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"O NDA Manchado de Sangue" Capítulo 7

正文开头

Um diretor levantou-se.

"Isso é impossível."

Helena olhou para ele.

"Eu tenho os comprovantes."

"Essas empresas são prestadoras."

"Algumas nunca tiveram funcionário."

Ele ficou quieto.

Helena apontou para a tela.

"Uma delas funcionava no endereço de uma sala vazia em Osasco."

Mudou.

"Outra recebeu R$ 18 milhões em seis meses e declarou faturamento inferior a R$ 200 mil."

Outro slide.

"Uma terceira tinha como sócio um motorista que morreu quatro anos antes da abertura da empresa."

Álvaro ficou pálido.

Marcelo permanecia imóvel.

Helena percebeu.

Era o único que não reagia.

Gabriel perguntou:

"Essas são as empresas ligadas ao dinheiro da previdência?"

"Parte delas."

"Parte?"

"Sim."

Helena passou para outro quadro.

"O dinheiro saía de fundos administrados por estruturas vinculadas ao Grupo Valença."

Mais linhas apareceram.

"Depois passava por contratos de consultoria."

Outro clique.

"Seguia para empresas intermediárias."

Outro.

"E terminava pulverizado em contas diferentes."

Marcelo falou:

"Você está fazendo acusações graves."

Helena respondeu:

"Estou mostrando números."

"Sem contexto."

"Contexto não muda saldo bancário."

"Pode mudar interpretação."

"Então interprete para mim."

Ela apontou para R$ 7,4 milhões transferidos para uma empresa chamada Horizonte Gestão Patrimonial.

"Por que uma consultoria sem funcionários recebeu isso?"

Marcelo não respondeu.

Helena apontou para outra.

"E R$ 12 milhões para a Aurora Participações?"

Silêncio.

"Mais R$ 9,8 milhões para a Metrópole Serviços Financeiros?"

Álvaro falou:

"Precisamos interromper essa apresentação."

"Por quê?"

"Porque pode envolver dados protegidos."

Lívia respondeu:

"Já estão sob preservação judicial."

Álvaro olhou para ela.

"Isso está virando um espetáculo."

Helena falou:

"Não."

Ela se virou para a mesa.

"Espetáculo foi colocar foto da minha casa na televisão."

Ninguém respondeu.

"Isso aqui é contabilidade."

Ela mudou novamente o slide.

A tela mostrou uma linha temporal.

"Janeiro."

Um valor.

"Março."

Outro.

"Junho."

Outro.

"Setembro."

Outro.

"Dezoito meses."

Helena olhou para todos.

"Vocês achavam que eu estava tentando entrar nesta família."

Ela apontou para os números.

"Eu estava tentando descobrir quem estava saindo com o dinheiro."

Gabriel abaixou os olhos por um instante.

Marcelo juntou as mãos.

"Se isso tudo é verdade, por que não prenderam ninguém antes?"

Helena respondeu:

"Porque eu não estava procurando um bode expiatório."

Ela olhou para Vitória na fotografia do organograma.

"Vocês aparentemente estavam."

Marcelo endureceu a expressão.

Helena continuou.

"Eu queria saber quem autorizava."

Outro clique.

"Quem recebia."

Outro.

"Quem ocultava."

Outro.

"E quem era o beneficiário final."

A expressão de Marcelo mudou.

Muito pouco.

Mas Helena viu.

Ela parou.

Na tela havia uma tabela que não tinha sido mostrada antes.

Gabriel se inclinou.

"O que foi?"

Helena não respondeu.

A linha diante dela trazia uma empresa que deveria terminar numa conta de passagem.

Mas havia um registro novo.

Um beneficiário.

Ela aproximou a imagem.

Lívia percebeu.

"Helena?"

"Espera."

Helena passou os dedos pelo teclado do notebook.

Abriu o detalhe.

Data.

Conta.

Banco.

CPF vinculado.

Nome.

Ela sentiu o coração desacelerar.

Como se o corpo não soubesse o que fazer com aquilo.

正文1

Gabriel olhou para ela.

"Você está bem?"

Helena não respondeu.

O sobrenome na tela não era Valença.

Também não era Albuquerque.

Ela ampliou mais uma vez.

Marcelo observava em silêncio.

Lívia se aproximou da tela.

Então também viu.

"Helena..."

O nome do beneficiário terminava com uma palavra que ela conhecia desde o nascimento.

Duarte.

Helena sentiu os dedos gelarem.

Seu próprio sobrenome estava no caminho do dinheiro.

Parte 5 — O Nome da Minha Mãe

Helena passou quase duas horas olhando para o sobrenome na tela.

Duarte.

Não Valença.

Não Albuquerque.

Duarte.

A reunião do conselho já havia terminado, os diretores tinham sido dispersados e os advogados do Grupo Valença estavam proibidos de tocar nos computadores usados naquela apresentação.

Mesmo assim, Helena não conseguia sair daquela linha.

Gabriel estava ao lado da janela da sala menor para onde Lívia a levara depois da reunião.

"Pode ser coincidência."

Helena não respondeu.

"Helena."

Ela ampliou o registro bancário outra vez.

"Não é."

Lívia estava sentada diante de outro notebook, comparando números.

"O nome completo ainda está mascarado em parte."

"Eu sei."

"Então não tira conclusão antes da hora."

Helena soltou o ar lentamente.

"Eu passei dezoito meses seguindo essas contas."

"Justamente por isso."

Lívia levantou os olhos.

"Você sabe que coincidência também existe."

Helena virou a tela.

"CPF iniciado pelos mesmos seis números de alguém que nasceu na mesma região da minha mãe."

Gabriel franziu a testa.

"Você sabe o CPF dela de cabeça?"

"Sei."

"Por quê?"

Helena o olhou.

"Sou contadora."

Ele preferiu não insistir.

Lívia terminou de digitar uma solicitação.

"Acabei de pedir o detalhamento do beneficiário."

"Quanto tempo?"

"Se o banco cooperar, minutos."

Helena ficou em silêncio.

A perna latejava dentro da imobilização.

O braço ainda doía por causa do acesso arrancado por Vitória.

Mas nada parecia tão desconfortável quanto aquela espera.

Gabriel aproximou-se.

"Se for alguém da sua família, isso não significa que sua família estava envolvida."

Helena ergueu os olhos.

"Você está falando por experiência própria?"

Ele sentiu o golpe.

"Talvez."

Helena desviou o rosto.

"Desculpa."

"Não precisa."

"Precisa, sim."

Ela passou a mão pela testa.

"Eu só estou cansada."

Gabriel assentiu.

"Eu também estaria."

O celular de Lívia vibrou.

As três pessoas olharam para ela.

A promotora abriu a mensagem.

Seu rosto mudou.

Helena percebeu antes mesmo de ouvir.

"É ela."

Lívia não perguntou quem.

Apenas girou o notebook.

Na tela aparecia o nome completo associado ao cadastro antigo.

Teresa Aparecida Duarte.

Helena ficou imóvel.

Gabriel olhou para ela.

"É sua mãe?"

Helena assentiu.

A garganta pareceu fechar.

"Sim."

O registro mostrava uma conta encerrada havia mais de vinte anos.

Mas o nome permanecera vinculado a uma sociedade antiga que, décadas depois, reaparecera dentro da cadeia de transferências ligada ao Grupo Valença.

Lívia passou para a página seguinte.

"A conta não recebeu os R$ 210 milhões."

Helena respirou.

"Eu sei."

"Ela está aparecendo como beneficiária histórica de uma estrutura jurídica antiga."

正文2

"Qual?"

Lívia apontou.

"Fundo Aurora de Participações."

Helena sentiu um choque.

"Esse nome já apareceu."

"Três vezes."

"Como empresa intermediária."

"Exato."

Gabriel se aproximou.

"Então a mãe dela era sócia?"

"Não necessariamente."

Helena analisou a tela.

"Pode ser procuração, conta de custódia, fundo fechado, participação temporária."

Lívia assentiu.

"Ou alguém usou o nome dela."

Helena fechou o notebook.

"Eu vou falar com ela."

Gabriel respondeu imediatamente.

"Eu vou com você."

"Não."

"Helena."

"Gabriel, não."

"Por quê?"

"Porque isso é minha família."

Ele respirou fundo.

"E a minha família quase matou você."

Helena o encarou.

"Justamente."

Silêncio.

Lívia interrompeu.

"Você não vai sozinha."

Helena olhou para ela.

"Eu não estou pedindo autorização."

"Nem eu estou oferecendo."

"Minha mãe não é suspeita."

"Ainda não sabemos o que ela é."

A frase doeu.

Helena endureceu o olhar.

Lívia percebeu.

"Eu não quis dizer desse jeito."

"Mas disse."

"Quis dizer que ainda não sabemos como o nome dela entrou nisso."

Helena respirou lentamente.

"Eu vou falar com ela antes de qualquer interrogatório."

Lívia pensou.

"Dez minutos."

"Quinze."

"Doze."

Helena quase sorriu.

"Fechado."

Teresa Duarte morava no mesmo apartamento havia vinte e seis anos.

Um prédio simples na Vila Matilde, com portão de ferro, vasos de espada-de-são-jorge na entrada e um elevador que fazia barulho em todos os andares.

Helena conhecia cada rachadura daquela parede.

Quando era criança, acreditava que o corredor do terceiro andar era enorme.

Agora parecia pequeno.

Lívia ficou esperando no carro.

Dois agentes permaneceram na rua.

Helena subiu sozinha.

A cadeira de rodas precisou entrar de lado no elevador.

Quando a porta do apartamento se abriu, Teresa ficou branca.

"Meu Deus."

Helena percebeu que a mãe olhava primeiro para a perna.

Depois para os hematomas.

Depois para o curativo.

"Você devia estar no hospital."

"Recebi alta parcial."

"Você não devia estar aqui."

"Eu precisava falar com você."

Teresa segurou o batente.

"Entrou alguma infecção?"

"Não."

"Está com dor?"

"Estou."

"Então senta."

Helena olhou para a cadeira.

Teresa percebeu.

"Desculpa."

Ela colocou a mão sobre a boca.

"Desculpa, filha."

Helena entrou.

O cheiro era o mesmo de sempre.

Café.

Sabão em pó.

Um pouco de canela.

Teresa fechou a porta.

"Eu estava indo te ver."

"Eu sei."

"Separei roupa."

"Depois."

"Você comeu?"

"Mãe."

Teresa parou.

Helena viu o medo.

Ainda não sabia se era medo pela filha.

Ou de alguma coisa que ela mesma escondia.

"Você já trabalhou no Grupo Valença?"

Teresa ficou imóvel.

Não foi uma reação de surpresa.

Foi pior.

Reconhecimento.

Helena sentiu o estômago afundar.

"Então trabalhou."

Teresa desviou os olhos.

"Quem te falou isso?"

"Responde."

"Helena."

"Responde."

Teresa caminhou lentamente até a sala.

Sentou no sofá.

Helena posicionou a cadeira diante dela.

"Você me disse que trabalhou em escritório de contabilidade."

"Eu trabalhei."

"Qual escritório?"

Teresa ficou em silêncio.

"Mãe."

"Era dentro do grupo."

Helena fechou os olhos por um segundo.

"Durante quanto tempo?"

"Quase quatro anos."

"Quando?"

"Antes de você nascer."

Helena sentiu raiva subir.

"Você nunca me contou."

"Não tinha por que contar."

"Não tinha?"

"Foi muito tempo atrás."

"Meu nome apareceu numa investigação de R$ 210 milhões."

Teresa levantou a cabeça de repente.

"O quê?"

"Seu nome."

"Meu?"

"Teresa Aparecida Duarte."

A cor saiu do rosto da mulher.

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