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"O NDA Manchado de Sangue" Capítulo 8

正文开头

Helena viu.

Não era surpresa.

Era pavor.

"Você sabia."

"Não."

"Você sabia que seu nome podia aparecer."

"Eu não sabia disso."

"Então por que ficou assim?"

Teresa levantou-se.

"Porque você acabou de dizer que meu nome está ligado a duzentos milhões de reais."

"Não foge."

"Eu não estou fugindo."

"Está desde que eu entrei."

Teresa foi até a cozinha.

Helena a seguiu com a cadeira.

"Mãe."

"Eu preciso de água."

"Você precisa me contar a verdade."

Teresa pegou um copo.

A mão tremia.

Helena percebeu.

"Em que setor você trabalhava?"

Teresa não respondeu.

Helena aproximou a cadeira.

"Em que setor?"

A mãe colocou o copo na pia.

"Previdência."

Helena sentiu um frio atravessar as costas.

"Repete."

"Eu trabalhava na área de previdência do Grupo Valença."

O silêncio tomou a cozinha.

O relógio na parede marcava os segundos.

Helena encarava a mulher que conhecia desde sempre.

Ou pensava conhecer.

"Fazendo o quê?"

"Auditoria interna."

"Você era auditora?"

"Assistente no começo."

Teresa passou a mão pelos cabelos.

"Depois virei analista."

"Você revisava fundos?"

"Sim."

"Movimentações?"

"Sim."

"Contas de custódia?"

"Sim."

Helena quase perdeu a voz.

"E empresas de fachada?"

Teresa fechou os olhos.

Aquilo foi resposta suficiente.

"Meu Deus."

"Helena."

"Você sabia."

"Não do que está acontecendo agora."

"Mas sabia de alguma coisa."

Teresa se apoiou na pia.

Helena continuou.

"Eu estou investigando o Grupo Valença há dezoito meses."

A mãe arregalou os olhos.

"Você está o quê?"

"Você ouviu."

"Por que faria isso?"

"Porque é meu trabalho."

"Seu trabalho?"

Teresa parecia genuinamente confusa.

Helena percebeu que ainda faltava uma verdade entre as duas.

"Eu trabalho com investigação financeira há oito anos."

Teresa ficou em silêncio.

"Você nunca me contou."

Helena riu sem humor.

"Engraçado ouvir isso de você."

Teresa baixou os olhos.

"Eu queria te proteger."

"De quê?"

Silêncio.

"De quê, mãe?"

Teresa respirou fundo.

"Do Grupo Valença."

Helena sentiu o peito apertar.

"Por que eu precisaria ser protegida deles vinte anos depois?"

Teresa caminhou de volta para a sala.

Helena a seguiu.

A mãe sentou.

Dessa vez parecia mais velha.

Muito mais velha.

"Quando eu comecei no grupo, era uma empresa diferente."

"Quanto diferente?"

"Menor."

Teresa passou as mãos pelos joelhos.

"Mas já tinha muito dinheiro."

"Quem comandava?"

"Otávio Valença."

Helena conhecia o nome.

Avô de Gabriel.

Morto havia dezessete anos.

"E Marcelo?"

"Era jovem."

"Já trabalhava lá?"

"Trabalhava."

Helena sentiu a atenção se concentrar.

"Em quê?"

"Finanças."

"O mesmo Marcelo?"

Teresa assentiu.

Helena continuou.

"O que você encontrou?"

A mãe demorou.

"Transferências."

"Que tipo?"

"Fundos de funcionários."

"Previdência?"

"Sim."

Helena fechou os dedos sobre o apoio da cadeira.

"Quanto?"

"Na época?"

"Sim."

"Eu nunca soube o total."

"Me dá uma estimativa."

"Milhões."

"Quantos?"

"Talvez oito."

Helena calculou mentalmente.

Dinheiro de mais de vinte anos atrás.

Atualizado, poderia ser muito mais.

"Como funcionava?"

Teresa olhou para ela.

"Você vai continuar investigando, não vai?"

"Você ainda precisa perguntar?"

A mãe soltou o ar.

正文1

"Havia fundos que deveriam ficar separados."

"Reservas previdenciárias."

"Sim."

"Mas saíam."

"Em pequenas quantias."

"Para onde?"

"Consultorias."

Helena sentiu o coração acelerar.

"Depois?"

"Empresas."

"Quais?"

"Eu não lembro todos os nomes."

"Algum?"

Teresa pensou.

"Aurora."

Helena parou.

"Fundo Aurora?"

Teresa assentiu.

"Você conhece?"

Helena quase riu.

"Seu nome aparece ligado a ele."

Teresa levantou-se de repente.

"Não."

"Sim."

"Isso não pode estar certo."

"Está."

"Eu nunca fui dona daquilo."

"Então por que seu nome estava lá?"

Teresa começou a andar.

"Eu não sei."

"Mãe."

"Eu juro."

"Não me jura. Me explica."

Teresa parou.

"Eu assinei documentos."

Helena ficou imóvel.

"Que documentos?"

"Coisas que me mandavam revisar."

"Você assinava sem ler?"

"Claro que não."

"Então?"

"Eles misturaram folhas."

Helena sentiu raiva.

"Isso não acontece assim."

"Acontecia naquela época."

"Não com uma auditora."

Teresa virou-se.

"Eu tinha vinte e quatro anos."

A voz saiu mais alta.

"Eu ganhava pouco, estava grávida, tinha medo de perder o emprego e trabalhava para gente que mandava em metade da cidade."

Helena ficou em silêncio.

Grávida.

A palavra ficou entre elas.

"Você estava grávida de mim."

Teresa fechou os olhos.

"Sim."

Helena respirou.

"E meu pai?"

A mãe ficou rígida.

"Não mistura as coisas."

"Você sempre disse que ele era um homem comum."

"Era."

"Que foi embora antes de eu nascer."

"Foi."

"Trabalhava no grupo?"

"Não."

A resposta veio rápida demais.

Helena percebeu.

"Está mentindo?"

"Não."

"Mãe."

"Não estou."

"Olha para mim."

Teresa olhou.

"Meu pai era um Valença?"

A mãe empalideceu.

"Não."

Helena sentiu o coração bater mais forte.

"Então por que você ficou assim?"

"Porque isso é absurdo."

"É?"

"É."

"Quem era ele?"

Teresa desviou o rosto.

"Isso não importa agora."

"Importa para mim."

"Helena."

"Você escondeu que trabalhou no grupo."

"Sim."

"Escondeu que auditava previdência."

"Sim."

"Escondeu que encontrou fraude."

"Sim."

"E quer que eu acredite quando diz que meu pai não tem relação?"

Teresa respirou fundo.

"Seu pai não é um Valença."

Helena sustentou o olhar.

"Mas conhecia alguém de lá?"

A mãe não respondeu.

Aquilo bastou.

"Quem?"

Teresa se levantou.

"Não vou falar disso."

"Por quê?"

"Porque não tem relação."

"Você não decide isso."

"Sou sua mãe."

"E eu tenho trinta e dois anos."

Teresa virou-se.

Helena sentiu a raiva se transformar.

"Por que você saiu do grupo?"

"Porque estava grávida."

"Essa é a história que você me contou."

"É verdade."

"É toda a verdade?"

Teresa ficou imóvel.

Helena esperou.

Um segundo.

Dois.

Cinco.

Então a mãe sentou novamente.

"Não."

Helena sentiu o peito apertar.

"Por que saiu?"

Teresa levou as mãos ao rosto.

"Porque me mandaram embora."

A resposta caiu pesada.

"Quem?"

"Otávio."

"Gabriel disse que o avô era presidente."

"Era."

"Ele te demitiu?"

"Não diretamente."

"Então quem?"

Teresa levantou os olhos.

"Marcelo."

Helena parou de respirar.

"Marcelo Valença?"

"Sim."

"Ele tinha pouco mais de trinta anos."

"Trinta e três."

Helena guardou o detalhe.

"Por quê?"

"Porque eu encontrei as transferências."

正文2

"Ele sabia?"

"Sabia."

"Participava?"

"Eu não consegui provar."

"Mas suspeitava."

Teresa assentiu.

"Eu pedi explicações."

"Para ele?"

"Primeiro para meu gerente."

"E?"

"Ele mandou parar."

"Você parou?"

Teresa soltou uma risada triste.

"Você me conhece."

Helena quase sorriu.

Sim.

Conhecia aquilo.

"Continuei."

"E encontrou mais."

"Mais contas."

"Mais empresas."

"Sim."

"Mais dinheiro."

"Sim."

Teresa respirou fundo.

"Então me chamaram numa sala."

"Quem?"

"Meu gerente."

Pausa.

"E Marcelo."

Helena sentiu a pele arrepiar.

"O que ele disse?"

"Que eu estava interpretando errado."

"Você acreditou?"

"Não."

"Depois?"

"Disse que meu contrato seria encerrado."

"Você ameaçou denunciar?"

Teresa fechou os olhos.

"Sim."

Helena inclinou-se.

"E foi aí?"

"Foi."

"Quando?"

"No dia seguinte."

Teresa ficou em silêncio.

Helena perguntou:

"O que aconteceu?"

"Um homem apareceu aqui."

"Nesse apartamento?"

"Sim."

"Quem?"

"Eu nunca soube o nome."

"O que ele queria?"

"Trouxe uma mala."

Helena ficou imóvel.

"Com dinheiro?"

"Sim."

"Quanto?"

"Na época, cento e cinquenta mil reais."

Helena arregalou os olhos.

Era uma fortuna para uma jovem auditora nos anos anteriores.

"Para ficar calada."

Teresa assentiu.

"Você aceitou?"

"Eu peguei."

Helena recuou.

A dor foi pior que esperava.

"Mãe."

"Escuta."

"Você pegou dinheiro deles?"

"Escuta."

"Depois de descobrir desvio de aposentadoria?"

"Eu estava grávida."

"Isso não muda."

"Eu estava sozinha."

"Não muda."

"Eu tinha recebido ameaça."

Helena ficou em silêncio.

Teresa continuou.

"Disseram que, se eu falasse, você nasceria sem mãe."

A raiva de Helena desapareceu.

"Disseram isso?"

"Com essas palavras."

Teresa começou a chorar.

"Eu tinha vinte e quatro anos, Helena."

Ela limpou o rosto.

"Eu não sabia a quem recorrer."

Helena sentiu os próprios olhos arderem.

"Então você ficou calada."

"Fiquei."

"E gastou o dinheiro?"

Teresa olhou para ela.

"Não."

Helena franziu a testa.

"Como assim?"

"Eu nunca toquei."

"Você guardou?"

"Sim."

"Por vinte e tantos anos?"

"Sim."

"Por quê?"

Teresa se levantou.

Caminhou até o quarto.

Voltou com uma caixa de metal antiga.

Colocou sobre a mesa.

Abriu.

Dentro havia recibos bancários amarelados.

Documentos.

E um extrato de aplicação financeira.

Helena pegou.

O valor original aparecia registrado.

R$ 150.000.

Nunca movimentados.

Os rendimentos tinham sido separados posteriormente.

O principal permanecia intacto.

Helena olhou para a mãe.

"Por quê?"

"Porque não era meu."

"Então por que não devolveu?"

"Para quem?"

Teresa respirou.

"Para eles?"

Helena não respondeu.

"Eu guardava porque era prova."

A palavra fez Helena levantar o rosto.

"Prova?"

Teresa assentiu.

"Eu tinha medo de denunciar."

"Mas guardou."

"Sim."

"Mais alguma coisa?"

A mãe hesitou.

Helena percebeu.

"O quê?"

Teresa caminhou até um armário pequeno.

Tirou uma latinha de costura.

De dentro, pegou uma chave antiga.

Pequena.

Metálica.

Com um número gravado.

Helena olhou para ela.

"Que chave é essa?"

"De um cofre."

"Qual cofre?"

"Banco."

"Em qual banco?"

"Banco Paulista Mercantil."

Helena conhecia.

Uma instituição antiga que havia sido incorporada por outro banco, mas alguns cofres privados continuavam ativos na agência histórica do centro.

"Está no seu nome?"

"Não."

"De quem?"

Teresa respirou fundo.

"Foi aberto por mim usando um contrato antigo."

"O que tem dentro?"

"Documentos."

"Que documentos?"

Teresa sentou novamente.

"Cópias de lançamentos."

Helena sentiu o coração acelerar.

"Do Grupo Valença?"

"Sim."

"De previdência?"

"Sim."

"Quanto?"

"Eu não sei."

"Mãe."

"Eu não consegui copiar tudo."

"Tem nomes?"

"Alguns."

"Empresas?"

"Sim."

"Assinaturas?"

Teresa assentiu.

Helena apertou a chave na mão.

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