"Porque algumas autorizações passavam pela área dele."
"Assinatura?"
"Não sempre."
"Carimbo?"
"Às vezes."
"Login?"
"Naquela época os controles eram diferentes."
Teresa respirou fundo.
"Mas as ordens vinham da diretoria financeira."
Helena perguntou:
"E Otávio?"
A mãe fechou os olhos.
"Ele sabia."
"Tem certeza?"
"Eu vi uma aprovação com a assinatura dele."
Gabriel não estava na sala.
Mesmo assim, Helena sentiu o peso daquela informação.
O avô de Gabriel.
Marcelo.
O esquema não começara agora.
Era uma estrutura antiga.
Talvez uma tradição criminosa escondida atrás de décadas de prestígio.
Teresa continuou.
"Havia transferências saindo de reservas de aposentadoria."
"Para quais empresas?"
"Aurora."
"Mais quais?"
"Bravante Participações."
Lívia anotou.
"Outra?"
"Santa Mônica Consultoria."
Helena ergueu a cabeça.
"Santa Mônica ainda existe."
Teresa pareceu surpresa.
"Existe?"
"Com outro CNPJ."
Helena olhou para Lívia.
"Eu encontrei uma empresa com esse nome entre as quatorze."
A promotora ficou séria.
"Então o esquema foi reciclado."
"Ou nunca parou."
Rafael cruzou os braços.
"Isso muda tudo."
Helena voltou os olhos para a mãe.
"Marcelo sabe que você viu isso."
"Sim."
"E sabe que você guardou cópias."
"Sim."
"Por isso limpou o cofre."
"Provavelmente."
Helena ficou em silêncio.
A dúvida não tinha desaparecido.
Na verdade, havia crescido.
"Por que seu nome estava no Fundo Aurora?"
Teresa ficou tensa.
"Eu não sei."
"Você assinou documentos."
"Sim."
"Quantos?"
"Talvez dez."
"Talvez?"
"Faz mais de vinte anos."
"Você leu todos?"
"Os que eu lembrava, sim."
"Então como seu nome virou beneficiário?"
Teresa balançou a cabeça.
"Eu não sei."
Helena sentiu a raiva voltar.
"Ou não quer dizer."
A mãe ficou pálida.
"Eu estou dizendo a verdade."
"Qual delas?"
"Helena."
"Ontem você contou metade."
"Eu estava assustada."
"E hoje?"
"Também."
"Então como eu sei que não tem outra metade?"
Teresa levou a mão ao peito.
"Você acha que eu roubei aquele dinheiro?"
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4