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"O NDA Manchado de Sangue" Capítulo 9

正文开头

"Isso é um livro-caixa?"

"Uma parte."

"Parte de quê?"

"Do controle interno que ninguém deveria ver."

Helena ficou em silêncio.

Aquilo podia ser o elo que faltava.

O começo do esquema.

A primeira geração.

Talvez até a origem das empresas de fachada que agora movimentavam R$ 210 milhões.

"Por que você nunca foi buscar?"

"Porque eu tinha medo."

"Todos esses anos?"

"Todos."

"E depois que eu comecei a namorar Gabriel?"

Teresa fechou os olhos.

"Eu quase contei."

"Quase?"

"Várias vezes."

"Mas não contou."

"Eu tinha medo de perder você."

Helena olhou para a chave.

"Talvez quase tenha perdido justamente porque você não contou."

Teresa começou a chorar novamente.

Helena percebeu que a frase tinha sido cruel.

Mas verdadeira.

Ela respirou.

"Vamos buscar."

Teresa ergueu os olhos.

"Agora?"

"Agora."

"Você mal consegue andar."

"Eu não preciso andar."

"Helena."

"Se esse cofre tem o que você acha que tem, alguém matou ou tentou matar pessoas por menos."

Teresa ficou pálida.

"Você acha que eles sabem?"

Helena olhou para a chave.

"Eu espero que não."

A agência histórica ficava perto da Praça da República.

Lívia insistiu em acompanhá-las.

Rafael também foi chamado.

O gerente demorou quase quarenta minutos para localizar o registro.

Teresa estava sentada ao lado de Helena.

As mãos entrelaçadas.

"O contrato ainda existe", disse o gerente.

Helena sentiu alívio.

"Ótimo."

"Mas é muito antigo."

"Consegue abrir?"

"Com a chave e a identificação da senhora Teresa."

Teresa mostrou os documentos.

O gerente conferiu.

"Vamos precisar registrar o acesso."

Lívia respondeu:

"Registre."

Eles desceram até o subsolo.

O corredor de cofres era frio.

Silencioso.

As portas metálicas refletiam a luz branca.

Teresa apertava a chave.

"É o número 418."

O funcionário encontrou.

Inseriu uma chave institucional.

Teresa colocou a dela.

Girou.

O clique ecoou.

Helena sentiu o coração disparar.

O gerente puxou a gaveta metálica.

Colocou-a sobre uma mesa.

"Vou deixar vocês sozinhas."

"Não", disse Lívia. "Fique."

O homem assentiu.

Teresa colocou as duas mãos sobre a tampa.

Olhou para Helena.

"Eu nunca abri desde aquele dia."

"Abre."

Teresa levantou.

Helena esperava pastas.

Papéis amarelados.

Extratos.

Assinaturas.

Talvez o começo de tudo.

Mas não havia nada.

O cofre estava vazio.

Teresa soltou um som baixo.

"Não."

Helena se inclinou.

"Tem alguma coisa no fundo."

Era uma folha branca.

Nova.

Dobada ao meio.

Nada parecida com um documento de vinte anos atrás.

Lívia imediatamente colocou luvas.

"Não toca."

Helena ficou imóvel.

A promotora pegou a folha pelas bordas.

Abriu.

Havia apenas uma frase impressa no centro.

Teresa levou a mão à boca.

Helena sentiu o sangue esfriar.

A mensagem dizia:

"Pare de investigar, Helena."

Ninguém falou.

Teresa começou a tremer.

Rafael olhou para o gerente.

"Quem acessou esse cofre antes de nós?"

"Eu... eu não sei."

"Descobre."

"Agora."

O gerente saiu apressado.

Helena não conseguia tirar os olhos da folha.

Aquilo não era uma ameaça antiga.

Não era para Teresa.

Era para ela.

正文1

Alguém sabia que a chave ainda existia.

Alguém sabia que Teresa a entregaria.

E, pior, alguém chegara ao cofre antes delas.

Parte 6 — O Herdeiro Perfeito

Na manhã seguinte, Gabriel Valença acordou oficialmente transformado em suspeito.

Às seis e quarenta e dois, o primeiro portal publicou a manchete.

"Herdeiro do Grupo Valença é investigado por possível desvio de fundos de previdência."

Às sete e dez, outros veículos já repetiam a mesma informação.

Às oito, havia comentaristas na televisão discutindo se Gabriel usara a própria irmã e Lavínia Albuquerque como intermediárias para desviar R$ 210 milhões.

Quando Helena chegou ao prédio do Ministério Público, havia pelo menos vinte jornalistas esperando na entrada.

Ela abaixou o vidro apenas o suficiente para ouvir os gritos.

"HELENA, GABRIEL ROUBOU O DINHEIRO?"

"VOCÊ INVESTIGAVA SEU PRÓPRIO NAMORADO?"

"ELE USOU VOCÊ PARA SABER O QUE A POLÍCIA TINHA?"

"VOCÊ VAI DEPOR CONTRA ELE?"

Helena fechou os olhos por um instante.

Doía mais do que gostaria de admitir.

Não porque acreditasse nas manchetes.

Mas porque parte das perguntas era legítima.

As provas digitais apontavam para Gabriel.

O acesso ao servidor fora feito com a credencial dele.

A autenticação usara o nível máximo de segurança vinculado ao herdeiro.

E, segundo o relatório preliminar do banco, o cofre de Teresa também havia sido aberto semanas antes usando uma autorização derivada de uma procuração corporativa associada ao nome de Gabriel.

Coincidência demais.

Ou armação demais.

Helena ainda não sabia qual das duas.

Rafael abriu a porta do carro.

"Preparada?"

Helena colocou as mãos sobre as rodas da cadeira.

"Não."

Ele ergueu uma sobrancelha.

"Finalmente uma resposta normal."

"Mesmo assim, vamos."

Rafael empurrou a cadeira pela entrada lateral.

Lívia os esperava numa sala do terceiro andar.

Sobre a mesa havia três pilhas de documentos, dois notebooks e uma pasta transparente contendo uma cópia da ameaça encontrada no cofre.

Gabriel já estava lá.

Sem advogado.

Helena percebeu isso primeiro.

Ele vestia camisa branca, calça escura e parecia não ter dormido.

Quando a viu, levantou-se.

"Oi."

Helena parou a cadeira perto da porta.

"Oi."

O silêncio entre os dois foi desconfortável.

Lívia fechou a pasta que estava lendo.

"Antes de qualquer coisa, Gabriel pediu para prestar depoimento formal."

Helena olhou para ele.

"Sem advogado?"

"Meu advogado está vindo."

"Então espera."

"Não quero esperar."

"Isso não é inteligente."

Gabriel soltou o ar.

"Também não é inteligente parecer que estou ganhando tempo."

Helena apertou os lábios.

"Não é assim que investigação funciona."

"Eu sei."

"Não, você não sabe."

Gabriel ficou em silêncio.

Helena se aproximou da mesa.

"Você cresceu num mundo em que advogado chega antes da pergunta."

"Provavelmente."

"E agora está tentando provar inocência recusando proteção jurídica."

"Estou tentando mostrar que não tenho nada a esconder."

"Uma coisa não prova a outra."

Lívia observava os dois.

Rafael preferiu ficar perto da janela.

Gabriel passou a mão pelo rosto.

"Helena, eu quero ajudar."

"Então começa não fazendo besteira."

正文2

Ele olhou para ela por alguns segundos.

"Você acredita que eu fiz isso?"

A pergunta entrou direto.

Helena não respondeu imediatamente.

Gabriel percebeu.

"É uma pergunta simples."

"Não é."

"Para mim é."

Helena respirou fundo.

"Eu acredito que você pode não ter feito."

Ele soltou uma risada amarga.

"Pode não ter feito."

"É o que eu posso dizer."

"Depois de tudo?"

"Depois de tudo."

Gabriel virou o rosto.

Helena sentiu o peito apertar.

Mas continuou.

"Seu usuário apagou o servidor."

"Eu estava com a polícia."

"Seu certificado digital aparece numa autorização."

"Eu não fiz."

"Eu sei o que você está dizendo."

"Você sabe que eu não faria isso."

"Eu sei quem eu acho que você é."

Gabriel voltou os olhos para ela.

Helena manteve a voz firme.

"Mas eu trabalho com provas."

A expressão dele endureceu.

"Então agora eu sou um número numa planilha?"

"Se for necessário, sim."

Gabriel ficou imóvel.

Helena sentiu a própria frase doer.

Mesmo assim, não a retirou.

"Eu te amo."

O silêncio ficou mais pesado.

Ela continuou.

"Mas se eu começar a escolher quais provas aceito dependendo de quem eu amo, então eu viro exatamente o tipo de pessoa que estou investigando."

Gabriel abaixou os olhos.

Lívia se levantou.

"Vou dar cinco minutos."

Rafael a acompanhou.

A porta se fechou.

Helena e Gabriel ficaram sozinhos.

Ele caminhou até a janela.

"Você sabe qual é a pior parte?"

Helena não respondeu.

"Minha vida inteira, quando alguma coisa dava errado, alguém encontrava uma explicação."

Ele riu sem humor.

"Se eu faltava numa reunião, a secretária inventava motivo."

Helena ouviu.

"Se Vitória fazia alguma coisa, meu pai resolvia."

Ele cruzou os braços.

"Se um negócio saía errado, o jurídico apagava o incêndio."

Helena olhou para ele.

"E agora?"

"Agora ninguém está apagando."

"Talvez seja bom."

Gabriel assentiu lentamente.

"Talvez."

Ele virou.

"Mas eu queria que você dissesse que acredita em mim."

Helena sentiu a garganta apertar.

"Eu quero acreditar."

"Não é a mesma coisa."

"Eu sei."

Gabriel se aproximou.

Parou a poucos passos da cadeira.

"Se as provas apontarem para mim, faça o seu trabalho."

Helena ergueu os olhos.

Ele continuou.

"Não me proteja."

"Gabriel."

"Eu estou falando sério."

"Eu sei."

"Se eu estiver envolvido, mesmo que eu não lembre, mesmo que alguém prove que assinei alguma coisa sem entender, faça o que precisa fazer."

Helena sentiu os olhos arderem.

"Não fala como se já estivesse se despedindo."

"Eu não estou."

"Está parecendo."

"Eu estou tentando fazer uma coisa que minha família nunca fez."

"O quê?"

"Assumir que meu sobrenome não me dá imunidade."

Helena ficou em silêncio.

Gabriel se abaixou diante dela.

"Mas, se eu não fiz..."

Ele parou.

"Descobre quem fez."

Helena segurou o olhar dele.

"Eu vou descobrir."

A porta abriu.

Lívia voltou.

"Seu advogado chegou."

Gabriel se levantou.

"Ótimo."

A promotora olhou para Helena.

"Você fica?"

"Fico."

Gabriel não reagiu.

Mas algo entre eles havia mudado.

Não era rompimento.

Ainda não.

Era uma rachadura.

E ambos sabiam.

O depoimento durou três horas.

Gabriel respondeu sobre contas, reuniões, acessos, assinaturas, dispositivos de autenticação e procurações.

Negou ter autorizado qualquer transferência irregular.

Negou ter conhecido as quatorze empresas de fachada.

Negou ter acessado o cofre de Teresa.

Quando Rafael perguntou sobre o dispositivo de autenticação física usado para operações sensíveis, Gabriel explicou.

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