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"O NDA Manchado de Sangue" Capítulo 6

正文开头

Helena ficou imóvel.

O jornalista insistiu.

"Ela afirma ter conhecimento de movimentações financeiras."

"Afirmações são fáceis."

"Ela estava investigando o grupo?"

"Não temos qualquer confirmação disso."

Álvaro ajustou a gravata.

"O que sabemos é que a senhora Duarte se aproximou de um dos herdeiros da companhia e demonstrou interesse incomum em assuntos societários que não diziam respeito à vida pessoal do casal."

Gabriel desligou o vídeo.

"Filho da mãe."

Helena estendeu a mão.

"Deixa."

Ele devolveu o tablet.

Ela retomou.

Outro repórter perguntou:

"O senhor está sugerindo que Helena Duarte se envolveu com Gabriel Valença para obter vantagem?"

Álvaro respondeu:

"Estou dizendo que todas as hipóteses devem ser investigadas."

O vídeo terminou.

Silêncio.

Rafael foi o primeiro a falar.

"Ele não te acusa diretamente."

Helena assentiu.

"Porque advogado bom não faz isso."

Lívia completou:

"Ele só coloca a ideia na cabeça de todo mundo."

Helena olhou para a fotografia de Álvaro.

"Quem autorizou essa coletiva?"

Gabriel respondeu:

"Marcelo."

Ela assentiu.

"Claro."

Gabriel passou a mão pelo cabelo.

"Vou para essa reunião."

Lívia balançou a cabeça.

"Não sozinho."

"Sou acionista."

"E também está no centro de uma investigação criminal."

"Eu não fiz nada."

"Não importa."

Gabriel ficou irritado.

"Meu tio está transformando Helena em suspeita."

Helena falou:

"Deixa."

Ele se virou.

"De novo isso?"

"Sim."

"Você quer deixar todo mundo mentir?"

"Por algumas horas."

"Por quê?"

Helena olhou para Lívia.

"Porque eu quero entrar naquela reunião."

O quarto ficou quieto.

Gabriel franziu a testa.

"Você?"

"Eu."

"Helena, você mal consegue ficar em pé."

"Não preciso ficar em pé."

"Vai entrar numa reunião do conselho de cadeira de rodas?"

"Se for necessário."

Lívia observou Helena por alguns segundos.

"Você já tinha pensado nisso."

"Desde que vi a coletiva."

Rafael perguntou:

"Para quê?"

Helena apontou para o tablet.

"Eles querem transformar isso numa história sobre uma mulher pobre tentando entrar numa família rica."

"Sim."

"Então vou deixar que contem."

Gabriel não entendeu.

"Até quando?"

Helena olhou para o relógio.

"Até as onze."

Às dez e cinquenta e três, a sede do Grupo Valença, na região da Faria Lima, estava cercada por jornalistas.

Carros de reportagem ocupavam a entrada.

Câmeras acompanhavam qualquer veículo que se aproximasse.

O grupo valia bilhões.

E, pela primeira vez em décadas, seu sobrenome estava ligado a uma tentativa de homicídio.

Helena observava tudo de dentro de um carro oficial.

Vestia um terninho preto simples.

Nada de joias.

Nada de maquiagem pesada.

O cabelo estava preso num rabo baixo.

A perna imobilizada tornava cada movimento doloroso.

Lívia estava ao lado dela.

"Última chance de mudar de ideia."

Helena olhou pela janela.

"Você pretende me impedir?"

"Não."

"Então vamos."

Um agente abriu a porta.

Quando Helena apareceu na cadeira de rodas, o barulho começou.

"HELENA!"

"HELENA DUARTE!"

"VOCÊ TEM PROVAS CONTRA O GRUPO VALENÇA?"

"É VERDADE QUE VOCÊ NAMORAVA GABRIEL PARA CONSEGUIR INFORMAÇÕES?"

"VOCÊ RECEBEU DINHEIRO DA FAMÍLIA?"

Helena não respondeu.

正文1

Os flashes explodiam diante dela.

Lívia caminhava ao lado.

Dois agentes abriram passagem.

Uma jornalista gritou:

"Você é mesmo só uma contadora?"

Helena virou o rosto.

Por um segundo, seus olhos encontraram a câmera.

Ela não respondeu.

Ainda não.

As portas de vidro do edifício se fecharam atrás dela.

O saguão ficou silencioso.

Funcionários observavam.

Alguns cochichavam.

Outros desviavam o olhar.

Helena reconheceu alguns rostos.

Pessoas que durante meses haviam passado por ela sem lembrar seu nome.

Secretárias.

Analistas.

Diretores.

Auditores.

Muitos já tinham visto Helena acompanhando Gabriel.

Quase todos haviam concluído a mesma coisa.

Namorada pobre.

Ela viu a expressão deles agora.

Curiosidade.

Desprezo.

Medo.

O elevador subiu até o trigésimo segundo andar.

Quando as portas se abriram, Álvaro Peixoto estava esperando.

O advogado ficou pálido ao ver Lívia.

Depois olhou para Helena.

"O que ela está fazendo aqui?"

Helena respondeu:

"Bom dia para você também."

Álvaro ignorou.

"Essa é uma reunião privada."

Lívia exibiu um documento.

"Existe uma ordem de preservação de provas relacionada às operações discutidas hoje."

"Isso não autoriza a presença dela."

"Ela é parte da investigação."

Álvaro riu.

"Ela é testemunha."

Helena inclinou a cabeça.

"Tem certeza?"

Álvaro a encarou.

"Absoluta."

"Então talvez você devesse falar com menos certeza."

As portas da sala de reuniões se abriram.

Marcelo Valença apareceu.

Tinha cinquenta e oito anos, cabelo grisalho impecável e expressão serena.

Parecia diferente de Vitória.

Mais controlado.

Mais difícil de ler.

"Helena."

Ela o observou.

"Marcelo."

Ele olhou para a cadeira de rodas.

"Eu sinto muito pelo que aconteceu."

"Eu também."

"Nenhum de nós imaginava que Vitória pudesse chegar a esse ponto."

Helena percebeu.

A frase estava pronta.

Vitória sozinha.

De novo.

"Imagino que não."

Marcelo olhou para Lívia.

"Promotora."

"Senhor Valença."

"Gostaria que essa reunião permanecesse interna."

Lívia respondeu:

"Então não discutam provas de um crime federalizado em potencial."

Marcelo não perdeu o sorriso.

"Claro."

Helena apontou para a porta.

"Podemos entrar?"

Ele demorou um segundo.

"Por favor."

A sala tinha uma mesa longa de madeira escura.

Doze pessoas já estavam sentadas.

Quando Helena entrou, todas olharam.

Gabriel estava numa das pontas.

Levantou-se imediatamente.

Marcelo ocupou a cabeceira.

Álvaro sentou ao lado dele.

Helena foi posicionada do outro lado.

Um diretor que ela não conhecia sussurrou:

"Isso é um absurdo."

Helena ouviu.

Não reagiu.

Marcelo iniciou.

"Estamos vivendo a pior crise reputacional da história do grupo."

Helena quase sorriu.

Reputacional.

Não criminal.

Marcelo continuou.

"Vitória responderá individualmente pelos atos que cometeu."

Gabriel interrompeu.

"E os R$ 210 milhões?"

Silêncio.

Marcelo olhou para o sobrinho.

"Isso está sendo apurado."

"Não pelo grupo."

"Também pelo grupo."

"Vocês apagaram um servidor."

Álvaro ergueu a mão.

"Essa acusação é irresponsável."

Gabriel respondeu:

"O servidor se apagou sozinho?"

"Estamos investigando."

Helena observava.

Marcelo tinha as mãos apoiadas sobre a mesa.

Nenhum sinal de nervosismo.

Álvaro continuou.

"Precisamos evitar conclusões baseadas em alegações de terceiros."

Ele olhou diretamente para Helena.

正文2

Ela percebeu.

"Pode falar meu nome."

Álvaro cruzou os braços.

"Senhora Duarte, ninguém aqui entende qual é exatamente seu papel."

"Então pergunte."

"Você não é funcionária do grupo."

"Não."

"Não é acionista."

"Não."

"Não é auditora contratada."

"Não."

"É formada em contabilidade."

"Sim."

"Trabalha com habitação social."

Helena deixou alguns segundos passarem.

"Também."

Álvaro sorriu.

"Então estamos de acordo."

"Sobre?"

"Você não tinha qualquer autorização para investigar contas privadas do Grupo Valença."

Helena abriu a bolsa que estava sobre suas pernas.

Marcelo finalmente desviou os olhos para ela.

Helena percebeu.

Ela tirou uma carteira de identificação.

Colocou sobre a mesa.

Álvaro não conseguiu ler de onde estava.

Helena empurrou.

"Agora tenho?"

O cartão deslizou até o centro.

Gabriel observou em silêncio.

Marcelo olhou para o documento.

Seu rosto não mudou.

Mas uma das diretoras ficou rígida.

Álvaro pegou a carteira.

Leu.

Depois olhou para Helena.

"Isso não pode ser verdadeiro."

Helena quase riu.

"Pode ligar e confirmar."

Lívia falou:

"Eu confirmo."

Álvaro olhou para ela.

Helena estendeu a mão.

"Pode devolver."

Ele devolveu a identificação.

Ela a colocou diante de si.

"Meu nome é Helena Duarte."

Ninguém falou.

"Sou contadora forense e trabalho há oito anos em investigações financeiras vinculadas ao Ministério Público do Estado de São Paulo."

O silêncio ficou absoluto.

Um diretor piscou várias vezes.

Outro se inclinou para frente.

Helena continuou.

"Minha atuação em projetos habitacionais é real."

Ela olhou para Álvaro.

"Mas nunca foi a única coisa que eu fazia."

Marcelo falou pela primeira vez.

"Você estava infiltrada?"

"Eu estava investigando."

"Sem ordem judicial?"

Helena respondeu:

"Com todas as autorizações necessárias para cada etapa."

Lívia completou:

"E as informações obtidas legalmente estão preservadas."

Álvaro ficou vermelho.

"Ela teve relacionamento íntimo com Gabriel."

Helena olhou para ele.

"Você quer discutir minha vida pessoal ou os R$ 210 milhões?"

"Estou discutindo conflito de interesse."

"Ótimo."

Ela abriu outra pasta.

"O relacionamento começou cinco meses depois de eu já estar acompanhando as movimentações."

Gabriel a olhou.

Ele já sabia parte da história.

Não aquela.

Helena continuou.

"Quando conheci Gabriel, a investigação já existia."

Marcelo estreitou os olhos.

"Há quanto tempo?"

Helena respondeu:

"Dezoito meses."

Dessa vez houve reação.

Um murmúrio percorreu a mesa.

Álvaro perdeu a postura por alguns segundos.

"Dezoito meses?"

"Sim."

"Você está dizendo que espionou o grupo por um ano e meio?"

"Estou dizendo que acompanhei movimentações suspeitas ligadas a empresas que receberam recursos de fundos administrados pelo grupo."

Ela olhou ao redor.

"Há uma diferença."

Marcelo ficou imóvel.

Helena observou cada rosto.

Alguns estavam assustados.

Outros indignados.

Um deles parecia simplesmente confuso.

"Durante meses", Helena continuou, "eu ouvi piadas."

Ninguém respondeu.

"Sobre meu apartamento."

Ela tocou a manga do terno.

"Sobre minhas roupas."

Olhou para Álvaro.

"Sobre o fato de eu usar vestido de brechó."

Depois para Marcelo.

"Vocês passaram um ano rindo das minhas roupas."

Pausa.

"Eu passei um ano seguindo o dinheiro de vocês."

O silêncio se tornou pesado.

Helena puxou um controle pequeno da pasta.

Apontou para a tela da sala.

O projetor acendeu.

A primeira imagem mostrou uma estrutura societária.

Quatorze empresas.

Linhas ligavam umas às outras.

Nomes.

Datas.

Valores.

Helena falou:

"Quatorze empresas de fachada."

Mudou o slide.

"Trinta e sete contas."

Outro.

"R$ 210 milhões em recursos desviados ou movimentados sem justificativa compatível."

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