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"O NDA Manchado de Sangue" Capítulo 5

正文开头

"Era isso também."

Helena desviou o olhar.

A raiva virou outra coisa.

Cansaço.

"Então o noivado."

"Era parte da operação."

Helena voltou o rosto.

"Você aceitou se casar com ela?"

"Eu aceitei deixar Lavínia acreditar nisso."

"E hoje?"

"Haveria um anúncio."

"Falso?"

"Para fazer ela falar sobre a incorporação."

Helena fechou os olhos.

Vitória estava certa em uma coisa.

Gabriel tinha estado com Lavínia.

Mas pelo motivo oposto.

"Você estava com Lavínia hoje?"

"Eu estava."

Ele fez uma pausa.

"Ajudando a polícia a prendê-la."

Helena abriu os olhos.

Gabriel continuou.

"Ela acreditava que eu tinha voltado."

"Ela acreditava que você ia assinar a incorporação."

"Sim."

"E depois colocar o roubo no seu nome."

"Foi o que descobrimos."

Helena olhou para Lívia.

"Quanto vocês têm?"

"Áudios."

Rafael respondeu.

"Mensagens. Registros de reuniões. Alguns documentos."

Lívia completou.

"E agora temos a confissão de Vitória."

Helena respirou fundo.

"R$ 210 milhões."

Lívia assentiu.

"Esse valor fecha com o seu levantamento?"

"Quase."

"Quase?"

Helena olhou para ela.

"Eu tinha R$ 207 milhões confirmados."

"Então os três milhões restantes ainda estão fora."

Gabriel franziu a testa.

"Isso importa?"

Helena respondeu.

"Em fraude desse tamanho, tudo importa."

Lívia assentiu.

"Concordo."

Rafael recebeu uma chamada.

Saiu para atender no corredor.

Helena olhou para Gabriel.

Ele parecia querer se aproximar.

Não fez.

"Por que você não apareceu?"

"Vitória controlou o acesso ao hospital."

Helena franziu a testa.

"Como?"

"Ela falou com a administração."

"Ela não tem autoridade."

"Ela usou o nome da família."

"Isso ainda não dá autoridade."

"Disse que você tinha pedido para bloquear visitas."

Helena sentiu raiva.

"Eu nunca pedi."

"Eu sei agora."

"Você acreditou?"

"Não."

"Então?"

Gabriel respirou fundo.

"Eu tentei entrar ontem."

"Você esteve aqui?"

"Na recepção."

Helena ficou imóvel.

"Mandaram você embora?"

"Disseram que você não queria me ver."

"Você foi embora?"

"Não."

Helena ergueu uma sobrancelha.

"Fiquei no estacionamento por quase duas horas."

Apesar de tudo, aquilo tocou alguma coisa dentro dela.

Gabriel continuou.

"Depois Lívia pediu que eu não voltasse."

Helena olhou para a promotora.

"Porque Vitória estava monitorando quem tentava entrar."

Lívia respondeu.

"Precisávamos que ela acreditasse que você estava isolada."

Helena ficou em silêncio.

"Então eu era isca."

"Você já era alvo antes de qualquer operação."

"Isso não melhora."

"Não."

Lívia não tentou suavizar.

"Não melhora."

Rafael reapareceu na porta.

Seu rosto tinha mudado.

Lívia percebeu imediatamente.

"O que foi?"

"Temos um problema."

Helena sentiu o corpo ficar tenso.

"Lavínia?"

"Foi presa."

Gabriel soltou o ar.

"Então?"

Rafael entrou no quarto.

"Antes da equipe chegar, alguém acessou um dos servidores financeiros ligados à operação Albuquerque-Valença."

Helena se inclinou.

"Qual servidor?"

"Um espelho usado para armazenar dados de transferências."

Ela sentiu o estômago apertar.

"O que aconteceu?"

"Foi apagado."

Silêncio.

"Quanto?"

"Quase tudo."

Helena fechou os olhos por um segundo.

"Backups?"

"Estamos verificando."

"Quem fez o acesso?"

Rafael olhou para Gabriel.

A expressão dele não era acusatória.

Mas era séria.

正文1

"Tem certeza de que quer saber agora?"

Gabriel ficou imóvel.

"Fala."

Rafael respirou fundo.

"O sistema registrou uma credencial de administrador."

"De quem?"

Rafael não respondeu imediatamente.

Helena percebeu antes.

Gabriel também.

"Minha?"

Rafael assentiu.

"Seu usuário."

Gabriel deu um passo para trás.

"Não."

"Com autenticação de nível máximo."

"Isso é impossível."

"O sistema diz que não."

"Eu estava com vocês."

"Eu sei."

"Vocês têm gravação."

"Temos."

Gabriel olhou para Lívia.

"Então está resolvido."

Ela não respondeu.

Helena sentiu um calafrio.

"Não está."

Lívia voltou os olhos para ela.

Helena continuou.

"Se usaram a credencial dele enquanto ele estava sob vigilância policial, então alguém planejou isso para parecer impossível."

Gabriel passou a mão pelo rosto.

"Quem tem acesso?"

"Em teoria?"

Helena perguntou.

"Pouquíssimas pessoas."

"Quantas?"

Gabriel pensou.

"Minha irmã."

"Vitória estava aqui."

"Meu tio Marcelo."

Helena memorizou o nome.

"Mais alguém?"

"Alguns executivos de segurança digital."

Rafael cruzou os braços.

"Todos serão investigados."

Helena sentiu a inquietação aumentar.

"Vocês disseram que o servidor tinha as transferências."

"Sim."

"Todo o caminho do dinheiro?"

Rafael hesitou.

"Até determinado ponto."

"Qual ponto?"

Lívia respondeu.

"Até as empresas de fachada."

Helena ficou imóvel.

"E depois?"

"Era o que estávamos tentando descobrir."

Ela sentiu o sangue esfriar.

"Então o que sumiu foi justamente a parte que mostrava para onde os R$ 210 milhões iam no final."

Lívia assentiu.

"Exatamente."

Gabriel olhou para Helena.

"Isso significa que Lavínia e Vitória não eram o fim."

Ninguém respondeu.

A chuva continuava batendo contra o vidro.

Helena sentiu uma coisa diferente da dor.

Uma certeza.

Vitória era arrogante.

Lavínia era ambiciosa.

As duas haviam organizado ameaças, falsificações e um atropelamento.

Mas alguém tinha esperado o momento exato da prisão.

Alguém tinha acesso interno.

Alguém conhecia a investigação.

Alguém queria que Gabriel parecesse culpado.

E essa pessoa continuava livre.

Lívia voltou o rosto para Gabriel.

"Se você não fez isso..."

Ela fez uma pausa.

"...alguém quer que a gente acredite que fez."

Helena olhou para o documento ensanguentado dentro do saco de evidências.

Depois para os restos do relógio quebrado no chão.

Vitória e Lavínia tinham acabado de cair.

Mas, pela primeira vez, Helena entendeu que talvez elas nunca tivessem sido as pessoas no topo.

E em algum lugar de São Paulo, alguém ainda estava movendo o dinheiro.

Parte 4 — A Contadora da Zona Leste

Às oito e vinte da manhã seguinte, o nome de Helena Duarte já estava em todos os portais de notícia.

Algumas manchetes a chamavam de amante interesseira.

Outras preferiam termos mais cruéis.

"Contadora da Zona Leste teria se aproximado de herdeiro bilionário antes de crise no Grupo Valença."

Helena leu a frase no celular e soltou uma risada sem humor.

Estava sentada na cama do hospital, com a perna ainda imobilizada e o braço coberto por um novo curativo.

A chuva da noite anterior tinha parado.

São Paulo amanhecera cinzenta.

Gabriel estava perto da janela, lendo outra matéria.

正文2

"Não leia isso."

Helena ergueu os olhos.

"Você está lendo."

"Eu sei."

"Então não me peça para fingir que não existe."

Gabriel fechou o celular.

"Alguém está vazando informações."

"Não são informações."

Helena mostrou a tela.

"São versões."

A matéria trazia fotografias do prédio onde Helena morava, na Zona Leste.

Uma imagem mostrava a fachada simples.

Outra mostrava sua mãe chegando com sacolas de supermercado.

Havia até uma fotografia antiga de Helena usando um vestido azul numa confraternização.

A legenda dizia que ela "mantinha um padrão de vida incompatível com a família Valença".

Helena ficou alguns segundos olhando para aquilo.

"Conseguiram transformar um vestido de cento e vinte reais em prova criminal."

Gabriel apertou a mandíbula.

"Vou descobrir quem fez isso."

"Não."

"Helena."

"Não quero vingança pessoal."

"Minha família está destruindo sua reputação."

"Então deixa eles tentarem."

Gabriel se aproximou.

"Você quase morreu."

"Eu sei."

"E agora estão jogando você para a imprensa."

"Eu também sei."

Ele a encarou.

"Como você consegue ficar tão calma?"

Helena colocou o celular sobre a cama.

"Porque quem está desesperado faz barulho."

Gabriel permaneceu em silêncio.

Helena continuou.

"E o Grupo Valença está fazendo muito barulho."

A porta abriu.

Lívia Sampaio entrou acompanhada de Rafael Nogueira.

A promotora carregava duas pastas.

Rafael tinha o rosto de quem não dormira.

"Temos novidades", disse Lívia.

Helena indicou o celular.

"Imagino."

Lívia colocou uma pasta sobre a mesa.

"O conselho do Grupo Valença convocou uma reunião extraordinária para as onze."

Gabriel franziu a testa.

"Quem convocou?"

"Marcelo Valença."

Helena olhou para ele.

"O seu tio."

"Sim."

"Ele é diretor financeiro?"

"Presidente do comitê executivo."

Rafael cruzou os braços.

"E um dos poucos com acesso administrativo ao sistema que foi apagado ontem."

Gabriel ficou sério.

"Vocês já falaram com ele?"

"Os advogados impediram qualquer depoimento informal."

"Claro."

Lívia abriu a pasta.

"Marcelo vai tentar separar o grupo de Vitória."

Helena pegou algumas folhas.

Havia uma nota oficial preparada para a imprensa.

Ela leu em silêncio.

Depois ergueu uma sobrancelha.

"Rápidos."

Gabriel perguntou:

"O que diz?"

Helena entregou a folha.

Ele começou a ler.

O Grupo Valença declarava "profundo repúdio a qualquer conduta individual incompatível com seus valores".

Vitória era tratada como uma executiva que "teria agido de forma autônoma".

Lavínia Albuquerque aparecia apenas como "terceira externa".

Não havia menção a R$ 210 milhões.

Nem a fundos de previdência.

Nem às empresas de fachada.

Gabriel amassou a folha.

"Estão jogando tudo nas costas da minha irmã."

Rafael respondeu:

"Porque ela já está presa."

Helena fechou a pasta.

"E morta reputacionalmente."

"Exatamente."

Lívia puxou uma cadeira.

"Tem mais."

Ela colocou um tablet diante de Helena.

Um vídeo estava pausado.

Um homem de terno cinza aparecia diante de vários microfones.

Helena reconheceu.

Álvaro Peixoto.

Advogado-chefe do Grupo Valença.

Lívia apertou o botão.

O vídeo começou.

Álvaro falava com a calma treinada de quem cobrava caro para nunca parecer nervoso.

"Até o momento, não existe qualquer prova de que o Grupo Valença, como instituição, tenha participado de qualquer atividade criminosa."

Um jornalista perguntou sobre Helena.

Álvaro fez uma pausa.

"Precisamos separar fatos de narrativas."

Outra pergunta.

"Quem é Helena Duarte?"

Álvaro sorriu discretamente.

"Uma profissional de contabilidade ligada a projetos habitacionais, sem cargo no grupo, sem autorização para acessar dados internos e que mantinha um relacionamento pessoal com Gabriel Valença."

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