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"Ele Roubava Todo o Meu Dinheiro, Mas Eu Guardava Todas as Provas" Capítulo 13

正文开头

Helena respirou fundo.

"Percebi."

Na manhã seguinte, Helena acordou às cinco e dez.

Por alguns segundos, não lembrou onde estava.

Depois viu a porta do apartamento.

Fechada.

A chave sobre a mesa.

Seu celular.

Seu quarto.

Seu silêncio.

Nenhum passo no corredor.

Nenhuma voz mandando levantar.

Ela ficou sentada na cama por quase um minuto.

Então o telefone vibrou.

Camila.

"Bom dia."

"Você dormiu?"

"Pouco."

"Temos novidade."

Helena ficou alerta.

"Sobre o quê?"

"A busca."

"Que busca?"

"O mandado não era só de prisão."

Helena se levantou.

"Também havia busca e apreensão."

"Na casa?"

"Na casa e em outros endereços ligados a ele."

O coração acelerou.

"Encontraram alguma coisa?"

"Encontraram um computador."

Helena ficou parada.

"Eu estou indo para o escritório."

"Não precisa correr."

"Eu estou indo."

Duas horas depois, Camila estava diante dela com uma expressão diferente.

Mais séria.

Paulo Siqueira também estava na sala.

Sobre a mesa havia apenas café e dois blocos de anotação.

"Não podemos acessar todo o material."

Camila começou.

"Está sob perícia."

Helena assentiu.

"Mas André confirmou alguns itens já identificados."

"Quais?"

Paulo abriu o bloco.

"Digitalizações de documentos pessoais seus."

Helena fechou os olhos por um instante.

"RG?"

"RG."

"CPF?"

"Também."

"Desde quando?"

"Ainda estão verificando."

Camila continuou.

"Encontraram arquivos com solicitações de cartões."

Helena respirou fundo.

"Os três?"

"Sim."

"E o empréstimo?"

Paulo respondeu:

"Também."

Helena apertou os dedos.

"Então ele guardava tudo."

"É o que parece."

Paulo virou uma página.

"Há formulários."

"Assinaturas?"

"Imagens de assinaturas."

"Minhas?"

"Sim."

Helena sentiu náusea.

Durante anos, Osvaldo não precisava nem pedir documento.

Ele morava com ela.

Sabia onde tudo ficava.

Podia abrir gavetas.

Fotografar papéis.

Copiar assinatura.

Usar o nome dela enquanto dormia no quarto ao lado.

"Tem mais."

Camila disse.

Helena levantou os olhos.

"Inventário."

O ar pareceu desaparecer da sala.

"Encontraram o inventário?"

"Uma cópia digital."

Helena ficou imóvel.

"Na casa?"

"No computador."

"Ele pode dizer que recebeu depois."

Camila assentiu.

"Poderia."

Helena percebeu o tom.

"Mas?"

Paulo virou o notebook.

"Arquivos têm metadados."

Helena se aproximou.

"Data de criação."

"Sim."

"Qual?"

Paulo olhou para Camila.

Depois para Helena.

"Três dias depois da morte da Teresa."

Helena não entendeu imediatamente.

"Três dias?"

"Sim."

"Depois da morte?"

"Sim."

Ela começou a balançar a cabeça.

"Não."

Paulo não respondeu.

"Não pode ser."

Camila permaneceu em silêncio.

Helena ficou de pé.

"Minha mãe nem tinha sido enterrada direito."

A voz falhou.

"Eu sei."

"Ele já tinha isso?"

"É o que o registro indica."

Helena começou a andar pela sala.

"Ele disse que não existia nada."

Ninguém respondeu.

"Disse que ela morreu devendo."

Ela parou.

"Disse que o carrinho só ficou comigo porque ele deixou."

As lembranças vieram com força.

A cozinha.

A toalha amarela.

A chuva na janela.

Osvaldo sentado diante dela.

"Sua mãe deixou dívidas."

Helena tinha dezoito anos.

Mal conseguia respirar de tanto chorar.

Ele sabia.

Naquele mesmo momento, ele já sabia.

"Três dias."

正文1

Helena repetiu.

Paulo assentiu.

"Há mais de uma cópia do arquivo."

"Mais?"

"Uma delas parece ter sido renomeada."

"Para quê?"

Paulo olhou para a tela.

"Documento antigo."

Helena soltou uma risada quebrada.

"Documento antigo."

Camila se levantou.

"Helena."

"Ele sabia."

"Sim."

"Não foi confusão."

"Não."

"Não foi erro."

"Não."

"Não foi porque ele achava que marido tinha direito."

Camila balançou a cabeça.

"Não parece."

Helena ficou em silêncio.

As lágrimas chegaram sem aviso.

Ela não tentou esconder.

"Ele sabia que era meu."

Camila se aproximou.

"Sim."

"Todos os dias."

A voz ficou mais baixa.

"Todos os dias ele sentava do outro lado da rua."

Ninguém falou.

"Esperava eu vender."

Ela enxugou o rosto.

"Pegava o dinheiro."

Outra lágrima caiu.

"E sabia."

Por oito anos, Osvaldo não tinha vivido numa zona cinzenta.

Não tinha se confundido sobre herança.

Não tinha interpretado mal um casamento.

Tinha lido.

Tinha guardado.

Tinha escondido.

E continuado.

Helena sentou de novo.

"Eu queria que isso doesse menos agora que eu sei."

Camila respondeu baixo:

"Talvez doa mais antes de doer menos."

Helena assentiu.

Paulo esperou alguns segundos.

"Tem outra coisa."

Ela levantou os olhos.

"Claro que tem."

Paulo abriu uma anotação.

"Os peritos também localizaram mensagens."

"Com quem?"

"Vinícius."

Helena parou.

"De quando?"

"Algumas recentes."

Camila completou:

"Incluindo antes da ação judicial."

Paulo continuou.

"Há conversas sobre documento."

"Contrato falso?"

"Ainda não podemos afirmar o contexto completo."

"Mas existe?"

"Existe."

Helena respirou fundo.

"E o incêndio?"

Paulo não respondeu de imediato.

Helena entendeu.

"Tem mensagem sobre o incêndio."

Camila falou:

"Tem uma."

"Quero saber."

"Helena..."

"Quero saber."

Camila abriu o próprio bloco.

"Ela foi enviada antes do incêndio."

"Por quem?"

"Osvaldo."

"Para Vinícius?"

"Sim."

Helena sentiu os músculos do rosto endurecerem.

"O que ele escreveu?"

Camila leu:

"Depois disso ela vai entender."

Helena ficou imóvel.

Não houve grito.

Não houve choro.

Nada.

Apenas silêncio.

A frase era quase igual àquela dita diante das cinzas.

Coisas ruins acontecem quando a pessoa começa a achar que não precisa mais da família.

"Tem resposta?"

Helena perguntou.

"Tem."

"Do Vinícius?"

"Sim."

"O que ele disse?"

Camila hesitou.

"Perguntou se Osvaldo tinha certeza."

"E Osvaldo?"

"Respondeu que Helena precisava perder alguma coisa para lembrar quem mandava."

Helena fechou os olhos.

Agora a lembrança do fogo tinha outra forma.

Não era suspeita.

Não era coincidência.

Não era apenas uma luva.

Havia planejamento.

Havia intenção.

Talvez houvesse conhecimento de outra pessoa.

"O Vinícius sabia?"

Paulo respondeu:

"Precisamos analisar a conversa completa."

"Mas ele sabia que alguma coisa aconteceria."

"É possível."

Helena abriu os olhos.

"Ele me disse ontem que foi enganado."

Camila assentiu.

"Ele pode ter sido enganado sobre a propriedade das receitas."

"Mas não necessariamente sobre todo o resto."

"Exatamente."

Na delegacia, Osvaldo continuava negando.

"Esse computador não era só meu."

André permaneceu diante dele.

"Quem usava?"

"Um monte de gente."

"Nome."

Osvaldo ficou em silêncio.

"Quem usava?"

"Funcionários antigos."

"Na sua casa?"

正文2

"Eu trabalhava de casa."

André virou uma página.

"Os arquivos estavam na sua conta pessoal."

"Alguém colocou."

"A cópia do inventário foi criada há quase oito anos."

Osvaldo piscou.

Foi rápido.

Mas André viu.

"Eu não lembro."

"Três dias depois da morte da Teresa."

"Eu estava resolvendo coisa de funeral."

"Então lembra."

"Não."

André colocou outra folha sobre a mesa.

"A assinatura de ciência no inventário também é sua."

"Eu assinava muita coisa."

"Sem ler?"

"Às vezes."

"Então não sabia o que estava assinando?"

Osvaldo se inclinou.

"Minha mulher tinha morrido."

André manteve a expressão neutra.

"Entendo."

"Eu não estava bem."

"Mas três dias depois escaneou o documento."

"Não fui eu."

"Com sua conta."

"Não fui eu."

"E manteve a cópia por oito anos."

"Não fui eu."

André fechou a pasta.

"Então vamos falar da mensagem."

Osvaldo parou.

"Que mensagem?"

André colocou uma impressão diante dele.

Osvaldo leu.

Depois disso ela vai entender.

O rosto mudou.

Pouco.

Mas mudou.

"Isso não significa nada."

"Foi enviada horas antes do incêndio."

"Eu podia estar falando de qualquer coisa."

"Para Vinícius Braga."

"Negócio."

"Que negócio?"

"Não lembro."

André apontou para a linha seguinte.

Helena precisa perder alguma coisa para lembrar quem manda.

Osvaldo empurrou a folha.

"Frase de raiva."

"Então é sua."

Silêncio.

André percebeu.

Osvaldo também.

"Eu não disse isso."

"Acabou de dizer que foi frase de raiva."

"Eu quis dizer que parece."

André se recostou.

Pela primeira vez desde a prisão, Osvaldo parecia preocupado.

Não irritado.

Não ofendido.

Preocupado.

Naquela tarde, Helena foi chamada ao Ministério Público.

Camila a acompanhou.

A promotora que recebeu o material se chamava Dra. Marina Azevedo.

Ela colocou uma pasta sobre a mesa.

"Algumas coisas ainda precisam de perícia definitiva."

Helena assentiu.

"Eu entendo."

"Não podemos tratar relatório preliminar como sentença."

"Eu sei."

Marina observou Helena por alguns segundos.

"Mas o cenário mudou."

Helena apertou as mãos sobre o colo.

"Por causa das mensagens?"

"Por causa do conjunto."

Marina enumerou:

"Documentos pessoais armazenados."

"Solicitações de crédito."

"Fluxo do empréstimo."

"Assinaturas."

"Inventário ocultado."

"Documento usado na disputa comercial."

"Mensagens anteriores ao incêndio."

Helena sentiu um peso no peito.

Marina continuou:

"E possivelmente participação de terceiros."

"Vinícius."

"Estamos analisando."

Helena olhou para Camila.

"Ele pode ser preso?"

Marina respondeu:

"Não vou antecipar medida."

"Entendi."

"A investigação precisa separar quem fez o quê."

"Mas Osvaldo..."

A promotora fez uma pausa.

"Osvaldo está em uma situação mais grave do que estava ontem."

Helena ficou quieta.

"Por quê?"

Marina fechou a pasta.

"Porque agora não estamos mais falando apenas de fraude."

A frase permaneceu no ar.

Helena sentiu um arrepio.

Do outro lado da cidade, numa sala pequena da delegacia, Osvaldo recebeu a notícia de que a perícia havia recuperado mais mensagens apagadas.

Dessa vez, ele não gritou.

Não chamou Helena de ingrata.

Não disse que tudo era dele.

Ficou apenas sentado.

Com as mãos unidas.

Olhando para a mesa.

E, pela primeira vez em oito anos, Osvaldo Duarte parecia realmente com medo.

Parte 9 — Tudo Que Ele Roubou

Osvaldo passou a primeira semana preso repetindo a mesma frase para o advogado.

"Eu não vou fazer acordo."

Na segunda semana, repetiu com menos força.

Na terceira, já não repetiu.

O problema não era apenas a quantidade de acusações.

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